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Pensamento computacional além dos computadores

23/12/21
As profissões do futuro ainda não existem: essa máxima premonitória tornou-se tão difundida que já é impossível determinar quem a pronunciou pela primeira vez. Talvez por seu caráter quase inquestionável, é uma daquelas verdades que corremos o risco de banalizar. Afinal, todos sabemos que a era digital traz inovações tão constantes e velozes que, a cada ano, surgem e desaparecem certos cargos e profissões.
Segundo um estudo do Institute For The Future (Instituto para o futuro), cerca de 85% dos trabalhos que a humanidade irá desempenhar em 2030 ainda não foram inventados. Serão funções relacionadas à tecnologia, inovação e automação. Na via contrária, podemos prever que muitos dos postos de trabalho que existem hoje serão extintos na próxima década, a exemplo do que vem ocorrendo com cobradores de ônibus, montadores em fábricas e até mesmo postos mais recentes, como reveladores de fotografia. Que enorme desafio para as escolas é, então, formar o profissional do futuro.
Nesse cenário, é necessário que a escola foque em desenvolver habilidades, mais do que treinar para profissões específicas, e deve investir para que os jovens percebam seus desejos e aprimorem suas inclinações. Entre os talentos mais requisitados para a construção do futuro estão os conhecimentos em computação, programação e robótica. O curso “Se meu computador pensasse: uma correlação entre a lógica computacional e os problemas do dia a dia” apoia professores e gestores a criarem um ambiente de formação adequado para o momento atual.
Não se trata de apenas transmitir conhecimento, mas de estimular a construção do raciocínio, e o pensamento computacional é justamente a ferramenta que traz um novo método de resolução de problemas que pode ser aplicado hoje e servirá para o enfrentamento de desafios ainda nem imaginados.
Um dos contemplados no sorteio "Transforme a Educação e Concorra a Prêmio", o professor Antônio Neto Dionísio relata como ele está utilizando os conhecimentos adquiridos neste curso para acompanhar a implantação das disciplinas eletivas Pensamento Computacional e Narrativas Digitais em dezenas de escolas no Mato Grosso do Sul. 
"Entrei em junho na coordenadoria que é responsável por acompanhar a implementação do novo Ensino Médio em cerca de vinte escolas-piloto em doze cidades da região", conta o professor de matemática de Dourados. Antônio considerou muito importante a oportunidade de fazer a formação junto ao projeto Escolas Conectadas. "Não pudemos fazer algumas práticas mais mão na massa, devido à pandemia", conta Antônio, mas isso "permitiu perceber como seria trabalhar o ensino do pensamento computacional numa perspectiva de ensino remoto".
 
Muito mais do que computadores
Apesar do nome, o pensamento computacional pode servir para muito mais do que programar softwares (embora também sirva para isso). Visando facilitar a inserção dos alunos numa cultura digital e atiçar a curiosidade, o pensamento computacional elabora técnicas que servem para todas as áreas da vida.
A abordagem busca enxergar os sistemas e processos de um problema e adota quatro pilares para trabalhar com eles:
· Na etapa da Decomposição, devemos dividir o problema em partes menores. Além de reduzir a ansiedade perante o desafio, essa estratégia permite uma melhor organização e torna o processo mais administrável.
· Já a Abstração propõe focar a atenção na estrutura maior do problema, em vez de priorizar os detalhes específicos de cada situação.
· O Reconhecimento de padrões serve para identificar similaridades entre processos e tendências de comportamento.
· Enquanto que o Pensamento algorítmico leva à criação de passos na direção de um objetivo: a partir da lógica, a ideia é enxergar o percurso de etapas que devem ocorrer para se chegar à solução.
Quando somos capazes de construir um pensamento lógico, nos tornamos capazes de aplicar as mesmas estratégias de abordagem a diferentes problemas, de qualquer disciplina e em qualquer área da vida. Essa é a natureza dos fundamentos da computação: criar modelos, regras e padrões que possam ser facilmente replicados.
Conforme diz Steve Furber, engenheiro, matemático e especialista no assunto, o pensamento computacional "é o processo de reconhecer aspectos da computação no mundo que nos cerca, aplicando ferramentas e técnicas da Ciência da Computação para entender e raciocinar sobre sistemas e processos tanto artificiais quanto naturais". Não é acaso que Furber seja matemático: as bases do pensamento computacional são muito similares às bases do pensamento matemático: as duas ciências tratam de resolver problemas seguindo passos pré-determinados.
Conforme o artigo  Comparando conceitos de ciclos de pensamento matemático e computacional, de Lucy Rycraft-Smith e Cornelia Connolly, "são dois processos inter-relacionados e complexos" que envolvem o reconhecimento de padrões. Explorar a sinergia entre essas duas áreas pode ajudar no ensino de Matemática e tornar a disciplina mais interessante para os alunos, que enxergarão como o desenvolvimento de uma contribui com o aprimoramento na outra. A correlação entre as áreas e seus benefícios foram amplamente aprofundados na dissertação A relação do pensamento computacional com o ensino de matemática na educação básica, de Leonardo Lopes da Silva. O material pode ser uma boa fonte de pesquisa, pois traça as conexões entre as duas áreas na forma de uma organização sistemática
 
“Mas eu nunca usei a fórmula de Bhaskara no mercadinho”
É comum que estudantes não entendam como a matemática mais complexa – para além de operações de soma ou multiplicação – se relaciona com a vida cotidiana. Isso ocorre em grande parte porque as aulas com frequência se mantêm no plano teórico. Embora a matemática seja essencial para desenvolver o pensamento abstrato, é mais fácil absorver o conteúdo quando ele está ancorado em experiências concretas da vida do aluno.
Assim, a abordagem da matemática pela via da tecnologia torna o conteúdo mais interessante para os jovens, levando para o plano abstrato problemas que eles encontram no dia a dia, como a interação constante com algoritmos nas redes sociais, sites de notícias e propagandas online.
De acordo com a BNCC, o pensamento computacional “envolve as capacidades de compreender, analisar, definir, modelar, resolver, comparar e automatizar problemas e suas soluções, de forma metódica e sistemática, por meio do desenvolvimento de algoritmos”. Seria compreensível supor que, por terem nascido na era digital, os estudantes de hoje já saberiam “naturalmente” navegar no novo mundo hiperconectado em que vivemos. Porém, a experiência digital dos usuários não é precisamente “na internet”, mas “em plataformas”.
Não temos a menor ideia de como os sistemas digitais são organizados, temos apenas o conhecimento de como pedir uma viagem por aplicativo, encomendar uma refeição, postar e curtir nas redes sociais, enviar mensagens etc. Se alguém nos pedisse uma explicação sobre o funcionamento da internet, porém, a maioria de nós não saberia nem por onde começar. O mesmo ocorre com os alunos, que precisam aprender a enxergar o que está abaixo da superfície da Internet.
 
Aprender para ensinar
O curso oferecido pelo projeto Escolas Conectadas parte do básico, explorando os quatro pilares do pensamento computacional e propondo atividades práticas. A multidisciplinaridade é fundamental, por isso, o curso se aprofunda nas relações com os conteúdos de diferentes componentes curriculares da Base Nacional Comum Curricular.
Quem faz o curso é o tempo todo convocado a colocar a mão na massa, seja criando estratégias para sair de um “labirinto virtual”, participando de jogos ou trocando experiências e impressões com colegas. Essas relações interpessoais são também fundamentais para a formação dos estudantes, que, além dos conhecimentos técnicos, não podem perder de vista as habilidades sociais.
Conforme um relatório divulgado no início de 2020 pelo Fórum Econômico Mundial, denominado Jobs of Tomorrow: Mapping Opportunity in the New Economy, as próximas décadas serão marcadas pela demanda de profissionais que reúnam tanto habilidades digitais quanto sociais. O mundo precisará de pessoas que saibam usar a tecnologia para enfrentar problemas globais – como os impactos das mudanças climáticas ou a crescente desigualdade social – mas que também sejam capazes de agir com propósito, curiosidade e generosidade. O profissional do futuro precisará ser, antes de tudo, humano.

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O papel da escola está em reconhecer essas questões, criar condições para que sinais de sofrimento sejam percebidos e acolhidos e, quando necessário, acionar a rede de apoio.A escola também precisa saber escutarGrande parte da infância e da adolescência acontece dentro da escola. É ali que estudantes constroem amizades, enfrentam conflitos, lidam com expectativas, fracassos e mudanças e desenvolvem formas de se relacionar consigo mesmos e com os outros. Por isso, o ambiente escolar também pode ser um espaço importante para fortalecer vínculos e criar oportunidades de escuta.Para o professor Erison Lima, de Manaus (AM), essa escuta pode revelar situações que nem sempre aparecem de forma evidente na sala de aula. Por meio do Clube do Silêncio, iniciativa criada no Centro Educacional de Tempo Integral Eng. Prof. Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo, os estudantes encontram um espaço de acolhimento e escuta, onde podem falar livremente sobre o que estão vivendo, com o acompanhamento do docente.O projeto nasceu em 2018, a partir das vivências de professores e estudantes diante de um contexto de violência urbana. Com reuniões semanais que ocupam diferentes espaços da escola, a ideia é que os jovens tenham a possibilidade de conversar,  refletir e desenvolver relações baseadas em empatia, respeito e cuidado.“No Clube do Silêncio, o que mais sobressai é o desabafo dos jovens sobre o acúmulo das pressões diárias”, conta. 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Uma década de transformação digital na educação: por que ...

Reunimos em um infográfico os principais debates e transformações que atravessaram a educação digital brasileira nos últimos dez anos.A plataforma Escolas Conectadas está de cara nova. A partir de agora, nossa comunicação ganha uma nova identidade visual, mais contemporânea, acolhedora e conectada aos ambientes digitais.A mudança acompanha um momento importante: em 2026, o ProFuturo, programa global de educação digital do qual a Escolas Conectadas faz parte, completa dez anos. Criado pela Fundação Telefônica Vivo e pela Fundação “la Caixa”, o programa atua em diferentes países para promover uma educação de qualidade por meio da tecnologia, com atenção especial à redução das desigualdades e à ampliação de oportunidades de aprendizagem.Fazer parte dessa iniciativa também significa acompanhar de perto as transformações que atravessam a educação digital no Brasil e no mundo. 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A cultura maker, as metodologias ativas e a aprendizagem baseada em projetos mostraram que a tecnologia poderia apoiar experiências mais criativas e participativas em sala de aula.Em 2017, a publicação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) deu um passo importante ao incluir a cultura digital entre as Competências Gerais da Educação Básica. Pela primeira vez, o uso das tecnologias deixou de ser visto apenas como apoio às aulas e passou a fazer parte das aprendizagens essenciais previstas para todos os estudantes.Ao mesmo tempo, cresceram discussões sobre equidade, representatividade e a participação de meninas nas áreas de ciência e tecnologia, ampliando o olhar sobre quem faz parte da construção do futuro digital.Pandemia: transformação aceleradaEm 2020, a pandemia da Covid-19 colocou as tecnologias digitais no centro da educação. 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Ao mesmo tempo, a chegada da IA generativa trouxe novas possibilidades para o planejamento das aulas, a produção de materiais e a aprendizagem, acompanhadas de discussões sobre ética, autoria e pensamento crítico.Também ganharam espaço temas como educação midiática, cidadania digital, inclusão e acessibilidade. Em comum, todos eles reforçam uma mesma ideia: formar estudantes para viver, aprender e participar de uma sociedade cada vez mais conectada.Evoluir junto com a educaçãoAcompanhar esses debates educacionais faz parte da trajetória da Escolas Conectadas. Desde sua criação, em 2015, a plataforma busca apoiar educadores na construção de práticas pedagógicas inovadoras, críticas e inclusivas, oferecendo formações gratuitas que acompanham as necessidades de cada momento da educação brasileira.

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Agosto: temas importantes do mês para trabalhar em sala d...

Atualizado em 28/07/2026Agosto é sempre assim: fim de férias e volta às aulas! Para apoiar os educadores a recuperarem o ritmo pedagógico e fazerem do retorno escolar um momento divertido e estimulante para os estudantes, separamos diversas datas importantes do calendário para serem trabalhadas durante o mês. Confira a seguir a Agenda do Educador de agosto!Dia Nacional do Documentário Brasileiro (07/08)O Brasil tem um cenário fértil de produções cinematográficas – incluindo filmes indicados e premiados no Oscar – e um histórico de documentários que podem ser inseridos em diversas disciplinas como uma ferramenta pedagógica. A produção de vídeos e fotos é uma forma interessante de desenvolver habilidades como autoria, comunicação, síntese, colaboração, resolução de problemas e negociação de pontos de vista a partir da construção de narrativas. Aproveite a data e experimente com seus estudantes em sala de aula!A “Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores” apresenta ferramentas digitais promissoras, incluindo temas como fotografia e vídeo, para potencializar o trabalho do professor.Dia Internacional dos Povos Indígenas (09/08)Desde 1995, a data celebra todos os povos originários e busca conscientizar sobre a sua realidade, principalmente no que se refere às condições de vida e cultura, bem como a garantia dos direitos humanos.E você, já pensou em como trabalhar essa efeméride em sala de aula? É importante lembrar que representações estereotipadas devem ser evitadas, buscando apresentar os povos indígenas com respeito às suas origens e culturas. Para isso, vale explorar de tudo: jogos e brincadeiras de origem indígena, histórias e lendas, danças e músicas, palavras de origem indígena, e assim em diante!Se você quiser se aprofundar nos fundamentos da educação antirracista, que envolve também a luta dos povos originários, a dica são os nossos cursos gratuitos “Educação Antirracista Mediada por Tecnologias: Conceito e Fundamentos” e “Tecnologia como Aliada da Educação Antirracista: Práticas e Perspectivas”.Para completar, o Dicionário do Saber Ancestral é um material especial que reúne palavras de origem indígena presentes no nosso cotidiano, seus significados e contextos culturais. Também inclui um jogo da memória para desenvolver a leitura e ampliar o repertório sociocultural dos estudantes. Baixe gratuitamente e leve novos olhares para a sua sala de aula!Dia do Estudante (11/08)Uma data criada para reconhecer o papel dos estudantes não pode passar em branco nas escolas, certo?Vale promover atividades em que os estudantes se sintam valorizados, buscando fortalecer o sentimento de pertencimento em relação ao espaço escolar. Concursos, gincanas e atividades que estimulem a troca de experiências são ótimas ideias para atingir esse objetivo. Atividades mão na massa, como produzir murais ou pintar paredes da escola, também são boas opções para realizar um processo de criação coletiva que envolva toda a comunidade escolar.Quer saber mais sobre como as atividades mão na massa podem estimular o protagonismo estudantil em suas aulas? 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A iniciativa propõe que os estudantes captem, por meio de fotografias feitas no celular, a realidade e os problemas sociais enfrentados pela comunidade. Leia a matéria completa aqui.Dia do Folclore (22/08)Seja por meio de personagens clássicos como saci-pererê, curupira, boto-cor-de-rosa e iara, ou por celebrações populares, como o carnaval e a festa junina, o folclore é uma manifestação da cultura popular que caracteriza a identidade social do povo brasileiro. São tantas narrativas regionais, de norte a sul do país, que essa data remete a lembranças de histórias, tradições, mitos e lendas estudadas desde a educação infantil. O Dia do Folclore pode ser comemorado de diversas formas, desde atividades como contação de histórias, teatro de fantoches e danças típicas a concurso de fantasias e até mesmo uma feira cultural.Se a intenção for criar uma atividade digital, já pensou em convidar seus estudantes a produzirem jogos e animações com os diversos temas abarcados pelo folclore? Pois o curso “Olá mundo! Lógica de programação e autoria” ajudará você a atingir esse objetivo por meio da programação.Dia da Infância (24/08)Em 24 de agosto, é comemorado no Brasil o Dia da Infância. Porém, desde 2023, agosto passou a ser considerado o Mês da Primeira Infância, ação que visa conscientizar a sociedade sobre a importância da atenção integral às gestantes, às crianças de até seis anos de idade e às suas famílias.Nas escolas, essa data – e o mês como um todo – são excelentes oportunidades para desenvolver atividades que valorizem a infância. Organizar jogos e brincadeiras são boas ideias para movimentar o corpo, além de estimular a convivência entre as crianças.Pensando na grandiosidade de um país como o Brasil, com o apoio do site Mapa do Brincar, separamos algumas brincadeiras regionais que podem ser trabalhadas na sala de aula.Região norte: buraco e helicóptero de folhaRegião nordeste: estátua e sete pecadosRegião centro-oeste: cachorro no osso e pato, pato, gansoRegião sudeste: caracol e base 4Região sul: coelho sai da toca e conebolDurante todo o mês: Agosto LilásO Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, com foco na divulgação da Lei Maria da Penha e no combate à violência doméstica e familiar. O mês foi escolhido por marcar o aniversário da sanção da lei em 7 de agosto de 2006.Na atualidade, o ambiente virtual tornou-se uma das principais ferramentas para a violência moral e psicológica contra as mulheres. Práticas como cyberbullying, perseguição online e vazamento de fotos íntimas, inclusive, já são combatidas pela Lei Maria da Penha.Leia uma matéria especial sobre o tema aqui.Esteja preparado/a para fortalecer esse enfrentamento por meio do curso “Cidadania Digital”, que incentiva o uso seguro, consciente e responsável da Internet entre educadores e estudantes.Conte para nós quais desses temas farão parte do seu planejamento e aproveite para compartilhar esse conteúdo com outros educadores!

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