Projeto de educação midiática forma estudantes para revis...
Entenda como iniciar um projeto de educação midiática em sala de aulaEm uma escola pública em Santa Isabel, na região metropolitana de Belém (PA), estudantes começaram a revisar textos jornalísticos. O que poderia ser apenas uma atividade de leitura se transformou em algo maior: eles passaram a questionar escolhas, sugerir mudanças e refletir sobre os temas que impactam suas próprias vidas.O resultado? Jovens mais críticos, mais confiantes e conscientes do papel que podem ocupar na sociedade. Essa é uma das possibilidades da educação midiática: transformar a forma como os estudantes se relacionam com a informação.“Eles se viram como pessoas importantes, cuja opinião é significativa”, conta a professora Marcela Castro, responsável pelo projeto.Inclusive, experiências como essa não estão isoladas: em todo o país, professores, escolas e organizações têm desenvolvido iniciativas que colocam a educação midiática no centro do processo educativo. Para dar visibilidade a essas experiências, foi criado o Mapa Brasileiro da Educação Midiática, que reúne práticas inspiradoras e ajuda a conectar educadores interessados no tema. A segunda edição do mapa está com inscrições abertas até o dia 20 de abril, permitindo que professores e escolas compartilhem suas próprias experiências e façam parte dessa rede.Quando a mídia entra na sala de aulaA experiência aconteceu na Escola Pública Antônio Lemos, em parceria com o portal Amazônia Vox. Nela, estudantes de 14 a 16 anos assumem o papel de revisores de textos jornalísticos, analisando linguagem, identificando termos difíceis e sugerindo adaptações para tornar os conteúdos mais acessíveis.Tudo começou de forma simples, mesmo sem estrutura tecnológica. “Cheguei na sala de aula com o texto impresso, já que na minha escola à época não havia computadores. Os alunos liam e marcavam o que não compreendiam”, relata Marcela. A partir dessas leituras, os estudantes enviavam áudios com sugestões, discutiam escolhas de palavras e refletiam sobre os temas abordados. Com o tempo, a atividade evoluiu para algo mais amplo: debates, pesquisas prévias e até checagem de informações.Mais do que revisar textos, a turma passou a entender como a informação é construída e quais impactos esse processo pode gerar. “Eles perceberam que nenhum conteúdo é inocente, que tudo tem alcance e consequência.”Muito além das fake newsEmbora o combate à desinformação seja um dos pontos mais relevantes, a educação midiática vai além. Ela envolve o desenvolvimento de repertório, senso crítico e consciência sobre os diferentes interesses presentes nos inúmeros conteúdos que circulam atualmente - seja na internet ou fora dela.Como destaca Marcela: “A mídia não está somente na tecnologia digital. Ela está no impresso, na televisão, no outdoor, em todos os lugares.” Nesse sentido, o trabalho em sala de aula não se limita a identificar o que é falso ou verdadeiro, mas a compreender como as narrativas são construídas e como os próprios estudantes podem participar desse processo de forma ética e responsável.Impactos que ultrapassam a aprendizagemOs resultados do projeto ajudam a dimensionar o potencial desse tipo de iniciativa. Além do desenvolvimento da leitura e da escrita, os estudantes ampliaram vocabulário, repertório e, principalmente, autoestima.“Eles se sentem no centro de algo, sendo vistos por gente do mundo inteiro.” Um dos textos revisados pelos alunos integrou uma reportagem premiada no Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde. Mas, para além dos reconhecimentos formais, o impacto mais relevante está na mudança de percepção dos próprios estudantes sobre si mesmos e sobre o mundo.Eles deixam de ser apenas consumidores de informação para se tornarem participantes ativos, capazes de questionar, propor e criar.Por onde começar um projeto de educação midiática?Se a ideia de trabalhar educação midiática parece desafiadora, a prática mostra que o primeiro passo pode ser mais simples do que parece. E começa, muitas vezes, com mudança de postura.A partir da sua experiência em sala de aula, Marcela aponta alguns caminhos:Promova uma escuta ativa como ponto de partidaOuvir os estudantes ajuda a conectar o projeto com o que realmente faz sentido para eles.Trabalhe com conteúdos reaisExplorar notícias, vídeos, memes e posts de redes sociais aproxima o aprendizado do cotidiano.Crie espaço para diálogoFazer debates, pesquisas e trocas pode fortalecer o pensamento crítico.Garanta a continuidadeDesenvolver projetos consistentes demanda tempo.Estimule o protagonismoColocar os alunos como autores, revisores ou curadores de conteúdo transforma a relação com a informação.Busque parceriasFazer conexões com jornalistas, projetos e outras escolas podem ampliar o alcance das ações.Um convite para experimentarA educação midiática não exige um laboratório completo, nem ferramentas sofisticadas para começar. Como mostra a experiência em Santa Izabel, ela pode nascer com textos impressos, conversas em sala de aula e disposição para escutar.O mais importante é o movimento: sair de uma lógica em que os estudantes apenas recebem informação e avançar para um cenário em que eles analisam, questionam e participam.“De nada adianta aprender a marcar um X ou escrever uma redação somente para uma prova, se não houver relação e continuidade daquilo que é ensinado no espaço escolar com a vida para além dela”, finaliza Marcela.Nesse sentido, a formação gratuita “Redes Sociais para o Uso Consciente e Criativo” apoia os professores na realização desse processo . Ao explorar o papel das redes sociais na contemporaneidade e sua influência na formação educacional, o curso apresenta estratégias para abordar o uso consciente e crítico das redes sociais na Educação Básica, considerando seus impactos sociais, cognitivos e emocionais.
Os Códigos de Sofia: projeto ensina pensamento computacio...
Kit desplugado pode ser baixado gratuitamente e adaptado por educadores de todo o BrasilApesar de muita gente associar o ensino de tecnologia a computadores, jogos digitais e laboratórios, há sempre a possibilidade de seguir um caminho diferente e surpreendente. Criado por Giselle Santos, gestora de inovação e pesquisadora do Rio de Janeiro, Os Códigos de Sofia não é um jogo tradicional nem uma sequência didática rígida: trata-se de um kit narrativo desplugado, formado por cartas, histórias e perguntas que funcionam como disparadores de conversas sobre inteligência artificial (IA), cultura digital, dados e território. Cada carta apresenta um fragmento da vida de Sofia, uma personagem fictícia de 14 anos que vive no Morro Dona Marta. Ao escrever suas próprias histórias, ela provoca reflexões sobre como a tecnologia atravessa o cotidiano.Mais do que conduzir uma atividade, Sofia promove um encontro. “Não se trata de ensinar a operar ferramentas digitais, mas de abrir espaço para pensar quem projeta as tecnologias que usamos? Quem toma decisões por meio delas? Quem acaba não sendo visto pelos sistemas?”, provoca Gisele.A atividade é livre, gratuita e está disponível para download para qualquer educador que se interesse por esse tema. Segundo a pesquisadora, é direcionada especialmente para o Ensino Fundamental, mas isso não impede que seja adaptada para diferentes etapas e contextos de ensino.Afinal, o projeto é simples e acessível, e as cartas podem ser lidas em roda, discutidas coletivamente e transformadas em criação, como cartas-resposta, desenhos, cenas, performances e mapas do território. Cada educador cria seu próprio caminho, sem etapas obrigatórias. O kit oferece sugestões de tempo e organização, mas sempre como referências flexíveis.Os Códigos de Sofia em sala de aulaEm Jaguariúna (SP), a professora Telma Aparecida Alves Conti, da Escola Municipal Professor Irineu Espedito Ferrari, encontrou em Os Códigos de Sofia uma porta de entrada potente para discutir inteligência artificial, pensamento computacional e produção de texto com seus estudantes. E tudo isso sem depender de computadores.A proposta inicial da atividade era simples: ler a primeira carta de Sofia e conversar. Mas a conversa rapidamente cresceu, e as crianças começaram a discutir segurança, autoria, privacidade e até mesmo responder a carta para a personagem.Esse desejo virou oportunidade pedagógica. “A turma iniciou um trabalho de produção e revisão de texto, e cada revisão trazia novas discussões sobre IA, mensagens instantâneas, velocidade da comunicação e cuidado com dados pessoais”, revela Telma. As cartas se transformaram em rotações de atividades, reconhecimento de padrões, jogos e exercícios lúdicos. A cada carta, novas possibilidades surgiam.Um dos momentos mais marcantes veio quando os alunos trabalharam a carta sobre qualidade de dados, levando para casa uma receita de bolinho de chuva com um erro proposital (“areia” no lugar de “aveia”) para discutir viés e alucinação de IA com a família. “Gerou uma repercussão para além da sala de aula, e puderam discutir com seus pais temas como IA, cibersegurança e tempo de tela”, conta.“Existe um mito enorme de que é preciso laboratório, computador e conectividade para falar sobre IA. Não precisa”, afirma Giselle. “Para isso basta uma boa roda de conversa e uma rede de confiança.”A Inteligência Artificial na vida cotidiana dos estudantesEm essência, Os Códigos de Sofia convida os estudantes a discutir IA e pensamento computacional a partir da vida real, com lápis, papel e com a profundidade que nasce da escuta, do diálogo e da imaginação coletiva.A experiência dos estudantes de Jaguariúna (SP) se estendeu para reuniões com as famílias, onde temas como segurança digital e propósito das atividades desplugadas ganharam espaço. As conversas deixaram claro que a escola não pode ignorar o que acontece fora dela. “As crianças estão usando IA em casa. Mas, e na escola, o que se está falando? Como se está falando?”, questiona.Telma resume sua visão sobre o valor do trabalho desplugado: “Não é romantizar a falta de infraestrutura, é entender que IA e pensamento computacional são habilidades que precisam ser desenvolvidas com ou sem acesso à tecnologia.”A partir de Sofia, sua turma escreveu, criou, discutiu, investigou, envolveu as famílias e até experimentou programação no Scratch. Um percurso completo e que foi iniciado apenas por uma carta.Por que falar de IA sem telas?Os Códigos de Sofia surgiu no final de 2024, quando os debates sobre proibição de celulares nas escolas ganharam força. Para Giselle, esse contexto trouxe também a oportunidade de abordar criticamente a tecnologia em um momento no qual, em sua visão, o ensino relativo à IA e ao pensamento computacional vêm sendo dominado por um imaginário de eficiência e de automação.“A percepção era de que esse ensino estava sendo feito de maneira colonizada, por uma ideia de perfeição e inevitabilidade, mas esvaziado de presença, de toque, de afeto”, enfatiza.Assim, a iniciativa mostra que é possível discutir algoritmos, padrões, dados e ética sem depender de telas, e que é possível formar pensamento crítico sobre IA antes mesmo de colocar a mão em um dispositivo. “Ensinar tecnologia deve ser, acima de tudo, um processo humano, coletivo e profundamente conectado às experiências de cada estudante”, afirma Giselle.A proposta também contribui para que escolas sem conectividade não fiquem de fora do trabalho de desenvolver competências digitais. Afinal, embora o país tenha avançado na expansão da internet nas escolas, o acesso ainda é desigual e desafia a inclusão plena de todos os estudantes na cultura digital.Conectividade e o cenário brasileiroEntre 2023 e 2025, o Brasil alcançou um marco importante quando o número de escolas públicas equipadas com salas de aula que possuem internet de qualidade e conexão sem fio para uso pedagógico subiu de 45,4% para 65,89%, segundo dados do Ministério da Educação. Ainda assim, aproximadamente um terço das escolas públicas não dispõe dessa infraestrutura. Pelo menos 33% relataram não usar a internet em seus processos pedagógicos, e cerca de 10% afirmaram não ter qualquer acesso à rede, de acordo com o Censo Escolar.Mesmo onde há conexão, a disponibilidade de dispositivos para uso dos estudantes permanece limitada, especialmente em redes municipais. Essa realidade evidencia um cenário em transição, onde há conectividade em expansão, mas persistem desigualdades importantes entre zonas rurais e urbanas e entre diferentes redes de ensino. Por isso, é essencial fortalecer iniciativas que garantam oportunidades de aprendizagem digital para todos, inclusive em contextos com pouco ou nenhum acesso à internet.Uma nova etapa para o ensino de tecnologia no BrasilEm 2026, todas as redes de ensino terão que implementar a BNCC Computação, que trará uma série de novas habilidades obrigatórias a serem desenvolvidas nos estudantes, em temas como pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. Dessa forma, iniciativas como Os Códigos de Sofia garantem que mesmo as escolas com poucos recursos de conectividade e equipamentos possam ter a oportunidade de trabalhar essas competências de formas alternativas.O projeto de Giselle, inclusive, aborda conceitos presentes na BNCC Computação, mas traduzidos para uma linguagem humana e cotidiana. Um de seus grandes motores é romper a ideia de que discutir IA é privilégio de especialistas. “Esse discurso de que a IA não me pertence, que é feita para quem entende de ciência de dados, é algo que desumaniza o tema e afasta”, observa a educadora. Para ela, estudantes e educadores precisam se sentir parte dessas discussões que, muitas vezes, parecem restritas a centros de tecnologia do norte global.“O projeto cria espaço para que nossos alunos pensem tecnologia a partir deles mesmos, do cotidiano, dos conflitos reais, para que entendam que pertencem a essas conversas”, finaliza. Os Códigos de Sofia mostra que esse processo de aprendizagem independe de ter acesso a laboratórios de informática ou dispositivos digitais.Quer aprender a ensinar pensamento computacional?Se você deseja levar esse olhar para sua prática, a plataforma Escolas Conectadas oferece o curso “Pensamento Computacional e Programação na Educação”. Totalmente gratuita e on-line, a formação dialoga diretamente com a proposta de Giselle Santos de trabalhar lógica, algoritmos, padrões, sistemas e ética a partir da realidade da escola. Afinal, ensinar tecnologia não é sobre ter equipamentos, é sobre formar pessoas capazes de questionar, criar, decidir e compreender o mundo que as atravessa.
Da desinformação à checagem de fatos: 6 caminhos para tra...
As sugestões foram comentadas pelo educador Yuri Norberto, criador do Observatório Internacional da NotíciaUm print que chega no grupo de WhatsApp da turma. Um vídeo curto que viraliza durante o intervalo. Uma notícia compartilhada nas redes sociais que rapidamente vira assunto em sala de aula. Situações como essas já fazem parte do dia a dia de muitos educadores – em 2023, por exemplo, uma onda de notícias falsas obrigou diversas escolas brasileiras a mudarem a rotina e assustou estudantes e famílias.Diante desse cenário, a escola não é apenas um espaço onde esses conteúdos aparecem, mas também onde eles devem ser problematizados. Afinal, cada mensagem duvidosa pode se transformar em uma oportunidade de aprendizado: investigar fontes, comparar versões, fazer perguntas e construir argumentos com base em evidências. Desinformação na escolaÉ nesse contexto que projetos de checagem de fatos se tornam aliados importantes do trabalho pedagógico. Mais do que identificar notícias falsas, eles ajudam a desenvolver autonomia intelectual, pensamento crítico e responsabilidade no uso das tecnologias, competências essenciais para a cidadania digital.Em ano eleitoral, discutir a desinformação na escola se torna ainda mais urgente. Afinal, é justamente nesse período que cresce a circulação de conteúdos enganosos, informações fora de contexto e narrativas que podem influenciar decisões individuais e coletivas.A proximidade do Dia Internacional da Checagem de Fatos, comemorado em 2 de abril – não por acaso, logo após aquele que é conhecido como o Dia da Mentira – também reforça a relevância do tema no calendário escolar. A data convida educadores a refletirem sobre o papel da informação de qualidade e sobre como desenvolver, com os estudantes, práticas mais conscientes de leitura, análise e compartilhamento de conteúdos.Como iniciar um projeto de checagem de fatos em sala de aula?Reunimos a seguir seis dicas para os(as) educadores(as) interessados(as) em iniciar projetos de checagem de fatos. As sugestões foram comentadas pelo educador Yuri Norberto, criador do Observatório Internacional da Notícia.1. Comece pelo que é real (e próximo dos estudantes)Uma boa porta de entrada é mostrar que a desinformação não está distante, e que ela faz parte do cotidiano digital dos próprios alunos.Trazer para a aula prints de redes sociais, vídeos curtos ou notícias que viralizaram recentemente pode ajudar a aproximar o tema da realidade da turma. Quando possível, vale até relacionar os exemplos à disciplina: um professor da área de Ciências da Natureza pode analisar conteúdos sobre saúde; já um de Ciências Humanas pode discutir distorções sobre fatos históricos.“Ao trabalhar com casos reais, os alunos percebem que a desinformação faz parte do ambiente informacional em que vivem e passam a desenvolver uma atenção mais crítica ao que consomem e compartilham”, explica Yuri.2. Ensine a fazer boas perguntasMais do que oferecer respostas prontas, o processo de checagem começa com perguntas. Estimular os estudantes a questionar quem produziu determinado conteúdo, quais fontes foram utilizadas e se existem evidências que sustentem aquela informação é um passo fundamental. Esse movimento aproxima a prática da lógica da investigação científica.“O estudante percebe que ele mesmo pode iniciar o processo de verificação ao adotar uma postura investigativa diante das informações que encontra no seu cotidiano”, destaca o educador.3. Mostre que existem caminhos simples para verificarPara muitos alunos, a checagem pode parecer algo complexo ou distante. Por isso, apresentar ferramentas e procedimentos simples faz toda a diferença. “Verificar se o site é confiável, identificar o autor do conteúdo, conferir a data da publicação e buscar se outros veículos também divulgaram a mesma informação já são passos importantes”, afirma Yuri. Também é possível utilizar recursos como a busca reversa de imagens. “Quando os alunos percebem que existem procedimentos simples para investigar uma informação, a checagem deixa de parecer algo complexo e passa a fazer parte do seu comportamento digital.”4. Transforme a atividade em investigaçãoA checagem de fatos ganha ainda mais sentido quando se torna um projeto. “Esse tipo de atividade aproxima a checagem do método científico e mostra que verificar informações é uma prática útil para compreender temas do cotidiano”, explica o professor.Escolher um tema que desperte interesse da turma e propor uma investigação coletiva pode engajar os estudantes e aprofundar o aprendizado. Questões do cotidiano como alimentação, saúde ou temas que estão em alta nas redes são ótimos pontos de partida.5. Incentive os estudantes a compartilhar o que descobriramDepois de investigar, é hora de comunicar. Produzir cartazes, apresentações ou conteúdos digitais com os resultados da checagem amplia o alcance da atividade e reforça a ideia de que todos têm responsabilidade sobre a informação que circula.“Ao comunicar suas descobertas, os estudantes exercitam a clareza na divulgação de informações e ajudam a fortalecer uma cultura de atenção à qualidade do que circula nas redes”, comenta Yuri.6. Vá além da técnica: fale sobre cidadania“A checagem de fatos também pode ser apresentada como parte do direito de todos a uma informação de qualidade”, reforça o educador. Essa atividade é uma oportunidade para discutir o impacto da informação na vida social e coletiva. Afinal, de que maneira as informações manipuladas ou falsas influenciam decisões importantes e podem gerar consequências graves? “Em temas como saúde, por exemplo, a circulação de desinformação já provocou situações que colocaram vidas em risco”, relembra Yuri.Ao refletirem sobre essas consequências, os alunos entendem que verificar informações não é apenas uma habilidade técnica, mas um exercício de cidadania. “Assim, a escola contribui para formar jovens mais conscientes sobre o impacto que o compartilhamento de conteúdos pode ter na vida social e coletiva.”Oportunidade: inscreva sua prática no prêmio #FakeToFora!Atenção, educador(a)! Estão abertas as inscrições para o prêmio #FakeToFora 2026. A proposta reconhece professores brasileiros que criam Clubes ou Coletivos de Checagem em suas escolas e colocam os estudantes como protagonistas no combate à desinformação. Além do prêmio, o vencedor levará uma quantia de R$ 10.000,00. Mais informações aqui.LEIA MAIS+ Conheça os principais prêmios da educação brasileira em 2026
Conheça os principais prêmios da educação brasileira em 2026
Dedicadas à professores, escolas e estudantes, as premiações apoiam quem deseja transformar boas práticas em reconhecimento e inspiração coletivaReconhecer boas práticas é também fortalecer a educação como um todo. Em meio aos desafios cotidianos da sala de aula e da gestão escolar, premiações educacionais cumprem um papel estratégico: dar visibilidade a experiências que transformam realidades, valorizar o trabalho de professores e equipes gestoras e inspirar outros educadores e escolas pelo Brasil.Estar atento a essas iniciativas vai além da possibilidade de conquistar um troféu ou um recurso financeiro. Muitas dessas premiações oferecem formações, redes de troca entre educadores, mentorias e oportunidades de ampliar o impacto de projetos que já fazem a diferença nas comunidades escolares. Ao se inscrever, o educador revisita sua prática, sistematiza aprendizados e compartilha caminhos. Um movimento que, por si só, já promove desenvolvimento profissional.Para quem atua na educação básica, acompanhar os principais prêmios do país também é uma forma de se manter conectado às pautas prioritárias do campo educacional, às tendências pedagógicas e às políticas públicas em evidência. Afinal, por trás de cada edital há critérios que dialogam com temas como equidade, inovação, aprendizagem significativa e uso crítico de tecnologias.A seguir, reunimos alguns dos principais prêmios da educação brasileira, organizados por categorias – professores, escolas e estudantes – para apoiar quem deseja transformar boas práticas em reconhecimento e inspiração coletiva.Para professoresPrêmio Educador Nota 10Uma das mais tradicionais iniciativas de valorização docente no país. Voltado a professores e gestores da educação básica, o prêmio destaca projetos pedagógicos com impacto real na aprendizagem e alinhados a temas contemporâneos da educação. Além da premiação em dinheiro, oferece visibilidade nacional e integra os vencedores a uma rede de educadores inspiradores.Mais informações em: https://www.institutosomos.org/premio-educador-nota-10/Prêmio Professor PorvirO Prêmio Professor Porvir reconhece educadores que desenvolvem práticas inovadoras e transformadoras em diferentes contextos escolares. Em sua terceira edição, a iniciativa valoriza experiências que apontam caminhos para uma educação mais conectada aos desafios do século 21, incluindo categorias especiais por etapa de ensino e temas, como educação antirracist, socioemocional, uso de tecnologia, educação financeira e ensino de inglês.Mais informações em: https://mailchi.mp/porvir/premio-professor-porvirPrêmio Cidadania Digital em AçãoReconhece o trabalho criativo e engajador de professores que trabalham a Cidadania Digital com sua turma. O prêmio dá visibilidade a iniciativas que mobilizam os estudantes e a comunidade escolar para o uso consciente e seguro das tecnologias, com foco em cidadania digital e educação digital e midiática.Mais informações em: https://cidadaniadigital.org.br/premiacaoPrêmio LEDContempla educadores e gestores que desenvolvem iniciativas inovadoras com potencial de transformar a educação brasileira. O prêmio reconhece projetos que combinam criatividade, uso estratégico de tecnologia e impacto social, valorizando soluções que respondem a desafios concretos das escolas e das comunidades. Além da visibilidade nacional, a premiação oferece apoio financeiro e conexão com uma rede de lideranças comprometidas com a melhoria da educação no país.Mais informações em: https://somos.globo.com/movimento-led/Prêmio Expoeducare – Educadores que inspiramBusca homenagear professores que se destacam pelo impacto positivo em suas comunidades escolares. A premiação dá visibilidade a trajetórias inspiradoras e práticas que fortalecem vínculos, promovem aprendizagem significativa e ampliam o papel social da escola.Mais informações em: https://www.expoeducare.com.br/concurso/Prêmio #FakeTôForaIncentiva projetos pedagógicos voltados à educação midiática e ao enfrentamento da desinformação. A proposta é reconhecer professores que trabalham o pensamento crítico, a checagem de fatos e o uso responsável das redes sociais, contribuindo para a formação de estudantes mais conscientes e preparados para o ambiente digital.Mais informações em: https://faketofora.org.br/Prêmio Educador TransformadorValoriza iniciativas que estimulam o protagonismo estudantil, a cultura empreendedora e a busca por soluções criativas para problemas reais. Voltado a docentes da educação básica e do ensino técnico, o prêmio destaca projetos que conectam aprendizagem, inovação e impacto social.Mais informações em: https://www.educadortransformador.com.br/Reconhecimento Mais Professores para o BrasilA iniciativa do Ministério da Educação (MEC) integra uma política pública de valorização docente. Ela destaca professores da educação básica pública cujas escolas apresentam bons resultados educacionais e busca fortalecer o reconhecimento social da profissão, além de oferecer incentivos concretos aos educadores.Mais informações em: https://www.gov.br/mec/pt-br/mais-professores/reconhecimentoPara escolasPrêmio Melhores Escolas do MundoA iniciativa global reconhece instituições escolares que se destacam por práticas inspiradoras e transformadoras na educação básica. O prêmio valoriza escolas de todos os continentes que promovem impacto social, inovação pedagógica e compromisso com a comunidade.Mais informações em: https://applications.worldsbestschool.org/wbsp261 Milhão de EscolasO prêmio impulsiona e dá visibilidade a instituições de ensino que desenvolvem projetos de impacto positivo em suas comunidades. A proposta busca reconhecer boas práticas, estimular a inovação e fortalecer redes de colaboração entre escolas de todo o mundo comprometidas com a melhoria da aprendizagem e da gestão.Mais informações em: https://www.varkeyfoundation.org/1millionschoolsPrêmio MEC da Educação BrasileiraCriado pelo MEC para valorizar redes e escolas que alcançam resultados expressivos em indicadores da educação básica, como alfabetização, IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e desempenho no Ensino Médio. A premiação contempla diferentes etapas e modalidades de ensino, reforçando a importância da gestão eficiente e do compromisso com a aprendizagem.Mais informações em: https://www.gov.br/mec/pt-br/premio-educacao-brasileiraPrêmio Nacional de Gestão Educacional (PNGE)Destaca escolas e instituições que demonstram excelência em processos de gestão pedagógica e administrativa. A iniciativa reconhece práticas que fortalecem planejamento estratégico, liderança escolar, engajamento da comunidade e melhoria contínua dos resultados educacionais.Mais informações em: https://www.geducoficial.com.br/pnge-sobrePara estudantesPrêmio LEDNa versão para estudantes, o prêmio fomenta projetos e soluções inovadoras para melhorar a educação no país. O desafio valoriza ideias criativas, soluções de impacto social e iniciativas que utilizam tecnologia e inovação para enfrentar desafios reais da educação. Mais informações em: https://somos.globo.com/movimento-led/Prêmio MEC da Educação BrasileiraA premiação também contempla estudantes, ao reconhecer desempenhos de destaque em avaliações e indicadores nacionais da educação básica. A proposta é valorizar o esforço individual e coletivo, incentivando a permanência, o engajamento e a busca por melhores resultados acadêmicos.Mais informações em: https://www.gov.br/mec/pt-br/premio-educacao-brasileiraOlimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas (OBMEP)Uma das maiores competições estudantis do Brasil, a OBMEP reúne milhões de estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. A olimpíada premia alunos com medalhas e certificados, além de oferecer programas de iniciação científica e oportunidades de aprofundamento em matemática, estimulando talentos e o interesse pela área.Mais informações em: http://www.obmep.org.br/apresentacao.htmOlimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (OLITEF)A competição nacional é voltada a estudantes da educação básica com foco no desenvolvimento de conhecimentos e habilidades em educação financeira. A iniciativa busca estimular o planejamento, o consumo consciente e a tomada de decisões responsáveis, premiando alunos e escolas que se destacam no desempenho e no engajamento.Mais informações em: https://www.olitef.com.br/Faça formação continuada e aumente suas chances de ser reconhecido!As premiações educacionais reconhecem inovação, protagonismo estudantil, uso crítico de tecnologias, educação midiática, gestão estratégica e impacto social – competências que também estão no centro dos cursos gratuitos oferecidos pela plataforma Escolas Conectadas. Ao investir em formação continuada, o professor amplia seu repertório metodológico, fortalece o planejamento pedagógico e desenvolve projetos mais estruturados, com intencionalidade e evidências de aprendizagem, que são elementos decisivos em muitos editais. Além disso, os cursos ajudam a transformar boas ideias em práticas consistentes e documentadas, aumentando as chances de participação qualificada nessas iniciativas. Ou seja, a formação não é apenas um diferencial no currículo: é um caminho concreto para potencializar projetos, gerar impacto real na escola e ampliar oportunidades de reconhecimento profissional.
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