Dia da Educação: transformação pelo ensino e aprendizado constante

28/04/23

Relembre o propósito de ensinar e a importância da formação continuada para professores evoluírem profissionalmente e contribuírem com a cidadania digital de estudantes

 

As tarefas que fazem parte da rotina de ensino são tantas que, no dia a dia, o propósito principal de ser educador pode ficar ofuscado. O Dia da Educação (28/04) é um convite para relembrar a importância da educação como instrumento de transformação da sociedade, a partir de mudanças no presente e no futuro. No atual contexto da educação brasileira, essas mudanças se voltam à disseminação da cultura da paz nas escolas e para além delas. 

Não à toa, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes como forma de combater desigualdades sociais e de gênero. A educação é o quarto dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela instituição e assinado por 193 países.

A celebração do Dia da Educação, em 28 de abril, remonta ao Fórum Mundial de Educação, realizado nessa data, no ano 2000, em Dacar, no Senegal. Nesse encontro, 164 líderes de diferentes países, incluindo o Brasil, se comprometeram em um acordo para desenvolver a educação no mundo e assinaram a Declaração de Dacar com esse objetivo.

Metas como essas são alcançadas em um esforço conjunto que reúne políticas públicas de governos, incentivos de instituições privadas e reivindicações sociais e passam a se tornar realidade a partir da atuação de cada professor em sala de aula.

 

Formação continuada: indispensável para o presente e para o futuro

Você, educador, tem papel central no processo de transformação por meio da educação. Por esse motivo, o investimento em formação continuada é importante para estar à frente das necessidades da escola e da sociedade com conhecimentos atualizados e práticas inovadoras. A formação continuada é, afinal, um direito de todos os educadores.

O professor Daniel Almeida Bezerra, de Campina Grande (PB) entende que a habilidade mais importante de um professor é se colocar no lugar de aluno. “Antes de me ver como professor, eu me vejo como estudante. Falo muito para meus alunos que tenho fome de aprender. Por trás da ideia de formação continuada do professor, está a ideia de uma identidade de estudante”, diz. 

Ele atua na rede estadual desde 2016 e leciona Geografia na Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, no Bairro Mutirão. Atualmente, também é doutorando em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Essa alternância entre as posições de professor e aluno é o que faz ele valorizar ainda mais o aprendizado contínuo. “Na própria pesquisa, a gente parte de um não saber. Em toda informação é colocada uma interrogação”, completa.

A importância dada à busca por novos conhecimentos também permite resolver problemas mais simples e frequentes, que vão desde melhoria na gestão da turma, no engajamento dos alunos e identificação de problemas nos processos de aprendizagem. Dessa maneira, os propósitos e objetivos macro da educação se tornam mais efetivos por meio de ações práticas.            

Estar em constante evolução é o que permite ser apto para formar cidadãos e desenvolver as competências digitais necessárias para viver na sociedade, assim como lidar com os desafios da educação pública brasileira, como a recomposição de aprendizagem dos estudantes, o desenvolvimento da cidadania digital e a educação para a paz.

Leia mais: Defasagem de aprendizagem: como trabalhar diante desse cenário?

 

Educação socioemocional: uma necessidade nas escolas

Adriana de Souza Rodrigues tem mais de duas décadas de experiência com educação em diferentes realidades: a primeira em Teresina (PI) e outra em São Miguel Paulista (SP) cidade onde mora atualmente e leciona. Ela acredita que “o professor, além de ser intermediador de conhecimento, pode também ser um participante do processo de aprendizagem”. Por isso, sua atualização deve ser constante.  

Professora Adriana de Souza Rodrigues 

A busca por entender como aplicar a educação socioemocional em sala de aula veio como uma necessidade a partir de situações que ela mesma vivenciou. A professora conta que em uma ocasião, foi agredida verbalmente por um aluno, que também a machucou no braço com a tampa de uma caneta. 

Adriana iniciou o curso Práticas reflexivas de Educação Socioemocional, na plataforma Escolas Conectadas, e passou a replicar os aprendizados em sala de aula. A educadora procurou entender o contexto e os fatores que levam os alunos a apresentarem comportamentos agressivos. “Eu também tentava conter as minhas emoções, respirava fundo e buscava ver esses alunos com outros olhos”, explica.

A realidade vivida pela professora Adriana não é isolada. Pelo contrário, casos recentes de violência nas escolas passaram a ser pautas de discussões sociais e uma preocupação coletiva. Mas, para a professora, essa questão precisa ser tratada de forma preventiva e em conjunto.

“É uma interação de família, escola e comunidade. Se todos esses componentes não estiverem dentro da escola trabalhando esses problemas, não vamos conseguir chegar a uma solução. E o professor, principalmente, deve estar preparado psicologicamente para enfrentá-los”, conclui.

 

Desafios e as possibilidades de educar no contexto digital

Nos últimos anos, o movimento de transformação digital tomou conta das escolas. O processo foi acelerado com a pandemia e a necessidade do ensino remoto, que fez da digitalização do ensino uma urgência e exigiu soluções práticas para os desafios desse novo contexto. Redes sociais, ferramentas digitais e ambientes virtuais se tornaram ferramentas de trabalho.

A partir do curso Cidadania Digital: educando para o uso consciente da internet, realizado pela plataforma Escolas Conectadas, o professor Daniel Almeida Bezerra promoveu o protagonismo em sala de aula com incorporação de recursos digitais.”Eu tenho uma grande preocupação para que os alunos não utilizem a tecnologia como um fim em si mesmo. Eu preciso que eles usem de maneira crítica”, afirma.

O conhecimento adquirido na formação se materializou em um projeto prático que começou a ser aplicado ainda durante a pandemia, de maneira experimental, e foi adaptado para a retomada do ensino presencial: o sistema de rotação por estações. Assim que o professor Daniel teve contato com essa proposta no curso, ele pensou em maneiras de adaptá-la para suas turmas. 

“Como os alunos ainda não podiam ficar agrupados em sala, a estratégia foi ocupar outros espaços da escola: o laboratório de informática, a biblioteca, o refeitório e até mesmo o espaço externo”, explica o educador. A ideia é que cada um desses espaços sirva para a aprendizagem de diferentes conteúdos. Nesse caso, dentro da disciplina de Geografia, a ideia era conhecer mais o bairro Mutirão, onde eles e a escola estão inseridos.

Com o lema “Compreender o nosso lugar para transformar o nosso mundo”, a ideia era que os alunos tivessem contatos com fontes variadas para desestigmatizar suas próprias crenças sobre o lugar onde vivem. A prática foi documentada e resultou nos prêmios “Mestres da Educação” e “Escola de Valor”, concedidos pelo Governo da Paraíba. Além disso, a experiência foi incorporada à proposta da tese de doutorado do professor, que deu início à formação neste ano. 

Nesse novo contexto, a introdução da cultura digital na escola deve acompanhar o ritmo das transformações digitais do mundo. No momento em que comunicação, consumo de informação e aprendizagem são predominantemente mediados pela tecnologia, é preciso entender como usá-la com consciência, responsabilidade e ética.

No século XXI, algumas habilidades relacionadas à cultura digital se tornam essenciais para o desenvolvimento dos estudantes, como o letramento digital e o pensamento computacional. É importante pensar em formar cidadãos preparados para atuarem no universo on-line, que possam refletir e agir criticamente da mesma forma que fazem no “mundo real”. 

Nesse sentido, as metodologias ativas permitem trazer os estudantes para mais próximos das discussões, levando em consideração suas próprias experiências e realidades. Elas fazem com que “o estudante saia da condição de espectador que o coloque como sujeito ativo”, como explica a especialista em Desenvolvimento Humano Gina Vieira, em entrevista à Fundação Telefônica Vivo.

 

Dia da educação: #pazparaeducar

É impossível relembrar o propósito da educação sem pensar no contexto atual do Brasil. Os casos recentes de violência em escolas levantaram debates sobre a segurança de alunos, professores e funcionários, o uso de redes sociais por crianças e adolescentes e a responsabilidade de educadores, responsáveis e governantes sobre essas questões.

Por isso, a Fundação Telefônica Vivo realiza, ao longo da semana em que acontece o Dia da Educação, uma campanha que inclui uma série de ações voltadas ao letramento digital e ao desenvolvimento da cultura digital por jovens. A aposta é na capacitação de professores para levarem essas propostas para a sala de aula e promoverem a cultura da paz. O lema #PAZPARAEDUCAR guia a busca por um ambiente de afeto e segurança. Abrace esse movimento pela educação!

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Complemento à BNCC terá implementação obrigatória em 2026A BNCC Computação é um complemento à Base Nacional Comum Curricular que estabelece diretrizes e objetivos de aprendizagem relacionados à computação. Organizada em três eixos (Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital), o documento será implementado pelos currículos brasileiros a partir de 2026.Mas além de cumprir um requisito curricular, engajar-se nesse processo representa uma oportunidade pedagógica transformadora aos educadores do país. Por isso, listamos a seguir seis motivos para os professores investirem nessa implementação com propósito.1. Desenvolver uma compreensão profunda sobre o papel da computação na educaçãoImplementar a BNCC Computação não é apenas “ensinar programação”: trata-se de apoiar os estudantes a investigar, criar, comunicar e resolver problemas com a tecnologia, desenvolvendo competências que perpassam todas as áreas do conhecimento.Ivan Siqueira, relator do complemento, destacou durante o webinário “BNCC Computação: como colocar em prática na sua sala de aula” a importância da formação docente – seja a inicial, a continuada ou até mesmo os cursos livres – oferecerem uma compreensão mais clara sobre o campo de conhecimento da computação. “ Isso permite que os professores percebam que não se tratam de conteúdos isolados, mas sim de um novo olhar sobre a aprendizagem e a resolução de problemas”, afirma.2. Ampliar o repertório pedagógico com atividades plugadas e desplugadasA computação, como propõe a BNCC, pode ser trabalhada tanto com dispositivos tecnológicos quanto sem eles, por meio de atividades desplugadas que exploram lógica, padrões e algoritmos, sem a necessidade de usar computadores. Durante o mesmo webinário, a professora Audaci Maria ressaltou que a computação é “uma linguagem de conhecimento” e pode ser integrada de forma criativa mesmo com recursos simples, desde que os professores compreendam seus conceitos e objetivos. 3. Fortalecer o pensamento computacional como habilidade centralO pensamento computacional não é restrito à tecnologia: é uma forma de organizar e resolver problemas, identificar padrões e criar estratégias. Ou seja, trata-se de uma habilidade valiosa em qualquer disciplina e contexto.Esse eixo estimula os estudantes a pensarem de maneira lógica e estruturada, conectando situações do dia a dia ao universo digital, como exemplificado no webinário, com atividades cotidianas que já exigem esse tipo de raciocínio. “Uma boa maneira de exercer o pensamento computacional na rotina é pensar na lista de compras para a feira”, aponta Audaci. “Ou, em uma formação docente, peça para cada professor contar o seu passo a passo para fazer uma xícara de café”. Segundo ela, nesses simples exercícios serão trabalhados os quatro pilares do pensamento computacional: decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e algoritmo.4. Promover uma cultura digital crítica e responsável entre os estudantesA BNCC Computação inclui também a cultura digital, que envolve ética, cidadania digital, segurança e uso consciente das tecnologias, elementos essenciais para preparar estudantes como usuários que não apenas consomem passivamente, mas também refletem sobre a tecnologia.Ao engajar-se nesse processo, o professor contribui para que seus alunos compreendam as implicações sociais, éticas e políticas da tecnologia no mundo atual, indo além da simples aptidão técnica.5. Gerar maior engajamento e inovação pedagógica em toda a comunidade escolarImplementar a computação de maneira significativa envolve troca entre professores, colaboração entre áreas e uso de estratégias interdisciplinares.Esse engajamento cria um ambiente de aprendizagem mais dinâmico, estimula a inovação didática e fortalece a coletividade profissional, fatores que enriquecem o cotidiano escolar como um todo.6. Transformar obrigatoriedade em protagonismo profissionalEmbora a BNCC Computação seja obrigatória a partir de 2026, sua implementação não precisa ser vista apenas como uma exigência burocrática.Afinal, ao se engajar ativamente com o documento e suas possibilidades, o professor se torna protagonista da própria prática, influenciando positivamente a formação dos estudantes e contribuindo para que a computação deixe de ser um campo periférico e passe a integrar o currículo com propósito pedagógico, significado e ligação com a vida real.Série de cursos Computação na EducaçãoPara apoiar os professores a se aprofundarem nesse tema, apresentamos a série de cursos Computação na Educação, uma jornada formativa completa, pensada para educadores que desejam integrar a computação em suas práticas pedagógicas de forma ética, criativa e alinhada à BNCC Computação.

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