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Férias de julho são oportunidade para educador cuidar de si mesmo

20/06/24

Durante o período de recesso escolar, educadores devem priorizar bem-estar próprio e buscar atividades relaxantes, preparando o corpo e a mente para o segundo semestre letivo

 

Os cadernos já foram guardados na mochila, o sinal toca, os estudantes estão em festa e começam as despedidas: as férias de julho chegaram! Essa cena será muito comum em todas as escolas do país nos próximos dias. Mas e você, educador, já parou para pensar no que vai fazer durante esse período?

É sabido que, para a maioria dos profissionais de educação, os finais de semestre são momentos de esgotamento e exaustão - seja físico, seja mental, ou até mesmo ambos. Recentemente, pesquisas indicam que a saúde mental é um dos principais problemas dos professores brasileiros. 

Nesse cenário, o intervalo entre o primeiro e o segundo semestre letivo é uma ótima oportunidade para os educadores descansarem, dedicarem tempo a outras atividades e recarregarem as baterias para novas experiências que virão no mês seguinte. É aconselhável que, durante julho, professores busquem práticas que combinem o descanso mental com atividades físicas, praticando autocuidado e investindo no próprio bem-estar.

Equilíbrio entre descanso e estudo

É preciso pontuar, contudo, que no Brasil as férias de inverno normalmente são de curta duração. Ainda, se o período de recesso escolar não coincidir com as férias legais dos educadores, eles precisam estar à disposição da escola para atividades pedagógicas, que normalmente vão de formações docentes até avaliações das ações do primeiro trimestre.

Por isso, o educador deve considerar se, para além do merecido descanso, o quanto de tempo e disposição terá para investir em estudos e aperfeiçoamento em temas que julgar necessário. É possível combinar momentos de relaxamento e de aprofundamento, desde que haja um equilíbrio.

A dica do Escolas Conectadas para o mês de julho alia conhecimento e saúde do educador. Trata-se do curso gratuito “Bem-estar docente: autocuidado e redes de apoio para quem transforma a educação”, que busca aprofundar referências sobre sistemas de apoio, métodos dialógicos e bem-estar docente, destacando a importância da prática do autocuidado. A formação responde perguntas importantes para este momento, como: quem cuida do professor? Como gerenciar o cansaço, as angústias e as incertezas? É possível integrar uma rede de cuidados mútuos?

Sugestões de atividades para as férias

A seguir, reunimos algumas dicas e sugestões de atividades que os educadores podem se dedicar durante o recesso escolar, de acordo com seus interesses e gostos pessoais:

  • Exercícios físicos: a endorfina é o hormônio responsável pela sensação de bem-estar, e é liberada durante as atividades físicas. Correr, nadar, dançar, puxar ferro ou praticar algum esporte coletivo - são muitas possibilidades para chacoalhar esse esqueleto!
  • Reflexão e metas: refletir sobre os objetivos pessoais e profissionais para o segundo semestre, com base naquilo que foi atingido nos primeiros meses do ano, pode ser um exercício interessante. Listar as suas conquistas - sejam elas pequenas ou grandes - ou os desafios e as estratégias que utilizou para superá-los ajudam a criar um olhar positivo sobre o que foi vivido.
  • Meditação e yoga: práticas de relaxamento também são uma ótima forma de aliar estímulos físicos e descanso mental.
  • Desconexão: utilize recursos tecnológicos para desconectar durante as férias. É só configurar bloqueadores de notificações e limitar o tempo de uso de aplicativos. 
  • Atividades culturais: a programação cultural da sua cidade pode ser explorada, como cinema, shows ou exposições artísticas. Nada como o período de festas juninas e julinas para reunir família e amigos e descontrair um pouco, não é mesmo?
  • Entretenimento: você é do time que gosta de maratonar séries? Ou ver uma sequência de filmes? Ou quer mesmo aproveitar o tempo para tirar o atraso nas leituras? Se divertir em grupo, com videogame ou jogos de tabuleiro? Ouvir suas músicas favoritas? Aproveite as férias para isso!
  • Atividades mão na massa e ao ar livre: para aprofundar o relaxamento e ainda por cima estimular a criatividade, nada como investir tempo em atividades manuais como pintar, bordar, cozinhar, cuidar das plantas e do jardim. Será ainda mais potente se você fizer alguma dessas ações ao ar livre, seja em alguma praça, parque, praia ou campo, tomando sol e vento na cara. Afinal, tanto a exposição à luz solar como o contato com a natureza são fatores relevantes para o cuidado com a saúde física e mental.
Conheça o curso "Bem-estar docente: autocuidado e redes de apoio para quem transforma a educação"

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Competências digitais também podem contribuir na preparaç...

Habilidades mobilizadas pelo exame podem ser desenvolvidas em experiências de aprendizagem que vão muito além do treinamento para a prova.Nunca foi tão simples encontrar uma informação. Em poucos segundos, uma busca na internet ou uma ferramenta de Inteligência Artificial traz uma resposta para praticamente qualquer pergunta. Para a escola, porém, o desafio não é apenas ensinar os estudantes a encontrar informações, mas ajudá-los a compreender, questionar, comparar e transformar aquilo que encontram em conhecimento – capacidades que também fazem parte da preparação para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).É nessa perspectiva que José Manuel Moran, professor e pesquisador na área de educação e tecnologia, entende o papel das ferramentas digitais no processo de aprendizagem. Para ele, o potencial da tecnologia depende principalmente da maneira como ela é utilizada. 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Mas o exame também exige que o estudante interprete textos, analise informações, enfrente situações-problema e construa argumentos.Moran reconhece esse aspecto e, segundo ele, isso abre uma possibilidade interessante para o trabalho docente: essas capacidades não precisam ser desenvolvidas apenas em atividades explicitamente preparatórias para a prova.Quando o professor propõe situações em que os estudantes precisam investigar, selecionar informações, interpretar dados, explicar seu raciocínio, defender uma ideia ou buscar diferentes caminhos para resolver um problema, também está desenvolvendo competências importantes para o ENEM e para diferentes situações da vida, dentro e fora da escola.O mesmo vale para a produção textual. Em vez de trabalhar apenas modelos prontos de redação, por exemplo, o professor pode criar situações em que os estudantes pesquisem sobre um tema, confrontem diferentes perspectivas, selecionem evidências, organizem argumentos e formulem suas próprias conclusões.É nesse sentido que as competências digitais podem contribuir para a preparação dos estudantes. A tecnologia amplia as possibilidades de pesquisa, análise, colaboração e produção, mas o objetivo continua sendo desenvolver a capacidade do aluno de pensar e agir sobre o conhecimento.Da BNCC à prática: desenvolvendo competências no cotidianoEssa perspectiva se aproxima do desenvolvimento de competências previsto para a Educação Básica. 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Esse tipo de experiência fortalece habilidades importantes para o ENEM sem que a aula precise reproduzir o formato da prova.Tecnologia com intencionalidade: novas escolhas para o professorAmpliar as possibilidades de aprendizagem também traz novos desafios para o educador. Quanto maior o número de ferramentas e recursos disponíveis, mais importante se torna saber escolher o que realmente faz sentido para cada objetivo e para cada turma.Moran lembra que a chegada da internet – e mais recentemente da IA – ampliou o repertório disponível ao professor, mas também tornou mais complexas suas escolhas. “Você vai sofisticando, vai ampliando possibilidades, mas também tem que fazer escolhas. Não dá para usar tudo de qualquer jeito.”Por isso, competência digital docente não significa dominar todas as plataformas existentes. Significa desenvolver critérios para decidir quando uma tecnologia pode contribuir para a aprendizagem e como utilizá-la de acordo com o contexto dos estudantes.Moran dá o exemplo da IA no planejamento de aulas. Uma ferramenta pode produzir uma proposta inicial, mas cabe ao professor analisá-la, adaptá-la e considerar as características de sua turma, da escola e da realidade em que trabalha.Acolher e desafiarPara o pesquisador, o uso significativo das tecnologias não pode ser separado da relação do professor com os estudantes. Ele destaca a importância de combinar acolhimento – conhecer o aluno, demonstrar interesse e criar condições para que ele se envolva com a aprendizagem – com o desafio de fazê-lo avançar, investigar e ir além do que já sabe. “O bom professor acolhe de um lado e desafia de outro”, resume.Essa combinação também pode orientar o uso de recursos digitais. Uma atividade não se torna significativa apenas por envolver uma tecnologia. Ela ganha sentido quando coloca o estudante diante de uma pergunta, um problema ou uma situação que exija investigação, colaboração, análise e tomada de decisão.Assim, além de contribuir para o desenvolvimento de competências importantes para o ENEM, essas experiências podem favorecer um estudante mais ativo diante do próprio aprendizado.Preparar para o ENEM sem limitar a aprendizagemA relação entre competências digitais e preparação para o ENEM, portanto, não precisa passar pela reprodução do formato da prova em sala de aula.O próprio Moran faz uma ressalva sobre esse modelo de preparação. Para ele, quando o treinamento ocupa espaço demais, existe o risco de a escola ensinar os estudantes a seguir receitas para alcançar o resultado esperado. Como exemplo, ele cita a forma como a redação pode acabar sendo trabalhada a partir de estruturas muito previsíveis. Ao mesmo tempo, reforça que uma escola pode preparar bem seus estudantes para o exame sem fazer com que todo o Ensino Médio gire em torno dele.A questão, então, não é escolher entre preparar para o ENEM e desenvolver aprendizagens mais amplas: é entender que o trabalho cotidiano com competências pode contribuir para os dois objetivos. Esse tipo de experiência ajuda a formar estudantes capazes de lidar de maneira mais crítica, criativa e autônoma com o conhecimento. E, como consequência, também pode fortalecê-los diante dos desafios que encontrarão no ENEM.Ensinar na cultura digitalPara apoiar esse trabalho, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas para educadores sobre diferentes dimensões do uso pedagógico das tecnologias.Entre as possibilidades estão os cursos de Competências Digitais, voltados a diferentes áreas do conhecimento e etapas da Educação Básica, além de formações sobre Letramento em IA, Cidadania Digital, Programação e Pensamento Computacional e Intencionalidade Pedagógica.Os cursos podem ajudar o professor a ampliar seu repertório e refletir sobre questões que aparecem na prática: que aprendizagem se pretende desenvolver? Qual recurso faz sentido para esse objetivo? Como adaptar uma proposta à realidade da turma? Como estimular que os próprios estudantes desenvolvam uma postura mais crítica e participativa diante das tecnologias?

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