Novo curso da plataforma incentiva o uso de dados educacionais como ferramenta para aprimorar o ensino e a aprendizagem.
Todos os dias, uma sala de aula produz dados. Eles aparecem nas notas de uma avaliação, na frequência escolar, nas atividades entregues, nos resultados de um trabalho ou na participação dos estudantes. Isoladas, essas informações podem parecer apenas números e registros. Quando observadas em conjunto, porém, podem ajudar a revelar histórias sobre como uma turma aprende.
Um resultado abaixo do esperado, por exemplo, pode ser o ponto de partida para a pergunta: o que está por trás desse desempenho? Uma dificuldade aparece entre muitos estudantes ou está concentrada em um grupo específico? Houve evolução depois de uma determinada atividade? Quais habilidades parecem estar consolidadas e quais ainda precisam ser trabalhadas?
É com esse tipo de reflexão que os dados podem ganhar um novo significado para os professores: não como mais uma obrigação burocrática, mas como uma ferramenta para enxergar melhor a evolução da própria turma.
Como explica Bruno Porto, professor e pesquisador do Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância (Cefor) do Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo), trabalhar com dados na educação é mais simples do que pode parecer: “O professor já produz e utiliza muitos dados, todo o tempo, mesmo sem necessariamente chamar essas informações de dados.”
De números a pistas sobre a aprendizagem
Usar dados na educação não significa necessariamente trabalhar com grandes bancos de informações ou dominar ferramentas complexas. Muitas vezes, começa com registros que já fazem parte da rotina docente.
Ao organizar resultados de avaliações, por exemplo, o professor pode perceber que uma dificuldade que parecia pontual se repete em diferentes atividades. Acompanhando esses resultados ao longo do tempo, é possível identificar avanços que não seriam tão evidentes olhando apenas para uma avaliação isolada.
Nesse sentido, os dados podem funcionar como pistas: eles não explicam sozinhos por que um estudante teve determinado desempenho nem substituem o olhar do professor sobre o contexto, mas podem ajudar a formular perguntas mais precisas, identificar padrões e apoiar decisões sobre os próximos passos do planejamento pedagógico.
“Esses dados nos ajudam justamente a transformar essas percepções em perguntas mais objetivas e permitem que o professor investigue melhor o que está acontecendo antes de tomar a decisão pedagógica”, afirma Bruno.
Quando visualizar ajuda a enxergar
Imagine uma planilha com os resultados de uma turma em diferentes atividades. Há dezenas de linhas e colunas, e cada célula traz uma informação. É possível encontrar respostas ali, mas nem sempre elas aparecem de imediato.
Um olhar mais apurado pode mudar essa relação com os dados. Um gráfico, por exemplo, pode mostrar a evolução de uma turma ao longo de um período. Outro pode ajudar a comparar o desempenho em diferentes habilidades. Um dashboard (painel visual interativo) pode reunir informações e permitir uma visão mais ampla do percurso de aprendizagem.
O objetivo não é transformar todos os dados da escola em gráficos, mas escolher a melhor maneira de representar uma informação para responder a uma determinada pergunta.
Por exemplo: se a questão é “como a turma evoluiu?”, uma visualização temporal pode tornar essa trajetória mais evidente. Se a pergunta for “quais habilidades os alunos apresentam mais dificuldade?”, uma comparação entre resultados pode ajudar a localizar os pontos que merecem atenção.
“Essa visualização funciona como uma ponte entre o dado bruto e a interpretação pedagógica”, resume Bruno. Para ele, gráficos, mapas de calor e linhas de evolução podem facilitar a identificação de padrões e o acompanhamento das trajetórias dos estudantes, sem substituir a análise do professor.
As narrativas nascem das perguntas
Se os dados podem ajudar a enxergar melhor a turma, o storytelling com dados ajuda a organizar tudo aquilo que foi percebido em uma narrativa central e envolvente. Alguns exemplos:
● uma sequência de resultados pode contar a história de uma dificuldade que diminuiu ao longo do tempo;
● uma comparação pode revelar que determinada estratégia teve resultados diferentes para grupos distintos de estudantes;
● um conjunto de indicadores pode mostrar que, por trás de uma média geral, existem trajetórias muito diversas dentro da mesma sala.
Vale reforçar que essas narrativas não estão prontas no gráfico: elas nascem da pergunta que o professor faz aos dados e do contexto que ele conhece sobre seus estudantes.
Por isso, contar histórias com dados não significa simplesmente apresentar resultados de maneira mais bonita, mas sim selecionar informações relevantes, estabelecer relações entre elas e comunicá-las de forma que ajudem outras pessoas – ou o próprio professor – a compreender uma situação.
A ideia também aparece na experiência de Bruno com o tema. “Se a gente tem uma nota baixa, que está ali sozinha, ela representa apenas um resultado. Mas se a gente, antes dessa nota, perceber que o estudante reduziu a frequência, deixou de participar de alguma atividade, começou a acumular pendências, a gente começa a enxergar uma trajetória.”
Na prática, isso pode ser útil para diferentes momentos da vida escolar: planejar uma intervenção, acompanhar o desenvolvimento dos estudantes, compartilhar um diagnóstico com a equipe pedagógica ou conversar com a turma sobre seu próprio percurso de aprendizagem.
Esse olhar exige, porém, interpretação crítica. “Nenhum indicador deve ser considerado uma verdade absoluta”, alerta o pesquisador. Por isso, é importante relacionar diferentes informações, considerar o contexto e evitar decisões baseadas em um único indicador.
Que histórias os dados da sua turma estão contando?
Talvez a pergunta mais interessante não seja quantos dados uma escola ou um professor possui, mas o que é possível enxergar a partir deles.
Que estudantes avançaram? Onde estão as maiores dificuldades? Quais habilidades precisam ser retomadas? Quais mudanças aconteceram ao longo do tempo? Há padrões que merecem ser investigados? Aprender a fazer essas perguntas é um dos caminhos para aproximar a ciência de dados do cotidiano escolar.
Para professores que querem desenvolver esse olhar, a Escolas Conectadas oferece um novo curso gratuito: “Ciência de Dados e Visualização na Educação para Professores”. A formação aborda a coleta, análise e interpretação de dados educacionais, além da criação de gráficos, dashboards e relatórios visuais e do uso de storytelling para transformar resultados em estratégias de ensino.
Com 40 horas de carga horária, totalmente on-line e autoformativo, o curso é voltado a professores de todas as etapas da educação básica.
Não perca essa oportunidade! Porque, quando aprendemos a olhar para os dados de outra maneira, eles podem deixar de ser apenas números e se transformar em pistas para compreender melhor as histórias que acontecem em sua sala de aula.
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