Alfabetização na diversidade: como apoiar as crianças nos processos de alfabetização e letramento nas diferentes modalidades de ensino?

27/07/21
O Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional do Brasil, foi aprovado em 2014 pelo congresso nacional. Nele, constam 20 metas de educação para o país cumprir até o ano de 2024 e, assim, poder garantir o direito à educação básica de qualidade.

No entanto, em 2021, passada a maior parte do tempo previsto, parte das metas ainda não foi alcançada. Entre elas, estão a meta 5, de alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do terceiro ano do ensino fundamental, e a meta 9, de elevar a taxa de alfabetização da população com quinze anos ou mais para 93,5%.

O desafio da alfabetização, que no contexto nacional já era grande, uma vez que temos ainda 50% dos alunos de terceiro ano do ensino fundamental distribuídos entre os níveis 1 e 2 de proficiência em leitura segundo a Avaliação Nacional da Alfabetização, ganhou mais elementos com o distanciamento social. Diante deste cenário, como os agentes da comunidade escolar podem apoiar os processos de alfabetização e letramento dos estudantes?

O curso Alfabetizando na diversidade é um convite para você, educador(a), construir, em conjunto com colegas de todas as regiões do país, práticas educativas aplicáveis tanto no modelo de ensino presencial quanto no remoto. Além disso, na formação é oferecido um espaço de colaboração e intercâmbio de ideias, em que é possível analisar e discutir em rede oportunidades, sugestões e inspirações para auxiliar os alunos no ingresso no mundo letrado. Uma estratégia promissora de aprendizagem foi compartilhada pela professora Bruna Isabella Russo, de Suzano (SP). Seu plano de aula era dirigido à turma de alunos do primeiro ano que atende.

– A maioria dos alunos é silábica em valor. Alguns são pré-silábicos. A maior necessidade é de desenvolver a consciência fonológica para que percebam algumas características do sistema de escrita, como, por exemplo, que a mesma letra pode ser usada em diferentes palavras, o som de cada letra e sua relação com a escrita e a consciência silábica (divisão de palavras em sílabas) principalmente para os pré-silábicos e os silábicos sem valor sonoro - conta Bruna.

Confira abaixo o passo a passo do plano de aula criado pela professora:

O que é a prática/estratégia: a atividade consiste em utilizar nomes próprios para explorar o sistema de escrita alfabética.

Como desenvolver a prática/estratégia remotamente: a criança deve realizar a atividade junto de um familiar.

1ª etapa: fazer uma lista com os nomes de pessoas da família. Essa lista pode ser escrita por um familiar. Orientar a escrever a lista com letra bastão, uma palavra embaixo da outra, de preferência com as letras grandes, como se fosse um cartaz. Deverão ser escritos cinco nomes.

2ª etapa: identificar o seu nome. A criança observará, entre os nomes escritos, qual é o seu nome e fará um círculo.

3ª etapa: fazer a leitura dos nomes, acompanhando com o dedinho. O adulto deverá ajudar a criança a ler, porém, permitir que arrisque a leitura, tente ler sozinha, tentando identificar, por exemplo, a letra inicial, depois as sílabas e assim por diante. Essa leitura pode ser feita diversas vezes.

4ª etapa: identificar as letras que os nomes têm em comum. Entre os nomes que foram escritos, a criança deverá procurar as letras que se repetem e colorir com a mesma cor. Exemplo: colorir todas as letras A de azul; todas as letras R de vermelho; etc.

5ª etapa: escolher um nome para fazer um acróstico. Para cada letra do nome escolhido, deve ser encontrado na casa um objeto que inicie com aquela letra. Por exemplo: C A R O L - C: caneta; A: agulha; R: régua; O: óleo; L: lanterna. Nesta etapa, a criança pode tanto escrever o nome na folha na vertical e colocar o objeto na frente de cada letra quanto fazer uma ilustração de um objeto que tenha em casa que inicie com cada letra do seu nome.

Por que é interessante: a proposta é interessante porque propõe a reflexão, junto com a família, sobre as escritas de palavras significativas para a criança (nomes de seus familiares) como ferramenta para compreender o funcionamento do sistema de escrita alfabético. Além disso, coloca a ludicidade e a interação como recursos para realizar cada passo da atividade.

Pontos desafiadores de realizar a prática ou estratégia: quando realizei essa estratégia, o ponto mais desafiador foi a própria reflexão sobre as palavras. Os pais têm uma concepção de aprendizagem da leitura e da escrita um pouco mais tradicional e consideram esse tipo de atividade sem significado, grande parte das vezes. O que precisa ser feito antes de propor atividades como essa é contextualizar, explicar as motivações, instruir as famílias para que elas também vejam sentido em realizar junto com a criança.

Formas de avaliar o processo: a cada etapa podem ser enviados vídeos da criança realizando a atividade ou fotografias que mostrem ela realizando as tarefas. O compartilhamento dos acrósticos pode ser via fotografia para que se produza um mural a que todas as famílias tenham acesso. Para avaliar o aluno, o mais interessante seria que a família pudesse gravar os vídeos, porém, nem sempre isso é possível, então, acabamos trabalhando com fotografias e áudios das crianças falando sobre como realizaram cada etapa.

Habilidades conforme a BNCC: (EF01LP05) Reconhecer o sistema de escrita alfabética como representação dos sons da fala; (EF01LP08) Relacionar elementos sonoros (sílabas, fonemas, partes de palavras) com sua representação escrita; (EF12LP01) Ler palavras novas com precisão na decodificação, no caso de palavras de uso frequente, ler globalmente, por memorização; (EF01LP02) Escrever, espontaneamente ou por ditado, palavras e frases de forma alfabética – usando letras/grafemas que representam fonemas; (EF01LP04) Distinguir as letras do alfabeto de outros sinais gráficos.

Ficou inspirado(a) com a proposta do curso e o relato da prof.ª Bruna? Então, vamos juntos ajudar os nossos pequenos aprendizes a descobrir o encanto da leitura e da escrita! O curso tem carga horária de 50 horas e certificação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Entre as competências gerais da BNCC abordadas no curso, estão conhecimento, pensamento científico, crítico e criativo, comunicação, cultura digital, empatia e cooperação. 

A próxima turma iniciará no dia 16 de agosto: inscreva-se!

Participe também da nossa live Alfabetização pós-pandemia: recuperando aprendizagens e sonhos, que acontecerá no dia 12/08, quinta-feira, às 18h (horário de Brasília) no canal da Fundação Telefônica Vivo.

A live faz parte da série “Conversas que Aproximam”. Clique aqui para assistir à próxima live e conferir os vídeos já publicados. 

Esperamos você!

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Conheça datas comemorativas de fevereiro e volte às aulas...

Saiba quais são as principais datas comemorativas do mês e já prepare a sua atividade carnavalesca!Atualizada em 21/01/2026Após o período de festas de fim de ano e as férias de janeiro, está chegando a hora das aulas voltarem! Enquanto os estudantes organizam as mochilas e as escolas se adequam para o esperado retorno, os educadores devem preparar aulas atrativas e desafiadoras para engajar cada vez mais a sua turma em prol da aprendizagem.E, se o ano letivo está começando, a Agenda do Educador também está de volta! Publicada mensalmente no site da plataforma Escolas Conectadas, ela reúne as principais datas comemorativas do mês, com sugestões de como trabalhar as efemérides em sala de aula e de cursos para incrementar ainda mais a sua prática pedagógica.Atenção: todos os cursos indicados nessa agenda estarão com inscrições abertas entre os dias 26 de janeiro e 2 de fevereiro!Confira mais a seguir:Carnaval (14 a 18 de fevereiro)O Carnaval é uma das maiores manifestações da cultura popular brasileira, conhecida por tomar as ruas das cidades com muita alegria e criatividade. De tão grande que é, a festa extrapola os ambientes dos blocos e escolas de samba e também conquista as escolas de todo o país.Um exemplo disso é o projeto “O Carnaval é Mara!”, desenvolvido pela professora de artes Marinildes Brito na UEB (Unidade de Educação Básica) Alberto Pinheiro, em São Luís (MA). Inspirado nos tradicionais blocos de rua da capital maranhense, o projeto utiliza metodologias ativas, como a sala de aula invertida, para engajar os estudantes. A proposta convida a turma a pesquisar sobre o Carnaval, trazendo imagens e elementos que tenham em casa e que representem essa celebração cultural.“Neste tema, podemos trabalhar diversas habilidades com os estudantes, não só a arte em si, mas a interdisciplinaridade, o diálogo com toda a equipe escolar, a valorização da cultura e a preservação da memória”, afirma a educadora. Feita a pesquisa, os estudantes apresentam suas descobertas e trocam conhecimentos e experiências de Carnaval. Nas etapas seguintes, produzem textos e debates em sala, e passam também a confeccionar fantasias e máscaras, trabalhando em grupos e compartilhando materiais e ideias. 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Promova uma redação sobre a importância do livro didático para o processo educativo, por exemplo, ou até mesmo ajude seus estudantes a produzirem marcadores e capas protetoras para os livros.

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O que faz um(a) professor(a) nas férias?

Dicas para aproveitar o período de descanso para cuidar de si e, aos poucos, retomar a rotina pedagógica O período de férias é sempre um convite à reconexão. Depois de um ano intenso, marcado por demandas, projetos, imprevistos – e também muitas conquistas –, enfim chega o momento de desacelerar. Para quem vive a rotina escolar, essa pausa não é luxo, mas sim parte fundamental do trabalho. Cuidar do corpo, da mente e do descanso é o primeiro passo para iniciar bem o próximo ciclo letivo.As férias oferecem esse espaço. É tempo de dormir sem despertador, de recuperar a energia, de estar com quem faz bem, de colocar o corpo em movimento e de criar pequenos rituais que ajudam a reorganizar o cotidiano. São pequenas escolhas que reforçam o autocuidado e reduzem o estresse acumulado ao longo do ano.Como aproveitar as férias priorizando o bem-estar:Crie momentos de descanso real, sem culpa;Invista em atividades que renovam a energia: caminhadas, hobbies, eventos culturais;Busque apoio emocional quando necessário e fortaleça redes de convivência;Desconecte do ritmo acelerado da escola e reconecte-se ao próprio tempo.Mas também existe um outro movimento, tão natural quanto o descanso: aquele momento em que, já em meados de janeiro, a mente começa a se abrir novamente para a escola. Não é sobre transformar as férias em trabalho, e sim permitir que a rotina pedagógica volte devagar, com leveza. Uma leitura despretensiosa, uma anotação de ideia para um projeto futuro, a revisão de um conteúdo ou até a participação em uma formação gratuita e on-line podem ajudar a fazer essa transição de forma tranquila.Como retomar aos poucos a rotina pedagógica:Explore leituras leves sobre temas que inspiram o planejamento pedagógico;Revisite anotações e ideias acumuladas durante o ano;Realize formações curtas e flexíveis, que não pressionem o ritmo das férias;Mapeie objetivos pessoais para o ano letivo de 2026.As férias podem ser esse intervalo que recarrega, reorganiza e abre espaço para um início de ano mais equilibrado. Ao cuidar de si e acolher o próprio tempo, é possível chegar a 2026 com mais disposição, presença e clareza para enfrentar novos desafios dentro e fora da sala de aula.

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