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Agosto Lilás: como a escola pode enfrentar a violência contra mulheres

10/08/26

Em 2026, a mobilização ganha ainda mais relevância diante do crescimento de casos de violência digital.

Como a escola deve agir quando uma estudante tem sua imagem manipulada por ferramentas de Inteligência Artificial? Ou quando uma "brincadeira" nas redes sociais se transforma em violência de gênero? Essas situações, que há pouco tempo pareciam distantes da realidade escolar, já fazem parte do cotidiano de muitas instituições de ensino.

Em um contexto em que a violência contra meninas e mulheres ganha novas formas e maior alcance no ambiente digital, a campanha Agosto Lilás convida educadores a refletirem sobre o papel da escola não apenas no acolhimento das vítimas, mas também na prevenção e na formação de estudantes para uma convivência ética, respeitosa e segura dentro e fora das telas.

Segundo uma pesquisa recente, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, 54% das mulheres que se relacionam com homens afirmam já ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida. Ao mesmo tempo, um levantamento da SaferNet Brasil mostra que a IA já está sendo utilizada para produzir imagens falsas de nudez envolvendo estudantes e professoras.

A violência mudou de ferramenta, não de natureza

Para Juliana Cunha, diretora da SaferNet Brasil, a violência digital não representa um problema separado da violência de gênero, mas uma nova forma de manifestação do mesmo fenômeno.

"A vida das mulheres hoje não separa o 'dentro' e o 'fora' da tela. A violência digital é a mesma violência baseada em gênero que historicamente as atinge, mas com alcance e permanência ainda maior”, comenta.

Um estudo produzido pela SaferNet identificou casos de deepfakes sexuais em escolas de 10 estados brasileiros. O levantamento, que inicialmente havia encontrado 72 vítimas, já contabiliza 173 pessoas afetadas, entre alunas e professoras. Em todos os casos identificados, as vítimas eram mulheres.

Segundo Juliana, a IA reduziu drasticamente as barreiras para esse tipo de violência. "Hoje qualquer adolescente com um celular consegue fabricar, em poucos minutos, uma imagem falsa de nudez de uma colega a partir de uma foto publicada nas redes sociais."

Mais do que uma questão tecnológica, ela explica, trata-se de uma violência baseada em relações de poder e desigualdade de gênero, agora potencializada por ferramentas cada vez mais acessíveis. “A violência de gênero não mudou de natureza. Ela continua sendo sobre poder e sobre o corpo da mulher, mas ganhou uma ferramenta que a torna mais fácil de produzir, mais difícil de conter e capaz de atingir qualquer pessoa.”

Para além da punição

Embora os casos estejam crescendo, muitas escolas ainda não possuem protocolos ou formação para lidar com esse tipo de situação. “Observamos que muitas instituições reagem preocupadas com a própria reputação e tentam abafar o caso. Ou, no outro extremo, partem direto para a punição sem acolher a vítima. Nenhum dos dois caminhos protege as estudantes.”

Para a especialista, a prioridade deve ser o acolhimento da vítima, sem julgamentos ou culpabilização. Também é importante preservar evidências, orientar a família, acionar os órgãos competentes e oferecer um trabalho educativo com os autores, que muitas vezes também são adolescentes.

Ela destaca que não é razoável esperar que professores resolvam sozinhos situações para as quais nunca receberam preparação. "As redes de ensino precisam oferecer protocolo e formação dentro desse tema aos educadores."

Como abordar violência de gênero digital na escola

O Agosto Lilás pode ser um importante ponto de partida para discutir respeito, consentimento e cidadania digital com toda a comunidade escolar. Mas, para que essas conversas tenham impacto, elas precisam fazer parte do cotidiano da escola.

Entre as recomendações da SaferNet Brasil estão:

  • Integrar o tema ao projeto pedagógico durante todo o ano;
  • Investir na formação de professores e equipes escolares;
  • Definir protocolos de acolhimento e encaminhamento antes que um caso aconteça;
  • Trabalhar consentimento, responsabilidade e respeito com meninas e meninos, sem culpabilizar as vítimas;
  • Envolver as famílias nas ações de conscientização.

Formação para uma cultura de respeito

Preparar estudantes para uma convivência ética, segura e responsável no ambiente digital é um desafio permanente das escolas – e não apenas durante campanhas como o Agosto Lilás. "Cidadania digital de verdade é formar pessoas que entendem o impacto dos seus atos no ambiente digital, e isso precisa vir junto de uma educação sobre relações de gênero”, defende Juliana.

O curso gratuito Cidadania Digital, da plataforma Escolas Conectadas, oferece subsídios para que educadores desenvolvam essas competências em sala de aula, abordando temas como convivência on-line, segurança, direitos, responsabilidades, participação cidadã e uso crítico das tecnologias.

Ao fortalecer a educação para a cidadania digital, as escolas contribuem para prevenir diferentes formas de violência, promover o respeito às diferenças e construir ambientes mais seguros para todos.

Conheça o curso Cidadania Digital

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Em vez de trabalhar apenas modelos prontos de redação, por exemplo, o professor pode criar situações em que os estudantes pesquisem sobre um tema, confrontem diferentes perspectivas, selecionem evidências, organizem argumentos e formulem suas próprias conclusões.É nesse sentido que as competências digitais podem contribuir para a preparação dos estudantes. A tecnologia amplia as possibilidades de pesquisa, análise, colaboração e produção, mas o objetivo continua sendo desenvolver a capacidade do aluno de pensar e agir sobre o conhecimento.Da BNCC à prática: desenvolvendo competências no cotidianoEssa perspectiva se aproxima do desenvolvimento de competências previsto para a Educação Básica. 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Nesse cenário, é dever da escola sensibilizar os estudantes para os desafios da preservação da natureza, estimulando-os a serem defensores ativos do meio ambiente. Atividades que envolvam limpeza de áreas verdes, plantação de mudas e hortas escolares, visita às áreas de conservação, reciclagem, economia circular e sustentabilidade podem ser o ponto de partida para estimular mudanças de comportamento. Caso queira aprofundar ainda mais seus conhecimentos no tema, os cursos gratuitos “Elementar, meu caro! Dados: um universo em expansão” e “Tecnologias para empoderar: digitalizar para incluir” darão novas ideias para trabalhar questões ambientais dentro de sala de aula.Dia das Crianças (12/10)Desde 1924 – ou seja, há mais de 100 anos –, as crianças de todo o Brasil têm um dia para chamar de seu. Para além de celebrar as infâncias, a data também serve para reforçar o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê os direitos dessa faixa etária. Assim como a sociedade, a escola deve prezar pelos cuidados, respeito, bem-estar e direitos das crianças. São inúmeras possibilidades de ações e atividades para marcar o dia. Pode ser organizada uma sessão de cinema com os filmes preferidos da criançada; uma gincana lúdica e educativa; um piquenique em uma área aberta; uma feira de troca de brinquedos; uma roda de jogos de tabuleiro. Deixá-las brincar livremente também é sempre uma boa opção.Aos educadores que queiram elevar o patamar, há diversos cursos gratuitos para que professores conheçam estratégias e caminhos para aplicar metodologias ativas na educação básica, assim como incentivar o protagonismo dos estudantes. É o caso da formação Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação.Aliás, recentemente entrou em vigor no Brasil o ECA Digital, que atualiza o estatuto para responder aos desafios de viver em uma sociedade hiperconectada. Para apoiar educadores nesse cenário, a formação gratuita “Cidadania Digital”, da plataforma Escolas Conectadas, foi atualizada e passa a contar com um novo conteúdo dedicado à legislação, seus impactos para a educação e as possibilidades de trabalho em sala de aula.Dia do Professor (15/10)E se há um dia para homenagear as crianças, claro que há também uma data para celebrar aqueles que educam: os professores e professoras. Segundo o Censo Escolar 2025, o país conta com nada menos do que 2,4 milhões de professores atuando na educação básica. Para comemorar a existência e o trabalho árduo de todos os profissionais da educação, não há nada melhor do que reconhecer e valorizar sua importância. As escolas podem organizar espaços de homenagem e celebração dos educadores que envolvam estudantes, famílias e toda a comunidade. É sempre importante enfatizar que, mais que apenas em uma data, os educadores devem ser respeitados e valorizados durante o ano inteiro. A plataforma Escolas Conectadas aposta na formação continuada docente como forma não só de apoiar o trabalho de professores em todo o país, mas também de melhorar a educação brasileira como um todo. Para isso, disponibiliza cursos 100% gratuitos, on-line, autoformativos e com emissão de certificados.Dia da Ciência e Tecnologia (16/10)Festejar as grandes descobertas e invenções tecnológicas, mas também incentivar que a pesquisa científica não pare de avançar: esse é o objetivo do Dia da Ciência e Tecnologia.Para despertar o lado investigativo dos estudantes, os educadores podem utilizar estratégias que estimulem o interesse pela ciência e tecnologia, mostrando sua presença no dia a dia. Excursões a museus científicos, construção de maquetes e feiras de ciências são ótimas opções para estimulá-los a intervir cientificamente na sociedade.O curso gratuito “Eureka! Investigar, descobrir, conectar, criar e refletir” busca apoiar nessa jornada científica, por meio de aliados como metodologias ativas, tecnologias digitais e abordagem STEAM (união das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).Dia do Saci e Halloween (31/10)Doces ou travessuras? Dia do Saci ou Halloween? Os dois! Ambas as comemorações acontecem no dia 31 de outubro. A tradição do Halloween tem origem na cultura celta, da Irlanda. Mas foi espalhada para todo o mundo pelos Estados Unidos, que popularizaram a festa marcada pela decoração sombria e pelas fantasias. E os estudantes adoram! Aqui no Brasil, o Halloween vem ganhando força nos últimos anos. 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