Educação em 2025: competências digitais moldam o futuro da aprendizagem

07/01/25

Conheça os principais temas da educação relacionados às competências digitais para 2025

À medida que 2025 se aproxima, a educação brasileira se vê diante da necessidade de fortalecer competências digitais. Temas como inteligência artificial (IA), letramento digital, uso de telas, bem-estar online e desinformação prometem movimentar o cenário educacional no próximo ano. Diante desse horizonte, é fundamental que educadores, escolas e sistemas de ensino estejam preparados para formar cidadãos aptos a viver em um mundo cada vez mais digital.

A tecnologia avança em ritmo acelerado em várias esferas da sociedade – entre elas, a educação. Hoje, é possível dizer que o letramento digital já não é mais um diferencial, mas uma necessidade. Pesquisas apontam que, até 2030, cerca de 90% das profissões exigirão algum nível de competência digital. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trabalhadores com competências digitais têm 17% a mais de chances de serem contratados do que aqueles sem essas habilidades.

Diante desse panorama, listamos a seguir alguns dos principais desafios e tendências dessa área esperados para 2025. Para comentar cada um desses aspectos, contamos com o apoio de três especialistas: Patrícia Schäfer, diretora da B&S Educação e Tecnologia; Mariana Ochs, coordenadora do EducaMídia; e Doug Alvoroçado, educador e consultor em edutech, transformação digital e inclusão em escolas.

Letramento digital: competência essencial para o século XXI

O letramento digital vai muito além do simples uso de dispositivos eletrônicos. Ele engloba a capacidade de compreender, criticar e produzir informações no ambiente digital. Em 2025, desenvolver essa competência será essencial para preparar estudantes não apenas como consumidores de tecnologia, mas como cidadãos críticos e protagonistas no mundo digital.

Mais do que uma necessidade, esse letramento é um direito de todos os estudantes, na visão de Mariana. “A tecnologia atravessa o acesso à direitos, à serviços de saúde, ao sistema judiciário. Ela está nas práticas educativas, nos nossos relacionamentos, nas plataformas em que a gente trabalha, aprende, se relaciona”, introduz. “Portanto, o letramento digital é essencial para entender toda a complexidade das relações sociais, tecnológicas, políticas e econômicas que regem as nossas ações nesse ambiente, e dá a possibilidade de construir visão de mundo e conhecimento.”

Para ela, o maior desafio ainda está em entender que o letramento digital vai muito além de apenas proporcionar acesso ao ambiente virtual. “O importante é entender o que acontece depois do acesso, e como essa perspectiva crítica, consciente e intencional de estar no mundo digital – e também mais responsável e ética – pode se tornar um hábito a ser interiorizado”, provoca.

Neste cenário, Patrícia evoca o conceito de conectividade significativa. “Além de remeter à equidade no alcance e na qualidade dos serviços de rede, ela foca no letramento digital e na constituição de habilidades digitais críticas, seja para impulsionar as oportunidades, seja para mitigar os riscos, por intermédio de experiências responsáveis, saudáveis e produtivas.”

Estímulo à autoria

Na dimensão do ensino e da aprendizagem com uso de tecnologias digitais, Patrícia – que também atua na supervisão operacional da produção de conteúdo do projeto Escolas Conectadas – destaca o fortalecimento da autoria, em alinhamento ao que propõe a Base Nacional Comum Curricular (e seu complemento de Computação, homologado em 2022).

“A abordagem das tecnologias digitais na BNCC é orientada à ação, à construção e à reflexão, em consonância com condutas éticas, seguras e responsáveis. Da escrita ao levantamento de soluções para problemas, da programação à criação artística, a autoria é um dos principais meios de diagnóstico, construção e evidenciação de aprendizagens”, aponta Patrícia.

“Cultivar a curiosidade dos estudantes, mobilizar a expressão das suas ideias e favorecer suas produções estão entre as mais importantes demandas do professor.” Os educadores, por sua vez, ao disporem do apoio das tecnologias digitais, contarão com condições promissoras de acompanhamento, mediação e personalização, tornando suas práticas mais eficazes e inclusivas. “A autoria docente e a autoria dos alunos estão, assim, estreitamente vinculadas.”

Uso de telas: proibir ou regular?

O uso de celulares por estudantes durante a jornada escolar foi um dos temas mais debatidos ao longo do ano, e promete continuar assim em 2025. Segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), se há dois anos eram 25% escolas de todo o mundo que proibiam o porte do aparelho, em 2024 esse número chegou a 33% – e não para de subir. No Brasil, a primeira cidade a proibir o celular na escola foi o Rio de Janeiro (RJ) logo no início do ano. Nos meses seguintes, diversos estados aplicaram leis similares. Já no final de outubro, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que proíbe o uso de eletrônicos dentro e fora da sala de aula, do ensino infantil ao médio. Ele ainda será votado pelos deputados federais.

Em sua coluna no portal Terra, a diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo, Lia Glaz, analisa a situação. Para ela, é fundamental reconhecer que a preocupação de familiares, professores e pediatras com o uso indiscriminado e excessivo de telas é genuína. “Na escola, essa preocupação é acompanhada de outros fatores”, aponta Lia, trazendo dados para aprofundar o debate, como um relatório da Unesco que aponta o uso indiscriminado do celular no ambiente escolar como  um fator de distração – reforçando a importância da mediação pedagógica. 

“Pode-se questionar se a proibição é realmente a forma mais adequada de lidar com o tema e se não valeria colocar limites e utilizar os celulares e outros dispositivos como aliados do processo pedagógico. Isso porque a adoção de recursos tecnológicos em processos educacionais também pode ter impactos positivos”, argumenta Lia.

Nesse cenário, é imprescindível que os professores brasileiros dominem as competências digitais, incluindo temas como pensamento computacional, análise de dados para tomadas de decisões pedagógicas com apoio da inteligência artificial e utilização de recursos digitais que atendam às necessidades de cada estudante, entre outras. “Ou seja, a incorporação de dispositivos eletrônicos é apenas uma parte do processo e é onde muito da discussão permanece.”

Saúde mental e bem-estar online: o autocuidado como prática educativa

Se o desafio está em equilibrar o uso responsável e produtivo dos dispositivos eletrônicos, integrando-os às atividades pedagógicas, o objetivo é manter o foco dos estudantes e promover o bem-estar nos ambientes digitais. Isso abre espaço para uma discussão sobre autocuidado nas redes. “Para que esses jovens saibam promover e valorizar relacionamentos saudáveis, inclusivos, os cuidados uns com os outros, o acolhimento. Tudo isso tem que ser tema da nossa prática educativa”, afirma Mariana.

Ela sublinha a importância de escutar os próprios estudantes sobre essas questões, que têm impacto direto em suas vidas. “Quando a gente escuta os jovens, eles têm perspectivas muito interessantes sobre a presença de tecnologia – pro bem e pro mal – nas suas vidas. Ou seja, eles precisam ser escutados também.”

Inteligência artificial

“A inteligência artificial chegou na educação, e disso a gente não vai conseguir voltar atrás”, decreta Doug. Ele lista uma série de possibilidades de uso da IA nas escolas – que vão desde o uso pedagógico em sala de aula como para auxiliar o trabalho dos professores e da gestão escolar: personalização do ensino, automação de tarefas diárias e criação de jogos e conteúdos textuais e visuais.

Doug acredita que, ao incorporar IA no processo de ensino e aprendizagem, será acelerado o desenvolvimento de competências e habilidades para a vida, como pensamento crítico, a resolução de problemas e letramento midiático. “Muitas escolas vão começar a trazer desafios aos seus estudantes que podem ser superados através de ferramentas de IA, com uso de análise de dados, por exemplo.”

Ele aposta ainda em um maior uso da IA para os educadores entenderem melhor como adaptar atividades,  conforme as deficiências e características de cada estudante, estimulando uma educação inclusiva e acessível. No mesmo sentido, projetos interdisciplinares têm tudo para ser impulsionados com o uso de IA: “hoje, faz cada vez mais sentido ter uma abordagem STEAM na escola. Por exemplo, o professor de filosofia e o de estatística matemática podem trabalhar juntos essas competências de IA, conectando uso ético e análise de dados.

Por fim, o uso ético, consciente e responsável dessas ferramentas também deve estar em pauta. “Esse uso implica em liberação de dados, então as escolas vão ter que promover discussões sobre privacidade de dados, uso responsável, viés algoritmo e o uso de IAs para benefício da sociedade”, acredita Doug. “Ainda que a IA ofereça muitas contribuições ao ensino e à aprendizagem, é nosso papel como educadores, e da sociedade como um todo, zelar por aplicações éticas, críticas e centradas no ser humano”, reforça Patrícia. 

Desinformação

A degradação do ambiente informacional é uma realidade que precisa ser abordada dentro das escolas – seja por uso malicioso das tecnologias cada vez mais sofisticadas, seja pela proliferação da informação de baixa qualidade. “Precisamos entender toda a complexidade desse ambiente de produção e circulação de informações nos seus aspectos políticos, tecnológicos e emocionais, porque muitas vezes isso é feito para manipular as nossas emoções de maneira muito intencional, e a gente acaba se engajando com conteúdos que não necessariamente são os mais éticos, mais corretos, mais justos”, observa Mariana.

“A integridade da informação deve ser um compromisso comum e coletivo, e para isso precisamos educar os jovens e também as crianças, principalmente diante da entrada muito acelerada das inteligências artificiais, porque elas aumentam exponencialmente a poluição no ambiente informacional, e potencialmente degradam a qualidade da informação de muitas maneiras”, reforça, lembrando de tecnologias como as deep fakes, criadas para manipular e distorcer a realidade.

Nesse sentido, a escola precisa ampliar com urgência o letramento digital e midiático, ensinando sobre o impacto dos algoritmos das inteligências artificiais. “Estamos vendo muita pressão para ensinar com IA, mas isso não é o mesmo que ensinar sobre IA. Esse aspecto mais crítico precisa acontecer, para que os jovens possam usar esses ambientes de maneira mais consciente e intencional, e possam até questionar suas formas de funcionamento e, quem sabe no futuro, propor formas mais justas, equitativas e centradas no bem comum, na saúde dos indivíduos e do planeta”, conclui.

Autodesenvolvimento

Para dar conta de todas essas questões de maneira crítica, reflexiva, ética e criativa, é importante que o educador relembre que não está sozinho nessa jornada. “Não precisamos pensar em um domínio pleno dos recursos computacionais e das suas formas de utilização, mesmo porque ele não é viável em um panorama de mudanças tão velozes”, observa Patrícia. 

Para ela, o mais importante é conhecer as potencialidades e limites dos sistemas que suportarão as propostas pedagógicas e saber como e onde buscar auxílio para seguir aprendendo. 

“A dimensão do desenvolvimento profissional inclui essa rede de apoio. Como educadores, podemos selecionar as estratégias mais apropriadas para a formação continuada, que se tornam também mais ricas e diversas com o crescimento da internet. Cursos híbridos e on-line, participação em comunidades de aprendizagem para compartilhamento de experiências, acompanhamento de canais de comunicação da área e publicações científicas são algumas das alternativas para o autodesenvolvimento.”

A plataforma Escolas Conectadas é uma grande aliada dos educadores que querem seguir aprendendo e se atualizando em 2025. Nossos cursos – gratuitos e on-line – promovem a inserção dos educadores na cultura digital e estimulam o desenvolvimento de competências do século 21 nos alunos, por meio da prática de metodologias de ensino e aprendizagem inovadoras.

Siga atenta/o aos nossos lançamentos durante todo o ano!

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Da desinformação à checagem de fatos: 6 caminhos para tra...

As sugestões foram comentadas pelo educador Yuri Norberto, criador do Observatório Internacional da NotíciaUm print que chega no grupo de WhatsApp da turma. Um vídeo curto que viraliza durante o intervalo. Uma notícia compartilhada nas redes sociais que rapidamente vira assunto em sala de aula. Situações como essas já fazem parte do dia a dia de muitos educadores – em 2023, por exemplo, uma onda de notícias falsas obrigou diversas escolas brasileiras a mudarem a rotina e assustou estudantes e famílias.Diante desse cenário, a escola não é apenas um espaço onde esses conteúdos aparecem, mas também onde eles devem ser problematizados. Afinal, cada mensagem duvidosa pode se transformar em uma oportunidade de aprendizado: investigar fontes, comparar versões, fazer perguntas e construir argumentos com base em evidências. Desinformação na escolaÉ nesse contexto que projetos de checagem de fatos se tornam aliados importantes do trabalho pedagógico. 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Quando possível, vale até relacionar os exemplos à disciplina: um professor da área de Ciências da Natureza pode analisar conteúdos sobre saúde; já um de Ciências Humanas pode discutir distorções sobre fatos históricos.“Ao trabalhar com casos reais, os alunos percebem que a desinformação faz parte do ambiente informacional em que vivem e passam a desenvolver uma atenção mais crítica ao que consomem e compartilham”, explica Yuri.2. Ensine a fazer boas perguntasMais do que oferecer respostas prontas, o processo de checagem começa com perguntas. Estimular os estudantes a questionar quem produziu determinado conteúdo, quais fontes foram utilizadas e se existem evidências que sustentem aquela informação é um passo fundamental. Esse movimento aproxima a prática da lógica da investigação científica.“O estudante percebe que ele mesmo pode iniciar o processo de verificação ao adotar uma postura investigativa diante das informações que encontra no seu cotidiano”, destaca o educador.3. Mostre que existem caminhos simples para verificarPara muitos alunos, a checagem pode parecer algo complexo ou distante. Por isso, apresentar ferramentas e procedimentos simples faz toda a diferença. “Verificar se o site é confiável, identificar o autor do conteúdo, conferir a data da publicação e buscar se outros veículos também divulgaram a mesma informação já são passos importantes”, afirma Yuri. Também é possível utilizar recursos como a busca reversa de imagens. “Quando os alunos percebem que existem procedimentos simples para investigar uma informação, a checagem deixa de parecer algo complexo e passa a fazer parte do seu comportamento digital.”4. Transforme a atividade em investigaçãoA checagem de fatos ganha ainda mais sentido quando se torna um projeto. “Esse tipo de atividade aproxima a checagem do método científico e mostra que verificar informações é uma prática útil para compreender temas do cotidiano”, explica o professor.Escolher um tema que desperte interesse da turma e propor uma investigação coletiva pode engajar os estudantes e aprofundar o aprendizado. Questões do cotidiano como alimentação, saúde ou temas que estão em alta nas redes são ótimos pontos de partida.5. Incentive os estudantes a compartilhar o que descobriramDepois de investigar, é hora de comunicar. 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Afinal, de que maneira as informações manipuladas ou falsas influenciam decisões importantes e podem gerar consequências graves? “Em temas como saúde, por exemplo, a circulação de desinformação já provocou situações que colocaram vidas em risco”, relembra Yuri.Ao refletirem sobre essas consequências, os alunos entendem que verificar informações não é apenas uma habilidade técnica, mas um exercício de cidadania. “Assim, a escola contribui para formar jovens mais conscientes sobre o impacto que o compartilhamento de conteúdos pode ter na vida social e coletiva.”Oportunidade: inscreva sua prática no prêmio #FakeToFora!Atenção, educador(a)! Estão abertas as inscrições para o prêmio #FakeToFora 2026. A proposta reconhece professores brasileiros que criam Clubes ou Coletivos de Checagem em suas escolas e colocam os estudantes como protagonistas no combate à desinformação. Além do prêmio, o vencedor levará uma quantia de R$ 10.000,00. 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Conheça os principais prêmios da educação brasileira em 2026

Dedicadas à professores, escolas e estudantes, as premiações apoiam quem deseja transformar boas práticas em reconhecimento e inspiração coletivaReconhecer boas práticas é também fortalecer a educação como um todo. Em meio aos desafios cotidianos da sala de aula e da gestão escolar, premiações educacionais cumprem um papel estratégico: dar visibilidade a experiências que transformam realidades, valorizar o trabalho de professores e equipes gestoras e inspirar outros educadores e escolas pelo Brasil.Estar atento a essas iniciativas vai além da possibilidade de conquistar um troféu ou um recurso financeiro. Muitas dessas premiações oferecem formações, redes de troca entre educadores, mentorias e oportunidades de ampliar o impacto de projetos que já fazem a diferença nas comunidades escolares. Ao se inscrever, o educador revisita sua prática, sistematiza aprendizados e compartilha caminhos. Um movimento que, por si só, já promove desenvolvimento profissional.Para quem atua na educação básica, acompanhar os principais prêmios do país também é uma forma de se manter conectado às pautas prioritárias do campo educacional, às tendências pedagógicas e às políticas públicas em evidência. Afinal, por trás de cada edital há critérios que dialogam com temas como equidade, inovação, aprendizagem significativa e uso crítico de tecnologias.A seguir, reunimos alguns dos principais prêmios da educação brasileira, organizados por categorias – professores, escolas e estudantes – para apoiar quem deseja transformar boas práticas em reconhecimento e inspiração coletiva.Para professoresPrêmio Educador Nota 10Uma das mais tradicionais iniciativas de valorização docente no país. Voltado a professores e gestores da educação básica, o prêmio destaca projetos pedagógicos com impacto real na aprendizagem e alinhados a temas contemporâneos da educação. Além da premiação em dinheiro, oferece visibilidade nacional e integra os vencedores a uma rede de educadores inspiradores.Mais informações em: https://www.institutosomos.org/premio-educador-nota-10/Prêmio Professor PorvirO Prêmio Professor Porvir reconhece educadores que desenvolvem práticas inovadoras e transformadoras em diferentes contextos escolares. Em sua terceira edição, a iniciativa valoriza experiências que apontam caminhos para uma educação mais conectada aos desafios do século 21, incluindo categorias especiais por etapa de ensino e temas, como educação antirracist, socioemocional, uso de tecnologia, educação financeira e ensino de inglês.Mais informações em: https://mailchi.mp/porvir/premio-professor-porvirPrêmio Cidadania Digital em AçãoReconhece o trabalho criativo e engajador de professores que trabalham a Cidadania Digital com sua turma. O prêmio dá visibilidade a iniciativas que mobilizam os estudantes e a comunidade escolar para o uso consciente e seguro das tecnologias, com foco em cidadania digital e educação digital e midiática.Mais informações em: https://cidadaniadigital.org.br/premiacaoPrêmio LEDContempla educadores e gestores que desenvolvem iniciativas inovadoras com potencial de transformar a educação brasileira. O prêmio reconhece projetos que combinam criatividade, uso estratégico de tecnologia e impacto social, valorizando soluções que respondem a desafios concretos das escolas e das comunidades. Além da visibilidade nacional, a premiação oferece apoio financeiro e conexão com uma rede de lideranças comprometidas com a melhoria da educação no país.Mais informações em: https://somos.globo.com/movimento-led/Prêmio Expoeducare – Educadores que inspiramBusca homenagear professores que se destacam pelo impacto positivo em suas comunidades escolares. A premiação dá visibilidade a trajetórias inspiradoras e práticas que fortalecem vínculos, promovem aprendizagem significativa e ampliam o papel social da escola.Mais informações em: https://www.expoeducare.com.br/concurso/Prêmio #FakeTôForaIncentiva projetos pedagógicos voltados à educação midiática e ao enfrentamento da desinformação. A proposta é reconhecer professores que trabalham o pensamento crítico, a checagem de fatos e o uso responsável das redes sociais, contribuindo para a formação de estudantes mais conscientes e preparados para o ambiente digital.Mais informações em: https://faketofora.org.br/Prêmio Educador TransformadorValoriza iniciativas que estimulam o protagonismo estudantil, a cultura empreendedora e a busca por soluções criativas para problemas reais. Voltado a docentes da educação básica e do ensino técnico, o prêmio destaca projetos que conectam aprendizagem, inovação e impacto social.Mais informações em: https://www.educadortransformador.com.br/Reconhecimento Mais Professores para o BrasilA iniciativa do Ministério da Educação (MEC) integra uma política pública de valorização docente. Ela destaca professores da educação básica pública cujas escolas apresentam bons resultados educacionais e busca fortalecer o reconhecimento social da profissão, além de oferecer incentivos concretos aos educadores.Mais informações em: https://www.gov.br/mec/pt-br/mais-professores/reconhecimentoPara escolasPrêmio Melhores Escolas do MundoA iniciativa global reconhece instituições escolares que se destacam por práticas inspiradoras e transformadoras na educação básica. O prêmio valoriza escolas de todos os continentes que promovem impacto social, inovação pedagógica e compromisso com a comunidade.Mais informações em: https://applications.worldsbestschool.org/wbsp261 Milhão de EscolasO prêmio impulsiona e dá visibilidade a instituições de ensino que desenvolvem projetos de impacto positivo em suas comunidades. A proposta busca reconhecer boas práticas, estimular a inovação e fortalecer redes de colaboração entre escolas de todo o mundo comprometidas com a melhoria da aprendizagem e da gestão.Mais informações em: https://www.varkeyfoundation.org/1millionschoolsPrêmio MEC da Educação BrasileiraCriado pelo MEC para valorizar redes e escolas que alcançam resultados expressivos em indicadores da educação básica, como alfabetização, IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e desempenho no Ensino Médio. A premiação contempla diferentes etapas e modalidades de ensino, reforçando a importância da gestão eficiente e do compromisso com a aprendizagem.Mais informações em: https://www.gov.br/mec/pt-br/premio-educacao-brasileiraPrêmio Nacional de Gestão Educacional (PNGE)Destaca escolas e instituições que demonstram excelência em processos de gestão pedagógica e administrativa. A iniciativa reconhece práticas que fortalecem planejamento estratégico, liderança escolar, engajamento da comunidade e melhoria contínua dos resultados educacionais.Mais informações em: https://www.geducoficial.com.br/pnge-sobrePara estudantesPrêmio LEDNa versão para estudantes, o prêmio fomenta projetos e soluções inovadoras para melhorar a educação no país. O desafio valoriza ideias criativas, soluções de impacto social e iniciativas que utilizam tecnologia e inovação para enfrentar desafios reais da educação. Mais informações em: https://somos.globo.com/movimento-led/Prêmio MEC da Educação BrasileiraA premiação também contempla estudantes, ao reconhecer desempenhos de destaque em avaliações e indicadores nacionais da educação básica. A proposta é valorizar o esforço individual e coletivo, incentivando a permanência, o engajamento e a busca por melhores resultados acadêmicos.Mais informações em: https://www.gov.br/mec/pt-br/premio-educacao-brasileiraOlimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas (OBMEP)Uma das maiores competições estudantis do Brasil, a OBMEP reúne milhões de estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. A olimpíada premia alunos com medalhas e certificados, além de oferecer programas de iniciação científica e oportunidades de aprofundamento em matemática, estimulando talentos e o interesse pela área.Mais informações em: http://www.obmep.org.br/apresentacao.htmOlimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (OLITEF)A competição nacional é voltada a estudantes da educação básica com foco no desenvolvimento de conhecimentos e habilidades em educação financeira. A iniciativa busca estimular o planejamento, o consumo consciente e a tomada de decisões responsáveis, premiando alunos e escolas que se destacam no desempenho e no engajamento.Mais informações em: https://www.olitef.com.br/Faça formação continuada e aumente suas chances de ser reconhecido!As premiações educacionais reconhecem inovação, protagonismo estudantil, uso crítico de tecnologias, educação midiática, gestão estratégica e impacto social – competências que também estão no centro dos cursos gratuitos oferecidos pela plataforma Escolas Conectadas. Ao investir em formação continuada, o professor amplia seu repertório metodológico, fortalece o planejamento pedagógico e desenvolve projetos mais estruturados, com intencionalidade e evidências de aprendizagem, que são elementos decisivos em muitos editais. Além disso, os cursos ajudam a transformar boas ideias em práticas consistentes e documentadas, aumentando as chances de participação qualificada nessas iniciativas. Ou seja, a formação não é apenas um diferencial no currículo: é um caminho concreto para potencializar projetos, gerar impacto real na escola e ampliar oportunidades de reconhecimento profissional.

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Programe suas aulas de abril com as nossas sugestões

Saiba quais temas têm potencial para serem incluídos no seu planejamento pedagógico, de acordo com o calendárioAtualizado em 25/03/2026O mês de abril dá início ao segundo trimestre do ano e traz diversas oportunidades de trabalho pedagógico em sala de aula. Se você acha que o ano está passando rápido demais, essa é a hora de se planejar para aproveitar ao máximo as próximas datas comemorativas!Confira, a seguir, as nossas sugestões para os principais marcos do próximo mês, que poderão ser trabalhados em sala de aula com os seus estudantes.Dia Internacional da Checagem de Fatos (02/04)Não é mera coincidência que o Dia Internacional da Checagem de Fatos seja celebrado logo após aquele que é conhecido como o Dia da Mentira. A data tem o objetivo de conscientizar sobre a importância de combater a desinformação, conhecida também como fake news. Tratam-se de conteúdos apelativos baseados em mentiras, rumores, boatos, fofoca e difamação que geram prejuízos à sociedade e à democracia.Acesse aqui um conteúdo especial em que listamos seis dicas para os educadores interessados em começar um projeto de checagem de fatos em sala de aula. São sugestões práticas e comentadas pelo professor Yuri Norberto, criador do Observatório Internacional da Notícia.Dia Mundial da Saúde (07/04)Além da conscientização sobre a importância dos cuidados com a saúde e bem-estar, o Dia Mundial da Saúde é uma oportunidade para levar demandas das populações relacionadas a essa área para os representantes públicos. Afinal, a garantia da saúde é uma necessidade e também um direito público. Por isso, se mescla com outros temas como qualidade de vida, políticas públicas, desigualdade social, entre outros. Nas escolas, a data pode ser trabalhada por uma perspectiva multidisciplinar e conectada com o contexto brasileiro, incluindo discussões sobre os sistemas de saúde do país. Já em séries mais iniciais, o tema pode se voltar para cuidados com higiene pessoal e bem-estar físico e mental.O curso gratuito “Elementar, meu caro! Dados: um universo em expansão” é uma boa dica para os educadores que queiram utilizar informações e estatísticas da saúde brasileira para trabalhar de forma criativa e envolvente a educação em dados, ensinando seus alunos as habilidades de ler, analisar, interpretar e comunicar dados de forma contextual. Dia Mundial do Desenhista (15/04)Se tem um dia para colocar a criatividade em prática, é este! O Dia do Desenhista celebra também o dia de nascimento de um dos artistas mais conhecidos de todos os tempos: o italiano Leonardo da Vinci.Professor(a), por que não aliar essa que é uma das atividades mais importantes do desenvolvimento infanto-juvenil com o uso de ferramentas digitais? Pois o curso gratuito “Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores” pode te apoiar nesse processo. Com a formação, você poderá incentivar o aprendizado dos seus alunos com o uso de tecnologia, colocando a criatividade em ação e explorando ferramentas digitais que instigam o interesse e apoiam a autoria de crianças e jovens. Buscando potencializar o trabalho dos educadores, essas ferramentas abrangem áreas como design, programação, escrita, inteligência artificial, fotografia e vídeo – que podem te apoiar na criação de uma atividade divertida e estimulante usando como base o desenho.Dia dos Povos Indígenas (19/04)Tema em alta no cenário político e social do Brasil, o Dia dos Povos Indígenas é uma oportunidade tanto para resgatar nossa ancestralidade, como para propor uma visão de futuro sobre o tema. A data passou a receber esse nome em 2022, buscando abranger a diversidade cultural de todos os povos originários. A celebração, porém, acontece no Brasil desde o governo de Getúlio Vargas, há mais de 80 anos.Mais do que celebração, é importante lembrar que a data deve ser instrumento de conscientização. Os debates sobre demarcação de territórios e a questão sociopolítica do garimpo em terras indígenas são bons pontos de partida para trabalhar essas questões em sala de aula. Em um tema tão importante como esse, é possível trabalhar linguagem, cultura, história e ainda desenvolver competências digitais em uma só atividade: a criação de um glossário digital colaborativo para reunir palavras de origem indígena presentes no cotidiano dos alunos. Sugira que cada estudante pesquise o significado, a origem e o contexto de uso de uma palavra de origem indígena e registre sua contribuição em um mural no Padlet. Ao final, a turma revisa o material coletivamente, refletindo sobre como as línguas indígenas seguem vivas na cultura brasileira.Gostou da ideia? Para se inspirar ainda mais, você pode usar como referência o Dicionário dos Saberes Ancestrais, material especial produzido para os educadores que fazem parte do canal de WhatsApp da Escolas Conectadas. Faça parte também e acesse gratuitamente o Dicionário! Ele foi postado no canal no dia 19/12/2025.Por fim, se você tem interesse em conhecer estratégias pedagógicas que valorizam a história, cultura e contribuições de diferentes etnias, promovendo a representatividade em sua aula, não deixe de realizar o curso gratuito “Tecnologia como Aliada da Educação Antirracista: Práticas e Perspectivas”.Dia da Terra (22/04)Mais de 4,5 bilhões de anos: essa é a idade aproximada da Terra. E para que o território comum a todos os seres vivos que habitam este planeta também sopre velinhas, foi escolhido o dia 22 de abril como Dia da Terra. Este é um momento oportuno para incentivar a reflexão a respeito da importância de cuidarmos do nosso planeta – e como as ações humanas do dia a dia afetam negativamente a vida nele. Porém, é preciso tomar cuidado para que a data não seja vista de maneira isolada, sendo fundamental trabalhar boas ações durante todos os dias do ano para, assim, manter nosso planeta o mais saudável possível.Está em dúvida sobre como abordar esse tema de maneira atrativa em sua aula? Pois o curso gratuito “Tecnologias para empoderar: digitalizar para incluir” possibilita aos educadores explorar diversas potencialidades pedagógicas das tecnologias digitais para apoiar os estudantes na construção de conhecimento. A formação propõe missões inspiradas no livro “Ideias para adiar o fim do mundo”, de Ailton Krenak, que podem ser realizadas pelo próprio educador pessoalmente ou junto com os estudantes em sala de aula.Dia Internacional da Educação (28/04)No dia 28 de abril de 2000, durante o Fórum Mundial de Educação, realizado em Dacar (Senegal), foi assinado um compromisso internacional por líderes de 164 países – incluindo o Brasil – com a intenção de garantir o desenvolvimento da educação em todo o mundo. Desde então, é celebrado nesta data o Dia Internacional da Educação. Durante o dia, as escolas e demais instituições de ensino podem organizar atividades para reunir a comunidade e promover os valores educacionais para a formação de crianças, jovens e também adultos.Atualmente, um dos principais desafios da educação é a integração de novas tecnologias no processo de ensino e aprendizagem. Aos docentes que tenham interesse em aprofundar suas habilidades digitais em sintonia com as demandas da BNCC e da BNCC Computação, indicamos os cursos gratuitos “Competências Digitais nas áreas do conhecimento”. Dedicadas a professores de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, as formações potencializam o aprendizado com o uso estratégico da tecnologia.E aí? O que achou das sugestões? Repasse para outros educadores que possam ter interesse nessas dicas!

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Como trabalhar o Dia Internacional da Mulher na escola?

Educadoras relatam ações implementadas em defesa dos direitos das mulheresMais do que uma celebração, o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é uma data estratégica para levar à sala de aula os eventos históricos que resultaram na conquista de direitos femininos, assim como as lutas atuais das mulheres.A obtenção de direitos civis como o voto, a participação cada vez maior no mercado de trabalho, o alto índice de feminicídios e o direito ao acesso gratuito a métodos contraceptivos são alguns dos temas que podem ser trabalhados de forma interdisciplinar, abrangendo diversas áreas do conhecimento. “Hoje, discutir a questão de gênero na escola é mais importante do que nunca”, afirma Glaucia Gonzaga, professora de sociologia de Maceió (AL). “E quando falamos do 8 de março, não é sobre receber flores, bombons, beijinhos e abraços, mas é sobre a luta das mulheres.”LEIA MAIS+ Educação em 2026: 7 motivos para ensinar cidadania digital na escola+ Educação em 2026: 6 razões para aliar sua prática à BNCC ComputaçãoA educadora, que já criou uma eletiva para discutir cidadania digital com seus estudantes, sugere três etapas para discutir o tema em sala de aula. Na primeira, pode-se envolver a turma na pesquisa e apuração de informações sobre desigualdade de gênero. “Por exemplo, estamos enfrentando um problema muito grande de feminicídio no Brasil”, relembra Glaucia. Ela cita dados do Atlas da Violência, que mostram que, entre 2013 e 2023, 47.463 mulheres foram assassinadas no Brasil. “Isso por si só já é gravíssimo. Mas surge um problema ainda maior quando analisamos quem são essas mulheres vítimas da violência: mais de 31 mil – ou cerca de 67% do total – são mulheres negras. Ou seja, não tem como falar de violência contra a mulher sem falar de educação antirracista.”Diante desse cenário, o papel da escola torna-se ainda mais essencial. Transformar dados em reflexão crítica e reflexão em prática pedagógica é um passo fundamental para promover mudanças reais. Aos educadores interessados em se aprofundar em estratégias pedagógicas antirracistas mediadas por tecnologias digitais, a plataforma Escolas Conectadas possui dois cursos gratuitos e com inscrições abertas: Educação Antirracista Mediada por Tecnologias: Conceito e Fundamentos e Tecnologias como Aliada da Educação Antirracista: Práticas e Perspectivas. Ação em defesa das mulheresDando continuidade aos resultados encontrados na pesquisa, a educadora sugere que os estudantes discutam o que é possível fazer para transformar essa realidade, tendo acesso a leis e iniciativas de defesa dos direitos das mulheres. Por fim, organiza-se uma ação concreta no chão da escola de forma interdisciplinar.“No ano passado, durante o mês da Mulher, realizamos o Varal do Empoderamento, no qual colocamos nos corredores da escola um varal com frases e imagens sobre o que é ser mulher hoje, informações sobre o tema e personagens, incluindo mulheres negras que são referências em suas áreas, como Djamila Ribeiro, Angela Davis, Conceição Evaristo e Sueli Carneiro. Já neste ano, faremos o Intervalo da Ação, em que serão criados cartazes com os principais dados sobre o tema, cartilhas que falam do combate à violência de gênero e um palco com microfone aberto para números de poesia e música.”Glaucia considera uma ação de “extrema importância”, pois o intervalo é um momento propício para reunir toda a comunidade escolar e sensibilizá-la diante deste tema. “Essa ação lhes dá voz, para que os próprios estudantes possam denunciar essa violência e desigualdade, que precisa ser vista, escutada e sentida, e não invisibilizada”, afirma.Empoderamento e prevenção de violênciasPara inspirar ainda mais os educadores, a Escola de Liderança para Meninas é um exemplo de sucesso sobre como trabalhar questões importantes sobre gênero nas instituições de ensino. Realizada pela Plan International Brasil, a iniciativa fortalece o empoderamento de meninas na prevenção das violências baseadas em gênero, desenvolvendo habilidades para a vida, ampliando conhecimentos sobre direitos e incentivando a participação cidadã. Atualmente, acontece em escolas públicas de estados como Maranhão, Piauí e Bahia, focando nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.Educadora social do núcleo baiano do projeto, Even Silva aponta que um dos principais ganhos de quem participa é reconhecer com mais clareza quais são as violências de gênero às quais estão submetidas e muitas vezes ainda passam despercebidas para as jovens.  “A escola também tem seu papel diante da violência de gênero e deve ser aliada para que os ciclos de violência com as meninas sejam rompidos, contribuindo para que tenham consciência e as ferramentas necessárias para agir e modificar as suas histórias e as de quem as cerca”, acredita Even.Menstruação sem tabu é feita com informação e cuidado na escolaAtualmente, um dos pilares do projeto está em fortalecer a dignidade menstrual das adolescentes. Segundo uma pesquisa do Unicef, 37% das brasileiras já enfrentaram dificuldades de acesso a itens de higiene em escolas e outros locais públicos.A educadora observa que falar de menstruação com meninas é algo que ainda incomoda  muita gente. “Durante o projeto, trabalhamos mitos e tabus relacionados, para que elas entendam que não há nenhuma restrição do que se possa fazer quando está menstruada. Que, inclusive, é algo natural, um sinal de saúde, e que o ciclo acontece durante o mês inteiro, e não somente quando sai sangue. Buscamos reconhecimento e apoio dentro da escola, para que as meninas não precisem esconder o absorvente e possam ter dignidade menstrual”, pontua.Como dica para quem quiser realizar uma atividade semelhante em suas aulas, Even reforça que professores e adolescentes precisam ser ouvidos. “E não somente as meninas, mas também é muito importante que esse papo se estenda aos estudantes trans e aos meninos. É uma troca muito bacana e importante”, enfatiza.Você já realizou ou vai realizar alguma atividade pedagógica relacionada ao Dia Internacional da Mulher? Conta pra gente nos comentários!

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