Iniciativa simula a criação de empresas e incentiva estudantes a desenvolver soluções digitais para desafios reais.
Criar uma empresa, conversar com clientes, planejar produtos e desenvolver soluções digitais. Na ETEC Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, essas experiências fazem parte da rotina dos estudantes por meio de um projeto de empreendedorismo conduzido pela professora Elisângela Santos
Elaborada com apoio dos conhecimentos desenvolvidos pela formação “Tecnologias para empoderar: digitalizar para incluir”, oferecida pela plataforma Escolas Conectadas, a iniciativa busca aproximar os alunos da realidade profissional por meio de atividades práticas que estimulam criatividade, autonomia e colaboração.
Uma dessas atividades acontece dentro do componente Análise e Projeto de Sistemas, no qual os estudantes enfrentam desafios que simulam situações reais do mercado de trabalho. “É uma atividade dinâmica que propõe aos alunos algo que eles nunca viram em sala de aula”, define a professora.
Alunos no papel de empresários
No projeto, os estudantes se organizam em grupos e criam suas próprias empresas, definindo o ramo de atuação, os produtos ou serviços oferecidos e o papel de cada integrante da equipe. Em seguida, cada grupo passa a desenvolver a documentação técnica do empreendimento de outro grupo da sala, o que cria uma dinâmica interessante: os alunos assumem ao mesmo tempo o papel de empreendedores e de clientes.
“O projeto incentiva que eles tenham um primeiro contato tanto com clientes quanto com os processos relacionados ao seu empreendimento”, afirma Elisângela, que é docente dos cursos técnicos de Desenvolvimento de Sistemas, Administração, Programação de Jogos Digitais e Design de Interiores.
Ao longo do ano, os estudantes trabalham em diferentes etapas do projeto, como levantamento de requisitos, descrição de casos de uso, criação de diagramas e organização de bancos de dados – atividades que aproximam a aprendizagem da prática profissional.
Competências digitais e protagonismo estudantil
Além dos conhecimentos técnicos, a iniciativa contribui para desenvolver competências importantes para o mundo contemporâneo. Durante o processo, os alunos utilizam plataformas digitais para organizar o cronograma do projeto, produzir materiais visuais, planejar a identidade das empresas e desenvolver soluções tecnológicas.
Segundo a professora, o percurso também fortalece habilidades como autonomia, empatia e colaboração. “Os alunos adquirem proatividade no decorrer de todos os processos e aprendem a ser resilientes nas execuções, por conta do grau de complexidade que o projeto vai ganhando ao longo do ano”, explica a professora.
A proposta interdisciplinar também inclui atividades como entrevistas com empreendedores locais, estudos sobre políticas de negócios e também reflexões sobre design e psicologia das cores na construção da identidade visual das empresas.
Formação fortalece o uso pedagógico da tecnologia
A experiência também dialoga com o percurso de formação da própria professora. Em 2024, Elisângela realizou o curso “Tecnologias para empoderar: digitalizar para incluir”, oferecido gratuitamente pela plataforma Escolas Conectadas.
Segundo ela, a formação ajudou a ampliar estratégias para estimular a criatividade e o protagonismo dos estudantes. “Através do curso consegui melhorar minhas habilidades voltadas a incentivar os alunos a idealizar suas próprias soluções para problemas das empresas”, conta.
Para a professora, a atualização constante é fundamental para que o ensino técnico acompanhe as transformações do mundo digital. “A gente sempre avalia se o que ensinamos está de acordo com o que o mercado precisa. Existe uma necessidade constante de atualização.”
Elisângela afirma ainda que iniciativas como essa também fortalecem o trabalho coletivo entre professores. “A plataforma tem assuntos atuais ligados à educação. É importante estar em contato com esses cursos para compartilhar com os colegas. E o fato de serem gratuitos é um diferencial”, destaca.
Empreendedorismo ajuda estudantes a pensar o futuro
Projetos como esse também contribuem para que os jovens reflitam sobre suas possibilidades profissionais. “O empreendedorismo é um tema necessário para a geração atual, que muitas vezes tem dúvidas sobre o futuro. Com esse tipo de atividade, eles podem começar a pensar na organização do próprio negócio”, afirma Elisângela.
Mesmo quando as ideias criadas em sala não se tornam projetos reais, o aprendizado permanece. “É possível que eles não sigam com a ideia inicial? Sim, mas durante esse percurso, aprendem toda a estrutura do que é necessário fazer para ter seu próprio negócio”, conclui.
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