Neste ano, a Inteligência Artificial na educação deixa de ser um tema distante e passa a fazer parte do dia a dia da escola, apoiando professores, estudantes e a gestão escolar.
A Inteligência Artificial (IA) já faz parte do dia a dia da educação brasileira. Uma pesquisa lançada no final de 2025 pela Fundação Itaú revelou que 84% dos estudantes e 79% dos professores do país já utilizaram ferramentas de IA.
Já um levantamento do Cetic.br mostrou que sete em cada dez estudantes do Ensino Médio já recorreram à IA generativa para realizar pesquisas escolares. Contudo, apenas 32% dizem ter recebido orientação nas escolas sobre como utilizar essas tecnologias.
Em 2026, o debate sobre o uso de IA na educação ganha outra densidade. Assim como a Cidadania Digital e a BNCC Computação, a IA deixará de ser um tema periférico para se tornar um elemento estruturante da vida escolar, com impactos diretos sobre currículo, formação docente e práticas pedagógicas. A pergunta central já não é mais se a escola deve lidar com a IA, mas como fazer isso de forma crítica, ética e pedagógica.
A IA já está presente nas escolas
O Piauí tornou-se o primeiro território do continente americano a incluir a IA como disciplina obrigatória, tanto no 9º ano do Ensino Fundamental como no Ensino Médio. Implementada em 2024, a medida rendeu reconhecimento internacional da Unesco ao estado.
Para André Macedo, secretário de Inteligência Artificial, Economia Digital, Ciência, Tecnologia e Inovação do Piauí, o ponto de partida era muito claro. “A IA não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para melhorar a vida das pessoas. A educação apareceu imediatamente como uma das prioridades centrais dessa agenda”, pontua.
Assim como discutido na primeira matéria da série “Educação em 2026”, dedicada à Cidadania Digital, há uma diferença fundamental entre uso instrumental e compreensão crítica das tecnologias. No caso da IA, essa distinção é ainda mais sensível, já que as ferramentas podem produzir textos, imagens e respostas plausíveis. Porém, isso não significa que sejam neutras, precisas ou isentas de vieses.
“Nesse cenário, o papel do professor ganha ainda mais relevância. Ele não se resume a ensinar ferramentas digitais”, aponta Macedo. “Ele é o mediador que ajuda o estudante a entender o que está por trás desses sistemas, como eles funcionam, quais são seus limites, que dados utilizam, quais impactos têm sobre a vida em sociedade.”
Ensinar IA, portanto, é também ensinar leitura crítica, educação midiática, ética digital e responsabilidade social, temas que dialogam diretamente com a formação cidadã prevista no currículo.
O que muda no papel do professor
A chegada massiva da IA não reduz o papel docente. Pelo contrário, o torna mais complexo e estratégico. Cabe ao professor selecionar, contextualizar, problematizar e transformar o uso da tecnologia em aprendizagem significativa.
Essa lógica se conecta diretamente à segunda matéria da série, sobre a BNCC Computação, que reforça a tecnologia como objeto de conhecimento, e não apenas como ferramenta de apoio. A IA passa a ser algo que se ensina, se discute e se reflete, e não apenas se utiliza.
Nesse contexto, Macedo faz um alerta importante sobre o uso crescente desta tecnologia. “O nosso esforço é transformar esse uso em prática pedagógica fundamentada, e não em mera experimentação sem critério”, afirma. O desafio agora não está em proibir ou incentivar o uso indiscriminadamente, mas qualificá-lo.
A formação docente é o maior desafio de 2026
Se a IA já está presente nas escolas, a formação docente torna-se o eixo central dessa transformação. Mais do que aprender a usar ferramentas específicas, trata-se de construir base conceitual e segurança pedagógica para aplicar esse novo conhecimento.
“Se o uso não vier acompanhado de uma compreensão mínima sobre como os modelos funcionam, que dados utilizam e quais são seus vieses, o risco é reproduzir desigualdades e desinformação”, observa o secretário.
Uma das dúvidas mais recorrentes nesse debate é sobre o papel do professor diante desse novo cenário da educação. Mas a visão de que a tecnologia não substitui o trabalho docente quando há intencionalidade pedagógica já está consolidada.
“A IA não vem para substituir o professor, mas para ampliar o alcance da sua atuação”, reforça Macedo. E ampliar o alcance significa ganhar tempo, apoio e novas possibilidades para o ensino, sem abrir mão do vínculo humano, da mediação pedagógica e da escuta sensível que caracterizam o seu trabalho.
Um fio comum entre os temas de 2026
Ao longo da série “Educação em 2026”, quando o assunto é tecnologia, um mesmo desafio se destacou em todas as reportagens: como preparar escolas, professores e estudantes para atuar de forma crítica, ética e responsável em uma sociedade cada vez mais mediada pela tecnologia?
A Cidadania Digital evidenciou a urgência dessa tarefa. Enquanto isso, a BNCC Computação mostrou a importância de integrar a tecnologia ao currículo como área de conhecimento. E a Inteligência Artificial, por fim, ampliou o debate, evidenciando ainda mais os desafios da mediação pedagógica e da formação docente.
Neste ano, o avanço não estará apenas na adoção de novas ferramentas, mas na capacidade de transformar essas reflexões em práticas pedagógicas consistentes, com o professor no centro desse processo.
Curso gratuito sobre IA na Educação
Para apoiar os educadores a se qualificarem ainda mais diante desses novos desafios, a plataforma Escolas Conectadas disponibiliza gratuitamente o curso “Inteligência Artificial na Educação: Fundamentos”. A formação oferece uma introdução prática ao uso da IA no ambiente escolar, com exemplos concretos e dicas práticas, e disponibiliza certificado reconhecido pelo MEC.
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