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BNCC Computação nos anos finais do EF: como desenvolver pensamento crítico em um mundo cada vez mais digital

26/06/26

Segunda matéria especial sobre a implementação da BNCC Computação aborda os anos finais do Ensino Fundamental

Uma fase de profundas transformações na vida dos estudantes: esses são os anos finais do Ensino Fundamental. É nesse período que eles ampliam sua autonomia, fortalecem relações sociais, passam a ocupar ambientes digitais com mais intensidade e começam a construir sua identidade dentro e fora da escola.

Por isso, a implementação da BNCC Computação nessa etapa vai além do ensino de ferramentas digitais. O documento, que tem implementação obrigatória pelas redes de ensino a partir de 2026, propõe o desenvolvimento de competências relacionadas ao pensamento computacional, à cultura digital e à compreensão crítica das tecnologias que fazem parte do cotidiano dos jovens.

Na Escola Municipal George Chalmers, em Nova Lima (MG), o professor de artes Otávio Neves encontrou uma forma de conectar essas competências a uma realidade cada vez mais presente entre os adolescentes: a influência das redes sociais na construção da autoestima e da identidade. A partir do projeto “Eu Digital”, seus estudantes passaram a refletir sobre algoritmos, filtros, validação social e representação de si mesmos no ambiente on-line.

Mas, afinal, o que é a BNCC Computação?

À primeira vista, um projeto sobre identidade digital, autoestima e produção audiovisual pode parecer distante da computação. Mas é justamente esse tipo de experiência que ajuda a materializar as competências previstas pela BNCC Computação, que orienta as escolas a desenvolverem competências que permitam aos estudantes compreender, utilizar e criar tecnologias de forma crítica, ética e criativa.

A proposta não se limita ao ensino de programação ou ao uso de ferramentas digitais: ela busca desenvolver nos estudantes a capacidade de compreender, utilizar e criar tecnologias de forma crítica, ética e criativa. Em uma etapa marcada pela intensificação da vida online e pela construção da identidade, isso significa criar oportunidades para que os jovens reflitam sobre o funcionamento das plataformas digitais, produzam conteúdos, resolvam problemas e participem do mundo digital de forma mais consciente e protagonista.

Cultura digital, identidade e protagonismo

O projeto desenvolvido por Otávio nasceu a partir de uma preocupação observada pela equipe escolar: o aumento de casos de ansiedade, sofrimento emocional e dificuldades de expressão entre os estudantes. Ao mesmo tempo, o professor percebia que boa parte dessas vivências estava relacionada ao ambiente digital.

Foi então que surgiu a proposta de unir arte, audiovisual e tecnologia para criar espaços de escuta, expressão e reflexão. "O projeto se inicia com produções artísticas, desenhos, pinturas e fotografias, e vai evoluindo para o audiovisual, fazendo os estudantes refletirem sobre filtros, algoritmos, validação social e a diferença entre o 'eu real' e o 'eu digital'", explica o professor.

A iniciativa ilustra como os três eixos da BNCC Computação podem ser trabalhados de maneira integrada. No eixo Cultura Digital, os estudantes analisaram o impacto das redes sociais, dos algoritmos e dos padrões estéticos presentes no ambiente digital. Em vez de utilizar a tecnologia apenas como ferramenta, passaram a investigá-la como objeto de reflexão crítica.

Já no eixo Mundo Digital, utilizaram diferentes plataformas e ferramentas para produzir conteúdos, editar vídeos, armazenar informações e publicar seus trabalhos. Por fim, no eixo Pensamento Computacional, desenvolveram competências relacionadas à decomposição de problemas, reconhecimento de padrões, abstração e organização lógica de processos durante a produção audiovisual.

Quando há sentido, o engajamento cresce

Trabalhando com esses eixos, um dos principais resultados do projeto observados pelo professor foi o aumento do engajamento e da participação dos estudantes. Muitos jovens que tinham dificuldades para se expressar encontraram nas linguagens digitais novas formas de comunicação e protagonismo. Por meio da fotografia, dos vídeos e das produções audiovisuais, passaram a perceber que suas histórias e experiências tinham espaço e valor dentro da escola.

"O engajamento aumentou muito porque os estudantes perceberam que a escola está dialogando com o universo digital, que faz parte da vida deles", afirma. Segundo ele, a autonomia também se fortaleceu ao longo do processo, à medida que os estudantes passaram a organizar tarefas, criar roteiros, resolver problemas técnicos e tomar decisões coletivamente durante as produções audiovisuais.

Muito além das telas

Ao longo do projeto, os estudantes passaram a questionar mais criticamente o funcionamento das redes sociais e os padrões que circulam nos ambientes digitais. Deixaram de ocupar apenas o papel de consumidores para assumirem uma postura mais ativa e consciente diante da tecnologia.

Para o educador – que recentemente foi reconhecido com o Prêmio Professor Porvir –, esse é justamente um dos principais objetivos da BNCC Computação para os Anos Finais do Ensino Fundamental.

"Eu sempre digo: a BNCC Computação não começa no computador. Ela começa na forma como o estudante pensa, organiza, cria, resolve problemas e compreende o mundo digital em que vive."

Sua experiência mostra que, quando conectada à realidade dos estudantes, a computação pode se tornar uma poderosa ferramenta para desenvolver pensamento crítico, criatividade, autonomia e cidadania digital – competências cada vez mais essenciais para a vida em sociedade.

Os desafios e aprendizados da implementação

Os resultados alcançados pelo projeto não significam que o percurso tenha sido simples. Como acontece em muitas escolas brasileiras, a implementação de práticas alinhadas à BNCC Computação também exigiu adaptações, criatividade e sensibilidade pedagógica. 

Entre os principais desafios enfrentados pelo projeto estava a limitação de equipamentos. Contudo, para Otávio, a falta de infraestrutura não impediu o desenvolvimento das atividades, já que grande parte das produções foi realizada com celulares e aplicativos gratuitos. "Não é necessário ter equipamentos sofisticados para desenvolver experiências potentes”, acredita.

Ao olhar para a experiência, o educador destaca que um dos principais aprendizados foi compreender que a tecnologia, sozinha, não transforma a aprendizagem. "O projeto me ensinou que tecnologia precisa ter sentido pedagógico e humano. Não basta utilizar ferramentas digitais de forma superficial. Tem que existir intencionalidade", destaca. “Quando a tecnologia é usada para criar, comunicar e refletir sobre questões reais da vida dos estudantes, ela se torna muito mais significativa."

Outro desafio importante foi lidar com questões emocionais sensíveis relacionadas à identidade, autoestima e pertencimento, exigindo uma mediação pedagógica acolhedora e cuidadosa.

Especial BNCC Computação na prática

Esta reportagem faz parte de uma série especial da plataforma Escolas Conectadas sobre a implementação da BNCC Computação na educação básica. A primeira reportagem, já publicada, mostrou os desafios da implementação no Ensino Médio e apresentou a experiência do professor Galileu da Silva Pires.

Ao longo dos próximos conteúdos, serão apresentadas experiências e reflexões sobre como as competências da computação podem ser trabalhadas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. A série também contará com conteúdos voltados à gestão escolar e às redes de ensino, abordando estratégias de formação docente, infraestrutura, apoio pedagógico e caminhos possíveis para transformar a BNCC Computação em experiências concretas de aprendizagem nas escolas brasileiras.

Quer aprofundar seus conhecimentos sobre BNCC Computação?

Para apoiar educadores e gestores na implementação prática da BNCC Computação, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas e on-line voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e metodologias inovadoras.

Entre os destaques estão o curso BNCC Computação: Fundamentos e Práticas, que apresenta as bases da normativa, além de possibilidades de aplicação nas escolas, e o curso Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação, com foco em práticas pedagógicas, metodologias ativas e atividades conectadas ao pensamento computacional.

Conheça os nossos cursos sobre BNCC Computação

Comentários


Dionisio Pinto da Silva 06/09/26 22:15

Esta questão de trabalhar a tecnologia na escola é de suma importância, os alunos estão perdendo sua identidade, virando robôs, perdendo o respeito a vontade de aprender etc .. esta questão de aprender lidar com a tecnologia é fundamental para usar a tecnologia de forma que não afete tanto sua vida social hoje parece muito com algo que conheço bem “ eu etiqueta “ e isso precisa ser trabalhado com urgência se não vamos perder para uma sociedade vazia e robótica …acreciva e com pensamentos e atitudes sem muito sentido… podemos falar mais sobre isso obg

Marcia Maria Guedes Junqueira 06/07/26 16:01

Cursos de desenvolvimento e aprendizado, pra alavancar os conhecimentos

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O ensino remoto exigiu respostas rápidas de professores, gestores e redes de ensino, evidenciando tanto o potencial quanto os desafios do uso das tecnologias.Nos anos seguintes, o debate evoluiu para o ensino híbrido e para a recomposição das aprendizagens. Mais do que combinar atividades presenciais e virtuais, tornou-se necessário repensar estratégias pedagógicas capazes de atender estudantes com diferentes trajetórias e necessidades.Esse período também evidenciou a importância da formação continuada dos educadores. Em um cenário de mudanças constantes, aprender a utilizar novas tecnologias com intencionalidade pedagógica passou a ser ainda mais necessário para a prática docente.Uma nova etapa para a educação digitalOs últimos anos consolidaram uma nova fase dessa transformação digital. A homologação da BNCC Computação, em 2022, fortaleceu o debate sobre competências digitais e abriu caminho para que a Computação passasse a integrar o currículo da Educação Básica. Ao mesmo tempo, a chegada da IA generativa trouxe novas possibilidades para o planejamento das aulas, a produção de materiais e a aprendizagem, acompanhadas de discussões sobre ética, autoria e pensamento crítico.Também ganharam espaço temas como educação midiática, cidadania digital, inclusão e acessibilidade. Em comum, todos eles reforçam uma mesma ideia: formar estudantes para viver, aprender e participar de uma sociedade cada vez mais conectada.Evoluir junto com a educaçãoAcompanhar esses debates educacionais faz parte da trajetória da Escolas Conectadas. Desde sua criação, em 2015, a plataforma busca apoiar educadores na construção de práticas pedagógicas inovadoras, críticas e inclusivas, oferecendo formações gratuitas que acompanham as necessidades de cada momento da educação brasileira.

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Agosto: temas importantes do mês para trabalhar em sala d...

Atualizado em 28/07/2026Agosto é sempre assim: fim de férias e volta às aulas! Para apoiar os educadores a recuperarem o ritmo pedagógico e fazerem do retorno escolar um momento divertido e estimulante para os estudantes, separamos diversas datas importantes do calendário para serem trabalhadas durante o mês. Confira a seguir a Agenda do Educador de agosto!Dia Nacional do Documentário Brasileiro (07/08)O Brasil tem um cenário fértil de produções cinematográficas – incluindo filmes indicados e premiados no Oscar – e um histórico de documentários que podem ser inseridos em diversas disciplinas como uma ferramenta pedagógica. A produção de vídeos e fotos é uma forma interessante de desenvolver habilidades como autoria, comunicação, síntese, colaboração, resolução de problemas e negociação de pontos de vista a partir da construção de narrativas. Aproveite a data e experimente com seus estudantes em sala de aula!A “Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores” apresenta ferramentas digitais promissoras, incluindo temas como fotografia e vídeo, para potencializar o trabalho do professor.Dia Internacional dos Povos Indígenas (09/08)Desde 1995, a data celebra todos os povos originários e busca conscientizar sobre a sua realidade, principalmente no que se refere às condições de vida e cultura, bem como a garantia dos direitos humanos.E você, já pensou em como trabalhar essa efeméride em sala de aula? É importante lembrar que representações estereotipadas devem ser evitadas, buscando apresentar os povos indígenas com respeito às suas origens e culturas. Para isso, vale explorar de tudo: jogos e brincadeiras de origem indígena, histórias e lendas, danças e músicas, palavras de origem indígena, e assim em diante!Se você quiser se aprofundar nos fundamentos da educação antirracista, que envolve também a luta dos povos originários, a dica são os nossos cursos gratuitos “Educação Antirracista Mediada por Tecnologias: Conceito e Fundamentos” e “Tecnologia como Aliada da Educação Antirracista: Práticas e Perspectivas”.Para completar, o Dicionário do Saber Ancestral é um material especial que reúne palavras de origem indígena presentes no nosso cotidiano, seus significados e contextos culturais. Também inclui um jogo da memória para desenvolver a leitura e ampliar o repertório sociocultural dos estudantes. Baixe gratuitamente e leve novos olhares para a sua sala de aula!Dia do Estudante (11/08)Uma data criada para reconhecer o papel dos estudantes não pode passar em branco nas escolas, certo?Vale promover atividades em que os estudantes se sintam valorizados, buscando fortalecer o sentimento de pertencimento em relação ao espaço escolar. Concursos, gincanas e atividades que estimulem a troca de experiências são ótimas ideias para atingir esse objetivo. Atividades mão na massa, como produzir murais ou pintar paredes da escola, também são boas opções para realizar um processo de criação coletiva que envolva toda a comunidade escolar.Quer saber mais sobre como as atividades mão na massa podem estimular o protagonismo estudantil em suas aulas? 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A iniciativa propõe que os estudantes captem, por meio de fotografias feitas no celular, a realidade e os problemas sociais enfrentados pela comunidade. Leia a matéria completa aqui.Dia do Folclore (22/08)Seja por meio de personagens clássicos como saci-pererê, curupira, boto-cor-de-rosa e iara, ou por celebrações populares, como o carnaval e a festa junina, o folclore é uma manifestação da cultura popular que caracteriza a identidade social do povo brasileiro. São tantas narrativas regionais, de norte a sul do país, que essa data remete a lembranças de histórias, tradições, mitos e lendas estudadas desde a educação infantil. O Dia do Folclore pode ser comemorado de diversas formas, desde atividades como contação de histórias, teatro de fantoches e danças típicas a concurso de fantasias e até mesmo uma feira cultural.Se a intenção for criar uma atividade digital, já pensou em convidar seus estudantes a produzirem jogos e animações com os diversos temas abarcados pelo folclore? Pois o curso “Olá mundo! Lógica de programação e autoria” ajudará você a atingir esse objetivo por meio da programação.Dia da Infância (24/08)Em 24 de agosto, é comemorado no Brasil o Dia da Infância. Porém, desde 2023, agosto passou a ser considerado o Mês da Primeira Infância, ação que visa conscientizar a sociedade sobre a importância da atenção integral às gestantes, às crianças de até seis anos de idade e às suas famílias.Nas escolas, essa data – e o mês como um todo – são excelentes oportunidades para desenvolver atividades que valorizem a infância. Organizar jogos e brincadeiras são boas ideias para movimentar o corpo, além de estimular a convivência entre as crianças.Pensando na grandiosidade de um país como o Brasil, com o apoio do site Mapa do Brincar, separamos algumas brincadeiras regionais que podem ser trabalhadas na sala de aula.Região norte: buraco e helicóptero de folhaRegião nordeste: estátua e sete pecadosRegião centro-oeste: cachorro no osso e pato, pato, gansoRegião sudeste: caracol e base 4Região sul: coelho sai da toca e conebolDurante todo o mês: Agosto LilásO Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, com foco na divulgação da Lei Maria da Penha e no combate à violência doméstica e familiar. O mês foi escolhido por marcar o aniversário da sanção da lei em 7 de agosto de 2006.Na atualidade, o ambiente virtual tornou-se uma das principais ferramentas para a violência moral e psicológica contra as mulheres. Práticas como cyberbullying, perseguição online e vazamento de fotos íntimas, inclusive, já são combatidas pela Lei Maria da Penha.Leia uma matéria especial sobre o tema aqui.Esteja preparado/a para fortalecer esse enfrentamento por meio do curso “Cidadania Digital”, que incentiva o uso seguro, consciente e responsável da Internet entre educadores e estudantes.Conte para nós quais desses temas farão parte do seu planejamento e aproveite para compartilhar esse conteúdo com outros educadores!

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