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O trabalho socioemocional precisa começar já na construção do currículo

31/03/22

Num mundo em constante transformação, as escolas precisam adaptar suas metodologias de ensino, até mais importantes do que os tradicionais conteúdos curriculares, as competências socioemocionais tornam-se recursos imprescindíveis para formar cidadãos que estarão prontos para os desafios do amanhã, sejam eles quais forem.

O curso Currículo, saberes e competências socioemocionais vem na esteira do curso Educação socioemocional: aprendizagens-chave como o segundo passo desse itinerário pedagógico que visa capacitar professores e gestores na construção de currículos que resgatam e valorizam o lado mais humano da educação.

Nesta matéria, você conhecerá depoimentos de professores que estão transformando a sala de aula e terá acesso a uma entrevista exclusiva com Maria Teresa Moraes Nori e María del Carmen Chude, duas das autoras do curso (criado em conjunto com a professora Patrícia Franco, que infelizmente não pôde participar da entrevista, o Instituto Lotus e a Testo Digital Projetos e Desenvolvimento Educativo).

Impactos positivos na prática

Na busca pelo desenvolvimento integral dos alunos, os professores precisam às vezes se desdobrar em diferentes papéis. Professores do século XXI devem abrir espaço para que os alunos se tornem protagonistas do próprio aprendizado.

Conforme conta a professora Mônica Lobo de Athayde, participante da Plataforma Escolas Conectadas, “nāo podemos esquecer que a Educação é uma atividade relacional com dinâmica e características próprias que precisam ser conhecidas e devidamente trabalhadas”. Por se constituir de relações entre indivíduos, o processo de ensino depende não apenas de capacidades cognitivas, mas também das emoções de cada participante. “As reflexões propostas pelo curso ‘Educação socioemocional: aprendizagens-chave’ me ajudaram a ter uma visão mais ampla sobre a relação das questões emocionais com o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos”, comenta Mônica.

As ferramentas socioemocionais são tão poderosas que podem ser aplicadas em diversos contextos. O professor Carlos Francisco da Silva é outro educador que teve uma experiência extremamente positiva após participar do curso Educação socioemocional: aprendizagens-chave. Ele levou seus conhecimentos para uma sala de aula de trânsito. Lecionando dentro da autoescola, conta que pôde “desenvolver um dos pontos interessantes das cinco competências do modelo Casel, utilizando informações referentes às questões do bloqueio que as pessoas tinham com o medo de fazer prova”. O professor conseguiu reduzir em pouco tempo o índice de reprovações no teste final.

Transformação começa no currículo

Não é à toa que o segundo curso deste eixo se chama “Currículo, saberes e competências socioemocionais”: o trabalho começa muito antes de os alunos chegarem na sala de aula. “Alguma vez você já se perguntou ‘para que serve isso que estou estudando?’ quando estava na escola?”, provoca a professora Maria Teresa Moraes Nori. Para ela, a maior vantagem de pensar um currículo por competências é que se parte da demanda do contexto, o que leva à inevitável oferta de experiências de aprendizagem que estão relacionadas à vida real do aluno. As metodologias ativas necessariamente atribuem ao estudante o protagonismo: ele vai enfrentar desafios – simulados ou reais – que têm a ver com a própria vida e vai acionar todas as suas competências cognitivas, socioemocionais e psicomotoras para resolver esses problemas.

A ideia de planejamento se aplica não apenas à construção do currículo, mas ao longo do ano letivo. Como conta a professora Caroline Camargo, que participou do curso ‘Educação socioemocional: aprendizagens chave’ e tem estudado as dimensões socioemocionais da educação, as novas ferramentas têm auxiliado em muitos momentos da prática pedagógica. “Por mais difícil que seja quebrar paradigmas quando se fala em educação, todos os dias ao enfrentar momentos desafiadores em sala de aula, tento me lembrar das estratégias aprendidas no curso e aplicá-las em minha rotina. Também uso muito das reflexões apresentadas no curso quando faço meu planejamento semanalmente, sempre avaliando quais práticas estão tendo resultado e quais eu preciso modificar”. É assim, sempre de olho nas demandas dos estudantes, que a sala de aula se transforma num espaço de aprendizado mútuo e crescimento para todos. 

Bem resumiu a professora María del Carmen: “a dimensão socioemocional não é nova, todo educador conhece e tem no coração a necessidade de desenvolver a formação de valores, de atitudes, e permitir que se construa um alicerce fundamental para a existência humana que é a capacidade de relacionar-se: isso está no DNA da educação”.

A importância das relações já se nota nessa primeira etapa de organização do currículo. Professores e gestores fazem escolhas em conjunto, partindo da pergunta sobre que geração queremos formar e, ao pensar coletivamente, dividem a responsabilidade. Assim, começa-se a se criar na escola um ambiente de parceria e cooperação. A conclusão de Maria Teresa é que “esse ambiente gera bem-estar e, mais do que isso, gera entusiasmo, você vem trabalhar com uma grande alegria porque sabe que seu trabalho tem sentido, e você vê resultado na prática. Quando você trabalha com competências que exigem prática, e você vê o exercício na prática, há um prazer imenso, é a maior alegria que se pode ter. Isso por si só alivia a carga negativa de decepção e desânimo que se percebe em muitos professores. Isso acontece mesmo, não estou sonhando, sou muito pragmática”.

Para aprofundar os fundamentos do curso Currículo, saberes e competências socioemocionais, confira abaixo o que María del Carmen Chude e Maria Teresa Nori têm a dizer. Depois, deixe seu comentário!

Parte dos educadores que atuam hoje tiveram sua formação no século XX, mas precisam se adaptar às demandas do século atual. Quais as principais novas características da educação do século XXI e voltada para o futuro?

MARÍA DEL CARMEN: Como diria Edgar Morin em suas recomendações para a escola, o educador não pode pretender resolver todos os problema do mundo, não pode carregar, como Atlas carregava na cabeça, o peso de todos os problemas do mundo, mas o educador e a escola são essenciais para resolvê-los, principalmente assumindo uma postura de procurar não o melhor dos mundos, mas um mundo melhor a cada dia. Há uma grande diferença, e muita gente às vezes até perde a esperança porque idealiza esse mundo melhor, mas o importante é fazer algum bem neste mundo, e sentir-se parceiro de outros seres humanos que estão construindo um mundo mais solidário e mais pacífico, dois elementos que carregamos sempre no coração, na época que for. Os educadores, no século XX, já traziam essa esperança, agora é importante que, ao pensar nas ferramentas para fazer acontecer essa educação, em função das mudanças na proposta curricular, eles lembrem que as estratégias didáticas precisam também mudar.

TERESA NORI: Acho que a María del Carmen falou muito bem. O professor precisa turbinar a caixa de ferramentas e agir com mais humildade. Havia uma cultura do voo solo, quando o professor era o showman, o protagonista, pois tudo se resumia a uma questão de dar conteúdo. Isso acabou, não é por aí. O professor é aquele que ajuda o outro a crescer, com a intenção constante de deixar o outro cada vez mais independente. O Reuven Feuerstein diz algo maravilhoso, que a maior ambição do mediador é tornar-se obsoleto na vida do aluno. E no mundo que requer solidariedade, paz, harmonia, bom senso e juízo, é necessário que todos nós colaboremos, pois a educação é um trabalho de equipe, formada pelos professores, diretores, coordenadores, faxineiros, todos os funcionários, além da família e do prefeito, governadores, vereadores e assim por diante. É um trabalho coletivo, porque é um processo de socialização sistematizado e intencional.

O curso traz algumas propostas de exercícios práticos para serem desenvolvidos com os estudantes. Quais têm sido os maiores desafios que os estudantes encontram na hora de conviver com a comunidade escolar e mesmo com a comunidade externa? E como os exercícios os ajudam a encontrar melhores caminhos de convivência?

TERESA NORI: Os exercícios aproximam as pessoas das situações desafiadoras para as quais devem se preparar de modo que possam enfrentá-las com segurança e autonomia quando estiverem de fato num processo social mais amplo. Os exercícios permitem que os alunos experimentem novas reações, novas respostas às situações simuladas de modo que, quando forem para a vida real lá fora, eles já tenham uma bagagem de vivência que permita lidar melhor com a realidade.

Estamos de novo falando da caixa de ferramentas, e é necessário se preparar para usar uma ferramenta. Por exemplo a empatia, é fácil ser empático? Será que somos empáticos o tempo todo? Empatia envolve sair de você, e nós somos seres muito autocentrados. Infelizmente, temos muitos exemplos por aí de pessoas autocentradas para quem o outro não existe, o que deixa a gente até desanimado, porque quando a gente vê aquele moleque chamando as mulheres vítimas de guerra de fáceis porque são pobres, isso é um absurdo. Zero de educação socioemocional para ele.

MARÍA DEL CARMEN: Os exercícios são importantes porque às vezes algum professor pode pensar que desenvolver ou promover aprendizagem de atitudes e valores significa copiar formas ou modelos de atuação já prontos, quando, na verdade, o que se promove nesse caso é que o ser humano, ao vivenciar determinadas situações do cotidiano, tenha a oportunidade de identificar como ele pode utilizar as habilidades socioemocionais ou quanto o outro as usa ou deixa de usá-las. Essa é a mediação que o professor vai fazer, jogando luz sobre como funcionamos no trabalho em equipe, por exemplo, que nos permite desenvolver maior clareza para identificar nossas fortalezas e desenvolver nossas habilidades: “preciso me expressar melhor, não disse bem o que sinto, preciso escutar mais”, por exemplo. 

Essa consciência sobre o que precisamos é que faz com que o trabalho cotidiano da escola ofereça um território magnífico de desenvolvimento de competências socioemocionais. Mas é muito importante que o professor esteja preparado para ajudar o aluno, não colocando modelos pré-prontos, mas desenvolvendo ações intencionalmente dirigidas para o exercício, permitindo que o sujeito construa sua própria caixa de ferramentas.

TERESA NORI: O exercício por si só ajuda, mas o truque está na mediação, no bom uso do exercício, o que requer que o professor estimule o processo de reflexão. Quando você faz um exercício, dramatização ou simulação, é necessário elaborar, pois é da fase de elaboração que saem os insights que permitem o autoconhecimento. Se estou numa situação simulada que suscita em mim uma reação que eu nem imaginava que pudesse ter um dia, isso é uma grande lição se eu puder refletir e entender o que aconteceu.

MARÍA DEL CARMEN: Essas oportunidades nas situações escolares serão muito exploradas no terceiro curso, mas já estou me antecipando.

O curso preza pelo bem-estar pessoal e coletivo, além de abordar os desafios de viver e conviver na sociedade do século XXI. Tendo em vista a sociedade polarizada e conflitiva em que vivemos hoje, qual a importância da escola na construção de um mundo mais empático e solidário?

TERESA NORI: A impressão que eu tenho é que se tivéssemos esse trabalho da educação socioemocional há mais tempo, não estaríamos vivendo no mundo polarizado e conflitivo que estamos. A escola tem que construir um currículo que transforme os ideais de cidadania e participação social em prioridades de tal modo que, inevitavelmente, ela vá trabalhar de forma equilibrada as dimensões cognitivas, socioafetivas e psicomotoras, a ponto de finalmente não deixar um setor ficar muito desenvolvido e outro pouquinho. De certo modo, até hoje demos muita ênfase na parte cognitiva, mas não no raciocínio, apenas na acumulação de conteúdo, de tal forma que as pessoas esqueceram da dimensão do respeito humano, da solidariedade, da convivência em si.

MARÍA DEL CARMEN: Muitas vezes os educadores sentem-se pouco reconhecidos no trabalho dessa dimensão socioemocional, muitas vezes eles sentem o peso dessa visão da escola de que ela será melhor quanto mais conteúdo descarregar. Mas o caso é que a formação integral está presente em todos os documentos legais que temos hoje para guiar a educação nacional, todos eles declaram há mais de vinte anos que precisamos atender essas três dimensões que a Teresa mencionou, e com a mesma prioridade entre todas.

É importantíssimo o currículo organizado por competências, pois ele nos permite reunirmos essas três dimensões em vez de trabalhá-las separadamente. E é importantíssimo a escola reconhecer e ter espaço e tempo em sala de aula para desenvolver os campos socioemocionais e socioafetivos. Gosto de falar na dimensão do afetivo, porque tudo que nos afeta vai nos levar a buscar uma mudança.


A primeira edição do curso Currículo, saberes e competências socioemocionais entrou no ar no dia 28 de março e as inscrições continuam abertas. Participe e ajude a formar cidadãos críticos, solidários e responsáveis. Nas palavras da professora Teresa Nori, “se a gente conseguir isso, a gente melhora o mundo”.

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O objetivo é apoiar educadores na construção de experiências criativas, interdisciplinares e alinhadas aos desafios da educação contemporânea, sem perder de vista a valorização da cultura popular brasileira.Anos Iniciais do Ensino FundamentalNesta etapa, o São João pode ser explorado de forma lúdica e sensorial, estimulando a imaginação, a oralidade e a participação das crianças:Produção de bandeirinhas autorais, nas quais cada estudante utiliza desenhos, colagens, símbolos ou elementos que representem sua identidade e sua relação com a cultura junina;Contação de histórias e lendas populares relacionadas às festas juninas;Oficinas de músicas e danças típicas;Montagem de um “arraial da leitura” com livros, parlendas e poemas;Criação de receitas ilustradas de comidas típicas;Jogos tradicionais adaptados para a sala de aula, como “pescaria matemática” ou “bingo de palavras”;Pesquisa com as famílias sobre tradições juninas da comunidade.As propostas podem desenvolver habilidades de leitura, escrita, coordenação motora, expressão corporal, reconhecimento cultural e convivência.Anos Finais do Ensino FundamentalAqui, os estudantes já conseguem aprofundar investigações, realizar pesquisas e conectar tradições culturais a temas sociais e históricos:Pesquisa sobre as origens das festas juninas e suas transformações ao longo do tempo;Produção de podcasts ou vídeos sobre tradições regionais;Criação de um jornal junino com entrevistas, reportagens e curiosidades;Estudo sobre ritmos musicais brasileiros, como forró, baião e xote;Organização de gincanas culturais e científicas;Desenvolvimento de mapas culturais das festas juninas pelo Brasil;Produção de cordéis e releituras contemporâneas de manifestações populares.As atividades favorecem o protagonismo estudantil, a pesquisa, o pensamento crítico e a integração entre diferentes áreas do conhecimento.Ensino MédioNa última etapa da educação básica, o período junino pode inspirar debates culturais, análises sociais e projetos autorais mais complexos:Debates sobre identidade cultural, patrimônio imaterial e indústria cultural;Análise de letras de músicas nordestinas e movimentos culturais brasileiros;Estudos sobre impactos econômicos e turísticos das festas juninas;Produção audiovisual sobre memórias culturais da comunidade;Investigação sobre sustentabilidade em festas populares;Organização de feiras culturais interdisciplinares;Desenvolvimento de projetos maker relacionados à ambientação junina.As propostas ajudam os jovens a conectar cultura, cidadania, comunicação, tecnologia e território, fortalecendo repertórios culturais e competências investigativas.Atividades por área do conhecimentoMatemáticaO clima junino pode tornar os conceitos matemáticos mais concretos e envolventes. 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As propostas a seguir fortalecem leitura, escrita, oralidade, escuta ativa e valorização da diversidade linguística:Produção de cordéis, convites, cartazes e notícias sobre o arraial;Leitura e interpretação de poemas populares;Estudo das variações linguísticas presentes em músicas e manifestações regionais;Produção de relatos de memória sobre festas da comunidade;Organização de saraus juninos.Ciências HumanasO São João é um excelente ponto de partida para discutir território, identidade e cultura. Confira atividades  que ajudam os estudantes a compreender relações históricas, sociais e culturais presentes no cotidiano:Pesquisar as diferentes tradições juninas das regiões brasileiras;Debater patrimônio cultural e memória coletiva;Estudar migrações internas e influências culturais;Analisar a importância econômica das festas populares;Construir linhas do tempo sobre a história das festas juninas;Produzir mapas culturais e turísticos.Ciências da NaturezaTambém é possível integrar o clima junino a investigações científicas e experimentação. Conheça propostas que aproximam os conteúdos científicos de situações reais e incentivam a investigação prática.Estudar transformações químicas em receitas típicas;Investigar os impactos ambientais de fogueiras e resíduos;Debater segurança alimentar e alimentação saudável nas festas;Explorar fenômenos físicos relacionados ao som e à luz nas celebrações;Produzir experimentos sobre combustão e temperatura;Desenvolver projetos de sustentabilidade para festas escolares.Tecnologia e cultura popular podem caminhar juntasEmbora as festas juninas estejam associadas a tradições centenárias, isso não significa que elas precisem ficar distantes das tecnologias digitais. 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Para apoiar os educadores nesse processo, a plataforma Escolas Conectadas oferece cursos gratuitos e on-line, alinhados à BNCC e com certificado reconhecido pelo MEC.Um dos grandes destaques atuais da plataforma é a trilha de formações “Competências Digitais nas Áreas do Conhecimento”, criada para apoiar professores de Matemática, Língua Portuguesa, Ciências Humanas e Ciências da Natureza em diferentes etapas da educação básica. Os cursos ajudam educadores a integrar tecnologias digitais às práticas pedagógicas de forma crítica, criativa e significativa, tornando as aulas mais interativas, colaborativas e conectadas à realidade dos estudantes.As formações estão organizadas em versões específicas para:Anos Iniciais do Ensino Fundamental;Anos Finais do Ensino Fundamental;Ensino Médio.Outros cursos disponíveis que podem inspirar projetos juninos e práticas interdisciplinares incluem:Computação na Educação: Fundamentos, Ética e CriatividadeBNCC Computação: Fundamentos e PráticasCidadania digitalTecnologias para empoderar: digitalizar para incluirCom criatividade, intencionalidade pedagógica e valorização da cultura brasileira, o mês junino pode se transformar em uma potente experiência de aprendizagem conectando tradição, inovação e protagonismo estudantil em todas as etapas da educação básica.E para os educadores que acreditam que a inovação depende de equipamentos sofisticados, Gislaine faz um lembrete importante: "Inovar tem muito mais a ver com a postura pedagógica de dar autonomia para o estudante criar do que com a quantidade de telas disponíveis."Segundo ela, brincadeiras tradicionais, construção de brinquedos, criação de regras para jogos e atividades desplugadas também podem estimular criatividade, colaboração e pensamento computacional.

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O trabalho começou a partir de discussões sobre pobreza menstrual no ambiente escolar e evoluiu para a criação de um dispenser automatizado de absorventes e de um absorvente capaz de indicar alterações na saúde da mulher por meio do fluxo menstrual.Já no projeto Fala Comigo, criado após Galileu identificar as dificuldades de aprendizagem de um aluno com deficiência auditiva, os estudantes participaram do desenvolvimento de um dispositivo bucal auditivo inovador. Nesse processo, foram estimulados a utilizar tecnologia para resolver problemas concretos, exercitando colaboração, investigação científica e raciocínio lógico.As experiências dialogam diretamente com a proposta da BNCC Computação de formar estudantes capazes de compreender e criar tecnologias de maneira crítica, ética e contextualizada – não apenas como consumidores de ferramentas digitais, mas como agentes de transformação social.Os desafios da implementaçãoApesar das inúmeras possibilidades, implementar a BNCC Computação ainda é um desafio em grande parte das escolas brasileiras, incluindo o Ensino MédioEm uma das escolas onde Galileu atua, por exemplo, o laboratório de informática ficou mais de dez anos desativado. Para reiniciar as atividades, foi necessário recuperar computadores e equipamentos antigos.“O principal desafio ainda tem sido a infraestrutura tecnológica limitada, com laboratórios desativados, equipamentos obsoletos e acesso restrito à internet”, explica. Além da infraestrutura, a formação docente também aparece como um ponto central. “Eu tive que fazer cursos para aprender essa nova linguagem educacional”, relata.A realidade do interior do Amazonas evidencia um cenário que se repete em diferentes regiões do país: muitos estudantes têm o primeiro contato mais estruturado com computação apenas no Ensino Médio.Ainda assim, para o professor, esperar condições ideais não pode ser um impeditivo para começar. “Uma dica para outros professores: comecem [a implementar a BNCC Computação] com a realidade que possuem. É possível criar projetos significativos mesmo sem as condições ideais.”Pensamento crítico e ética digitalOutro ponto central da BNCC Computação no Ensino Médio é o desenvolvimento de uma relação mais crítica e ética com as tecnologias digitais. Galileu explica que, após a realização desses projetos, seus alunos passaram a questionar mais as informações encontradas na internet, refletindo sobre desinformação, privacidade de dados e responsabilidade digital.“Percebi que inicialmente muitos utilizavam a tecnologia apenas para entretenimento e redes sociais. Hoje eles entendem a tecnologia também como instrumento de criação, inovação e resolução de problemas da comunidade.”Segundo ele, trabalhar a ética digital é indispensável para que o uso da tecnologia faça sentido na formação cidadã dos estudantes. “A construção do conhecimento deve estar associada ao desenvolvimento ético, crítico e cidadão dos estudantes.”Preparação para o futuroAo aproximar os estudantes de programação, robótica, desenvolvimento de aplicativos e pesquisa científica, a BNCC Computação também amplia perspectivas acadêmicas e profissionais. Para Galileu, esse processo é especialmente importante em contextos onde os jovens nem sempre conseguem visualizar oportunidades ligadas à tecnologia.“O contato com esses temas permite que eles conheçam novas áreas de atuação e visualizem oportunidades que muitas vezes pareciam distantes da sua realidade”, reflete.Mais do que formar futuros profissionais da área de tecnologia, o professor acredita que a computação pode fortalecer autonomia, criatividade e protagonismo juvenil. “Trata-se de promover inclusão digital, desenvolver pensamento crítico e preparar os estudantes para os desafios acadêmicos, profissionais e sociais do futuro.”Um caminho possívelSelecionado entre os 50 finalistas da edição 2026 do Global Teacher Prize, considerado o “Nobel da Educação”, Galileu vê o reconhecimento internacional como uma demonstração do potencial da educação pública amazonense.“Mesmo em contextos desafiadores, é possível desenvolver ciência, inovação e cidadania com impacto global”, afirma. Por fim, sua trajetória ajuda a reforçar uma das principais mensagens da implementação da BNCC Computação no Ensino Médio: mais do que ensinar a usar ferramentas tecnológicas, trata-se de criar oportunidades para que os estudantes compreendam, questionem e transformem o mundo – cada vez mais digital – ao seu redor.Especial BNCC Computação na práticaEsta reportagem faz parte de uma série especial da plataforma Escolas Conectadas sobre a implementação da BNCC Computação na educação básica. Ao longo dos próximos conteúdos, serão apresentadas experiências e reflexões sobre como as competências da computação podem ser trabalhadas em diferentes etapas de ensino, dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, passando pelos Anos Finais e chegando ao Ensino Médio.A série também contará com conteúdos voltados à gestão escolar e às redes de ensino, abordando estratégias de formação docente, infraestrutura, apoio pedagógico e caminhos possíveis para transformar a BNCC Computação em experiências concretas de aprendizagem nas escolas brasileiras.Quer aprofundar seus conhecimentos sobre BNCC Computação?Para apoiar educadores e gestores na implementação prática da BNCC Computação, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas e on-line voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e metodologias inovadoras.Entre os destaques estão o curso BNCC Computação: Fundamentos e Práticas, que apresenta as bases da normativa, além de possibilidades de aplicação nas escolas, e o curso Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação, com foco em práticas pedagógicas, metodologias ativas e atividades conectadas ao pensamento computacional.

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Inteligência Artificial na Educação: por que escolas prec...

Especialistas defendem pensamento crítico, ética e formação docente diante do avanço acelerado da IA nas escolas; novo curso da Escolas Conectadas aprofunda o debateA Inteligência Artificial já faz parte do cotidiano de estudantes e professores, seja na criação de textos, nas pesquisas escolares, na produção de imagens ou no planejamento de aulas. Mas, diante da velocidade com que essas ferramentas estão chegando nas escolas, uma pergunta se torna cada vez mais urgente: como educar para um uso crítico, ético e consciente da IA?Esse foi o ponto de partida do webinário “Aprendendo com as Máquinas: Competências-Chave para Pensar e Criar com IA na Educação”, que reuniu especialistas para discutir os impactos dessa novidade e os caminhos possíveis para o desenvolvimento do chamado “letramento em IA”.Entre eles, estava Charles Fadel, especialista internacional em educação e fundador do Center for Curriculum Redesign (CCR), ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Fadel é autor do novo curso da plataforma Escolas Conectadas, “Letramento em IA: Pensando com as Máquinas”. Também estavam presentes Brent McKenzie, diretor de Desenvolvimento de Produto e Estratégia no CCR, com atuação em inovação educacional, e Christian Brackmann, professor do Instituto Federal Farroupilha (RS) e pesquisador em IA na educação. Para os especialistas, o debate sobre IA na educação precisa ir além da simples adoção de ferramentas. Mais do que aprender a utilizar plataformas, é necessário compreender como esses sistemas funcionam, quais impactos produzem e quais competências humanas se tornam ainda mais importantes nesse contexto.“Não se trata de entusiasmo excessivo diante da IA, mas também não de medo”, afirma Fadel. “Como seres humanos, não gostamos de mudanças, mas elas são necessárias. Portanto, estamos aqui tentando lidar com as mudanças de uma maneira útil e eficaz, sem querer sobrecarregá-los, pois sabemos que os professores já estão sobrecarregados com muitas tarefas”, completa.IA exige novas competênciasPara Brent McKenzie, um dos principais equívocos sobre IA na educação é reduzir o debate ao uso de plataformas específicas. “Este não é um curso sobre como encontrar as ferramentas certas. É sobre uma forma de pensar que se mantém útil e relevante no mundo tecnológico, onde sabemos que essas ferramentas estão mudando de forma rápida e significativa o tempo todo.”Segundo ele, o avanço da IA exige que as escolas desenvolvam competências mais amplas, como pensamento crítico e autonomia. “Professores e alunos não precisam se tornar programadores para se beneficiarem da IA: eles precisam de uma mentalidade flexível, bom senso e confiança para experimentar, mantendo o controle e estando cientes de seu papel nessa parceria.”O pesquisador também alerta que a IA já impacta diretamente o mercado de trabalho e os processos de aprendizagem e, por isso, não pode mais ser tratada como um tema periférico nas escolas. “Chegamos a um ponto em que a IA deixou de ser uma tecnologia opcional. Agora, ela é um requisito em todo o espectro educacional e no mundo do trabalho.”Pensamento crítico é chaveOutro ponto central do debate é a necessidade de desenvolver habilidades de análise crítica diante das respostas produzidas por sistemas de IA generativa. Para Christian Brackmann, muitas pessoas enxergam a IA como uma versão mais poderosa de ferramentas como a busca do Google. “Mas, na realidade, ela funciona de maneira bem diferente.”Enquanto ferramentas de busca tradicionais priorizam localizar informações, a IA exige capacidades mais sofisticadas de interpretação e avaliação. “Agora, o verdadeiro desafio passa a ser como avaliar e julgar as respostas que a IA gera.”Brackmann também chama atenção para questões éticas, ambientais e sociais envolvidas no uso dessas tecnologias, destacando que algoritmos e modelos podem reproduzir preconceitos existentes e favorecer respostas superficiais se forem utilizados sem reflexão crítica.“Competências como pensamento crítico, ética e metacognição tornam-se ainda mais relevantes. A IA tem o potencial de tornar o pensamento superficial mais rápido, mas também pode tornar o pensamento sólido mais poderoso.”Formação docente é um aspecto centralEm meio às rápidas transformações tecnológicas, especialistas defendem que a formação continuada de professores será essencial para apoiar a integração crítica da IA nas escolas.Para Fadel, o desafio é semelhante ao aprendizado de uma nova linguagem ou como manusear um equipamento complexo: antes da prática, é preciso compreender o funcionamento, os limites e as responsabilidades.“Se você quer aprender a dirigir um carro, precisa saber como ele funciona, entender o motor, os freios, o acelerador, se é elétrico ou a gasolina”, reflete. “E é exatamente isso que o novo curso oferece: a prática de usar IA em seu contexto, dentro de sua disciplina, e ensiná-la aos seus alunos de uma forma ética e que seja ao mesmo tempo muito consciente de suas limitações, mas também de suas enormes vantagens.”Novo curso discute letramento em IAComo resposta a esse cenário, a plataforma Escolas Conectadas lançou o curso “Letramento em IA: pensando com as máquinas”. A formação propõe uma abordagem prática e crítica sobre o uso da Inteligência Artificial na educação, discutindo desde fundamentos da IA até questões relacionadas à ética, pensamento crítico, cultura digital e desenvolvimento de práticas pedagógicas.O objetivo é apoiar educadores na construção de estratégias que ajudem estudantes a compreender, analisar e utilizar essas tecnologias de forma mais consciente e responsável. Mais do que ensinar ferramentas, a proposta do curso é fortalecer competências humanas que se tornam ainda mais importantes em um contexto cada vez mais mediado por algoritmos.A formação, que além de gratuita é 100% on-line, também disponibiliza certificado reconhecido pelo MEC. Ela ajuda a ampliar o debate e fortalecer o papel da escola na construção de uma cultura digital mais ética, criativa e humana.Assista ao webinário na íntegra no canal do ProFuturo no YouTube.

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