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Webinário ajuda professores e estudantes a utilizar a internet de forma segura e saudável

25/11/24

Evento discutiu temas como desinformação e saúde mental no ambiente digital

Segundo a pesquisa TIC Kids Online 2024, lançada em outubro, 93% dos brasileiros de 9 a 17 anos são usuários de internet. Desse total, nada menos que 98% acessam a rede por meio do aparelho celular.

Nesse cenário, é fundamental que a escola apoie essas crianças e adolescentes a construir uma relação segura e saudável com a tecnologia. Em uma realidade na qual tudo o que acontece no mundo digital tem um impacto no mundo real, é cada vez mais necessário que os educadores ajudem a resgatar a atenção dos estudantes e promovam um uso mais equilibrado da internet.

Para se aprofundar nessa importante temática, foi realizado o webinário "O que todo professor precisa saber sobre segurança na internet", que contou com a participação de Guilherme Alves, gerente de projetos na Safernet Brasil, e de Yuri Norberto, professor de sociologia do Centro de Excelência Atheneu Sergipense, de Aracaju (SE), além de Dênis Rodrigues, coordenador-geral de Proteção de Direitos na Secretaria de Políticas Digitais, órgão vinculado à Secretaria de Comunicação Social (SECOM) da presidência da república. A mediação foi de Karina Pimentel, responsável pela área de Formação de Docentes a Distância da Fundação Telefônica Vivo.

O evento foi uma ação de lançamento do curso “Bem-estar, saúde mental e desinformação on-line: aprofundando habilidades de cidadania digital”, que capacita educadores a trabalhar, de forma prática, temas fundamentais como cidadania digital, saúde mental e combate à desinformação. A formação é totalmente gratuita e tem carga horária de 20 horas, com certificação pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro. As inscrições estão abertas até o dia 30/11.

Uso seguro da internet: um compromisso nacional  

Representando o governo federal, Dênis Rodrigues revelou que a SECOM está prestes a lançar um Guia sobre Uso Consciente de Telas e Dispositivos Digitais por Crianças e Adolescentes. Além de recomendações gerais sobre o tema, o documento trará uma posição oficial do poder público sobre o tema, baseado tanto em evidências científicas como nas melhores práticas internacionais.

“Essa realidade precisa ser enfrentada com uma posição do Estado brasileiro. Nos últimos anos, diversos dados evidenciam o aumento de distúrbios entre crianças e adolescentes ligados à saúde mental, ansiedade, depressão, autolesões e suicídios. Além disso, há questões de saúde física como sobrepeso, miopia e sedentarismo. E o ambiente digital faz com que esses riscos aumentem”, observa Dênis.

O Guia foi elaborado a partir de uma consulta pública por meio da plataforma Mais Brasil, que ouviu a posição da sociedade sobre o tema. Segundo o coordenador-geral, crianças e adolescentes também foram escutados no processo.

“Há muitos adultos adoecendo também, mas as crianças e adolescentes estão em uma situação de mais fragilidade por ainda estarem em desenvolvimento. Para além de problemas de saúde, vemos também problemas de relacionamentos dentro das famílias, das escolas, de adolescentes com seus próprios amigos, tudo isso por não conseguirem se relacionar bem com o mundo digital”, reflete. “Precisamos de uma jornada nacional de conscientização sobre esse tema. Sem isso a gente não conseguirá reagir.”

Detox digital

Essa conscientização evocada por Dênis passa por um estímulo ao uso saudável e seguro do ambiente digital. Em sua apresentação, Guilherme Alves falou sobre os principais desafios relacionados a esse processo, tanto por professores quanto por estudantes. Gerente de projetos na SaferNet Brasil, organização que idealizou o curso ao lado da Fundação Telefônica Vivo, Guilherme coordena iniciativas para o uso seguro, crítico, responsável e positivo da internet e das tecnologias.

“Estamos falando de uma questão sistêmica, que não envolve apenas a nossa vontade pessoal ou algo pontual em uma escola. Não se sintam sozinhos, estamos todos juntos embarcados nesse contexto desafiador”, pontua. 

Há desafios relevantes, como o gerenciamento do tempo de tela, o design manipulativo das redes sociais e a educação midiática. Nesse cenário, o especialista sugeriu algumas dicas para reduzir os danos do mundo virtual, como criar rotinas de pausas dos dispositivos conectados; realizar uma faxina digital, deixando de seguir perfis nocivos; e obter uma maior clareza sobre o tempo dedicado aos seus perfis profissionais e pessoais. 

“Sabemos que os professores são demandados para estar no ambiente online, mas é necessário se organizar para que isso aconteça durante a sua jornada de trabalho”, sugere. “Não queremos criar mais demandas para os educadores, mas sim dar uma oportunidade para que possam modificar para melhor a sua própria rotina, e a partir disso impactar a rotina dos seus estudantes.”

Projeto de combate à desinformação

Além de refletir de forma crítica sobre a sua presença digital, também é importante que o professor ajude os estudantes a identificar e checar informações falsas. Para isso, o professor Yiri Noberto elaborou o Observatório Internacional da Notícia, projeto interdisciplinar de educação midiática que combate a desinformação e os discursos de ódio nas redes sociais. 

Durante o webinário, ele sublinhou o fato de que informações falsas se disseminam mais rápido que as verdadeiras, além de despertarem os instintos mais primitivos das pessoas. “Qual o impacto disso na vida dos adolescentes?”, questiona. “Buscando uma resposta para essa pergunta, fiquei extremamente perturbado com o quanto essa realidade influencia na rotina deles.”

A partir desse momento, Yuri recorreu à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para se orientar sobre quais habilidades e competências poderiam ser desenvolvidas com um projeto de educação midiática. Dessa forma, o Observatório Internacional da Notícia oferece formação teórica, ensinando o que é um conteúdo falso, e também prática, estimulando os estudantes a refletirem criticamente  e assimilarem aquela informação. 

“Esse processo de assimilação os levou a entender o quanto aquilo impactava as suas vidas, se sentindo mais ansiosos, menos confiantes, ou acreditando em determinadas teorias. Quando entenderam o quanto a desinformação impactava seus processos de ensino e aprendizagem, passaram a ser multiplicadores do projeto”. Leia aqui uma entrevista com Yuri Norberto.

Para ressaltar a importância e atualidade desse projeto, Karina citou uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva, que mostrou que nove entre cada 10 brasileiros admitem já ter acreditado em uma notícia falsa. “Quem navega na rede sabe que ela está inundada de desinformação”, pontua Karina.

Mapa de bem-estar digital e equilíbrio

Aos professores que permaneceram até o final do webinário, foi disponibilizado gratuitamente o “Mapa de bem-estar digital e equilíbrio”, uma ferramenta prática que promove o autoconhecimento e apoia os educadores a estabelecerem metas para um uso mais consciente das tecnologias digitais. 

Além de ter a intenção de explorar boas práticas de segurança digital, a ferramenta oferece instrumentos para serem aplicados na rotina escolar. Durante o webinário, inclusive, Guilherme Alves mostrou como fazer para ter controle sobre as notificações do celular (uma das dicas sugeridas no mapa).

Se você ainda não assistiu ao webinário, não perca a chance de se aprofundar nesse tema tão atual! Ele está disponível no YouTube. Ao assistir até o final, você poderá baixar o mapa e também um certificado de participação.

E se você quiser se aprofundar ainda mais na temática, sugerimos que se inscreva agora mesmo no curso “Bem-estar, saúde mental e desinformação on-line: aprofundando habilidades de cidadania digital”. É totalmente gratuito e te capacitará para lidar com esses desafios, garantindo mais uma certificação antes de 2025. Não termine o ano sem dominar essas questões!

Reveja o webinário na íntegra!

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Habilidades mobilizadas pelo exame podem ser desenvolvidas em experiências de aprendizagem que vão muito além do treinamento para a prova.Nunca foi tão simples encontrar uma informação. Em poucos segundos, uma busca na internet ou uma ferramenta de Inteligência Artificial traz uma resposta para praticamente qualquer pergunta. Para a escola, porém, o desafio não é apenas ensinar os estudantes a encontrar informações, mas ajudá-los a compreender, questionar, comparar e transformar aquilo que encontram em conhecimento – capacidades que também fazem parte da preparação para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).É nessa perspectiva que José Manuel Moran, professor e pesquisador na área de educação e tecnologia, entende o papel das ferramentas digitais no processo de aprendizagem. Para ele, o potencial da tecnologia depende principalmente da maneira como ela é utilizada. Uma mesma ferramenta pode servir para copiar uma resposta ou para investigar um assunto, comparar informações e aprofundar uma questão.“Se você é uma pessoa inquieta, não se contenta com a primeira pergunta. Você vai lá, conversa e até ‘viaja’ com a IA. Quem não faz isso fica só buscando receita, resposta pronta”, afirma Moran. Essa ideia ajuda a pensar em uma questão importante para a educação na cultura digital: mais do que ensinar a usar ferramentas, é preciso desenvolver a capacidade de fazer boas perguntas, avaliar respostas e tomar decisões sobre o que fazer com a informação. São experiências que contribuem para desenvolver aprendizagens importantes e que também dialogam com capacidades mobilizadas pelo ENEM.O que as competências digitais têm a ver com o ENEM?Quando se fala em preparação para o ENEM, é comum pensar em revisão de conteúdos, listas de exercícios e simulados. Mas o exame também exige que o estudante interprete textos, analise informações, enfrente situações-problema e construa argumentos.Moran reconhece esse aspecto e, segundo ele, isso abre uma possibilidade interessante para o trabalho docente: essas capacidades não precisam ser desenvolvidas apenas em atividades explicitamente preparatórias para a prova.Quando o professor propõe situações em que os estudantes precisam investigar, selecionar informações, interpretar dados, explicar seu raciocínio, defender uma ideia ou buscar diferentes caminhos para resolver um problema, também está desenvolvendo competências importantes para o ENEM e para diferentes situações da vida, dentro e fora da escola.O mesmo vale para a produção textual. Em vez de trabalhar apenas modelos prontos de redação, por exemplo, o professor pode criar situações em que os estudantes pesquisem sobre um tema, confrontem diferentes perspectivas, selecionem evidências, organizem argumentos e formulem suas próprias conclusões.É nesse sentido que as competências digitais podem contribuir para a preparação dos estudantes. A tecnologia amplia as possibilidades de pesquisa, análise, colaboração e produção, mas o objetivo continua sendo desenvolver a capacidade do aluno de pensar e agir sobre o conhecimento.Da BNCC à prática: desenvolvendo competências no cotidianoEssa perspectiva se aproxima do desenvolvimento de competências previsto para a Educação Básica. Na cultura digital, pesquisar, analisar informações, comunicar ideias, resolver problemas e fazer escolhas também significa aprender a lidar de maneira crítica com recursos e conteúdos digitais.Na prática, uma aula pode explorar uma ferramenta de IA para gerar diferentes respostas a uma mesma pergunta e convidar os estudantes a verificar quais informações são confiáveis. Um projeto pode propor a análise de dados sobre um problema da comunidade. Uma atividade de Língua Portuguesa pode comparar como um mesmo acontecimento é apresentado em diferentes fontes. Em Ciências Humanas, materiais diversos podem servir de base para que a turma identifique perspectivas, argumentos e evidências antes de construir uma posição.Em propostas assim, o estudante deixa de ser apenas receptor de informação e passa a investigar, analisar, fazer escolhas e construir respostas. Esse tipo de experiência fortalece habilidades importantes para o ENEM sem que a aula precise reproduzir o formato da prova.Tecnologia com intencionalidade: novas escolhas para o professorAmpliar as possibilidades de aprendizagem também traz novos desafios para o educador. Quanto maior o número de ferramentas e recursos disponíveis, mais importante se torna saber escolher o que realmente faz sentido para cada objetivo e para cada turma.Moran lembra que a chegada da internet – e mais recentemente da IA – ampliou o repertório disponível ao professor, mas também tornou mais complexas suas escolhas. “Você vai sofisticando, vai ampliando possibilidades, mas também tem que fazer escolhas. Não dá para usar tudo de qualquer jeito.”Por isso, competência digital docente não significa dominar todas as plataformas existentes. Significa desenvolver critérios para decidir quando uma tecnologia pode contribuir para a aprendizagem e como utilizá-la de acordo com o contexto dos estudantes.Moran dá o exemplo da IA no planejamento de aulas. Uma ferramenta pode produzir uma proposta inicial, mas cabe ao professor analisá-la, adaptá-la e considerar as características de sua turma, da escola e da realidade em que trabalha.Acolher e desafiarPara o pesquisador, o uso significativo das tecnologias não pode ser separado da relação do professor com os estudantes. Ele destaca a importância de combinar acolhimento – conhecer o aluno, demonstrar interesse e criar condições para que ele se envolva com a aprendizagem – com o desafio de fazê-lo avançar, investigar e ir além do que já sabe. “O bom professor acolhe de um lado e desafia de outro”, resume.Essa combinação também pode orientar o uso de recursos digitais. Uma atividade não se torna significativa apenas por envolver uma tecnologia. Ela ganha sentido quando coloca o estudante diante de uma pergunta, um problema ou uma situação que exija investigação, colaboração, análise e tomada de decisão.Assim, além de contribuir para o desenvolvimento de competências importantes para o ENEM, essas experiências podem favorecer um estudante mais ativo diante do próprio aprendizado.Preparar para o ENEM sem limitar a aprendizagemA relação entre competências digitais e preparação para o ENEM, portanto, não precisa passar pela reprodução do formato da prova em sala de aula.O próprio Moran faz uma ressalva sobre esse modelo de preparação. Para ele, quando o treinamento ocupa espaço demais, existe o risco de a escola ensinar os estudantes a seguir receitas para alcançar o resultado esperado. Como exemplo, ele cita a forma como a redação pode acabar sendo trabalhada a partir de estruturas muito previsíveis. Ao mesmo tempo, reforça que uma escola pode preparar bem seus estudantes para o exame sem fazer com que todo o Ensino Médio gire em torno dele.A questão, então, não é escolher entre preparar para o ENEM e desenvolver aprendizagens mais amplas: é entender que o trabalho cotidiano com competências pode contribuir para os dois objetivos. Esse tipo de experiência ajuda a formar estudantes capazes de lidar de maneira mais crítica, criativa e autônoma com o conhecimento. E, como consequência, também pode fortalecê-los diante dos desafios que encontrarão no ENEM.Ensinar na cultura digitalPara apoiar esse trabalho, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas para educadores sobre diferentes dimensões do uso pedagógico das tecnologias.Entre as possibilidades estão os cursos de Competências Digitais, voltados a diferentes áreas do conhecimento e etapas da Educação Básica, além de formações sobre Letramento em IA, Cidadania Digital, Programação e Pensamento Computacional e Intencionalidade Pedagógica.Os cursos podem ajudar o professor a ampliar seu repertório e refletir sobre questões que aparecem na prática: que aprendizagem se pretende desenvolver? Qual recurso faz sentido para esse objetivo? Como adaptar uma proposta à realidade da turma? Como estimular que os próprios estudantes desenvolvam uma postura mais crítica e participativa diante das tecnologias?

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