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Os Códigos de Sofia: projeto ensina pensamento computacional sem telas ou internet

20/02/26

Kit desplugado pode ser baixado gratuitamente e adaptado por educadores de todo o Brasil

Apesar de muita gente associar o ensino de tecnologia a computadores, jogos digitais e laboratórios, há sempre a possibilidade de seguir um caminho diferente e surpreendente. 

Criado por Giselle Santos, gestora de inovação e pesquisadora do Rio de Janeiro, Os Códigos de Sofia não é um jogo tradicional nem uma sequência didática rígida: trata-se de um kit narrativo desplugado, formado por cartas, histórias e perguntas que funcionam como disparadores de conversas sobre inteligência artificial (IA), cultura digital, dados e território. Cada carta apresenta um fragmento da vida de Sofia, uma personagem fictícia de 14 anos que vive no Morro Dona Marta. Ao escrever suas próprias histórias, ela provoca reflexões sobre como a tecnologia atravessa o cotidiano.

Mais do que conduzir uma atividade, Sofia promove um encontro. “Não se trata de ensinar a operar ferramentas digitais, mas de abrir espaço para pensar quem projeta as tecnologias que usamos? Quem toma decisões por meio delas? Quem acaba não sendo visto pelos sistemas?”, provoca Gisele.

A atividade é livre, gratuita e está disponível para download para qualquer educador que se interesse por esse tema. Segundo a pesquisadora, é direcionada especialmente para o Ensino Fundamental, mas isso não impede que seja adaptada para diferentes etapas e contextos de ensino.

Afinal, o projeto é simples e acessível, e as cartas podem ser lidas em roda, discutidas coletivamente e transformadas em criação, como cartas-resposta, desenhos, cenas, performances e mapas do território. Cada educador cria seu próprio caminho, sem etapas obrigatórias. O kit oferece sugestões de tempo e organização, mas sempre como referências flexíveis.

Os Códigos de Sofia em sala de aula

Em Jaguariúna (SP), a professora Telma Aparecida Alves Conti, da Escola Municipal Professor Irineu Espedito Ferrari, encontrou em Os Códigos de Sofia uma porta de entrada potente para discutir inteligência artificial, pensamento computacional e produção de texto com seus estudantes. E tudo isso sem depender de computadores.

A proposta inicial da atividade era simples: ler a primeira carta de Sofia e conversar. Mas a conversa rapidamente cresceu, e as crianças começaram a discutir segurança, autoria, privacidade e até mesmo responder a carta para a personagem.

Esse desejo virou oportunidade pedagógica. “A turma iniciou um trabalho de produção e revisão de texto, e cada revisão trazia novas discussões sobre IA, mensagens instantâneas, velocidade da comunicação e cuidado com dados pessoais”, revela Telma. As cartas se transformaram em rotações de atividades, reconhecimento de padrões, jogos e exercícios lúdicos. A cada carta, novas possibilidades surgiam.

Um dos momentos mais marcantes veio quando os alunos trabalharam a carta sobre qualidade de dados, levando para casa uma receita de bolinho de chuva com um erro proposital (“areia” no lugar de “aveia”) para discutir viés e alucinação de IA com a família. “Gerou uma repercussão para além da sala de aula, e puderam discutir com seus pais temas como IA, cibersegurança e tempo de tela”, conta.

“Existe um mito enorme de que é preciso laboratório, computador e conectividade para falar sobre IA. Não precisa”, afirma Giselle. “Para isso basta uma boa roda de conversa e uma rede de confiança.”

A Inteligência Artificial na vida cotidiana dos estudantes

Em essência, Os Códigos de Sofia convida os estudantes a discutir IA e pensamento computacional a partir da vida real, com lápis, papel e com a profundidade que nasce da escuta, do diálogo e da imaginação coletiva.

A experiência dos estudantes de Jaguariúna (SP) se estendeu para reuniões com as famílias, onde temas como segurança digital e propósito das atividades desplugadas ganharam espaço. As conversas deixaram claro que a escola não pode ignorar o que acontece fora dela. “As crianças estão usando IA em casa. Mas, e na escola, o que se está falando? Como se está falando?”, questiona.

Telma resume sua visão sobre o valor do trabalho desplugado: “Não é romantizar a falta de infraestrutura, é entender que IA e pensamento computacional são habilidades que precisam ser desenvolvidas com ou sem acesso à tecnologia.”

A partir de Sofia, sua turma escreveu, criou, discutiu, investigou, envolveu as famílias e até experimentou programação no Scratch. Um percurso completo e que foi iniciado apenas por uma carta.

Por que falar de IA sem telas?

Os Códigos de Sofia surgiu no final de 2024, quando os debates sobre proibição de celulares nas escolas ganharam força. Para Giselle, esse contexto trouxe também a oportunidade de abordar criticamente a tecnologia em um momento no qual, em sua visão, o ensino relativo à IA e ao pensamento computacional vêm sendo dominado por um imaginário de eficiência e de automação.

“A percepção era de que esse ensino estava sendo feito de maneira colonizada, por uma ideia de perfeição e inevitabilidade, mas esvaziado de presença, de toque, de afeto”, enfatiza.

Assim, a iniciativa mostra que é possível discutir algoritmos, padrões, dados e ética sem depender de telas, e que é possível formar pensamento crítico sobre IA antes mesmo de colocar a mão em um dispositivo. “Ensinar tecnologia deve ser, acima de tudo, um processo humano, coletivo e profundamente conectado às experiências de cada estudante”, afirma Giselle.

A proposta também contribui para que escolas sem conectividade não fiquem de fora do trabalho de desenvolver competências digitais. Afinal, embora o país tenha avançado na expansão da internet nas escolas, o acesso ainda é desigual e desafia a inclusão plena de todos os estudantes na cultura digital.

Conectividade e o cenário brasileiro

Entre 2023 e 2025, o Brasil alcançou um marco importante quando o número de escolas públicas equipadas com salas de aula que possuem internet de qualidade e conexão sem fio para uso pedagógico subiu de 45,4% para 65,89%, segundo dados do Ministério da Educação. Ainda assim, aproximadamente um terço das escolas públicas não dispõe dessa infraestrutura. Pelo menos 33% relataram não usar a internet em seus processos pedagógicos, e cerca de 10% afirmaram não ter qualquer acesso à rede, de acordo com o Censo Escolar.

Mesmo onde há conexão, a disponibilidade de dispositivos para uso dos estudantes permanece limitada, especialmente em redes municipais. Essa realidade evidencia um cenário em transição, onde há conectividade em expansão, mas persistem desigualdades importantes entre zonas rurais e urbanas e entre diferentes redes de ensino. Por isso, é essencial fortalecer iniciativas que garantam oportunidades de aprendizagem digital para todos, inclusive em contextos com pouco ou nenhum acesso à internet.

Uma nova etapa para o ensino de tecnologia no Brasil

Em 2026, todas as redes de ensino terão que implementar a BNCC Computação, que trará uma série de novas habilidades obrigatórias a serem desenvolvidas nos estudantes, em temas como pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. Dessa forma, iniciativas como Os Códigos de Sofia garantem que mesmo as escolas com poucos recursos de conectividade e equipamentos possam ter a oportunidade de trabalhar essas competências de formas alternativas.

O projeto de Giselle, inclusive, aborda conceitos presentes na BNCC Computação, mas traduzidos para uma linguagem humana e cotidiana. Um de seus grandes motores é romper a ideia de que discutir IA é privilégio de especialistas. “Esse discurso de que a IA não me pertence, que é feita para quem entende de ciência de dados, é algo que desumaniza o tema e afasta”, observa a educadora. Para ela, estudantes e educadores precisam se sentir parte dessas discussões que, muitas vezes, parecem restritas a centros de tecnologia do norte global.

“O projeto cria espaço para que nossos alunos pensem tecnologia a partir deles mesmos, do cotidiano, dos conflitos reais, para que entendam que pertencem a essas conversas”, finaliza. Os Códigos de Sofia mostra que esse processo de aprendizagem independe de ter acesso a laboratórios de informática ou dispositivos digitais.

Quer aprender a ensinar pensamento computacional?

Se você deseja levar esse olhar para sua prática, a plataforma Escolas Conectadas oferece o curso “Pensamento Computacional e Programação na Educação”. Totalmente gratuita e on-line, a formação dialoga diretamente com a proposta de Giselle Santos de trabalhar lógica, algoritmos, padrões, sistemas e ética a partir da realidade da escola. 

Afinal, ensinar tecnologia não é sobre ter equipamentos, é sobre formar pessoas capazes de questionar, criar, decidir e compreender o mundo que as atravessa.

Conheça o curso agora mesmo!

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Esse tipo de experiência fortalece habilidades importantes para o ENEM sem que a aula precise reproduzir o formato da prova.Tecnologia com intencionalidade: novas escolhas para o professorAmpliar as possibilidades de aprendizagem também traz novos desafios para o educador. Quanto maior o número de ferramentas e recursos disponíveis, mais importante se torna saber escolher o que realmente faz sentido para cada objetivo e para cada turma.Moran lembra que a chegada da internet – e mais recentemente da IA – ampliou o repertório disponível ao professor, mas também tornou mais complexas suas escolhas. “Você vai sofisticando, vai ampliando possibilidades, mas também tem que fazer escolhas. Não dá para usar tudo de qualquer jeito.”Por isso, competência digital docente não significa dominar todas as plataformas existentes. 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Nesse cenário, é dever da escola sensibilizar os estudantes para os desafios da preservação da natureza, estimulando-os a serem defensores ativos do meio ambiente. Atividades que envolvam limpeza de áreas verdes, plantação de mudas e hortas escolares, visita às áreas de conservação, reciclagem, economia circular e sustentabilidade podem ser o ponto de partida para estimular mudanças de comportamento. Caso queira aprofundar ainda mais seus conhecimentos no tema, os cursos gratuitos “Elementar, meu caro! Dados: um universo em expansão” e “Tecnologias para empoderar: digitalizar para incluir” darão novas ideias para trabalhar questões ambientais dentro de sala de aula.Dia das Crianças (12/10)Desde 1924 – ou seja, há mais de 100 anos –, as crianças de todo o Brasil têm um dia para chamar de seu. Para além de celebrar as infâncias, a data também serve para reforçar o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê os direitos dessa faixa etária. Assim como a sociedade, a escola deve prezar pelos cuidados, respeito, bem-estar e direitos das crianças. São inúmeras possibilidades de ações e atividades para marcar o dia. Pode ser organizada uma sessão de cinema com os filmes preferidos da criançada; uma gincana lúdica e educativa; um piquenique em uma área aberta; uma feira de troca de brinquedos; uma roda de jogos de tabuleiro. Deixá-las brincar livremente também é sempre uma boa opção.Aos educadores que queiram elevar o patamar, há diversos cursos gratuitos para que professores conheçam estratégias e caminhos para aplicar metodologias ativas na educação básica, assim como incentivar o protagonismo dos estudantes. É o caso da formação Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação.Aliás, recentemente entrou em vigor no Brasil o ECA Digital, que atualiza o estatuto para responder aos desafios de viver em uma sociedade hiperconectada. Para apoiar educadores nesse cenário, a formação gratuita “Cidadania Digital”, da plataforma Escolas Conectadas, foi atualizada e passa a contar com um novo conteúdo dedicado à legislação, seus impactos para a educação e as possibilidades de trabalho em sala de aula.Dia do Professor (15/10)E se há um dia para homenagear as crianças, claro que há também uma data para celebrar aqueles que educam: os professores e professoras. Segundo o Censo Escolar 2025, o país conta com nada menos do que 2,4 milhões de professores atuando na educação básica. Para comemorar a existência e o trabalho árduo de todos os profissionais da educação, não há nada melhor do que reconhecer e valorizar sua importância. As escolas podem organizar espaços de homenagem e celebração dos educadores que envolvam estudantes, famílias e toda a comunidade. É sempre importante enfatizar que, mais que apenas em uma data, os educadores devem ser respeitados e valorizados durante o ano inteiro. A plataforma Escolas Conectadas aposta na formação continuada docente como forma não só de apoiar o trabalho de professores em todo o país, mas também de melhorar a educação brasileira como um todo. Para isso, disponibiliza cursos 100% gratuitos, on-line, autoformativos e com emissão de certificados.Dia da Ciência e Tecnologia (16/10)Festejar as grandes descobertas e invenções tecnológicas, mas também incentivar que a pesquisa científica não pare de avançar: esse é o objetivo do Dia da Ciência e Tecnologia.Para despertar o lado investigativo dos estudantes, os educadores podem utilizar estratégias que estimulem o interesse pela ciência e tecnologia, mostrando sua presença no dia a dia. Excursões a museus científicos, construção de maquetes e feiras de ciências são ótimas opções para estimulá-los a intervir cientificamente na sociedade.O curso gratuito “Eureka! Investigar, descobrir, conectar, criar e refletir” busca apoiar nessa jornada científica, por meio de aliados como metodologias ativas, tecnologias digitais e abordagem STEAM (união das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).Dia do Saci e Halloween (31/10)Doces ou travessuras? Dia do Saci ou Halloween? Os dois! Ambas as comemorações acontecem no dia 31 de outubro. A tradição do Halloween tem origem na cultura celta, da Irlanda. Mas foi espalhada para todo o mundo pelos Estados Unidos, que popularizaram a festa marcada pela decoração sombria e pelas fantasias. E os estudantes adoram! Aqui no Brasil, o Halloween vem ganhando força nos últimos anos. 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