Mapa de lendas, podcast e Inteligência Artificial são algumas das possibilidades para trabalhar o tema em diferentes disciplinas, valorizando a cultura popular brasileira e desenvolvendo competências digitais.
O fim de outubro costuma trazer às escolas, cada vez mais, referências ao Halloween: fantasias, abóboras decoradas, personagens misteriosos e histórias de terror. Mas o período também pode ser uma oportunidade para explorar a cultura popular brasileira, conhecer diferentes tradições e desenvolver atividades que mobilizem a criatividade e o pensamento crítico dos estudantes.
Celebrado em 31 de outubro, o Halloween tem raízes associadas ao Samhain, antiga celebração celta relacionada à passagem das estações. Ao longo dos séculos, a tradição se transformou e ganhou novas características, especialmente nos Estados Unidos, onde se popularizaram costumes como pedir doces de porta em porta e usar fantasias. Hoje, a festa também circula por diferentes países, influenciada pelo cinema, televisão, jogos e redes sociais.
Na mesma data, o Brasil celebra o Dia do Saci, uma iniciativa de valorização do folclore nacional. A data convida a ampliar o espaço dedicado aos personagens e às narrativas da cultura popular brasileira.
Mais do que escolher entre uma celebração e outra, a escola pode aproveitar o interesse dos estudantes para discutir a circulação das referências culturais, conhecer tradições de diferentes origens e valorizar histórias que fazem parte da identidade brasileira.
E o melhor: a tecnologia pode contribuir para esse trabalho, desde que esteja associada a objetivos de aprendizagem. A seguir, confira três propostas que podem ser adaptadas a diferentes disciplinas e etapas da Educação Básica, inspiradas em conteúdos dos cursos da plataforma Escolas Conectadas.
1. Mapa interativo das lendas e tradições
Como as histórias fantásticas mudam de uma cultura para outra? Quais personagens fazem parte do imaginário dos estudantes? E quantas lendas conhecidas na comunidade ainda são pouco exploradas na escola?
A atividade começa com uma pesquisa sobre personagens e narrativas populares. O Saci pode ser o ponto de partida para conhecer figuras como a Cuca e a Matinta Pereira, além de investigar as tradições associadas ao Halloween e a outras culturas.
Divididos em grupos, os estudantes ficam responsáveis por pesquisar um personagem ou uma tradição. Cada grupo reúne informações sobre a origem da narrativa, suas características, as regiões em que circula e as diferentes versões encontradas.
O resultado pode ser organizado em um mural digital, que pode ser criado em uma ferramenta digital colaborativa (como o Padlet), reunindo publicações organizadas por personagem ou tradição, com textos, desenhos, fotografias, áudios e links para as fontes pesquisadas. Assim, cada grupo contribui com suas descobertas e a turma pode explorar o conteúdo produzido pelos colegas.
A proposta, é claro, também funciona em um mural físico exposto na escola, com cartazes, ilustrações e pequenos textos sobre as lendas. Nesse caso, o uso de QR codes pode ampliar a experiência, dando acesso a conteúdos gravados por estudantes, como áudios, vídeos ou outras produções digitais.
2. Podcast de histórias que atravessam gerações
Quais histórias de assombração, personagens fantásticos e lendas são conhecidas pelas famílias e pelos moradores da comunidade em que a escola está inserida? Muitas dessas narrativas circulam oralmente, passando de uma geração a outra e ganhando novas versões ao longo do caminho.
A proposta é convidar os estudantes a investigar esse repertório cultural por meio de entrevistas com familiares, funcionários da escola e moradores. A partir dos relatos, a turma produz episódios curtos de um podcast escolar, apresentando as histórias descobertas e seus contextos.
O projeto também permite valorizar os conhecimentos de pessoas que nem sempre participam diretamente das atividades escolares, aproximando a escola da comunidade. Um cuidado importante é reconhecer que as histórias populares podem ter diferentes versões. A intenção não é definir uma única narrativa como correta, mas conhecer a diversidade das tradições e valorizar as pessoas que as mantêm vivas.
3. Discussões sobre vieses e distorções com Inteligência Artificial
Ferramentas de IA generativa conseguem criar histórias, ilustrações e personagens a partir de comandos escritos pelos usuários. Mas será que elas representam adequadamente as tradições da cultura popular brasileira?
Para investigar essa questão, o professor pode solicitar a uma dessas ferramentas que produza uma história ou ilustração inspirada no Saci ou em outros personagens. Em seguida, os estudantes comparam o resultado com versões da lenda encontradas em livros e outras fontes confiáveis.
A análise pode considerar quais características do personagem foram preservadas, quais elementos foram inventados e se a representação contém estereótipos, apagamento da cultura regional, distorções ou informações equivocadas. A partir dessa discussão, a turma pode revisar a narrativa ou criar uma nova versão, explicando as escolhas feitas.
Vale lembrar que a atividade pode ser realizada sem que os estudantes acessem diretamente uma ferramenta de IA. O professor prepara os exemplos previamente e conduz a análise coletiva, de acordo com os recursos e as regras de uso de tecnologia da escola.
Aqui, o objetivo não deve ser apenas aprender a utilizar uma ferramenta, mas desenvolver uma postura crítica diante dos conteúdos digitais e discutir os vieses presentes nos algorítimos. Uma imagem visualmente convincente não é necessariamente fiel a uma tradição cultural, e um texto bem escrito não garante que as informações sejam verdadeiras.
Quer levar essas ideias para a sala de aula?
Criar um mapa interativo, produzir um podcast ou investigar como a IA representa o folclore brasileiro são maneiras de integrar tecnologias digitais ao currículo com intencionalidade pedagógica. Para apoiar os professores nesse processo, a Escolas Conectadas oferece formações gratuitas e on-line que ajudam a planejar atividades, desenvolver a criatividade e ampliar as possibilidades de aprendizagem.
Conheça três cursos que dialogam com as propostas apresentadas:
- Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação: aborda a integração de tecnologias digitais e IA ao currículo, com propostas práticas alinhadas à BNCC Computação. A formação pode inspirar a criação de jogos, narrativas interativas e projetos que envolvam investigação, criatividade e resolução de problemas.
- Inteligência Artificial: uso criativo para transformar a aprendizagem: ajuda educadores a compreender e utilizar ferramentas de IA em suas práticas pedagógicas. Os conhecimentos do curso podem contribuir para planejar atividades como a análise de histórias e imagens geradas por IA, discutir o uso responsável dessas ferramentas e explorar novas possibilidades de autoria com os estudantes.
- Pensamento Computacional e Programação na Educação: apresenta estratégias para desenvolver o raciocínio lógico, a investigação e a resolução de problemas em diferentes áreas do conhecimento, inclusive sem computadores (de maneira desplugada). A formação se relaciona à criação de jogos sobre personagens do folclore e à elaboração de desafios que envolvam sequências de instruções, reconhecimento de padrões e algoritmos.
Esses cursos ajudam a ampliar o repertório dos professores para planejar experiências de aprendizagem que vão além do uso instrumental da tecnologia. O objetivo é transformar temas que despertam a curiosidade dos estudantes em oportunidades para criar, investigar, resolver problemas e valorizar a diversidade cultural.
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