Professores podem incentivar a troca de conhecimentos entre estudantes e seus familiares, criando oportunidades de aprendizagem para todas as gerações.
Quando estudantes ajudam pais, avós e outros familiares a utilizar tecnologias digitais, a aprendizagem pode ir além de ensinar a mexer no celular. Essa troca contribui para que pessoas idosas acessem serviços, reconheçam golpes, avaliem informações e interajam no ambiente digital com mais segurança.
O desafio é relevante e atual: afinal, ter acesso à internet não significa necessariamente saber utilizá-la de maneira autônoma e crítica. Segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgados em 2025, 40% das pessoas alfabetizadas em nível consolidado, ou proficientes, apresentaram desempenho médio ou baixo em tarefas digitais. Em uma atividade que simulava uma compra on-line, apenas 31% do grupo com melhor nível de alfabetismo conseguiu identificar uma fraude envolvendo Pix e agir corretamente.
Os resultados mostram que o domínio da leitura e da escrita não garante, por si só, as habilidades necessárias para lidar com situações cotidianas na internet. Embora o levantamento tenha ouvido pessoas de 15 a 64 anos, sem incluir a população mais velha, os dados ajudam a dimensionar a importância da educação digital.
Troca de conhecimentos entre gerações
A escola pode contribuir para esse processo de aprendizagem, incentivando os estudantes a compartilhar o que sabem sobre o mundo digital com familiares mais velhos. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que crianças e adolescentes também têm muito a aprender com as histórias, as experiências e os conhecimentos dos idosos.
Uma atividade pode envolver a criação de um álbum digital com fotografias antigas, a gravação de histórias de vida ou a produção de vídeos sobre as memórias da família. Os estudantes também podem entrevistar avós e outros familiares sobre brincadeiras, músicas, profissões e costumes de outras épocas.
Assim, a tecnologia se torna um meio para registrar e compartilhar conhecimentos, enquanto a atividade fortalece vínculos e valoriza a contribuição de cada geração. Para que a troca seja efetiva, porém, é necessário respeitar o ritmo de aprendizagem de cada pessoa e permitir que ela experimente os recursos com autonomia.
Inclusão digital na prática
Esse é um dos princípios que orientam o trabalho de Irene da Rocha, professora voluntária que oferece aulas de tecnologia para grupos de pessoas idosas na região do ABC paulista. Após realizar o curso Cidadania Digital da plataforma Escolas Conectadas – que aborda o uso consciente, seguro e responsável da internet –, ela desenvolveu uma série de encontros em que aborda diferentes recursos digitais, incluindo ferramentas de Inteligência Artificial, sempre procurando relacionar o aprendizado a situações do cotidiano.
A experiência mostrou que, muitas vezes, a principal barreira não é a falta de interesse dos idosos neste tema, mas o medo de errar ou perder informações. Por isso, Irene aposta em atividades práticas, linguagem acessível e oportunidades para que cada participante experimente os recursos no próprio aparelho. “Não acredito em uma aula em que o professor faz tudo e o aluno apenas observa. Eles precisam experimentar, errar, perguntar e tentar novamente”, explica.
A segurança digital também faz parte desse processo, com orientações para reconhecer mensagens falsas, links suspeitos e tentativas de golpe. Afinal, a inclusão digital significa não apenas ter acesso às ferramentas, mas conseguir utilizá-las com confiança e responsabilidade.
“Uma das maiores conquistas não é quando o aluno aprende uma ferramenta específica. É quando ele olha para o celular e pensa: ‘Eu consigo fazer isso sozinho’”, conta Irene.
“Costumo dizer que a inclusão digital dos idosos é cidadania em sua forma mais plena. Não se trata apenas de aprender a mexer no celular: trata-se de obter condições para participar da sociedade em que vivemos”, finaliza.
Quer trabalhar a cidadania digital com seus estudantes?
Conheça o curso “Cidadania Digital” da plataforma Escolas Conectadas e explore possibilidades para promover o uso seguro e responsável das tecnologias em sala de aula.
Comentários
Escreva um comentário