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BNCC Computação na prática: como transformar tecnologia em protagonismo estudantil no Ensino Médio

03/06/26

Conheça o professor que desenvolve projetos que unem ciência, tecnologia, sustentabilidade e inovação social. 

Um dos maiores desafios das escolas brasileiras ainda é transformar a BNCC Computação em experiências concretas de aprendizagem. Em muitas redes, a implementação – que é obrigatória desde o início de 2026 – esbarra em limitações de infraestrutura, formação docente e acesso desigual à tecnologia, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Mas a experiência do professor Galileu da Silva Pires, que leciona biologia em duas escolas estaduais de Manacapuru (AM), mostra que a computação pode ganhar significado quando é conectada aos problemas reais da comunidade e ao protagonismo dos estudantes.

Atuando desde 2016 na rede pública, Galileu desenvolve projetos que unem ciência, tecnologia, sustentabilidade e inovação social. Por meio de metodologias ativas e aprendizagem baseada em projetos, seus alunos já criaram soluções voltadas para saúde, inclusão, meio ambiente e dignidade menstrual – experiências que ajudam a ilustrar como a BNCC Computação pode sair do papel e ser aplicada na prática no Ensino Médio.

Mas, afinal, o que é a BNCC Computação?

A BNCC Computação é um complemento da Base Nacional Comum Curricular que orienta como as escolas brasileiras devem desenvolver competências relacionadas ao pensamento computacional, à cultura digital e ao uso crítico e criativo das tecnologias ao longo da educação básica. 

Na prática, a diretriz propõe que os estudantes deixem de ser apenas consumidores de tecnologia para se tornarem criadores, investigadores e solucionadores de problemas por meio dela. Nas aulas do professor Galileu, por exemplo, esse princípio aparece de forma integrada à biologia, à pesquisa científica e aos desafios vividos pelos próprios estudantes, em projetos que unem programação, inovação e impacto social. 

O que muda no Ensino Médio

No Ensino Médio, a BNCC Computação ganha um caráter mais aprofundado e conectado ao projeto de vida dos estudantes. Mais do que aprender a usar ferramentas digitais, os alunos são incentivados a desenvolver pensamento crítico, autonomia, resolução de problemas e capacidade de criar soluções com tecnologia.

Na prática, isso significa trabalhar temas como programação, cultura digital, ética, análise crítica das tecnologias e desenvolvimento de projetos conectados ao território e à realidade dos jovens. Segundo Galileu, esse processo tem impacto direto na forma como os estudantes enxergam o próprio futuro. “Eles querem desafios para serem protagonistas das soluções que ajudarão a sua comunidade, e essa vem sendo a minha estratégia de ensino”, afirma.

Tecnologia para resolver problemas reais

Os projetos desenvolvidos por Galileu ajudam a mostrar como os eixos da BNCC Computação podem ser trabalhados de forma integrada no Ensino Médio. Ao propor que os estudantes investiguem problemas da própria comunidade e criem soluções usando tecnologia, o professor mobiliza competências relacionadas ao pensamento computacional, à cultura digital e ao desenvolvimento de autonomia, criatividade e protagonismo.

No projeto Jaci – Indicador da Saúde da Mulher, por exemplo, os estudantes passaram por diferentes etapas de pesquisa, análise de informações, levantamento de hipóteses, desenvolvimento de protótipos e comunicação científica. O trabalho começou a partir de discussões sobre pobreza menstrual no ambiente escolar e evoluiu para a criação de um dispenser automatizado de absorventes e de um absorvente capaz de indicar alterações na saúde da mulher por meio do fluxo menstrual.

Já no projeto Fala Comigo, criado após Galileu identificar as dificuldades de aprendizagem de um aluno com deficiência auditiva, os estudantes participaram do desenvolvimento de um dispositivo bucal auditivo inovador. Nesse processo, foram estimulados a utilizar tecnologia para resolver problemas concretos, exercitando colaboração, investigação científica e raciocínio lógico.

As experiências dialogam diretamente com a proposta da BNCC Computação de formar estudantes capazes de compreender e criar tecnologias de maneira crítica, ética e contextualizada – não apenas como consumidores de ferramentas digitais, mas como agentes de transformação social.

Os desafios da implementação

Apesar das inúmeras possibilidades, implementar a BNCC Computação ainda é um desafio em grande parte das escolas brasileiras, incluindo o Ensino Médio

Em uma das escolas onde Galileu atua, por exemplo, o laboratório de informática ficou mais de dez anos desativado. Para reiniciar as atividades, foi necessário recuperar computadores e equipamentos antigos.

“O principal desafio ainda tem sido a infraestrutura tecnológica limitada, com laboratórios desativados, equipamentos obsoletos e acesso restrito à internet”, explica. Além da infraestrutura, a formação docente também aparece como um ponto central. “Eu tive que fazer cursos para aprender essa nova linguagem educacional”, relata.

A realidade do interior do Amazonas evidencia um cenário que se repete em diferentes regiões do país: muitos estudantes têm o primeiro contato mais estruturado com computação apenas no Ensino Médio.

Ainda assim, para o professor, esperar condições ideais não pode ser um impeditivo para começar. “Uma dica para outros professores: comecem [a implementar a BNCC Computação] com a realidade que possuem. É possível criar projetos significativos mesmo sem as condições ideais.”

Pensamento crítico e ética digital

Outro ponto central da BNCC Computação no Ensino Médio é o desenvolvimento de uma relação mais crítica e ética com as tecnologias digitais. Galileu explica que, após a realização desses projetos, seus alunos passaram a questionar mais as informações encontradas na internet, refletindo sobre desinformação, privacidade de dados e responsabilidade digital.

“Percebi que inicialmente muitos utilizavam a tecnologia apenas para entretenimento e redes sociais. Hoje eles entendem a tecnologia também como instrumento de criação, inovação e resolução de problemas da comunidade.”

Segundo ele, trabalhar a ética digital é indispensável para que o uso da tecnologia faça sentido na formação cidadã dos estudantes. “A construção do conhecimento deve estar associada ao desenvolvimento ético, crítico e cidadão dos estudantes.”

Preparação para o futuro

Ao aproximar os estudantes de programação, robótica, desenvolvimento de aplicativos e pesquisa científica, a BNCC Computação também amplia perspectivas acadêmicas e profissionais. Para Galileu, esse processo é especialmente importante em contextos onde os jovens nem sempre conseguem visualizar oportunidades ligadas à tecnologia.

“O contato com esses temas permite que eles conheçam novas áreas de atuação e visualizem oportunidades que muitas vezes pareciam distantes da sua realidade”, reflete.

Mais do que formar futuros profissionais da área de tecnologia, o professor acredita que a computação pode fortalecer autonomia, criatividade e protagonismo juvenil. “Trata-se de promover inclusão digital, desenvolver pensamento crítico e preparar os estudantes para os desafios acadêmicos, profissionais e sociais do futuro.”

Um caminho possível

Selecionado entre os 50 finalistas da edição 2026 do Global Teacher Prize, considerado o “Nobel da Educação”, Galileu vê o reconhecimento internacional como uma demonstração do potencial da educação pública amazonense.

“Mesmo em contextos desafiadores, é possível desenvolver ciência, inovação e cidadania com impacto global”, afirma. Por fim, sua trajetória ajuda a reforçar uma das principais mensagens da implementação da BNCC Computação no Ensino Médio: mais do que ensinar a usar ferramentas tecnológicas, trata-se de criar oportunidades para que os estudantes compreendam, questionem e transformem o mundo – cada vez mais digital – ao seu redor.

Especial BNCC Computação na prática

Esta reportagem faz parte de uma série especial da plataforma Escolas Conectadas sobre a implementação da BNCC Computação na educação básica. Ao longo dos próximos conteúdos, serão apresentadas experiências e reflexões sobre como as competências da computação podem ser trabalhadas em diferentes etapas de ensino, dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, passando pelos Anos Finais e chegando ao Ensino Médio.

A série também contará com conteúdos voltados à gestão escolar e às redes de ensino, abordando estratégias de formação docente, infraestrutura, apoio pedagógico e caminhos possíveis para transformar a BNCC Computação em experiências concretas de aprendizagem nas escolas brasileiras.

Quer aprofundar seus conhecimentos sobre BNCC Computação?

Para apoiar educadores e gestores na implementação prática da BNCC Computação, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas e on-line voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e metodologias inovadoras.

Entre os destaques estão o curso BNCC Computação: Fundamentos e Práticas, que apresenta as bases da normativa, além de possibilidades de aplicação nas escolas, e o curso Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação, com foco em práticas pedagógicas, metodologias ativas e atividades conectadas ao pensamento computacional.

Conheça os nossos cursos sobre BNCC Computação

Comentários


EKAROLAINE SILVA DE AMARILHA 22/06/26 13:29

Olá, gostaria de saber quem é o autor do texto mencionado. Poderia, por gentileza, informar essa referência?

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As formações são direcionadas para os educadores dos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.Ainda no universo da informática, temas como programação e Inteligência Artificial também estão presentes no nosso catálogo de cursos gratuitos. Confira!Dia Mundial da Fotografia (19/08)Uma das invenções mais extraordinárias da história da humanidade, a fotografia revolucionou a sociedade a partir do século 19. Naquela época, porém, ter uma câmera fotográfica era raridade. Hoje, ao contrário, quase todo mundo carrega uma no bolso: o celular.Aproveite essa data para propor atividades educativas com fotografias, que são uma ótima maneira de exercitar a criatividade e o senso crítico, buscando interpretar o mundo ao redor. Dentro desse tema, uma boa fonte de inspiração é o projeto “Visões do Cotidiano”, criado pela professora de artes Marenice Costa após realizar um curso da plataforma Escolas Conectadas. A iniciativa propõe que os estudantes captem, por meio de fotografias feitas no celular, a realidade e os problemas sociais enfrentados pela comunidade. Leia a matéria completa aqui.Dia do Folclore (22/08)Seja por meio de personagens clássicos como saci-pererê, curupira, boto-cor-de-rosa e iara, ou por celebrações populares, como o carnaval e a festa junina, o folclore é uma manifestação da cultura popular que caracteriza a identidade social do povo brasileiro. São tantas narrativas regionais, de norte a sul do país, que essa data remete a lembranças de histórias, tradições, mitos e lendas estudadas desde a educação infantil. O Dia do Folclore pode ser comemorado de diversas formas, desde atividades como contação de histórias, teatro de fantoches e danças típicas a concurso de fantasias e até mesmo uma feira cultural.Se a intenção for criar uma atividade digital, já pensou em convidar seus estudantes a produzirem jogos e animações com os diversos temas abarcados pelo folclore? Pois o curso “Olá mundo! Lógica de programação e autoria” ajudará você a atingir esse objetivo por meio da programação.Dia da Infância (24/08)Em 24 de agosto, é comemorado no Brasil o Dia da Infância. Porém, desde 2023, agosto passou a ser considerado o Mês da Primeira Infância, ação que visa conscientizar a sociedade sobre a importância da atenção integral às gestantes, às crianças de até seis anos de idade e às suas famílias.Nas escolas, essa data – e o mês como um todo – são excelentes oportunidades para desenvolver atividades que valorizem a infância. Organizar jogos e brincadeiras são boas ideias para movimentar o corpo, além de estimular a convivência entre as crianças.Pensando na grandiosidade de um país como o Brasil, com o apoio do site Mapa do Brincar, separamos algumas brincadeiras regionais que podem ser trabalhadas na sala de aula.Região norte: buraco e helicóptero de folhaRegião nordeste: estátua e sete pecadosRegião centro-oeste: cachorro no osso e pato, pato, gansoRegião sudeste: caracol e base 4Região sul: coelho sai da toca e conebolDurante todo o mês: Agosto LilásO Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, com foco na divulgação da Lei Maria da Penha e no combate à violência doméstica e familiar. O mês foi escolhido por marcar o aniversário da sanção da lei em 7 de agosto de 2006.Na atualidade, o ambiente virtual tornou-se uma das principais ferramentas para a violência moral e psicológica contra as mulheres. Práticas como cyberbullying, perseguição online e vazamento de fotos íntimas, inclusive, já são combatidas pela Lei Maria da Penha.Leia uma matéria especial sobre o tema aqui.Esteja preparado/a para fortalecer esse enfrentamento por meio do curso “Cidadania Digital”, que incentiva o uso seguro, consciente e responsável da Internet entre educadores e estudantes.Conte para nós quais desses temas farão parte do seu planejamento e aproveite para compartilhar esse conteúdo com outros educadores!

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