Aliando a tecnologia ao ensino

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Em vez de lutar contra a tecnologia, a professora Marilene Tavares de Souza, de 56 anos, decidiu incorporar os celulares no seu dia a dia da disciplina Ensino das Artes, na escola estadual Balbina Mestrinho, em Urucará, Amazonas. 

A professora via os alunos pouco interessados na disciplina dela e buscava uma maneira de engajá-los. Encontrou na tecnologia uma aproximação tão desejada. Apesar de pouco acesso aos recursos digitais na pequena cidade amazonense, a professora viu nos celulares uma forma de gerar interesse em seus aluno, já que enfrenta o desafio de ter apenas 50 minutos semanais com cada uma de suas turmas, do sexto ao nono ano. 

Foi no curso Fotografia na aprendizagem: novos olhares para construir o conhecimento que Marilene identificou uma maneira de cativar os alunos. Propôs aos estudantes do oitavo ano uma saída por dentro do terreno da escola para fotografar, com o celular, o que despertasse curiosidade da turma.

“Começou comigo mesmo, eu olhava as coisas de forma diferente depois do curso, isso fez com que os meus alunos pudessem ter também essa visão. Eu comecei a explicar para eles o que eu queria ver, como um diagnóstico, ver até que ponto eles tinham essa capacidade de ver, admirar aquilo que eles estavam registrando. Fiquei surpresa com o primeiro dia de trabalho que fizemos, observando os arredores da escola mesmo”.

A professora driblou a falta de celulares unindo os alunos em duplas e trios e até pedindo aparelhos emprestados aos alunos de outras turmas. 

“Em uma das turmas, de 29 alunos, só cinco tinham celulares, mas eu procurei juntar duplas, no máximo trios, e todos tinham que trabalhar. Eles tinham colegas de outras turmas, como os tempos [de aula] não são na mesma hora, eles pediam [celulares emprestados]. Eu ia lá com eles para que eu me responsabilizasse, a gente não podia deixar só os alunos, mas encontramos essas formas de possibilitar que cada dupla tivesse sua câmera” 

Por fim, todas as fotos foram unificadas em uma única apresentação do PowerPoint, para que todos os alunos tivessem seu trabalho exposto, digitalmente ou em papel. As fotos foram expostas na escola no mês de dezembro passado. 

Sobre a plataforma, a professora conta que chega a se inscrever em mais de um curso por vez para não perder as oportunidades.

“Eu fico na correria, me inscrevo em três [cursos] ao mesmo tempo, é tanta coisa boa que eu não quero perder tempo! Eu fico atarefada mas estou dando conta do recado. Assim como eu pesquiso e aprendo com muitas experiências de lugares que eu nem sei onde ficam, eu espero que a gente possa ajudar outras pessoas, trabalhar nesse projeto de interação e colaboração”. 

Mesmo que Urucará fique a 270 quilômetros da capital mais próxima, Manaus, a professora não deixa a distância de centros urbanos lhe impedir de garantir novidades para os alunos.

“Antes de conhecer o Escolas Conectadas, eu já havia pesquisado outras formas de trabalhar a arte com os alunos. Tendo só uma aula semanal exige mais ainda da gente, porque temos que fazer o melhor e o máximo possível com os alunos. O meu objetivo é possibilitar a eles, através da fotografia, ter um novo olhar sobre a realidade” — relembra.
 
Mesmo com um período por semana, Marilene conquistou os alunos com a atividade, que ficou famosa na escola. Os estudantes das outras turmas já estão ansiosos para fazer a atividade em 2020. 

Inscrições abertas para o curso Fotografia na aprendizagem: novos olhares para construir o conhecimento. 

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