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Rumo ao futuro priorizando o bem-estar docente

19/10/21

No meio do turbilhão do cotidiano em que sempre estivemos imersos, é praticamente impossível reservar um momento para refletir sobre sentimentos, dores, capacidades, projetos, objetivos e metas. Isso porque é urgente pagar as contas, preservar e garantir a manutenção segura e saudável da vida - a nossa própria e, às vezes, a de outras pessoas que dependem de nossa força motriz. Por vezes, esse cotidiano sequer permite nos planejarmos ou termos desejos que extrapolem as exigências de produção e de reprodução dos modos de viver. O último ano e meio nos trouxe desafios suplementares, com todas as alterações que a pandemia de covid-19 impôs ao cotidiano, gerando uma camada adicional de estresse aos processos com os quais lidamos no dia a dia.

Então, cabe perguntar: como estão nossa cabeça, nossa memória e nossas emoções nos últimos meses? Temos nos sentido potentes diante do ritmo das mudanças ou preocupados em demasia com o futuro, sem vislumbrar saídas e soluções práticas? Acabamos nos deixando levar por pensamentos desconexos e pelos ditames dos compromissos inadiáveis? Demoramos a realizar ações triviais? Como está nossa concentração para ler, escrever, preparar aulas, avaliar atividades? E, ainda, planejar e organizar a vida são tarefas cada vez mais relegadas a um segundo plano?

Nos tempos atuais, é de se imaginar que as respostas a essas perguntas não sejam muito animadoras - o que é compreensível. Além de já estarmos vivendo, há alguns anos, uma mudança paradigmática de sociabilidade, em que o sucesso, o individualismo, a popularidade e a instantaneidade são ativos de grande valor, a crise sanitária veio isolar os grupos, precarizar relações de trabalho e agravar medos e angústias quanto ao futuro. Com a pandemia, foram intensificadas as situações simultâneas de estresse. As rotinas foram alteradas, os exercícios físicos tiveram que ser suspensos, o convívio social, interrompido ou empobrecido e, no caso das professoras e dos professores, tornou-se premente que continuassem desempenhando suas funções, lidando com seus grupos de alunos de forma remota. 

 De acordo com o estudo Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do Coronavírus no Brasil, realizado pelo Instituto Península com aproximadamente 7.000 professores brasileiros, 88% dos docentes afirmaram, no início da pandemia, que nunca haviam dado aula de forma virtual antes. Assim, não saber lidar com as ferramentas virtuais foi cenário frequente entre os professores. Além disso, nem todas as escolas conseguiram se adaptar para oferecer aulas à totalidade de seus estudantes, desencadeando lacunas significativas de aprendizagem. Esse ano e meio, portanto, conformou-se como um desafio hercúleo para gestores, professores, alunos e famílias. 

 As tecnologias, a inovação, a autogestão de crise e o trabalho colaborativo foram fundamentais a fim de que se atenuassem as perdas para a educação brasileira. Nesse aspecto, durante um período de tantas situações limite e instigantes, o Escolas Conectadas buscou apresentar-se como um suporte sólido e uma parceria de todas as horas, reafirmando seu propósito como rede de educadores engajados na transformação da educação. No Projeto, o bem-estar docente, o acolhimento e o desenvolvimento emocional são temas que se coadunam numa experiência que disponibiliza cursos para auxiliar alunos e professores a enfrentarem todos esses desafios, visando à retomada de projetos, à reorganização de suas rotinas e, sobretudo, ao resgate dos sonhos.

Veja alguns relatos de professoras e professores sobre as formações que compõem a experiência Bem-estar, acolhimento e desenvolvimento emocional na Plataforma Escolas Conectadas.

Gostaria de parabenizar aos organizadores do projeto Escolas Conectadas, pois todos os cursos abordam temas extremamente importantes e necessários. Os materiais são riquíssimos e instigadores. Estou super entusiasmada e pretendo me inscrever em outros cursos”, Adriana Gomes Silva, sobre o curso Bem-estar docente: autocuidado e redes de apoio para quem transforma a educação.

"O curso Projeto de Vida, quando iniciei, pensei que traria conteúdos que pudesse desenvolver e aplicar com os meus alunos. Porém, durante o processo, me peguei também refletindo e me perguntando sobre os meus projetos de vida e de que maneira estava agindo para a concretização deles. Foi muito proveitoso, pois, a todo momento, além de motivar meus alunos, sentia-me também estimulada, sobretudo nesse momento tão difícil de pandemia que mexe com as nossas vidas em todos os aspectos. Estar na ativa, estudando, ao lado de nossos alunos é a certeza de que juntos vamos caminhar e vencer esses desafios", Fátima Andrade Serafim Gomes, sobre o curso Inova Escola - Projeto de Vida.

Vou adaptar esse material para usar com debate na disciplina Intervenção Comunitária. Acho necessário e acredito que os estudantes vão gostar”, Adriana de Queiroz Ferreira, sobre o curso Cidadania digital: educando para o uso consciente da internet.

O curso é bem estruturado, trazendo informações importantes principalmente para o atual momento que estamos vivendo, com temáticas fáceis para serem aplicadas em sala de aula”, Adrielle Luciana Ferreira Pereira, sobre o curso Cidadania digital: educando para o uso consciente da internet.

"Sou Cientista Político e tenho o desejo de ensinar sobre o assunto para jovens. Creio que este curso é uma semente em minha linha de pensamento para uma futura produção de aulas que visam a desmistificar e mostrar aos alunos como raciocinar em política pode melhorar a sociedade", Augusto Puga, sobre o curso Inovação na educação: conhecimentos avançados.

Vivemos tempos que nos impõem a necessidade constante de refletir sobre estratégias de organização, planejamento e adaptação que priorizem nossa saúde emocional, de um lado, e nosso crescimento pessoal e profissional, de outro, para apoiarmos também nossos estudantes. Há muitas formas de se preparar para esses novos tempos, e parte delas encontra-se à disposição de professoras e professores de forma gratuita, acessível e dinâmica. Deixamos um convite especial para que sigamos juntos rumo a um futuro melhor, de mais empatia, respeito e autocuidado.

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Com a entrada em vigor do ECA Digital, o curso gratuito “Cidadania Digital” foi atualizado para apoiar os educadores a trabalhar direitos, proteção e cidadania digital na escola.A educação digital vive um momento decisivo no Brasil. Ao mesmo tempo em que as redes de ensino iniciam a implementação obrigatória da BNCC Computação e das diretrizes de educação digital e midiática, o país passa a contar também com um novo marco legal para proteger crianças e adolescentes no ambiente on-line: o ECA Digital.Para apoiar educadores nesse cenário, a formação gratuita “Cidadania Digital”, da plataforma Escolas Conectadas, foi atualizada e passa a contar com um novo conteúdo dedicado à legislação, seus impactos para a educação e as possibilidades de trabalho em sala de aula.A atualização amplia um dos principais objetivos do curso: ajudar professores a promover um uso mais seguro, ético, crítico e responsável das tecnologias digitais, com práticas pedagógicas que podem ser aplicadas em diferentes etapas da Educação Básica. O curso apresenta exemplos concretos de atividades para incentivar uma convivência saudável, tanto no mundo físico quanto no digital.O que muda com o ECA Digital?O ECA Digital atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente para responder aos desafios de viver em uma sociedade hiperconectada. A legislação amplia a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e estabelece que essa responsabilidade deve ser compartilhada entre famílias, governos, escolas e plataformas digitais.“A ideia é que a proteção faça parte da experiência on-line das crianças e adolescentes, e que os serviços das plataformas digitais sejam pensados para esse público. É uma legislação importante, que coloca o Brasil no grupo de países que avançaram nessa discussão", explica Guilherme Alves, gerente de projetos da SaferNet Brasil. Mais do que criar novas regras, o texto busca garantir que ambientes digitais sejam concebidos considerando as necessidades e os direitos de crianças e adolescentes, com mecanismos de prevenção, proteção de dados, segurança e redução de riscos. O ECA Digital chega às escolasEmbora grande parte das mudanças previstas pelo ECA Digital envolva plataformas digitais e empresas de tecnologia, a legislação também fortalece o papel da educação na proteção de crianças e adolescentes. O texto reconhece que garantir uma experiência on-line mais segura não depende apenas de mecanismos tecnológicos ou da atuação das famílias. 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Implementar a BNCC Computação não significa apenas incluir novos conteúdos no currículo. Conheça a experiência da rede de ensino de Bragança (PA).Ao longo da série especial “BNCC Computação na prática”, vimos como o documento pode ganhar vida em diferentes etapas da educação básica. Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, ela aparece no brincar, na experimentação e na cultura maker. Nos anos finais do EF, ajuda os estudantes a compreender criticamente o mundo digital. Já no Ensino Médio, pode impulsionar projetos capazes de gerar impacto social e tecnológico nas comunidades.Mas existe uma pergunta que antecede todas essas experiências: como criar as condições para que elas aconteçam?A resposta passa pelo papel das redes de ensino e das equipes gestoras. Afinal, implementar a BNCC Computação não significa apenas incluir novos conteúdos no currículo, mas de construir uma cultura de inovação capaz de apoiar professores, fortalecer práticas pedagógicas e ampliar oportunidades de aprendizagem para os estudantes.Na rede municipal de Bragança (PA), esse processo vem sendo conduzido pela Coordenadoria de Educação Digital, liderada por Adriana Barros. “Aqui, a tecnologia é entendida como meio para promover engajamento, autonomia, criatividade e o desenvolvimento de competências essenciais para o século 21”, afirma.Muito além da tecnologiaQuando a BNCC Computação passou a integrar oficialmente as diretrizes da educação brasileira, muitas redes associaram sua implementação à aquisição de equipamentos e recursos tecnológicos. Em Bragança, porém, o ponto de partida foi outro.Segundo Adriana, o entendimento de que a tecnologia não é um fim em si mesma ajudou a orientar iniciativas que vão desde a ampliação da infraestrutura tecnológica até a formação continuada de professores, passando pela criação de projetos alinhados à BNCC Computação.A inovação começa pelos professoresUm dos principais aprendizados da experiência de Bragança é que nenhuma transformação curricular acontece sem o envolvimento dos educadores.Por isso, o primeiro passo da rede foi investir fortemente na formação docente continuada, abordando temas como pensamento computacional, cultura digital, robótica educacional, computação criativa e metodologias ativas.Mas a estratégia foi além da oferta de cursos. A Secretaria procurou construir um processo gradual, respeitando diferentes níveis de familiaridade com a tecnologia e valorizando os conhecimentos já existentes entre os docentes. “Nosso papel não é exigir domínio imediato, mas construir caminhos possíveis de aprendizagem junto com eles”, pondera Adriana.Para ela, esse acolhimento é fundamental para que os professores ganhem confiança e percebam que a computação pode ser integrada às práticas pedagógicas que já desenvolvem.Computação longe dos computadoresOutro aspecto importante da experiência de Bragança foi desmistificar a ideia de que ensinar computação depende necessariamente de laboratórios equipados ou acesso constante à internet.A rede investiu em atividades desplugadas, computação criativa e cultura maker, mostrando que conceitos como raciocínio lógico, resolução de problemas e criatividade podem ser trabalhados com materiais simples e propostas que incentivam os estudantes a colocar a mão na massa.Essa abordagem também se tornou uma estratégia para ampliar o alcance da BNCC Computação em escolas com diferentes níveis de infraestrutura. “Consolidamos uma ideia já existente e mostramos que é possível, na prática, ensinar computação para muito além do uso de computadores.”Aprender com quem já fazAlém das formações, a rede passou a investir em espaços de colaboração entre professores. A ideia é simples: muitas vezes, os educadores se sentem mais seguros para experimentar novas práticas quando observam experiências semelhantes acontecendo dentro da própria rede.Por isso, Bragança promove momentos de troca de experiências, compartilhamento de materiais e acompanhamento pedagógico próximo. Segundo a coordenadora, esse movimento ajuda a fortalecer o sentimento de pertencimento e mostra que a inovação pode nascer da realidade local.Transformar o currículo em experiênciaUma das estratégias adotadas pela rede para engajar estudantes, professores e gestores foi a criação de projetos mobilizadores, capazes de tornar a BNCC Computação visível para toda a comunidade escolar.Iniciativas como o Scratch Day da Escola Bragantina, os torneios de robótica e o Festival de Invenção e Criatividade ajudam a transformar competências curriculares em experiências concretas de aprendizagem.Esses projetos reforçam uma ideia central da política educacional de Bragança: a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta de criação, investigação e resolução de problemas. “Quando a tecnologia entra como ferramenta não apenas de consumo, o estudante assume um papel muito mais ativo no processo de aprendizagem”, acredita.Os desafios continuamApesar dos avanços, Adriana reconhece que ainda existem desafios importantes. A infraestrutura tecnológica segue sendo uma questão relevante, especialmente para garantir equidade entre escolas localizadas em contextos distintos.Outro desafio é ampliar o entendimento de que a educação digital vai muito além do uso de telas. “Ela se refere também ao desenvolvimento de competências fundamentais para a vida, para o trabalho e para a cidadania.”Uma transformação que começa pelas pessoasAo olhar para a trajetória da rede, Adriana acredita que a principal lição é compreender que a implementação da BNCC Computação não depende apenas de equipamentos ou recursos tecnológicos: ela exige visão pedagógica, formação continuada e compromisso coletivo.“Quando o docente se sente preparado, acolhido e valorizado, ele se torna o principal agente de transformação dentro da escola”, afirma a coordenadora.Mais do que implementar uma nova normativa, a experiência de Bragança mostra que a BNCC Computação pode ser uma oportunidade para fortalecer a cultura de inovação nas escolas e ampliar as possibilidades de aprendizagem para estudantes e professores.Especial BNCC Computação na práticaEsta reportagem faz parte de uma série especial da plataforma Escolas Conectadas sobre a implementação da BNCC Computação na educação básica. Já foram publicadas reportagens sobre os desafios da implementação no Ensino Médio, nos anos iniciais e nos anos finais do Ensino Fundamental.Quer aprofundar seus conhecimentos sobre BNCC Computação?Para apoiar educadores e gestores na implementação prática da BNCC Computação, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas e on-line voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e metodologias inovadoras.Entre os destaques estão o curso BNCC Computação: Fundamentos e Práticas, que apresenta as bases da normativa, além de possibilidades de aplicação nas escolas, e o curso Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação, com foco em práticas pedagógicas, metodologias ativas e atividades conectadas ao pensamento computacional.

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BNCC Computação na Educação Infantil e nos anos iniciais ...

Terceira matéria especial sobre a implementação da BNCC Computação aborda a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino FundamentalQuando se fala em computação na escola, muitas pessoas ainda imaginam os alunos no laboratório de informática, diante de telas, aprendendo programação ou utilizando equipamentos sofisticados. Mas, na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a proposta da BNCC Computação segue um caminho diferente: antes de aprender a usar tecnologias, os estudantes são convidados a desenvolver formas de pensar, criar, experimentar e resolver problemas.É nessa etapa que se constroem as bases do pensamento computacional, por meio de experiências que envolvem observação, criatividade, colaboração, reconhecimento de padrões e organização de sequências. Muitas vezes, tudo isso acontece longe dos computadores.Essa é a realidade vivida pelo professor Ary Potiguara, do Grupo Fênix de Educação, em São Caetano do Sul (SP), onde atua na Educação Infantil e também com atividades maker nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Em suas aulas, a computação nasce do brincar, da construção de projetos e da experimentação prática.Mas, afinal, o que é a BNCC Computação?A BNCC Computação orienta as escolas a desenvolver competências relacionadas ao pensamento computacional, à cultura digital e à compreensão das tecnologias ao longo de toda a educação básica. Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, porém, essas aprendizagens acontecem de forma concreta, lúdica e conectada ao desenvolvimento infantil.Na prática, isso significa estimular as crianças a observar padrões, organizar sequências, testar hipóteses, criar soluções e aprender com os erros. É justamente esse movimento que Ary busca promover em suas aulas. "A intenção é trazer para os estudantes, antes de mais nada, a alfabetização lógica e criativa", explica o professor.A computação começa no brincarUma das principais particularidades da implementação da BNCC Computação nessa etapa de ensino é que a aprendizagem acontece por meio das experiências corporais, da imaginação e das brincadeiras.Na Educação Infantil, Ary trabalha conceitos fundamentais do pensamento computacional utilizando o próprio corpo das crianças, além de jogos e construções manuais. "Nesta etapa, o foco é a percepção. Trabalhamos noções de espaço, lateralidade e sequência (algoritmos) através do corpo, do brincar e da construção de brinquedos", conta o educador.Essa abordagem mostra que a computação não começa com códigos ou dispositivos digitais, mas com a capacidade de organizar ideias, compreender relações e construir estratégias para resolver problemas. Já nos anos iniciais do Ensino Fundamental, essas experiências evoluem para a elaboração de projetos e protótipos, ampliando gradualmente a complexidade dos desafios propostos aos estudantes.Muito além das telasOutra característica importante dessas etapas são as chamadas atividades desplugadas – aquelas que não dependem de computadores ou dispositivos digitais para acontecer. Segundo Ary, elas são a base de todo o processo de aprendizagem."As crianças gostam muito de atividades desplugadas, porque passam pela experiência da montagem individual, fazendo os projetos acontecerem de forma prática. Na minha experiência pedagógica, o desplugado é o alicerce."Entre as atividades desenvolvidas pelo professor estão a construção de carros movidos a bexiga de ar, mãos mecânicas feitas de papelão, circuitos simples com placas Makey Makey (um kit de invenções simplificado que permite transformar vários objetos do cotidiano em teclas de teclado ou botões de mouse para computador) e desafios de construção livre com peças de montar.Mais do que ensinar o funcionamento de uma ferramenta específica, essas experiências ajudam os estudantes a desenvolver raciocínio lógico, criatividade, planejamento e resolução de problemas.Quando a tecnologia faz sentidoAo contrário do que muitas vezes se imagina, o computador não é o ponto de partida do processo. Na experiência de Ary, a tecnologia só entra em cena depois que as crianças já compreenderam a lógica do desafio e construíram suas ideias de forma concreta."Na prática, a tecnologia entra como um meio para expressar uma ideia que já foi maturada fisicamente. Se eles conseguem explicar a lógica no papel ou no corpo, a transição para o computador é orgânica."Essa abordagem está alinhada aos princípios da BNCC Computação, que propõe uma evolução gradual das competências digitais a partir da realidade e do estágio de desenvolvimento dos estudantes.O erro faz parte da aprendizagemOutra contribuição importante do pensamento computacional para a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental está relacionada à forma como as crianças aprendem a lidar com desafios e frustrações.Nas atividades desenvolvidas por Ary, o erro não é encarado como fracasso, mas como parte do processo de descoberta. "O que os move é a autoria e o erro seguro", afirma o professor. Segundo ele, quando os estudantes percebem que podem testar soluções, revisar caminhos e fazer ajustes sem medo de errar, tornam-se mais confiantes para criar e experimentar.Essa mudança também aparece na forma como enfrentam problemas. "Antes, um erro no desenho ou na construção era motivo de frustração e abandono. Com o pensamento computacional, eles entendem que o erro é apenas um dado a mais no processo."Os desafios da implementaçãoApesar das inúmeras possibilidades, implementar a BNCC Computação nessa etapa também exige mudanças de perspectiva.Para Ary, "o maior desafio é a ansiedade pelo resultado imediato, tanto dos alunos quanto da escola". Ele lembra que, no início, a instituição tentou ensinar conceitos de programação de forma abstrata, diretamente na lousa e depois nos computadores. O resultado? Estudantes desinteressados.Hoje, sua estratégia é partir de problemas concretos e significativos para as crianças. "Eu nunca começo pela ferramenta. Começo trazendo problemas reais, em que os estudantes precisam encontrar formas de solucionar através de um projeto."Formando pensadores para o futuroPara o professor, um dos equívocos mais comuns sobre a BNCC Computação é acreditar que o seu objetivo é formar programadores desde a infância. Na verdade, o foco está no desenvolvimento de competências que acompanharão os estudantes ao longo de toda a sua trajetória escolar e pessoal."Isso não é sobre formar programadores, é sobre formar pensadores", resume Ary. Ao estimular a curiosidade, a criatividade, a autonomia e a capacidade de resolver problemas, a BNCC Computação ajuda as crianças a compreender melhor o mundo em que vivem, cada vez mais permeado por tecnologias, algoritmos e informações digitais.Como destaca o professor, quando o pensamento computacional é trabalhado por meio da arte, do brincar e da cultura maker, as crianças deixam de ser apenas consumidoras de tecnologia e passam a desenvolver as ferramentas necessárias para criar, questionar e transformar a realidade ao seu redor.Especial BNCC Computação na práticaEsta reportagem faz parte de uma série especial da plataforma Escolas Conectadas sobre a implementação da BNCC Computação na educação básica. Já foram publicadas reportagens sobre os desafios da implementação no Ensino Médio e também nos anos finais do Ensino Fundamental.Ao longo dos próximos conteúdos, serão apresentadas experiências e reflexões voltadas à gestão escolar e às redes de ensino, abordando estratégias de formação docente, infraestrutura, apoio pedagógico e caminhos possíveis para transformar a BNCC Computação em experiências concretas de aprendizagem nas escolas brasileiras.Quer aprofundar seus conhecimentos sobre BNCC Computação?Para apoiar educadores e gestores na implementação prática da BNCC Computação, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas e on-line voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e metodologias inovadoras.Entre os destaques estão o curso BNCC Computação: Fundamentos e Práticas, que apresenta as bases da normativa, além de possibilidades de aplicação nas escolas, e o curso Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação, com foco em práticas pedagógicas, metodologias ativas e atividades conectadas ao pensamento computacional.

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BNCC Computação nos anos finais do EF: como desenvolver p...

Segunda matéria especial sobre a implementação da BNCC Computação aborda os anos finais do Ensino FundamentalUma fase de profundas transformações na vida dos estudantes: esses são os anos finais do Ensino Fundamental. É nesse período que eles ampliam sua autonomia, fortalecem relações sociais, passam a ocupar ambientes digitais com mais intensidade e começam a construir sua identidade dentro e fora da escola.Por isso, a implementação da BNCC Computação nessa etapa vai além do ensino de ferramentas digitais. O documento, que tem implementação obrigatória pelas redes de ensino a partir de 2026, propõe o desenvolvimento de competências relacionadas ao pensamento computacional, à cultura digital e à compreensão crítica das tecnologias que fazem parte do cotidiano dos jovens.Na Escola Municipal George Chalmers, em Nova Lima (MG), o professor de artes Otávio Neves encontrou uma forma de conectar essas competências a uma realidade cada vez mais presente entre os adolescentes: a influência das redes sociais na construção da autoestima e da identidade. A partir do projeto “Eu Digital”, seus estudantes passaram a refletir sobre algoritmos, filtros, validação social e representação de si mesmos no ambiente on-line.Mas, afinal, o que é a BNCC Computação?À primeira vista, um projeto sobre identidade digital, autoestima e produção audiovisual pode parecer distante da computação. Mas é justamente esse tipo de experiência que ajuda a materializar as competências previstas pela BNCC Computação, que orienta as escolas a desenvolverem competências que permitam aos estudantes compreender, utilizar e criar tecnologias de forma crítica, ética e criativa.A proposta não se limita ao ensino de programação ou ao uso de ferramentas digitais: ela busca desenvolver nos estudantes a capacidade de compreender, utilizar e criar tecnologias de forma crítica, ética e criativa. Em uma etapa marcada pela intensificação da vida online e pela construção da identidade, isso significa criar oportunidades para que os jovens reflitam sobre o funcionamento das plataformas digitais, produzam conteúdos, resolvam problemas e participem do mundo digital de forma mais consciente e protagonista.Cultura digital, identidade e protagonismoO projeto desenvolvido por Otávio nasceu a partir de uma preocupação observada pela equipe escolar: o aumento de casos de ansiedade, sofrimento emocional e dificuldades de expressão entre os estudantes. Ao mesmo tempo, o professor percebia que boa parte dessas vivências estava relacionada ao ambiente digital.Foi então que surgiu a proposta de unir arte, audiovisual e tecnologia para criar espaços de escuta, expressão e reflexão. "O projeto se inicia com produções artísticas, desenhos, pinturas e fotografias, e vai evoluindo para o audiovisual, fazendo os estudantes refletirem sobre filtros, algoritmos, validação social e a diferença entre o 'eu real' e o 'eu digital'", explica o professor.A iniciativa ilustra como os três eixos da BNCC Computação podem ser trabalhados de maneira integrada. No eixo Cultura Digital, os estudantes analisaram o impacto das redes sociais, dos algoritmos e dos padrões estéticos presentes no ambiente digital. Em vez de utilizar a tecnologia apenas como ferramenta, passaram a investigá-la como objeto de reflexão crítica.Já no eixo Mundo Digital, utilizaram diferentes plataformas e ferramentas para produzir conteúdos, editar vídeos, armazenar informações e publicar seus trabalhos. Por fim, no eixo Pensamento Computacional, desenvolveram competências relacionadas à decomposição de problemas, reconhecimento de padrões, abstração e organização lógica de processos durante a produção audiovisual.Quando há sentido, o engajamento cresceTrabalhando com esses eixos, um dos principais resultados do projeto observados pelo professor foi o aumento do engajamento e da participação dos estudantes. Muitos jovens que tinham dificuldades para se expressar encontraram nas linguagens digitais novas formas de comunicação e protagonismo. Por meio da fotografia, dos vídeos e das produções audiovisuais, passaram a perceber que suas histórias e experiências tinham espaço e valor dentro da escola."O engajamento aumentou muito porque os estudantes perceberam que a escola está dialogando com o universo digital, que faz parte da vida deles", afirma. Segundo ele, a autonomia também se fortaleceu ao longo do processo, à medida que os estudantes passaram a organizar tarefas, criar roteiros, resolver problemas técnicos e tomar decisões coletivamente durante as produções audiovisuais.Muito além das telasAo longo do projeto, os estudantes passaram a questionar mais criticamente o funcionamento das redes sociais e os padrões que circulam nos ambientes digitais. Deixaram de ocupar apenas o papel de consumidores para assumirem uma postura mais ativa e consciente diante da tecnologia.Para o educador – que recentemente foi reconhecido com o Prêmio Professor Porvir –, esse é justamente um dos principais objetivos da BNCC Computação para os Anos Finais do Ensino Fundamental."Eu sempre digo: a BNCC Computação não começa no computador. Ela começa na forma como o estudante pensa, organiza, cria, resolve problemas e compreende o mundo digital em que vive."Sua experiência mostra que, quando conectada à realidade dos estudantes, a computação pode se tornar uma poderosa ferramenta para desenvolver pensamento crítico, criatividade, autonomia e cidadania digital – competências cada vez mais essenciais para a vida em sociedade.Os desafios e aprendizados da implementaçãoOs resultados alcançados pelo projeto não significam que o percurso tenha sido simples. Como acontece em muitas escolas brasileiras, a implementação de práticas alinhadas à BNCC Computação também exigiu adaptações, criatividade e sensibilidade pedagógica. Entre os principais desafios enfrentados pelo projeto estava a limitação de equipamentos. Contudo, para Otávio, a falta de infraestrutura não impediu o desenvolvimento das atividades, já que grande parte das produções foi realizada com celulares e aplicativos gratuitos. "Não é necessário ter equipamentos sofisticados para desenvolver experiências potentes”, acredita.Ao olhar para a experiência, o educador destaca que um dos principais aprendizados foi compreender que a tecnologia, sozinha, não transforma a aprendizagem. "O projeto me ensinou que tecnologia precisa ter sentido pedagógico e humano. Não basta utilizar ferramentas digitais de forma superficial. Tem que existir intencionalidade", destaca. “Quando a tecnologia é usada para criar, comunicar e refletir sobre questões reais da vida dos estudantes, ela se torna muito mais significativa."Outro desafio importante foi lidar com questões emocionais sensíveis relacionadas à identidade, autoestima e pertencimento, exigindo uma mediação pedagógica acolhedora e cuidadosa.Especial BNCC Computação na práticaEsta reportagem faz parte de uma série especial da plataforma Escolas Conectadas sobre a implementação da BNCC Computação na educação básica. A primeira reportagem, já publicada, mostrou os desafios da implementação no Ensino Médio e apresentou a experiência do professor Galileu da Silva Pires.Ao longo dos próximos conteúdos, serão apresentadas experiências e reflexões sobre como as competências da computação podem ser trabalhadas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. A série também contará com conteúdos voltados à gestão escolar e às redes de ensino, abordando estratégias de formação docente, infraestrutura, apoio pedagógico e caminhos possíveis para transformar a BNCC Computação em experiências concretas de aprendizagem nas escolas brasileiras.Quer aprofundar seus conhecimentos sobre BNCC Computação?Para apoiar educadores e gestores na implementação prática da BNCC Computação, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas e on-line voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e metodologias inovadoras.Entre os destaques estão o curso BNCC Computação: Fundamentos e Práticas, que apresenta as bases da normativa, além de possibilidades de aplicação nas escolas, e o curso Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação, com foco em práticas pedagógicas, metodologias ativas e atividades conectadas ao pensamento computacional.

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