Maio: confira datas importantes para trabalhar em sala de aula

29/04/24

Antecipe o calendário e faça o seu planejamento pedagógico com os cursos da plataforma Escolas Conectadas 

Atualizado em 23/04/2025

O calendário está repleto de oportunidades para ir além dos conteúdos programáticos e aprimorar o ensino em sala de aula. Ao conhecer as principais datas do mês, você pode realizar um planejamento pedagógico multidisciplinar e tornar os conteúdos mais interessantes para os estudantes. 

Confira a seguir a Agenda do Educador e veja quais são as datas mais importantes de maio, além de sugestões de como trabalhar com elas de forma engajadora e educativa.

Dia Mundial da Língua Portuguesa (5/5) 

Maio também é um mês para celebrar nossa língua! O Dia Mundial da Língua Portuguesa foi estabelecido em 2009 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização intergovernamental que reúne países cuja identidade tem como um dos fundamentos a língua portuguesa. 

Em sala de aula, vale a pena trabalhar não somente a formação de língua em si, mas todos os contextos históricos, sociais e culturais nos quais ela teve origem. Além disso, é importante atentar para a diversidade linguística dentro do português, com diferentes sotaques e regionalismos tanto no Brasil quanto fora dele.

Aliás, você já pensou em contar com o apoio de ferramentas digitais para ensinar português? Pois o curso “Competências Digitais em Língua Portuguesa” auxilia professores de Ensino Fundamental e Ensino Médio a usar tecnologias digitais de forma crítica e eficaz, seguindo as diretrizes da BNCC. A formação gratuita também ajuda a planejar aulas personalizadas e diferenciadas, além de aplicar e avaliar os resultados dessas práticas em sala de aula.

Dia Nacional da Matemática (6/5)

Em 6 de maio de 1895, nasceu o matemático brasileiro Júlio Cézar de Mello e Souza, mais conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan. Ele marcou a história da educação por seus romances infantojuvenis que ajudaram a divulgar conhecimentos matemáticos no Brasil. 

O pensamento matemático não está restrito à disciplina e pode ser desenvolvido por todo mundo. Há muitas formas de incentivar o interesse pela Matemática em sala de aula, com atividades como gincanas, jogos de lógica e problemas a serem resolvidos com soluções criativas.

Com o curso gratuito “Competências Digitais em Matemática”, professores do Ensino Fundamental e Ensino Médio aprenderão a criar aulas interativas e personalizadas, com ferramentas como Tinkercad e Trello. Além disso, a formação aborda a importância da personalização e diferenciação no ensino de Matemática, fornecendo orientações para a utilização de novas tecnologias e metodologias que criem experiências de aprendizagem ativas, buscando melhorar o raciocínio lógico e a resolução de problemas. Vale conferir!

Abolição da Escravatura (13/5)

Em 13 de maio de 1888, a escravatura no Brasil foi oficialmente abolida com a assinatura da Lei Áurea. Apesar de ser um momento crucial na história do país, a assinatura não resultou em mudanças imediatas. Mais de um século depois desse marco histórico, ainda podemos notar as consequências desse período. 

Falar sobre essa data na escola é promover discussões sobre o racismo na sociedade brasileira e avaliar os reflexos e as consequências atuais da escravatura. 

E se você, educador, procura por uma introdução à Educação Antirracista a partir de grandes eixos e planos de aula elaborados por docentes da educação básica, pode contar com o curso “Introdução à Educação Antirracista”. Com essa formação on-line e gratuita, você poderá aplicar o conceito de ambiência racial para a diversidade e propor abordagens pedagógicas transformadoras e sensíveis sobre o assunto. 

Dia Internacional da Família (15/5)

Instituído pela ONU em 1993, o Dia Internacional da Família surgiu para destacar a importância da família nas sociedades, bem como discutir os desafios enfrentados por elas  ao redor do mundo. Na escola, essa data pode se refletir com a celebração da diversidade nas diferentes configurações familiares.

Esse é um momento importante para convidar a família dos estudantes a conhecerem e participarem de atividades nas escolas. Você pode propor que os alunos compartilhem as histórias sobre suas famílias e construam suas árvores genealógicas. Também é interessante propor planos de aula que promovam a discussão sobre as mudanças do conceito de família ao longo do tempo e em diferentes culturas.

Aliás, um dos maiores desafios das famílias nos tempos atuais é em relação ao uso da internet e das redes sociais. Uma boa maneira de os educadores obterem subsídios para esse debate é o curso gratuito “Introdução à cidadania digital: educando para o uso consciente da Internet”.

Dia Internacional contra a Homofobia (17/5)

Como um espaço importante para a formação de cidadãos, a escola deve ser um ambiente em que é possível aprender e colocar em prática a igualdade e o respeito em todos os sentidos. O dia 17 de maio foi escolhido como o Dia Internacional contra a Homofobia pois remonta à data em que a homossexualidade foi removida da lista de doenças mentais pela Organização Mundial da Saúde, em 1990.

Existem uma série de recursos que podem ser utilizados para abordar a diversidade sexual e de gênero. Workshops, palestras, filmes e livros que abordem a temática LGBTQIAPN+ podem ser trabalhados nesse sentido. Depois de apresentar os conceitos e ideias, é importante criar um espaço em que os estudantes se sintam confortáveis para compartilhar suas experiências e tirar dúvidas sobre o tema.

Os professores de Ciências Humanas do Ensino Fundamental e Médio podem contar com o apoio do curso gratuito “Competências Digitais em Ciências Humanas” para utilizar tecnologias digitais com foco no desenvolvimento do pensamento crítico e na compreensão de fenômenos sociais, políticos e econômicos. Além disso, o uso pedagógico da tecnologia pode criar experiências de aprendizagem ativas e interativas, promovendo a ética e o respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Dia Mundial da Reciclagem (17/5) 

A reciclagem é apenas um dos aspectos ligados à consciência sobre preservação ambiental, mas que merece atenção principalmente quando se trata de descarte e gerenciamento correto de resíduos. O Dia Mundial da Reciclagem foi estabelecido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) como forma de incentivar a conscientização e reflexão a respeito da prática. 

A reciclagem, aliás, é tema de muitas pesquisas e ações que incentivam um olhar mais atento para a sustentabilidade dentro das escolas. Já pensou em envolver ainda mais os seus alunos nessa causa, e ao mesmo tempo incentivar a pesquisa científica? Pois o curso “Eureka! Investigar, descobrir, conectar, criar e refletir” explora meios de despertar a curiosidade dos estudantes utilizando conceitos da pesquisa científica e ampliando a sua percepção sobre a presença da ciência no dia a dia.

Dia do Museu (18/5) 

Criado pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), o Dia do Museu tem como objetivo sensibilizar para o papel dos museus como instituições a serviço da sociedade. Afinal, são instituições indispensáveis na preservação da história e da cultura.

Trabalhar a importância dos museus pode contribuir com a compreensão de conceitos nas disciplinas de História e Geografia. A data não poderia ser mais propícia para organizar uma visita presencial ou virtual em museus da sua própria cidade ou mesmo do mundo. Outra possibilidade é convidar os próprios estudantes a criarem um museu, com a escolha de itens pessoais ou importantes para a turma. 

Ao integrar essas celebrações no calendário escolar, você reforça o papel da educação como um instrumento de desenvolvimento pessoal e intelectual. A partir de atividades diferenciadas, permite que a aprendizagem se torne mais significativa e colaborativa. 

Dia Internacional da Biodiversidade (22/5)

Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data pretende conscientizar as pessoas sobre a necessidade de se conservar e proteger a diversidade de vida no planeta. O termo “biodiversidade” foi criado na década de 1980, para se referir ao número de espécies de seres vivos existentes no planeta, incluindo todos os vegetais, animais e microrganismos.

São inúmeras as possibilidades de trabalhar esse tema em sala de aula. Afinal, o Brasil é o país que detém uma das maiores biodiversidades de flora e fauna do mundo. Já pensou em incentivar seus estudantes a pesquisarem sobre o próprio ecossistema em que estão inseridos? E conversarem sobre os animais e plantas com que eles convivem no ambiente escolar? Com estudantes mais velhos, é possível ainda discutir o equilíbrio entre crescimento econômico, proteção ambiental e justiça social.

Se você quer se aprofundar nesse tema, não deixe de conferir o curso “Competências Digitais em Ciências da Natureza”, que apoia os educadores do Ensino Fundamental e Médio a explorar as possibilidades das tecnologias digitais para incentivar a pesquisa de dados e a experimentação científica.

Dia Mundial do Brincar (28/5)

Como determinado no Artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança, brincar é um direito de todas elas. Foi para relembrar a importância dessa atividade que, em 1999, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) reconheceu o dia 28 de maio como o Dia Mundial do Brincar, que remete à criação da International Toy Library Association (ITLA), uma associação internacional de brinquedotecas.

Esse dia serve para relembrar que, independentemente da etapa de ensino, o brincar é uma atividade essencial a qualquer fase do desenvolvimento. Por isso, vale a pena propor ações lúdicas e atividades criativas no seu planejamento pedagógico.

Para aqueles que querem incentivar ainda mais o protagonismo dos estudantes – inclusive através do brincar –, sugerimos o curso gratuito “Metodologias ativas: aprendizes protagonistas”, que mostra estratégias e caminhos para a sua aplicação na educação básica. 

Compartilhe essas ideias com seus colegas e apoie outros educadores a chegarem ainda mais preparados para o próximo mês!

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A premiação contempla diferentes etapas e modalidades de ensino, reforçando a importância da gestão eficiente e do compromisso com a aprendizagem.Mais informações em: https://www.gov.br/mec/pt-br/premio-educacao-brasileiraPrêmio Nacional de Gestão Educacional (PNGE)Destaca escolas e instituições que demonstram excelência em processos de gestão pedagógica e administrativa. A iniciativa reconhece práticas que fortalecem planejamento estratégico, liderança escolar, engajamento da comunidade e melhoria contínua dos resultados educacionais.Mais informações em: https://www.geducoficial.com.br/pnge-sobrePara estudantesPrêmio LEDNa versão para estudantes, o prêmio fomenta projetos e soluções inovadoras para melhorar a educação no país. 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Atualize o seu calendário e prepare-se para levar um conteúdo atrativo para a sua turma*Conteúdo atualizado em 26/02/2026Se o ano só começa depois do Carnaval, a plataforma Escolas Conectadas traz os temas e as formações certas para você, educador(a), se preparar para oferecer aulas completas e atualizadas aos seus estudantes. Março será um mês intenso e cheio de oportunidades. Aqui estão datas importantes para serem trabalhadas ao longo desse período. Confira! Dia Internacional da Mulher (08/03)Acesse aqui um conteúdo especial sobre o Dia Internacional da Mulher, com dados, contexto histórico, depoimentos de educadores e sugestões de atividades para a sala de aula.Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo (10/03)Você sabia que, a cada sete crianças brasileiras, uma está com excesso de peso ou obesidade? Isso representa 14,2% das crianças com menos de cinco anos de idade no Brasil, segundo dados de 2023 do Ministério da Saúde. A média global é de 5,6%, menos da metade da média do país.Já entre os adolescentes, a taxa é ainda mais alta: 33%, ou seja, um terço dos adolescentes brasileiros tem excesso de peso, ante a média mundial de 18,2%. Um dos diversos fatores que contribuem para essa estatística é o sedentarismo. E nada melhor do que combater essa condição do que a ação, não é mesmo? Que tal sair da rotina e transformar a sala de aula em um grande circuito de desafios físicos? Atividades como alongamentos ou até mesmo uma pausa ativa entre os conteúdos podem estimular hábitos mais saudáveis. Inclusive, você pode organizar um desafio de passos, incentivando os alunos a registrarem quantos passos dão por dia e traçar metas progressivas. Ao estimular docentes a integrarem metodologias ativas e tecnologias digitais no processo de ensino, o curso gratuito “Eureka! 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Como trabalhar o Dia Internacional da Mulher na escola?

Educadoras relatam ações implementadas em defesa dos direitos das mulheresMais do que uma celebração, o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é uma data estratégica para levar à sala de aula os eventos históricos que resultaram na conquista de direitos femininos, assim como as lutas atuais das mulheres.A obtenção de direitos civis como o voto, a participação cada vez maior no mercado de trabalho, o alto índice de feminicídios e o direito ao acesso gratuito a métodos contraceptivos são alguns dos temas que podem ser trabalhados de forma interdisciplinar, abrangendo diversas áreas do conhecimento. “Hoje, discutir a questão de gênero na escola é mais importante do que nunca”, afirma Glaucia Gonzaga, professora de sociologia de Maceió (AL). “E quando falamos do 8 de março, não é sobre receber flores, bombons, beijinhos e abraços, mas é sobre a luta das mulheres.”A educadora, que já criou uma eletiva para discutir cidadania digital com seus estudantes, sugere três etapas para discutir o tema em sala de aula. 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Aos educadores interessados em se aprofundar em estratégias pedagógicas antirracistas mediadas por tecnologias digitais, a plataforma Escolas Conectadas possui dois cursos gratuitos e com inscrições abertas: Educação Antirracista Mediada por Tecnologias: Conceito e Fundamentos e Tecnologias como Aliada da Educação Antirracista: Práticas e Perspectivas. Ação em defesa das mulheresDando continuidade aos resultados encontrados na pesquisa, a educadora sugere que os estudantes discutam o que é possível fazer para transformar essa realidade, tendo acesso a leis e iniciativas de defesa dos direitos das mulheres. 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Já neste ano, faremos o Intervalo da Ação, em que serão criados cartazes com os principais dados sobre o tema, cartilhas que falam do combate à violência de gênero e um palco com microfone aberto para números de poesia e música.”Glaucia considera uma ação de “extrema importância”, pois o intervalo é um momento propício para reunir toda a comunidade escolar e sensibilizá-la diante deste tema. “Essa ação lhes dá voz, para que os próprios estudantes possam denunciar essa violência e desigualdade, que precisa ser vista, escutada e sentida, e não invisibilizada”, afirma.Empoderamento e prevenção de violênciasPara inspirar ainda mais os educadores, a Escola de Liderança para Meninas é um exemplo de sucesso sobre como trabalhar questões importantes sobre gênero nas instituições de ensino. 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É uma troca muito bacana e importante”, enfatiza.Você já realizou ou vai realizar alguma atividade pedagógica relacionada ao Dia Internacional da Mulher? Conta pra gente nos comentários!

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Os Códigos de Sofia: projeto ensina pensamento computacio...

Kit desplugado pode ser baixado gratuitamente e adaptado por educadores de todo o BrasilApesar de muita gente associar o ensino de tecnologia a computadores, jogos digitais e laboratórios, há sempre a possibilidade de seguir um caminho diferente e surpreendente. Criado por Giselle Santos, gestora de inovação e pesquisadora do Rio de Janeiro, Os Códigos de Sofia não é um jogo tradicional nem uma sequência didática rígida: trata-se de um kit narrativo desplugado, formado por cartas, histórias e perguntas que funcionam como disparadores de conversas sobre inteligência artificial (IA), cultura digital, dados e território. Cada carta apresenta um fragmento da vida de Sofia, uma personagem fictícia de 14 anos que vive no Morro Dona Marta. 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O kit oferece sugestões de tempo e organização, mas sempre como referências flexíveis.Os Códigos de Sofia em sala de aulaEm Jaguariúna (SP), a professora Telma Aparecida Alves Conti, da Escola Municipal Professor Irineu Espedito Ferrari, encontrou em Os Códigos de Sofia uma porta de entrada potente para discutir inteligência artificial, pensamento computacional e produção de texto com seus estudantes. E tudo isso sem depender de computadores.A proposta inicial da atividade era simples: ler a primeira carta de Sofia e conversar. Mas a conversa rapidamente cresceu, e as crianças começaram a discutir segurança, autoria, privacidade e até mesmo responder a carta para a personagem.Esse desejo virou oportunidade pedagógica. “A turma iniciou um trabalho de produção e revisão de texto, e cada revisão trazia novas discussões sobre IA, mensagens instantâneas, velocidade da comunicação e cuidado com dados pessoais”, revela Telma. As cartas se transformaram em rotações de atividades, reconhecimento de padrões, jogos e exercícios lúdicos. A cada carta, novas possibilidades surgiam.Um dos momentos mais marcantes veio quando os alunos trabalharam a carta sobre qualidade de dados, levando para casa uma receita de bolinho de chuva com um erro proposital (“areia” no lugar de “aveia”) para discutir viés e alucinação de IA com a família. “Gerou uma repercussão para além da sala de aula, e puderam discutir com seus pais temas como IA, cibersegurança e tempo de tela”, conta.“Existe um mito enorme de que é preciso laboratório, computador e conectividade para falar sobre IA. Não precisa”, afirma Giselle. “Para isso basta uma boa roda de conversa e uma rede de confiança.”A Inteligência Artificial na vida cotidiana dos estudantesEm essência, Os Códigos de Sofia convida os estudantes a discutir IA e pensamento computacional a partir da vida real, com lápis, papel e com a profundidade que nasce da escuta, do diálogo e da imaginação coletiva.A experiência dos estudantes de Jaguariúna (SP) se estendeu para reuniões com as famílias, onde temas como segurança digital e propósito das atividades desplugadas ganharam espaço. As conversas deixaram claro que a escola não pode ignorar o que acontece fora dela. “As crianças estão usando IA em casa. Mas, e na escola, o que se está falando? Como se está falando?”, questiona.Telma resume sua visão sobre o valor do trabalho desplugado: “Não é romantizar a falta de infraestrutura, é entender que IA e pensamento computacional são habilidades que precisam ser desenvolvidas com ou sem acesso à tecnologia.”A partir de Sofia, sua turma escreveu, criou, discutiu, investigou, envolveu as famílias e até experimentou programação no Scratch. Um percurso completo e que foi iniciado apenas por uma carta.Por que falar de IA sem telas?Os Códigos de Sofia surgiu no final de 2024, quando os debates sobre proibição de celulares nas escolas ganharam força. Para Giselle, esse contexto trouxe também a oportunidade de abordar criticamente a tecnologia em um momento no qual, em sua visão, o ensino relativo à IA e ao pensamento computacional vêm sendo dominado por um imaginário de eficiência e de automação.“A percepção era de que esse ensino estava sendo feito de maneira colonizada, por uma ideia de perfeição e inevitabilidade, mas esvaziado de presença, de toque, de afeto”, enfatiza.Assim, a iniciativa mostra que é possível discutir algoritmos, padrões, dados e ética sem depender de telas, e que é possível formar pensamento crítico sobre IA antes mesmo de colocar a mão em um dispositivo. “Ensinar tecnologia deve ser, acima de tudo, um processo humano, coletivo e profundamente conectado às experiências de cada estudante”, afirma Giselle.A proposta também contribui para que escolas sem conectividade não fiquem de fora do trabalho de desenvolver competências digitais. Afinal, embora o país tenha avançado na expansão da internet nas escolas, o acesso ainda é desigual e desafia a inclusão plena de todos os estudantes na cultura digital.Conectividade e o cenário brasileiroEntre 2023 e 2025, o Brasil alcançou um marco importante quando o número de escolas públicas equipadas com salas de aula que possuem internet de qualidade e conexão sem fio para uso pedagógico subiu de 45,4% para 65,89%, segundo dados do Ministério da Educação. Ainda assim, aproximadamente um terço das escolas públicas não dispõe dessa infraestrutura. Pelo menos 33% relataram não usar a internet em seus processos pedagógicos, e cerca de 10% afirmaram não ter qualquer acesso à rede, de acordo com o Censo Escolar.Mesmo onde há conexão, a disponibilidade de dispositivos para uso dos estudantes permanece limitada, especialmente em redes municipais. Essa realidade evidencia um cenário em transição, onde há conectividade em expansão, mas persistem desigualdades importantes entre zonas rurais e urbanas e entre diferentes redes de ensino. Por isso, é essencial fortalecer iniciativas que garantam oportunidades de aprendizagem digital para todos, inclusive em contextos com pouco ou nenhum acesso à internet.Uma nova etapa para o ensino de tecnologia no BrasilEm 2026, todas as redes de ensino terão que implementar a BNCC Computação, que trará uma série de novas habilidades obrigatórias a serem desenvolvidas nos estudantes, em temas como pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. Dessa forma, iniciativas como Os Códigos de Sofia garantem que mesmo as escolas com poucos recursos de conectividade e equipamentos possam ter a oportunidade de trabalhar essas competências de formas alternativas.O projeto de Giselle, inclusive, aborda conceitos presentes na BNCC Computação, mas traduzidos para uma linguagem humana e cotidiana. Um de seus grandes motores é romper a ideia de que discutir IA é privilégio de especialistas. “Esse discurso de que a IA não me pertence, que é feita para quem entende de ciência de dados, é algo que desumaniza o tema e afasta”, observa a educadora. Para ela, estudantes e educadores precisam se sentir parte dessas discussões que, muitas vezes, parecem restritas a centros de tecnologia do norte global.“O projeto cria espaço para que nossos alunos pensem tecnologia a partir deles mesmos, do cotidiano, dos conflitos reais, para que entendam que pertencem a essas conversas”, finaliza. Os Códigos de Sofia mostra que esse processo de aprendizagem independe de ter acesso a laboratórios de informática ou dispositivos digitais.Quer aprender a ensinar pensamento computacional?Se você deseja levar esse olhar para sua prática, a plataforma Escolas Conectadas oferece o curso “Pensamento Computacional e Programação na Educação”. Totalmente gratuita e on-line, a formação dialoga diretamente com a proposta de Giselle Santos de trabalhar lógica, algoritmos, padrões, sistemas e ética a partir da realidade da escola. Afinal, ensinar tecnologia não é sobre ter equipamentos, é sobre formar pessoas capazes de questionar, criar, decidir e compreender o mundo que as atravessa.

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