Logo Profuturo Program

Gina Vieira: “Saí do palco para construir uma sala de aula horizontal”

13/03/23

Autora do Projeto Mulheres Inspiradoras fala sobre a importância de metodologias ativas para criar uma sala de aula viva

As metodologias ativas como as conhecemos hoje são fruto de um processo de questionamento e desenvolvimento de educadores ao longo dos anos. Além disso, são atualmente uma grande ferramenta para trazer os estudantes para o diálogo em um contexto de desinformação digital.

Um dos maiores expoentes em metodologias ativas no Brasil, Gina Vieira Ponte começou a se tornar professora aos oito anos de idade. O vínculo estabelecido com uma educadora negra foi seu primeiro incentivo para começar a trabalhar suas habilidades. 

O que começou como uma brincadeira com seus irmãos em casa se tornou realidade. Porém, no início dos anos 2000, ao lecionar para adolescentes, teve uma grande frustração: era quase cada vez mais difícil trazer os alunos para perto na construção de conhecimento. Esse foi o motivo pelo qual ela desenvolveu um quadro de depressão, mas também o que a levou a estudar cada vez mais em busca de uma solução nesse sentido.

Hoje, Gina é mestra em Linguística e especialista em Desenvolvimento Humano. Natural de Ceilândia, região periférica do Distrito Federal, ela se projetou para o Brasil principalmente por conta do Projeto Mulheres Inspiradoras, que valoriza o papel da mulher e as protege da exposição na internet. A proposta se tornou uma política pública e resultou no Prêmio Ibero-americano de Educação em Direitos Humanos.

Na semana do Dia Internacional da Mulher, convidamos a professora Gina Vieira para trazer o conceito teórico e a aplicação prática de metodologias ativas e como elas podem contribuir para o desenvolvimento do aluno e bem-estar docente. Saiba mais a seguir!

Leia mais: Arduino: entenda a importância dessa ferramenta para as metodologias ativas

 

Qual é a sua concepção de metodologias ativas e como você chegou até ela?

Quem me levou para as metodologias ativas foi a reflexão de Paulo Freire, que me ajudou a perceber que eu estava imersa numa “educação bancária”, na qual seguimos a lógica de repetir, reproduzir, copiar, obedecer e sujeitar. Eu queria um trabalho pedagógico que provocasse os estudantes a pensar, criar, contestar, elaborar e construir. A única forma de fazer isso seria ressignificando a minha prática.

Me incomoda que, hoje, as metodologias ativas sejam apresentadas como uma grande novidade. Do ponto de vista teórico, esse é apenas um termo novo para algo que já existia. A obra “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire, tem mais de 50 anos e contesta a educação bancária. Noticiar essas metodologias como uma novidade é desprezar o acúmulo de reflexões teóricas dentro da pedagogia crítica questionando esse modelo de educação.

Entendo metodologia ativa como colocar o aluno no centro do processo pedagógico, fazer com que ele participe, criar situações de aprendizagem que o tire da condição de espectador que o coloque como sujeito ativo. É inegociável que a metodologia tenha intencionalidade pedagógica ,compromisso com as aprendizagens e com a formação de um sujeito integral.

 

Como e de que forma você passou a integrar as metodologias ativas nas suas práticas pedagógicas?

Em 2003, depois que tive depressão, mudei o formato da minha aula. Não queria mais ser mais aquela pessoa que só ficasse lá na frente falando. Saí do palco para construir uma sala de aula horizontal, com espaço aberto para contestação, debate, diálogo e para o contraditório. 

A partir daí minha concepção de aprendizagem é essa em que percebo a minha integralidade como sujeito: o que eu penso, o que eu sinto e o que eu acho, o que pertence à minha história e identidade. Parto da concepção da educação como um processo que não é apenas uma transmissão de conhecimento, mas um processo de humanização, singularização e subjetivação da relação com o conhecimento. Afinal, eu só aprendo se me sinto parte do processo. 

 

Qual foi o projeto ou atividade prática que você encontrou para introduzir as metodologias ativas em sala de aula?

Em 2007, eu criei um projeto chamado “Diário de Bordo”, no qual a cada nova aula um aluno fazia um relato do que ele tinha aprendido, avaliava a aula e como tinha se sentido em relação a ela. Depois, compartilhava suas percepções com a turma. Para isso acontecer, tive que criar um ambiente de muita confiança. Eu não queria que eles colocassem no diário de bordo algo que me agradasse, queria que eles fossem sinceros. 

Lembro que, em 2014, um estudante do nono ano escreveu um diário de bordo dizendo que achava aquela atividade uma besteira e que não gostava de se expressar. Ele esperava uma certa reação da minha parte e minha reação foi agradecer, porque se ele se sentiu à vontade para expressar o que realmente sentiu, eu atingi meu objetivo. Dali para frente, esse menino fez todos os diários de bordo.

 

Qual é a reação dos alunos no momento de introdução às metodologias ativas?

Uma escola que coloca o aluno numa posição de menos esforço, de ficar sentado ouvindo o professor falar e copiando, pede menos esforço intelectual do que quando o aciona como sujeito para produzir um texto, construir uma argumentação ou elaborar um plano de ação para um determinado problema.

O jovem é tão obrigado a estudar em escolas autoritárias que, quando a gente oferece liberdade, eles desconfiam. As metodologias ativas podem causar tanto estranhamento nos alunos que eles podem chegar a reivindicar as aulas tal qual elas eram antes.

É importante que o professor tenha consciência e não ceda à tentação de voltar a trabalhar com aulas menos participativas e ele só vai ter capacidade de lidar com essa resistência se compreender que aquele aluno foi condicionado por um sistema educacional autoritário.

 

As metodologias ativas também exigem um esforço maior da parte do educador?

Claro. É muito mais fácil eu dominar um determinado conteúdo e simplesmente passar para frente de uma plateia. Propor uma metodologia ativa demanda mais trabalho, uma formação mais robusta e mais qualificada do ponto de vista teórico e requer criatividade e autoria – algo que falamos pouco no magistério, mas que é o que faz o professor ser autor da sua prática.

Pensar as metodologias com intencionalidade pedagógica vai pedir do professor um repertório teórico muito mais amplo. Além de dominar o conhecimento que eu vou ensinar, preciso compreender sobre desenvolvimento humano e saber que a aprendizagem passa necessariamente pela construção de vínculo. Assim, posso construir situações nas quais o aluno efetivamente possa se relacionar com o conteúdo e com seus pares.

Leia mais: Como potencializar o protagonismo de estudantes com metodologias ativas que usam tecnologias digitais?

 

Qual a importância dessas metodologias no contexto digital de excesso de informação e disputa de atenção?

A gente vive a sociedade do conhecimento, com um clique, você pode saber tudo o que você quiser. Meu filho tem 12 anos e ele já entendeu que ele pode achar a resposta para qualquer pergunta no Google.

Nesse sentido, o primeiro ponto é a escola entender que o aluno não precisa mais dela para acessar a informação, mas é indispensável para construir conhecimento. Na escola, não vou aprender só consumir informações, mas também a contestá-las e analisá-las criticamente. O jovem não está na escola atrás de informação, está atrás de respostas teóricas e de pertencimento.

 

Como disseminar o uso de metodologias ativas pelos educadores?

Devemos chamar para o debate o professor que está se sentindo sozinho, agora que o jovem já entendeu que não precisa da escola para aprender o que ele quer. As metodologias ativas devem começar a ser discutidas ainda durante a formação de educadores, na universidade. 

Utilizar metodologias ativas vai ajudar o aluno a atribuir sentido ao que ele está aprendendo e fazer com que o professor se canse menos, porque vai gastar menos energia tentando estabelecer disciplina e menos energia com aulas expositivas. O que todo o professor quer é uma sala de aula viva e com as metodologias ativas isso é possível.

 

Metodologias ativas: aprendizes protagonistas

Você, educador(a), também pode começar a introduzir, o quanto antes, as metodologias ativas em sala de aula. No curso “Metodologias ativas: aprendizes protagonistas” você vai compreender como adaptar suas aulas ao contexto educacional do século XXI, que requer dos estudantes uma postura ativa. 

Além de proporcionar uma compreensão mais profunda do que são as metodologias ativas, a formação traz estratégias e recursos pedagógicos que reforçam a autoria e a autonomia dos estudantes. Saiba mais e comece agora mesmo!

 

Comentários


Escreva um comentário


Conteúdos Recentes

Inclusão digital na terceira idade: como a escola pode ap...

Professores podem incentivar a troca de conhecimentos entre estudantes e seus familiares, criando oportunidades de aprendizagem para todas as gerações.Quando estudantes ajudam pais, avós e outros familiares a utilizar tecnologias digitais, a aprendizagem pode ir além de ensinar a mexer no celular. Essa troca contribui para que pessoas idosas acessem serviços, reconheçam golpes, avaliem informações e interajam no ambiente digital com mais segurança.O desafio é relevante e atual: afinal, ter acesso à internet não significa necessariamente saber utilizá-la de maneira autônoma e crítica. Segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgados em 2025, 40% das pessoas alfabetizadas em nível consolidado, ou proficientes, apresentaram desempenho médio ou baixo em tarefas digitais. Em uma atividade que simulava uma compra on-line, apenas 31% do grupo com melhor nível de alfabetismo conseguiu identificar uma fraude envolvendo Pix e agir corretamente.Os resultados mostram que o domínio da leitura e da escrita não garante, por si só, as habilidades necessárias para lidar com situações cotidianas na internet. Embora o levantamento tenha ouvido pessoas de 15 a 64 anos, sem incluir a população mais velha, os dados ajudam a dimensionar a importância da educação digital.Troca de conhecimentos entre geraçõesA escola pode contribuir para esse processo de aprendizagem, incentivando os estudantes a compartilhar o que sabem sobre o mundo digital com familiares mais velhos. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que crianças e adolescentes também têm muito a aprender com as histórias, as experiências e os conhecimentos dos idosos.Uma atividade pode envolver a criação de um álbum digital com fotografias antigas, a gravação de histórias de vida ou a produção de vídeos sobre as memórias da família. Os estudantes também podem entrevistar avós e outros familiares sobre brincadeiras, músicas, profissões e costumes de outras épocas.Assim, a tecnologia se torna um meio para registrar e compartilhar conhecimentos, enquanto a atividade fortalece vínculos e valoriza a contribuição de cada geração. Para que a troca seja efetiva, porém, é necessário respeitar o ritmo de aprendizagem de cada pessoa e permitir que ela experimente os recursos com autonomia.Inclusão digital na práticaEsse é um dos princípios que orientam o trabalho de Irene da Rocha, professora voluntária que oferece aulas de tecnologia para grupos de pessoas idosas na região do ABC paulista. Após realizar o curso Cidadania Digital da plataforma Escolas Conectadas – que aborda o uso consciente, seguro e responsável da internet –, ela desenvolveu uma série de encontros em que aborda diferentes recursos digitais, incluindo ferramentas de Inteligência Artificial, sempre procurando relacionar o aprendizado a situações do cotidiano.A experiência mostrou que, muitas vezes, a principal barreira não é a falta de interesse dos idosos neste tema, mas o medo de errar ou perder informações. Por isso, Irene aposta em atividades práticas, linguagem acessível e oportunidades para que cada participante experimente os recursos no próprio aparelho. “Não acredito em uma aula em que o professor faz tudo e o aluno apenas observa. Eles precisam experimentar, errar, perguntar e tentar novamente”, explica.A segurança digital também faz parte desse processo, com orientações para reconhecer mensagens falsas, links suspeitos e tentativas de golpe. Afinal, a inclusão digital significa não apenas ter acesso às ferramentas, mas conseguir utilizá-las com confiança e responsabilidade.“Uma das maiores conquistas não é quando o aluno aprende uma ferramenta específica. É quando ele olha para o celular e pensa: ‘Eu consigo fazer isso sozinho’”, conta Irene.“Costumo dizer que a inclusão digital dos idosos é cidadania em sua forma mais plena. Não se trata apenas de aprender a mexer no celular: trata-se de obter condições para participar da sociedade em que vivemos”, finaliza.Quer trabalhar a cidadania digital com seus estudantes?Conheça o curso “Cidadania Digital” da plataforma Escolas Conectadas e explore possibilidades para promover o uso seguro e responsável das tecnologias em sala de aula.

0

Clube da Formação: Escolas Conectadas cria jornada de est...

O espaço virtual reunirá professores para estudar, interagir e avançar juntos ao longo de um curso.Clubes de leitura fazem parte da rotina de muitas escolas. Nesses espaços, ler um livro deixa de ser uma atividade individual e passa a ser também uma oportunidade de conversa, troca de interpretações e construção coletiva de sentidos. Cada participante chega com suas próprias referências e percepções, mas no encontro com os demais novas ideias podem surgir.Essa experiência de aprender em conjunto também pode fazer diferença na formação de professores. Ao realizar um curso junto com outros educadores, acompanhar o percurso dos colegas e compartilhar dúvidas e descobertas, o estudo pode ganhar outra dimensão: além de adquirir novos conhecimentos, o participante tem a oportunidade de refletir sobre o que aprendeu e pensar em como levar essas ideias para a sua prática.É essa proposta que está na origem do Clube da Formação, nova iniciativa do canal de WhatsApp da Escolas Conectadas. A ideia é transformar o espaço em um ponto de acompanhamento coletivo de uma formação disponível na plataforma, criando um percurso no qual os professores possam estudar, interagir e avançar juntos ao longo do curso.Durante a jornada, o canal contará com publicações semanais relacionadas aos módulos da formação. Elas poderão trazer apresentações dos temas estudados, resumos, perguntas para orientar a reflexão, lembretes para continuar o curso e materiais complementares, como leituras, vídeos e ferramentas. Também estão previstas atividades e desafios voltados à aplicação prática dos conteúdos.Para a primeira edição, prevista para estrear ainda em outubro, o mês dos Professores, será realizada coletivamente a formação “Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação”, elaborada pela professora Débora Garofalo, reconhecida como a educadora mais influente do mundo por desenvolver um trabalho de robótica com sucata e usar as redes sociais para ampliar o aprendizado dentro e fora da sala de aula.Estudar em redeA interação entre os participantes será outro componente do Clube. Enquetes, caixas de perguntas, discussões e levantamentos de dúvidas poderão ajudar a aproximar os cursistas e trazer para a jornada questões que aparecem durante os estudos.Com isso, a proposta é acompanhar o professor desde o início até a conclusão da formação. Em vez de encontrar apenas um curso disponível na plataforma, o educador passa a contar com uma estrutura que organiza o percurso, estimula a continuidade dos estudos e cria oportunidades de troca com outros profissionais.Em sua estreia, o Clube da Formação deverá durar cerca de dois meses, com uma publicação por semana, em um calendário adaptado à estrutura de cada formação. Inclusive, ao concluir o curso, os participantes do Clube também receberão o Baralho Gerador de Ideias, um material especial que traz diversas possibilidades para colocar a BNCC Computação em prática em sala de aula.A escolha das próximas formações também contará com a participação dos professores. A partir da segunda edição, uma enquete no canal vai ajudar a definir qual curso a comunidade gostaria de realizar coletivamente no próximo Clube da Formação.A proposta, portanto, é levar para a formação continuada um princípio já conhecido em outros espaços educativos: estudar pode ser uma experiência mais rica quando há espaço para acompanhar, perguntar, trocar e aprender com outras pessoas. No Clube da Formação, essa experiência passa a acontecer também pelo WhatsApp da Escolas Conectadas!

0

Competências digitais também podem contribuir na preparaç...

Habilidades mobilizadas pelo exame podem ser desenvolvidas em experiências de aprendizagem que vão muito além do treinamento para a prova.Nunca foi tão simples encontrar uma informação. Em poucos segundos, uma busca na internet ou uma ferramenta de Inteligência Artificial traz uma resposta para praticamente qualquer pergunta. Para a escola, porém, o desafio não é apenas ensinar os estudantes a encontrar informações, mas ajudá-los a compreender, questionar, comparar e transformar aquilo que encontram em conhecimento – capacidades que também fazem parte da preparação para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).É nessa perspectiva que José Manuel Moran, professor e pesquisador na área de educação e tecnologia, entende o papel das ferramentas digitais no processo de aprendizagem. Para ele, o potencial da tecnologia depende principalmente da maneira como ela é utilizada. Uma mesma ferramenta pode servir para copiar uma resposta ou para investigar um assunto, comparar informações e aprofundar uma questão.“Se você é uma pessoa inquieta, não se contenta com a primeira pergunta. Você vai lá, conversa e até ‘viaja’ com a IA. Quem não faz isso fica só buscando receita, resposta pronta”, afirma Moran. Essa ideia ajuda a pensar em uma questão importante para a educação na cultura digital: mais do que ensinar a usar ferramentas, é preciso desenvolver a capacidade de fazer boas perguntas, avaliar respostas e tomar decisões sobre o que fazer com a informação. São experiências que contribuem para desenvolver aprendizagens importantes e que também dialogam com capacidades mobilizadas pelo ENEM.O que as competências digitais têm a ver com o ENEM?Quando se fala em preparação para o ENEM, é comum pensar em revisão de conteúdos, listas de exercícios e simulados. Mas o exame também exige que o estudante interprete textos, analise informações, enfrente situações-problema e construa argumentos.Moran reconhece esse aspecto e, segundo ele, isso abre uma possibilidade interessante para o trabalho docente: essas capacidades não precisam ser desenvolvidas apenas em atividades explicitamente preparatórias para a prova.Quando o professor propõe situações em que os estudantes precisam investigar, selecionar informações, interpretar dados, explicar seu raciocínio, defender uma ideia ou buscar diferentes caminhos para resolver um problema, também está desenvolvendo competências importantes para o ENEM e para diferentes situações da vida, dentro e fora da escola.O mesmo vale para a produção textual. Em vez de trabalhar apenas modelos prontos de redação, por exemplo, o professor pode criar situações em que os estudantes pesquisem sobre um tema, confrontem diferentes perspectivas, selecionem evidências, organizem argumentos e formulem suas próprias conclusões.É nesse sentido que as competências digitais podem contribuir para a preparação dos estudantes. A tecnologia amplia as possibilidades de pesquisa, análise, colaboração e produção, mas o objetivo continua sendo desenvolver a capacidade do aluno de pensar e agir sobre o conhecimento.Da BNCC à prática: desenvolvendo competências no cotidianoEssa perspectiva se aproxima do desenvolvimento de competências previsto para a Educação Básica. Na cultura digital, pesquisar, analisar informações, comunicar ideias, resolver problemas e fazer escolhas também significa aprender a lidar de maneira crítica com recursos e conteúdos digitais.Na prática, uma aula pode explorar uma ferramenta de IA para gerar diferentes respostas a uma mesma pergunta e convidar os estudantes a verificar quais informações são confiáveis. Um projeto pode propor a análise de dados sobre um problema da comunidade. Uma atividade de Língua Portuguesa pode comparar como um mesmo acontecimento é apresentado em diferentes fontes. Em Ciências Humanas, materiais diversos podem servir de base para que a turma identifique perspectivas, argumentos e evidências antes de construir uma posição.Em propostas assim, o estudante deixa de ser apenas receptor de informação e passa a investigar, analisar, fazer escolhas e construir respostas. Esse tipo de experiência fortalece habilidades importantes para o ENEM sem que a aula precise reproduzir o formato da prova.Tecnologia com intencionalidade: novas escolhas para o professorAmpliar as possibilidades de aprendizagem também traz novos desafios para o educador. Quanto maior o número de ferramentas e recursos disponíveis, mais importante se torna saber escolher o que realmente faz sentido para cada objetivo e para cada turma.Moran lembra que a chegada da internet – e mais recentemente da IA – ampliou o repertório disponível ao professor, mas também tornou mais complexas suas escolhas. “Você vai sofisticando, vai ampliando possibilidades, mas também tem que fazer escolhas. Não dá para usar tudo de qualquer jeito.”Por isso, competência digital docente não significa dominar todas as plataformas existentes. Significa desenvolver critérios para decidir quando uma tecnologia pode contribuir para a aprendizagem e como utilizá-la de acordo com o contexto dos estudantes.Moran dá o exemplo da IA no planejamento de aulas. Uma ferramenta pode produzir uma proposta inicial, mas cabe ao professor analisá-la, adaptá-la e considerar as características de sua turma, da escola e da realidade em que trabalha.Acolher e desafiarPara o pesquisador, o uso significativo das tecnologias não pode ser separado da relação do professor com os estudantes. Ele destaca a importância de combinar acolhimento – conhecer o aluno, demonstrar interesse e criar condições para que ele se envolva com a aprendizagem – com o desafio de fazê-lo avançar, investigar e ir além do que já sabe. “O bom professor acolhe de um lado e desafia de outro”, resume.Essa combinação também pode orientar o uso de recursos digitais. Uma atividade não se torna significativa apenas por envolver uma tecnologia. Ela ganha sentido quando coloca o estudante diante de uma pergunta, um problema ou uma situação que exija investigação, colaboração, análise e tomada de decisão.Assim, além de contribuir para o desenvolvimento de competências importantes para o ENEM, essas experiências podem favorecer um estudante mais ativo diante do próprio aprendizado.Preparar para o ENEM sem limitar a aprendizagemA relação entre competências digitais e preparação para o ENEM, portanto, não precisa passar pela reprodução do formato da prova em sala de aula.O próprio Moran faz uma ressalva sobre esse modelo de preparação. Para ele, quando o treinamento ocupa espaço demais, existe o risco de a escola ensinar os estudantes a seguir receitas para alcançar o resultado esperado. Como exemplo, ele cita a forma como a redação pode acabar sendo trabalhada a partir de estruturas muito previsíveis. Ao mesmo tempo, reforça que uma escola pode preparar bem seus estudantes para o exame sem fazer com que todo o Ensino Médio gire em torno dele.A questão, então, não é escolher entre preparar para o ENEM e desenvolver aprendizagens mais amplas: é entender que o trabalho cotidiano com competências pode contribuir para os dois objetivos. Esse tipo de experiência ajuda a formar estudantes capazes de lidar de maneira mais crítica, criativa e autônoma com o conhecimento. E, como consequência, também pode fortalecê-los diante dos desafios que encontrarão no ENEM.Ensinar na cultura digitalPara apoiar esse trabalho, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas para educadores sobre diferentes dimensões do uso pedagógico das tecnologias.Entre as possibilidades estão os cursos de Competências Digitais, voltados a diferentes áreas do conhecimento e etapas da Educação Básica, além de formações sobre Letramento em IA, Cidadania Digital, Programação e Pensamento Computacional e Intencionalidade Pedagógica.Os cursos podem ajudar o professor a ampliar seu repertório e refletir sobre questões que aparecem na prática: que aprendizagem se pretende desenvolver? Qual recurso faz sentido para esse objetivo? Como adaptar uma proposta à realidade da turma? Como estimular que os próprios estudantes desenvolvam uma postura mais crítica e participativa diante das tecnologias?

457

Outubro: confira datas importantes para trabalhar em sala...

As datas comemorativas apoiam os educadores a organizarem atividades pedagógicas que engajem os estudantesAtualizado em 25/09/2026Outubro promete ser um mês agitado em todas as escolas brasileiras: além do Dia das Crianças e Dia dos Professores, há várias outras efemérides que podem ser trabalhadas dentro da sala de aula.Confira a seguir uma lista com as principais datas comemorativas de outubro e já comece a planejar as suas atividades pedagógicas. Compartilhe essas ideias com seus colegas e apoie outros educadores a se prepararem ainda melhor para o próximo mês!Dia da Natureza (04/10)Refletir sobre as ações humanas em relação ao meio ambiente. Essa é a principal meta do Dia da Natureza. Afinal, é a natureza que nos dá água, alimentos, matéria-prima para construir nossas casas e fabricar nossas roupas, além de garantir nosso desenvolvimento econômico e social. No entanto, mesmo sendo fundamental para a nossa sobrevivência, os recursos naturais estão extremamente ameaçados. Nesse cenário, é dever da escola sensibilizar os estudantes para os desafios da preservação da natureza, estimulando-os a serem defensores ativos do meio ambiente. Atividades que envolvam limpeza de áreas verdes, plantação de mudas e hortas escolares, visita às áreas de conservação, reciclagem, economia circular e sustentabilidade podem ser o ponto de partida para estimular mudanças de comportamento. Caso queira aprofundar ainda mais seus conhecimentos no tema, os cursos gratuitos “Elementar, meu caro! Dados: um universo em expansão” e “Tecnologias para empoderar: digitalizar para incluir” darão novas ideias para trabalhar questões ambientais dentro de sala de aula.Dia das Crianças (12/10)Desde 1924 – ou seja, há mais de 100 anos –, as crianças de todo o Brasil têm um dia para chamar de seu. Para além de celebrar as infâncias, a data também serve para reforçar o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê os direitos dessa faixa etária. Assim como a sociedade, a escola deve prezar pelos cuidados, respeito, bem-estar e direitos das crianças. São inúmeras possibilidades de ações e atividades para marcar o dia. Pode ser organizada uma sessão de cinema com os filmes preferidos da criançada; uma gincana lúdica e educativa; um piquenique em uma área aberta; uma feira de troca de brinquedos; uma roda de jogos de tabuleiro. Deixá-las brincar livremente também é sempre uma boa opção.Aos educadores que queiram elevar o patamar, há diversos cursos gratuitos para que professores conheçam estratégias e caminhos para aplicar metodologias ativas na educação básica, assim como incentivar o protagonismo dos estudantes. É o caso da formação Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação.Aliás, recentemente entrou em vigor no Brasil o ECA Digital, que atualiza o estatuto para responder aos desafios de viver em uma sociedade hiperconectada. Para apoiar educadores nesse cenário, a formação gratuita “Cidadania Digital”, da plataforma Escolas Conectadas, foi atualizada e passa a contar com um novo conteúdo dedicado à legislação, seus impactos para a educação e as possibilidades de trabalho em sala de aula.Dia do Professor (15/10)E se há um dia para homenagear as crianças, claro que há também uma data para celebrar aqueles que educam: os professores e professoras. Segundo o Censo Escolar 2025, o país conta com nada menos do que 2,4 milhões de professores atuando na educação básica. Para comemorar a existência e o trabalho árduo de todos os profissionais da educação, não há nada melhor do que reconhecer e valorizar sua importância. As escolas podem organizar espaços de homenagem e celebração dos educadores que envolvam estudantes, famílias e toda a comunidade. É sempre importante enfatizar que, mais que apenas em uma data, os educadores devem ser respeitados e valorizados durante o ano inteiro. A plataforma Escolas Conectadas aposta na formação continuada docente como forma não só de apoiar o trabalho de professores em todo o país, mas também de melhorar a educação brasileira como um todo. Para isso, disponibiliza cursos 100% gratuitos, on-line, autoformativos e com emissão de certificados.Dia da Ciência e Tecnologia (16/10)Festejar as grandes descobertas e invenções tecnológicas, mas também incentivar que a pesquisa científica não pare de avançar: esse é o objetivo do Dia da Ciência e Tecnologia.Para despertar o lado investigativo dos estudantes, os educadores podem utilizar estratégias que estimulem o interesse pela ciência e tecnologia, mostrando sua presença no dia a dia. Excursões a museus científicos, construção de maquetes e feiras de ciências são ótimas opções para estimulá-los a intervir cientificamente na sociedade.O curso gratuito “Eureka! Investigar, descobrir, conectar, criar e refletir” busca apoiar nessa jornada científica, por meio de aliados como metodologias ativas, tecnologias digitais e abordagem STEAM (união das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).Dia do Saci e Halloween (31/10)Doces ou travessuras? Dia do Saci ou Halloween? Os dois! Ambas as comemorações acontecem no dia 31 de outubro. A tradição do Halloween tem origem na cultura celta, da Irlanda. Mas foi espalhada para todo o mundo pelos Estados Unidos, que popularizaram a festa marcada pela decoração sombria e pelas fantasias. E os estudantes adoram! Aqui no Brasil, o Halloween vem ganhando força nos últimos anos. Porém, com o objetivo de remeter a data às tradições da cultura brasileira, em 2003 foi instituído o Dia do Saci, também como forma de que as escolas adotem a data para celebrar as figuras do folclore nacional.Tanto o Dia do Saci quanto o Halloween são celebrações que podem ser usadas para trabalhar atividades como jogos e brincadeiras em sala de aula – tanto desplugadas quanto plugadas. Para potencializar o aprendizado da sua turma com o uso estratégico da tecnologia, sugerimos a você, educador, a formação Olá, mundo! Lógica de programação e autoria e a série de cursos Competências Digitais nas áreas do conhecimento da BNCC.Você perbeceu que estamos de cara nova? Em agosto, a identidade visual da comunicação da plataforma Escolas Conectadas foi atualizada. Para celebrar este momento, reunimos em um infográfico os principais debates e transformações que atravessaram a educação digital brasileira nos últimos dez anos.

0