Dia Internacional dos Museus: como usar visitas virtuais para inovar suas aulas

28/04/26

Explore museus on-line e presenciais e desenvolva competências digitais, pensamento crítico e protagonismo dos estudantes.

No dia 18 de maio, o mundo celebra o Dia Internacional dos Museus. A data nos convida a refletir sobre o papel desses espaços na preservação da memória, da cultura e do conhecimento.

Na escola, essa também é uma ótima oportunidade para ampliar repertórios e criar experiências de aprendizagem mais significativas. Com o apoio da tecnologia, os museus deixam de ser apenas destinos de visitas ocasionais e passam a fazer parte do cotidiano das aulas – inclusive de forma virtual.

Confira outras datas comemorativas de maio e deixe a sua aula mais atrativa.

Por que trabalhar com museus na escola?

Museus são, por natureza, interdisciplinares. Eles permitem conectar conteúdos tão diversos quanto história, arte, ciências, geografia, linguagens e até matemática, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades essenciais para o século 21, como curadoria e análise crítica; leitura de imagens e interpretação; cultura digital e pensamento investigativo.

Mais do que a visita em si, o desafio pedagógico é transformar a experiência em investigação: fazer perguntas, levantar hipóteses, comparar contextos e produzir novos sentidos.

Museus virtuais: como a tecnologia amplia o acesso ao conhecimento

Você sabia que, hoje, dá para explorar exposições, analisar obras em alta resolução e realizar visitas guiadas diretamente da sala de aula? Isso só é possível porque a tecnologia tem ampliado significativamente o acesso a acervos culturais do mundo todo. 

A seguir, conheça algumas plataformas e museus que podem enriquecer suas aulas:

Como usar museus (virtuais ou presenciais) em atividades pedagógicas

Veja algumas ideias práticas:

1. Roteiro investigativoProponha perguntas antes da visita:

  • O que essa obra revela sobre sua época?
  • Quais elementos chamam mais atenção?
  • Que conexões podemos fazer com o presente?

2. Curadoria dos estudantesPeça que os alunos criem sua própria exposição virtual, selecionando obras e justificando suas escolhas.

Essa proposta pode ser enriquecida através da “Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores”, que apresenta caminhos para criação de conteúdos usando ferramentas digitais em sala de aula. Outra possibilidade é o curso “Olá, mundo! Lógica de programação e autoria”, que estimula o pensamento estruturado e a produção autoral com tecnologia.

3. Produção multimídiaApós a visita, os estudantes podem criar podcasts, vídeos ou apresentações digitais analisando o que observaram.

4. Conexão com o territórioMesmo explorando museus internacionais, incentive comparações com a realidade local, promovendo um olhar crítico sobre cultura e história.

Competências digitais e BNCC: o que os museus têm a ver com isso?

Ao trabalhar com museus virtuais, o professor também desenvolve competências previstas na BNCC, como uso crítico e ético das tecnologias; curadoria e produção de informação; comunicação em diferentes linguagens e pensamento crítico

Para transformar uma visita em aprendizagem significativa, o planejamento é essencial, e a formação continuada pode ser uma grande aliada nesse processo. Na plataforma Escolas Conectadas, diversos cursos gratuitos, on-line e com certificação ajudam a estruturar essas práticas:

Esses cursos ajudam a transformar visitas a museus em experiências mais investigativas, criativas e conectadas à cultura digital.

Mais do que visitar, aprender a olhar

Celebrar o Dia Internacional dos Museus na escola não deve depender apenas de uma saída pedagógica. Com o apoio da tecnologia, é possível transformar qualquer sala de aula em um espaço de exploração cultural.

Mais do que visitar, o desafio é ensinar os estudantes a olhar com curiosidade, criticidade e intenção. E, com o apoio dos nossos cursos gratuitos, cada experiência pode se tornar uma oportunidade real de aprendizagem significativa.

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Antecipe o calendário e faça o seu planejamento pedagógico com os cursos da plataforma Escolas Conectadas Atualizado em 28/04/2026O calendário de maio está repleto de oportunidades para conectar o currículo a questões contemporâneas, do racismo à preservação da biodiversidade. Ao conhecer as principais datas do mês, você pode realizar um planejamento pedagógico multidisciplinar e tornar os conteúdos mais interessantes para os estudantes.Confira a seguir a Agenda do Educador e veja quais são as datas mais importantes de maio, além de ficar por dentro de estratégias práticas para a sala de aula.Dia Mundial da Língua Portuguesa (5/5)Maio também é um mês para celebrar a nossa língua! A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) instituiu a data em 2009 para celebrar o idioma como fundamento de identidade. Em sala de aula, vale a pena trabalhar não somente a formação de língua em si, mas todos os contextos históricos, sociais e culturais nos quais ela teve origem. Além disso, é importante atentar para a diversidade linguística dentro do português, com diferentes sotaques e regionalismos tanto no Brasil quanto fora dele.Aliás, você já pensou em contar com o apoio de ferramentas digitais para ensinar português? Pois o curso “Competências Digitais em Língua Portuguesa” auxilia professores de Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Anos Finais) e Ensino Médio a usar tecnologias digitais de forma crítica e eficaz, seguindo as diretrizes da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). A formação gratuita também ajuda a planejar aulas personalizadas e diferenciadas, além de aplicar e avaliar os resultados dessas práticas em sala de aula.Dia Nacional da Matemática (6/5)Em 6 de maio de 1895, nasceu o matemático Júlio Cézar de Mello e Souza, mais conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan. Ele marcou a história da educação por seus romances infantojuvenis que ajudaram a divulgar conhecimentos matemáticos no Brasil. O pensamento matemático não está restrito à disciplina e pode ser desenvolvido por todo mundo. Há muitas formas de incentivar o interesse pela Matemática em sala de aula, com atividades como gincanas, jogos de lógica e problemas a serem resolvidos com soluções criativas.Com o curso gratuito “Competências Digitais em Matemática”, professores do Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Anos Finais) e Ensino Médio aprenderão a criar aulas interativas e personalizadas. As aulas exploram ferramentas como Tinkercad (modelagem 3D) e Trello (gestão de projetos). Além disso, a formação aborda a importância da personalização e diferenciação no ensino de Matemática, fornecendo orientações para a utilização de novas tecnologias e metodologias que criem experiências de aprendizagem ativas, buscando melhorar o raciocínio lógico e a resolução de problemas. Vale conferir!Abolição da Escravatura (13/5)Em 13 de maio de 1888, a escravatura no Brasil foi oficialmente abolida com a assinatura da Lei Áurea. Apesar de ser um momento crucial na história do país, a assinatura não resultou em mudanças imediatas. Mais de um século depois desse marco histórico, ainda podemos notar as consequências desse período. Falar sobre essa data na escola é promover discussões sobre o racismo na sociedade brasileira e avaliar os reflexos e as consequências atuais da escravatura. E se você procura uma formação que une Educação Antirracista com o uso pedagógico de tecnologia, pode contar com os cursos gratuitos “Educação Antirracista Mediada por Tecnologias: Conceito e Fundamentos” e “Tecnologias como Aliada da Educação Antirracista: Práticas e Perspectivas”. Todos conectam o letramento racial ao uso crítico de ferramentas digitais.Dia Internacional da Família (15/5)Instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1993, o Dia Internacional da Família convoca as instituições a debaterem os desafios que atravessam os lares ao redor do mundo. No ambiente escolar, a data é uma oportunidade para acolher a pluralidade de configurações familiares e abrir as portas à comunidade.Em vez de atividades meramente protocolares, a escola pode promover o resgate de histórias sobre as famílias e propor a construção de árvores genealógicas. Também é interessante desenvolver planos de aula sobre as mudanças do conceito de família ao longo do tempo e em diferentes culturas.Aliás, como a mediação do uso de tecnologias e das redes sociais é um dos maiores desafios das famílias nos tempos atuais, o curso “Cidadania Digital” ajuda o educador a orientar sua turma sobre o comportamento ético e seguro nas redes.Dia Internacional contra a Homofobia (17/5)Como um espaço importante para a formação de cidadãos, a escola deve ser um ambiente no qual é possível aprender e colocar em prática a igualdade e o respeito em todos os sentidos. O dia 17 de maio foi escolhido como o Dia Internacional contra a Homofobia pois remonta à data em que a homossexualidade foi removida da lista de doenças mentais pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em 1990.São muitos os recursos que podem ser utilizados para pautar as questões de diversidade sexual e de gênero em sala de aula. Workshops, palestras, filmes e livros que abordem a temática LGBTQIAPN+ podem ser trabalhados nesse sentido. Depois de apresentar os conceitos e ideias, é importante abrir um espaço em que os estudantes se sintam confortáveis para compartilhar suas experiências e tirar dúvidas sobre o tema.Os professores de Ciências Humanas do Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Anos Finais) e Ensino Médio podem contar com o apoio do curso gratuito “Competências Digitais em Ciências Humanas” para utilizar tecnologias digitais com foco no desenvolvimento do pensamento crítico e na compreensão de fenômenos sociais, políticos e econômicos. Além disso, a partir do uso pedagógico da tecnologia pode desenvolver experiências de aprendizagem ativas e interativas, tornando-se um suporte para o exercício da ética e do respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.Dia Mundial da Reciclagem (17/5) A reciclagem é apenas um dos aspectos ligados à consciência sobre preservação ambiental, mas que merece atenção principalmente quando se trata de descarte e gerenciamento correto de resíduos. O Dia Mundial da Reciclagem foi estabelecido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) como forma de incentivar a conscientização e reflexão a respeito do ciclo de vida dos produtos e o impacto do consumo.A reciclagem, aliás, é tema de muitas pesquisas e ações que incentivam um olhar mais atento para a sustentabilidade dentro das escolas. Já pensou em envolver ainda mais os seus alunos nessa causa, e ao mesmo tempo incentivar a pesquisa científica? Pois o curso “Eureka! Investigar, descobrir, conectar, criar e refletir” explora meios de despertar a curiosidade dos estudantes utilizando conceitos da pesquisa científica e ampliando a sua percepção sobre a presença da ciência no dia a dia.Uma ótima inspiração para os educadores que queiram trabalhar o tema é a atividade pedagógica “Programação e Sensibilização Ambiental”, que busca sensibilizar os estudantes sobre os impactos do plástico no planeta e estimular a reflexão sobre práticas de consumo consciente. Saiba mais aqui.Dia Internacional do Museu (18/5) Acesse aqui um conteúdo especial sobre o Dia Internacional do Museu.Dia Internacional da Biodiversidade (22/5)Instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas), a data reforça a urgência de se conservar e proteger a diversidade de vida no planeta. O termo “biodiversidade” foi criado na década de 1980, para se referir ao número de espécies de seres vivos, incluindo todos os vegetais, animais e microrganismos.Como detentor de uma das maiores biodiversidades do mundo, o Brasil oferece um laboratório vivo para a escola.. Já pensou em incentivar seus estudantes a pesquisarem sobre o próprio ecossistema em que estão inseridos? E conversarem sobre os animais e plantas com que convivem no ambiente escolar? Isso humaniza o aprendizado. Com estudantes do Ensino Médio, o debate ganha profundidade ao discutir o equilíbrio entre crescimento econômico, proteção ambiental e justiça social.Se você quer se aprofundar nesse tema, não deixe de conferir o curso “Competências Digitais em Ciências da Natureza”, que apoia os educadores do Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Anos Finais) e Ensino Médio a explorar as possibilidades das tecnologias digitais para incentivar a pesquisa de dados e a experimentação científica.Compartilhe essas ideias com seus colegas e apoie outros educadores a chegarem ainda mais preparados para o próximo mês!

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Projeto de educação midiática forma estudantes para revis...

Entenda como iniciar um projeto de educação midiática em sala de aulaEm uma escola pública em Santa Isabel, na região metropolitana de Belém (PA), estudantes começaram a revisar textos jornalísticos. O que poderia ser apenas uma atividade de leitura se transformou em algo maior: eles passaram a questionar escolhas, sugerir mudanças e refletir sobre os temas que impactam suas próprias vidas.O resultado? Jovens mais críticos, mais confiantes e conscientes do papel que podem ocupar na sociedade. Essa é uma das possibilidades da educação midiática: transformar a forma como os estudantes se relacionam com a informação.“Eles se viram como pessoas importantes, cuja opinião é significativa”, conta a professora Marcela Castro, responsável pelo projeto.Inclusive, experiências como essa não estão isoladas: em todo o país, professores, escolas e organizações têm desenvolvido iniciativas que colocam a educação midiática no centro do processo educativo. Para dar visibilidade a essas experiências, foi criado o Mapa Brasileiro da Educação Midiática, que reúne práticas inspiradoras e ajuda a conectar educadores interessados no tema. A segunda edição do mapa está com inscrições abertas até o dia 20 de abril, permitindo que professores e escolas compartilhem suas próprias experiências e façam parte dessa rede.Quando a mídia entra na sala de aulaA experiência aconteceu na Escola Pública Antônio Lemos, em parceria com o portal Amazônia Vox. Nela, estudantes de 14 a 16 anos assumem o papel de revisores de textos jornalísticos, analisando linguagem, identificando termos difíceis e sugerindo adaptações para tornar os conteúdos mais acessíveis.Tudo começou de forma simples, mesmo sem estrutura tecnológica. “Cheguei na sala de aula com o texto impresso, já que na minha escola à época não havia computadores. Os alunos liam e marcavam o que não compreendiam”, relata Marcela. A partir dessas leituras, os estudantes enviavam áudios com sugestões, discutiam escolhas de palavras e refletiam sobre os temas abordados. Com o tempo, a atividade evoluiu para algo mais amplo: debates, pesquisas prévias e até checagem de informações.Mais do que revisar textos, a turma passou a entender como a informação é construída e quais impactos esse processo pode gerar. “Eles perceberam que nenhum conteúdo é inocente, que tudo tem alcance e consequência.”Muito além das fake newsEmbora o combate à desinformação seja um dos pontos mais relevantes, a educação midiática vai além. Ela envolve o desenvolvimento de repertório, senso crítico e consciência sobre os diferentes interesses presentes nos inúmeros conteúdos que circulam atualmente - seja na internet ou fora dela.Como destaca Marcela: “A mídia não está somente na tecnologia digital. Ela está no impresso, na televisão, no outdoor, em todos os lugares.” Nesse sentido, o trabalho em sala de aula não se limita a identificar o que é falso ou verdadeiro, mas a compreender como as narrativas são construídas e como os próprios estudantes podem participar desse processo de forma ética e responsável.Impactos que ultrapassam a aprendizagemOs resultados do projeto ajudam a dimensionar o potencial desse tipo de iniciativa. Além do desenvolvimento da leitura e da escrita, os estudantes ampliaram vocabulário, repertório e, principalmente, autoestima.“Eles se sentem no centro de algo, sendo vistos por gente do mundo inteiro.” Um dos textos revisados pelos alunos integrou uma reportagem premiada no Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde. Mas, para além dos reconhecimentos formais, o impacto mais relevante está na mudança de percepção dos próprios estudantes sobre si mesmos e sobre o mundo.Eles deixam de ser apenas consumidores de informação para se tornarem participantes ativos, capazes de questionar, propor e criar.Por onde começar um projeto de educação midiática?Se a ideia de trabalhar educação midiática parece desafiadora, a prática mostra que o primeiro passo pode ser mais simples do que parece. E começa, muitas vezes, com mudança de postura.A partir da sua experiência em sala de aula, Marcela aponta alguns caminhos:Promova uma escuta ativa como ponto de partidaOuvir os estudantes ajuda a conectar o projeto com o que realmente faz sentido para eles.Trabalhe com conteúdos reaisExplorar notícias, vídeos, memes e posts de redes sociais aproxima o aprendizado do cotidiano.Crie espaço para diálogoFazer debates, pesquisas e trocas pode fortalecer o pensamento crítico.Garanta a continuidadeDesenvolver projetos consistentes demanda tempo.Estimule o protagonismoColocar os alunos como autores, revisores ou curadores de conteúdo transforma a relação com a informação.Busque parceriasFazer conexões com jornalistas, projetos e outras escolas podem ampliar o alcance das ações.Um convite para experimentarA educação midiática não exige um laboratório completo, nem ferramentas sofisticadas para começar. Como mostra a experiência em Santa Izabel, ela pode nascer com textos impressos, conversas em sala de aula e disposição para escutar.O mais importante é o movimento: sair de uma lógica em que os estudantes apenas recebem informação e avançar para um cenário em que eles analisam, questionam e participam.“De nada adianta aprender a marcar um X ou escrever uma redação somente para uma prova, se não houver relação e continuidade daquilo que é ensinado no espaço escolar com a vida para além dela”, finaliza Marcela.Nesse sentido, a formação gratuita “Redes Sociais para o Uso Consciente e Criativo” apoia os professores na realização desse processo . Ao explorar o papel das redes sociais na contemporaneidade e sua influência na formação educacional, o curso apresenta estratégias para abordar o uso consciente e crítico das redes sociais na Educação Básica, considerando seus impactos sociais, cognitivos e emocionais.

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Os Códigos de Sofia: projeto ensina pensamento computacio...

Kit desplugado pode ser baixado gratuitamente e adaptado por educadores de todo o BrasilApesar de muita gente associar o ensino de tecnologia a computadores, jogos digitais e laboratórios, há sempre a possibilidade de seguir um caminho diferente e surpreendente. Criado por Giselle Santos, gestora de inovação e pesquisadora do Rio de Janeiro, Os Códigos de Sofia não é um jogo tradicional nem uma sequência didática rígida: trata-se de um kit narrativo desplugado, formado por cartas, histórias e perguntas que funcionam como disparadores de conversas sobre inteligência artificial (IA), cultura digital, dados e território. Cada carta apresenta um fragmento da vida de Sofia, uma personagem fictícia de 14 anos que vive no Morro Dona Marta. Ao escrever suas próprias histórias, ela provoca reflexões sobre como a tecnologia atravessa o cotidiano.Mais do que conduzir uma atividade, Sofia promove um encontro. “Não se trata de ensinar a operar ferramentas digitais, mas de abrir espaço para pensar quem projeta as tecnologias que usamos? Quem toma decisões por meio delas? Quem acaba não sendo visto pelos sistemas?”, provoca Gisele.A atividade é livre, gratuita e está disponível para download para qualquer educador que se interesse por esse tema. Segundo a pesquisadora, é direcionada especialmente para o Ensino Fundamental, mas isso não impede que seja adaptada para diferentes etapas e contextos de ensino.Afinal, o projeto é simples e acessível, e as cartas podem ser lidas em roda, discutidas coletivamente e transformadas em criação, como cartas-resposta, desenhos, cenas, performances e mapas do território. Cada educador cria seu próprio caminho, sem etapas obrigatórias. O kit oferece sugestões de tempo e organização, mas sempre como referências flexíveis.Os Códigos de Sofia em sala de aulaEm Jaguariúna (SP), a professora Telma Aparecida Alves Conti, da Escola Municipal Professor Irineu Espedito Ferrari, encontrou em Os Códigos de Sofia uma porta de entrada potente para discutir inteligência artificial, pensamento computacional e produção de texto com seus estudantes. E tudo isso sem depender de computadores.A proposta inicial da atividade era simples: ler a primeira carta de Sofia e conversar. Mas a conversa rapidamente cresceu, e as crianças começaram a discutir segurança, autoria, privacidade e até mesmo responder a carta para a personagem.Esse desejo virou oportunidade pedagógica. “A turma iniciou um trabalho de produção e revisão de texto, e cada revisão trazia novas discussões sobre IA, mensagens instantâneas, velocidade da comunicação e cuidado com dados pessoais”, revela Telma. As cartas se transformaram em rotações de atividades, reconhecimento de padrões, jogos e exercícios lúdicos. A cada carta, novas possibilidades surgiam.Um dos momentos mais marcantes veio quando os alunos trabalharam a carta sobre qualidade de dados, levando para casa uma receita de bolinho de chuva com um erro proposital (“areia” no lugar de “aveia”) para discutir viés e alucinação de IA com a família. “Gerou uma repercussão para além da sala de aula, e puderam discutir com seus pais temas como IA, cibersegurança e tempo de tela”, conta.“Existe um mito enorme de que é preciso laboratório, computador e conectividade para falar sobre IA. Não precisa”, afirma Giselle. “Para isso basta uma boa roda de conversa e uma rede de confiança.”A Inteligência Artificial na vida cotidiana dos estudantesEm essência, Os Códigos de Sofia convida os estudantes a discutir IA e pensamento computacional a partir da vida real, com lápis, papel e com a profundidade que nasce da escuta, do diálogo e da imaginação coletiva.A experiência dos estudantes de Jaguariúna (SP) se estendeu para reuniões com as famílias, onde temas como segurança digital e propósito das atividades desplugadas ganharam espaço. As conversas deixaram claro que a escola não pode ignorar o que acontece fora dela. “As crianças estão usando IA em casa. Mas, e na escola, o que se está falando? Como se está falando?”, questiona.Telma resume sua visão sobre o valor do trabalho desplugado: “Não é romantizar a falta de infraestrutura, é entender que IA e pensamento computacional são habilidades que precisam ser desenvolvidas com ou sem acesso à tecnologia.”A partir de Sofia, sua turma escreveu, criou, discutiu, investigou, envolveu as famílias e até experimentou programação no Scratch. Um percurso completo e que foi iniciado apenas por uma carta.Por que falar de IA sem telas?Os Códigos de Sofia surgiu no final de 2024, quando os debates sobre proibição de celulares nas escolas ganharam força. Para Giselle, esse contexto trouxe também a oportunidade de abordar criticamente a tecnologia em um momento no qual, em sua visão, o ensino relativo à IA e ao pensamento computacional vêm sendo dominado por um imaginário de eficiência e de automação.“A percepção era de que esse ensino estava sendo feito de maneira colonizada, por uma ideia de perfeição e inevitabilidade, mas esvaziado de presença, de toque, de afeto”, enfatiza.Assim, a iniciativa mostra que é possível discutir algoritmos, padrões, dados e ética sem depender de telas, e que é possível formar pensamento crítico sobre IA antes mesmo de colocar a mão em um dispositivo. “Ensinar tecnologia deve ser, acima de tudo, um processo humano, coletivo e profundamente conectado às experiências de cada estudante”, afirma Giselle.A proposta também contribui para que escolas sem conectividade não fiquem de fora do trabalho de desenvolver competências digitais. Afinal, embora o país tenha avançado na expansão da internet nas escolas, o acesso ainda é desigual e desafia a inclusão plena de todos os estudantes na cultura digital.Conectividade e o cenário brasileiroEntre 2023 e 2025, o Brasil alcançou um marco importante quando o número de escolas públicas equipadas com salas de aula que possuem internet de qualidade e conexão sem fio para uso pedagógico subiu de 45,4% para 65,89%, segundo dados do Ministério da Educação. Ainda assim, aproximadamente um terço das escolas públicas não dispõe dessa infraestrutura. Pelo menos 33% relataram não usar a internet em seus processos pedagógicos, e cerca de 10% afirmaram não ter qualquer acesso à rede, de acordo com o Censo Escolar.Mesmo onde há conexão, a disponibilidade de dispositivos para uso dos estudantes permanece limitada, especialmente em redes municipais. Essa realidade evidencia um cenário em transição, onde há conectividade em expansão, mas persistem desigualdades importantes entre zonas rurais e urbanas e entre diferentes redes de ensino. Por isso, é essencial fortalecer iniciativas que garantam oportunidades de aprendizagem digital para todos, inclusive em contextos com pouco ou nenhum acesso à internet.Uma nova etapa para o ensino de tecnologia no BrasilEm 2026, todas as redes de ensino terão que implementar a BNCC Computação, que trará uma série de novas habilidades obrigatórias a serem desenvolvidas nos estudantes, em temas como pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. Dessa forma, iniciativas como Os Códigos de Sofia garantem que mesmo as escolas com poucos recursos de conectividade e equipamentos possam ter a oportunidade de trabalhar essas competências de formas alternativas.O projeto de Giselle, inclusive, aborda conceitos presentes na BNCC Computação, mas traduzidos para uma linguagem humana e cotidiana. Um de seus grandes motores é romper a ideia de que discutir IA é privilégio de especialistas. “Esse discurso de que a IA não me pertence, que é feita para quem entende de ciência de dados, é algo que desumaniza o tema e afasta”, observa a educadora. Para ela, estudantes e educadores precisam se sentir parte dessas discussões que, muitas vezes, parecem restritas a centros de tecnologia do norte global.“O projeto cria espaço para que nossos alunos pensem tecnologia a partir deles mesmos, do cotidiano, dos conflitos reais, para que entendam que pertencem a essas conversas”, finaliza. Os Códigos de Sofia mostra que esse processo de aprendizagem independe de ter acesso a laboratórios de informática ou dispositivos digitais.Quer aprender a ensinar pensamento computacional?Se você deseja levar esse olhar para sua prática, a plataforma Escolas Conectadas oferece o curso “Pensamento Computacional e Programação na Educação”. Totalmente gratuita e on-line, a formação dialoga diretamente com a proposta de Giselle Santos de trabalhar lógica, algoritmos, padrões, sistemas e ética a partir da realidade da escola. Afinal, ensinar tecnologia não é sobre ter equipamentos, é sobre formar pessoas capazes de questionar, criar, decidir e compreender o mundo que as atravessa.

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Da desinformação à checagem de fatos: 6 caminhos para tra...

As sugestões foram comentadas pelo educador Yuri Norberto, criador do Observatório Internacional da NotíciaUm print que chega no grupo de WhatsApp da turma. Um vídeo curto que viraliza durante o intervalo. Uma notícia compartilhada nas redes sociais que rapidamente vira assunto em sala de aula. Situações como essas já fazem parte do dia a dia de muitos educadores – em 2023, por exemplo, uma onda de notícias falsas obrigou diversas escolas brasileiras a mudarem a rotina e assustou estudantes e famílias.Diante desse cenário, a escola não é apenas um espaço onde esses conteúdos aparecem, mas também onde eles devem ser problematizados. Afinal, cada mensagem duvidosa pode se transformar em uma oportunidade de aprendizado: investigar fontes, comparar versões, fazer perguntas e construir argumentos com base em evidências. Desinformação na escolaÉ nesse contexto que projetos de checagem de fatos se tornam aliados importantes do trabalho pedagógico. Mais do que identificar notícias falsas, eles ajudam a desenvolver autonomia intelectual, pensamento crítico e responsabilidade no uso das tecnologias, competências essenciais para a cidadania digital.Em ano eleitoral, discutir a desinformação na escola se torna ainda mais urgente. Afinal, é justamente nesse período que cresce a circulação de conteúdos enganosos, informações fora de contexto e narrativas que podem influenciar decisões individuais e coletivas.A proximidade do Dia Internacional da Checagem de Fatos, comemorado em 2 de abril – não por acaso, logo após aquele que é conhecido como o Dia da Mentira – também reforça a relevância do tema no calendário escolar. A data convida educadores a refletirem sobre o papel da informação de qualidade e sobre como desenvolver, com os estudantes, práticas mais conscientes de leitura, análise e compartilhamento de conteúdos.Como iniciar um projeto de checagem de fatos em sala de aula?Reunimos a seguir seis dicas para os(as) educadores(as) interessados(as) em iniciar projetos de checagem de fatos. As sugestões foram comentadas pelo educador Yuri Norberto, criador do Observatório Internacional da Notícia.1. Comece pelo que é real (e próximo dos estudantes)Uma boa porta de entrada é mostrar que a desinformação não está distante, e que ela faz parte do cotidiano digital dos próprios alunos.Trazer para a aula prints de redes sociais, vídeos curtos ou notícias que viralizaram recentemente pode ajudar a aproximar o tema da realidade da turma. Quando possível, vale até relacionar os exemplos à disciplina: um professor da área de Ciências da Natureza pode analisar conteúdos sobre saúde; já um de Ciências Humanas pode discutir distorções sobre fatos históricos.“Ao trabalhar com casos reais, os alunos percebem que a desinformação faz parte do ambiente informacional em que vivem e passam a desenvolver uma atenção mais crítica ao que consomem e compartilham”, explica Yuri.2. Ensine a fazer boas perguntasMais do que oferecer respostas prontas, o processo de checagem começa com perguntas. Estimular os estudantes a questionar quem produziu determinado conteúdo, quais fontes foram utilizadas e se existem evidências que sustentem aquela informação é um passo fundamental. Esse movimento aproxima a prática da lógica da investigação científica.“O estudante percebe que ele mesmo pode iniciar o processo de verificação ao adotar uma postura investigativa diante das informações que encontra no seu cotidiano”, destaca o educador.3. Mostre que existem caminhos simples para verificarPara muitos alunos, a checagem pode parecer algo complexo ou distante. Por isso, apresentar ferramentas e procedimentos simples faz toda a diferença. “Verificar se o site é confiável, identificar o autor do conteúdo, conferir a data da publicação e buscar se outros veículos também divulgaram a mesma informação já são passos importantes”, afirma Yuri. Também é possível utilizar recursos como a busca reversa de imagens. “Quando os alunos percebem que existem procedimentos simples para investigar uma informação, a checagem deixa de parecer algo complexo e passa a fazer parte do seu comportamento digital.”4. Transforme a atividade em investigaçãoA checagem de fatos ganha ainda mais sentido quando se torna um projeto. “Esse tipo de atividade aproxima a checagem do método científico e mostra que verificar informações é uma prática útil para compreender temas do cotidiano”, explica o professor.Escolher um tema que desperte interesse da turma e propor uma investigação coletiva pode engajar os estudantes e aprofundar o aprendizado. Questões do cotidiano como alimentação, saúde ou temas que estão em alta nas redes são ótimos pontos de partida.5. Incentive os estudantes a compartilhar o que descobriramDepois de investigar, é hora de comunicar. Produzir cartazes, apresentações ou conteúdos digitais com os resultados da checagem amplia o alcance da atividade e reforça a ideia de que todos têm responsabilidade sobre a informação que circula.“Ao comunicar suas descobertas, os estudantes exercitam a clareza na divulgação de informações e ajudam a fortalecer uma cultura de atenção à qualidade do que circula nas redes”, comenta Yuri.6. Vá além da técnica: fale sobre cidadania“A checagem de fatos também pode ser apresentada como parte do direito de todos a uma informação de qualidade”, reforça o educador. Essa atividade é uma oportunidade para discutir o impacto da informação na vida social e coletiva. Afinal, de que maneira as informações manipuladas ou falsas influenciam decisões importantes e podem gerar consequências graves? “Em temas como saúde, por exemplo, a circulação de desinformação já provocou situações que colocaram vidas em risco”, relembra Yuri.Ao refletirem sobre essas consequências, os alunos entendem que verificar informações não é apenas uma habilidade técnica, mas um exercício de cidadania. “Assim, a escola contribui para formar jovens mais conscientes sobre o impacto que o compartilhamento de conteúdos pode ter na vida social e coletiva.”Oportunidade: inscreva sua prática no prêmio #FakeToFora!Atenção, educador(a)! Estão abertas as inscrições para o prêmio #FakeToFora 2026. A proposta reconhece professores brasileiros que criam Clubes ou Coletivos de Checagem em suas escolas e colocam os estudantes como protagonistas no combate à desinformação. Além do prêmio, o vencedor levará uma quantia de R$ 10.000,00. Mais informações aqui.LEIA MAIS+ Conheça os principais prêmios da educação brasileira em 2026

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