Dia de São João na escola: celebre a cultura junina com a...
As festas juninas permitem explorar tradições regionais, valorizar diferentes identidades culturais e desenvolver propostas pedagógicas que dialogam com a realidade dos alunos.Fogueira acesa, bandeirinhas coloridas, músicas tradicionais, comidas típicas e brincadeiras que atravessam gerações. O Dia de São João, celebrado em 24 de junho, é uma das manifestações culturais mais populares do Brasil. Sendo assim, também é uma oportunidade valiosa para transformar a escola em um espaço de aprendizagem conectado à cultura, à criatividade e à participação dos estudantes.Mais do que uma festa, o período junino permite explorar tradições regionais, valorizar diferentes identidades culturais e desenvolver propostas pedagógicas interdisciplinares que dialogam com a realidade dos alunos. Em todas as etapas do ensino básico, as celebrações podem ser ponto de partida para projetos que envolvem pesquisa, leitura, produção artística, resolução de problemas, investigação científica e trabalho colaborativo.A seguir, reunimos ideias de atividades para os Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, além de sugestões específicas para as áreas de Matemática, Língua Portuguesa, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Ao final, você também encontra cursos gratuitos da plataforma Escolas Conectadas que podem apoiar o planejamento de experiências mais criativas, significativas e conectadas à cultura brasileira.A importância do São João para a cultura brasileiraAs festas juninas fazem parte do patrimônio cultural brasileiro e refletem a diversidade das tradições do país. Embora tenham origem em celebrações europeias ligadas ao solstício de verão e às festas religiosas católicas, no Brasil elas ganharam novos significados ao incorporar influências indígenas, africanas e regionais.Em estados do Nordeste, por exemplo, o São João movimenta cidades inteiras, fortalece a economia local e mobiliza manifestações artísticas como o forró, o cordel, as quadrilhas e as comidas típicas. Em outras regiões do país, a data também assume características próprias, mostrando como a cultura brasileira é viva, plural e dinâmica.Recentemente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, a festa junina representa muito mais do que uma celebração presente no calendário escolar. Para Gislaine Munhoz, coordenadora pedagógica do Núcleo Institucional da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa (RBAC), o potencial educativo da data cresce quando ela deixa de ser tratada como um evento isolado e passa a integrar o planejamento pedagógico ao longo do ano."A festa em si deixa de ser apenas uma comemoração isolada no calendário e passa a ser a culminância de um projeto bem mais consistente, fruto de uma temática transversal que foca muito mais na riqueza da nossa diversidade do que no evento em si", destaca.Na escola, trabalhar o tema ajuda os estudantes a:reconhecer e valorizar manifestações culturais brasileiras;compreender a diversidade regional do país;fortalecer vínculos comunitários e afetivos;desenvolver habilidades socioemocionais por meio de atividades coletivas;relacionar conteúdos curriculares a experiências concretas e significativas.Como transformar a festa junina em uma experiência de aprendizagem criativaSegundo Gislaine, a aprendizagem criativa ajuda a ressignificar atividades tradicionalmente associadas às festas juninas ao colocar os estudantes no centro do processo.Em vez de apenas reproduzir apresentações ou confeccionar elementos decorativos padronizados, os alunos podem investigar as origens da celebração, pesquisar manifestações culturais de diferentes regiões do país, construir narrativas próprias e desenvolver projetos a partir de suas descobertas."A Aprendizagem Criativa ressignifica essas atividades ao valorizar a autoria, a experimentação e a colaboração dos estudantes", explica.A especialista sugere começar com rodas de conversa sobre as memórias e experiências que as crianças e jovens já possuem em relação ao São João. A partir daí, é possível explorar questões como patrimônio cultural, diversidade regional e identidade, incentivando a curiosidade e a investigação.Ideias de atividades criativas para cada etapa do ensino básicoAs festas juninas oferecem possibilidades de aprendizagem que vão muito além da decoração e das apresentações típicas. Inspirados em temas e abordagens presentes nos cursos gratuitos da Escolas Conectadas, selecionamos algumas ideias de atividades para diferentes etapas da educação básica e áreas do conhecimento. O objetivo é apoiar educadores na construção de experiências criativas, interdisciplinares e alinhadas aos desafios da educação contemporânea, sem perder de vista a valorização da cultura popular brasileira.Anos Iniciais do Ensino FundamentalNesta etapa, o São João pode ser explorado de forma lúdica e sensorial, estimulando a imaginação, a oralidade e a participação das crianças:Produção de bandeirinhas autorais, nas quais cada estudante utiliza desenhos, colagens, símbolos ou elementos que representem sua identidade e sua relação com a cultura junina;Contação de histórias e lendas populares relacionadas às festas juninas;Oficinas de músicas e danças típicas;Montagem de um “arraial da leitura” com livros, parlendas e poemas;Criação de receitas ilustradas de comidas típicas;Jogos tradicionais adaptados para a sala de aula, como “pescaria matemática” ou “bingo de palavras”;Pesquisa com as famílias sobre tradições juninas da comunidade.As propostas podem desenvolver habilidades de leitura, escrita, coordenação motora, expressão corporal, reconhecimento cultural e convivência.Anos Finais do Ensino FundamentalAqui, os estudantes já conseguem aprofundar investigações, realizar pesquisas e conectar tradições culturais a temas sociais e históricos:Pesquisa sobre as origens das festas juninas e suas transformações ao longo do tempo;Produção de podcasts ou vídeos sobre tradições regionais;Criação de um jornal junino com entrevistas, reportagens e curiosidades;Estudo sobre ritmos musicais brasileiros, como forró, baião e xote;Organização de gincanas culturais e científicas;Desenvolvimento de mapas culturais das festas juninas pelo Brasil;Produção de cordéis e releituras contemporâneas de manifestações populares.As atividades favorecem o protagonismo estudantil, a pesquisa, o pensamento crítico e a integração entre diferentes áreas do conhecimento.Ensino MédioNa última etapa da educação básica, o período junino pode inspirar debates culturais, análises sociais e projetos autorais mais complexos:Debates sobre identidade cultural, patrimônio imaterial e indústria cultural;Análise de letras de músicas nordestinas e movimentos culturais brasileiros;Estudos sobre impactos econômicos e turísticos das festas juninas;Produção audiovisual sobre memórias culturais da comunidade;Investigação sobre sustentabilidade em festas populares;Organização de feiras culturais interdisciplinares;Desenvolvimento de projetos maker relacionados à ambientação junina.As propostas ajudam os jovens a conectar cultura, cidadania, comunicação, tecnologia e território, fortalecendo repertórios culturais e competências investigativas.Atividades por área do conhecimentoMatemáticaO clima junino pode tornar os conceitos matemáticos mais concretos e envolventes. As atividades a seguir favorecem resolução de problemas, raciocínio lógico e aplicação prática dos conceitos matemáticos no cotidiano:Trabalhar geometria a partir das bandeirinhas e padrões decorativos;Explorar medidas e proporções em receitas típicas;Criar gráficos e tabelas sobre comidas e brincadeiras favoritas;Planejar o orçamento de uma festa junina real ou fictícia;Desenvolver desafios matemáticos em formato de bingo ou pescaria;Estudar estatísticas relacionadas às festas juninas no Brasil.Língua PortuguesaAs festas juninas oferecem um rico repertório textual e oral. As propostas a seguir fortalecem leitura, escrita, oralidade, escuta ativa e valorização da diversidade linguística:Produção de cordéis, convites, cartazes e notícias sobre o arraial;Leitura e interpretação de poemas populares;Estudo das variações linguísticas presentes em músicas e manifestações regionais;Produção de relatos de memória sobre festas da comunidade;Organização de saraus juninos.Ciências HumanasO São João é um excelente ponto de partida para discutir território, identidade e cultura. Confira atividades que ajudam os estudantes a compreender relações históricas, sociais e culturais presentes no cotidiano:Pesquisar as diferentes tradições juninas das regiões brasileiras;Debater patrimônio cultural e memória coletiva;Estudar migrações internas e influências culturais;Analisar a importância econômica das festas populares;Construir linhas do tempo sobre a história das festas juninas;Produzir mapas culturais e turísticos.Ciências da NaturezaTambém é possível integrar o clima junino a investigações científicas e experimentação. Conheça propostas que aproximam os conteúdos científicos de situações reais e incentivam a investigação prática.Estudar transformações químicas em receitas típicas;Investigar os impactos ambientais de fogueiras e resíduos;Debater segurança alimentar e alimentação saudável nas festas;Explorar fenômenos físicos relacionados ao som e à luz nas celebrações;Produzir experimentos sobre combustão e temperatura;Desenvolver projetos de sustentabilidade para festas escolares.Tecnologia e cultura popular podem caminhar juntasEmbora as festas juninas estejam associadas a tradições centenárias, isso não significa que elas precisem ficar distantes das tecnologias digitais. Pelo contrário: quando usadas como ferramentas de criação, pesquisa e expressão, essas ferramentas podem ampliar o protagonismo dos estudantes e fortalecer a valorização da cultura popular."Quando usadas como ferramentas de criação e investigação, e não como meras distrações, as tecnologias digitais podem potencializar projetos juninos", afirma Gislaine. Entre as possibilidades estão a produção de podcasts sobre tradições locais, registros audiovisuais das atividades, entrevistas com familiares e moradores da comunidade, criação de mapas interativos e desenvolvimento de narrativas multimídia sobre as festas juninas.A especialista sugere o uso de ferramentas como Scratch e OctoStudio, que podem ser utilizadas para a criação de jogos temáticos e animações, enquanto plataformas como Canva e Padlet ajudam a organizar pesquisas, exposições virtuais e produções colaborativas dos estudantes.Cursos gratuitos da Escolas Conectadas para inspirar suas atividades juninasAs festas juninas também podem ser uma ótima oportunidade para inovar nas práticas pedagógicas, integrar tecnologias digitais às aulas e desenvolver projetos interdisciplinares mais criativos e participativos. Para apoiar os educadores nesse processo, a plataforma Escolas Conectadas oferece cursos gratuitos e on-line, alinhados à BNCC e com certificado reconhecido pelo MEC.Um dos grandes destaques atuais da plataforma é a trilha de formações “Competências Digitais nas Áreas do Conhecimento”, criada para apoiar professores de Matemática, Língua Portuguesa, Ciências Humanas e Ciências da Natureza em diferentes etapas da educação básica. Os cursos ajudam educadores a integrar tecnologias digitais às práticas pedagógicas de forma crítica, criativa e significativa, tornando as aulas mais interativas, colaborativas e conectadas à realidade dos estudantes.As formações estão organizadas em versões específicas para:Anos Iniciais do Ensino Fundamental;Anos Finais do Ensino Fundamental;Ensino Médio.Outros cursos disponíveis que podem inspirar projetos juninos e práticas interdisciplinares incluem:Computação na Educação: Fundamentos, Ética e CriatividadeBNCC Computação: Fundamentos e PráticasCidadania digitalTecnologias para empoderar: digitalizar para incluirCom criatividade, intencionalidade pedagógica e valorização da cultura brasileira, o mês junino pode se transformar em uma potente experiência de aprendizagem conectando tradição, inovação e protagonismo estudantil em todas as etapas da educação básica.E para os educadores que acreditam que a inovação depende de equipamentos sofisticados, Gislaine faz um lembrete importante: "Inovar tem muito mais a ver com a postura pedagógica de dar autonomia para o estudante criar do que com a quantidade de telas disponíveis."Segundo ela, brincadeiras tradicionais, construção de brinquedos, criação de regras para jogos e atividades desplugadas também podem estimular criatividade, colaboração e pensamento computacional.
BNCC Computação na prática: como transformar tecnologia e...
Conheça o professor que desenvolve projetos que unem ciência, tecnologia, sustentabilidade e inovação social. Um dos maiores desafios das escolas brasileiras ainda é transformar a BNCC Computação em experiências concretas de aprendizagem. Em muitas redes, a implementação – que é obrigatória desde o início de 2026 – esbarra em limitações de infraestrutura, formação docente e acesso desigual à tecnologia, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.Mas a experiência do professor Galileu da Silva Pires, que leciona biologia em duas escolas estaduais de Manacapuru (AM), mostra que a computação pode ganhar significado quando é conectada aos problemas reais da comunidade e ao protagonismo dos estudantes.Atuando desde 2016 na rede pública, Galileu desenvolve projetos que unem ciência, tecnologia, sustentabilidade e inovação social. Por meio de metodologias ativas e aprendizagem baseada em projetos, seus alunos já criaram soluções voltadas para saúde, inclusão, meio ambiente e dignidade menstrual – experiências que ajudam a ilustrar como a BNCC Computação pode sair do papel e ser aplicada na prática no Ensino Médio.Mas, afinal, o que é a BNCC Computação?A BNCC Computação é um complemento da Base Nacional Comum Curricular que orienta como as escolas brasileiras devem desenvolver competências relacionadas ao pensamento computacional, à cultura digital e ao uso crítico e criativo das tecnologias ao longo da educação básica. Na prática, a diretriz propõe que os estudantes deixem de ser apenas consumidores de tecnologia para se tornarem criadores, investigadores e solucionadores de problemas por meio dela. Nas aulas do professor Galileu, por exemplo, esse princípio aparece de forma integrada à biologia, à pesquisa científica e aos desafios vividos pelos próprios estudantes, em projetos que unem programação, inovação e impacto social. O que muda no Ensino MédioNo Ensino Médio, a BNCC Computação ganha um caráter mais aprofundado e conectado ao projeto de vida dos estudantes. Mais do que aprender a usar ferramentas digitais, os alunos são incentivados a desenvolver pensamento crítico, autonomia, resolução de problemas e capacidade de criar soluções com tecnologia.Na prática, isso significa trabalhar temas como programação, cultura digital, ética, análise crítica das tecnologias e desenvolvimento de projetos conectados ao território e à realidade dos jovens. Segundo Galileu, esse processo tem impacto direto na forma como os estudantes enxergam o próprio futuro. “Eles querem desafios para serem protagonistas das soluções que ajudarão a sua comunidade, e essa vem sendo a minha estratégia de ensino”, afirma.Tecnologia para resolver problemas reaisOs projetos desenvolvidos por Galileu ajudam a mostrar como os eixos da BNCC Computação podem ser trabalhados de forma integrada no Ensino Médio. Ao propor que os estudantes investiguem problemas da própria comunidade e criem soluções usando tecnologia, o professor mobiliza competências relacionadas ao pensamento computacional, à cultura digital e ao desenvolvimento de autonomia, criatividade e protagonismo.No projeto Jaci – Indicador da Saúde da Mulher, por exemplo, os estudantes passaram por diferentes etapas de pesquisa, análise de informações, levantamento de hipóteses, desenvolvimento de protótipos e comunicação científica. O trabalho começou a partir de discussões sobre pobreza menstrual no ambiente escolar e evoluiu para a criação de um dispenser automatizado de absorventes e de um absorvente capaz de indicar alterações na saúde da mulher por meio do fluxo menstrual.Já no projeto Fala Comigo, criado após Galileu identificar as dificuldades de aprendizagem de um aluno com deficiência auditiva, os estudantes participaram do desenvolvimento de um dispositivo bucal auditivo inovador. Nesse processo, foram estimulados a utilizar tecnologia para resolver problemas concretos, exercitando colaboração, investigação científica e raciocínio lógico.As experiências dialogam diretamente com a proposta da BNCC Computação de formar estudantes capazes de compreender e criar tecnologias de maneira crítica, ética e contextualizada – não apenas como consumidores de ferramentas digitais, mas como agentes de transformação social.Os desafios da implementaçãoApesar das inúmeras possibilidades, implementar a BNCC Computação ainda é um desafio em grande parte das escolas brasileiras, incluindo o Ensino MédioEm uma das escolas onde Galileu atua, por exemplo, o laboratório de informática ficou mais de dez anos desativado. Para reiniciar as atividades, foi necessário recuperar computadores e equipamentos antigos.“O principal desafio ainda tem sido a infraestrutura tecnológica limitada, com laboratórios desativados, equipamentos obsoletos e acesso restrito à internet”, explica. Além da infraestrutura, a formação docente também aparece como um ponto central. “Eu tive que fazer cursos para aprender essa nova linguagem educacional”, relata.A realidade do interior do Amazonas evidencia um cenário que se repete em diferentes regiões do país: muitos estudantes têm o primeiro contato mais estruturado com computação apenas no Ensino Médio.Ainda assim, para o professor, esperar condições ideais não pode ser um impeditivo para começar. “Uma dica para outros professores: comecem [a implementar a BNCC Computação] com a realidade que possuem. É possível criar projetos significativos mesmo sem as condições ideais.”Pensamento crítico e ética digitalOutro ponto central da BNCC Computação no Ensino Médio é o desenvolvimento de uma relação mais crítica e ética com as tecnologias digitais. Galileu explica que, após a realização desses projetos, seus alunos passaram a questionar mais as informações encontradas na internet, refletindo sobre desinformação, privacidade de dados e responsabilidade digital.“Percebi que inicialmente muitos utilizavam a tecnologia apenas para entretenimento e redes sociais. Hoje eles entendem a tecnologia também como instrumento de criação, inovação e resolução de problemas da comunidade.”Segundo ele, trabalhar a ética digital é indispensável para que o uso da tecnologia faça sentido na formação cidadã dos estudantes. “A construção do conhecimento deve estar associada ao desenvolvimento ético, crítico e cidadão dos estudantes.”Preparação para o futuroAo aproximar os estudantes de programação, robótica, desenvolvimento de aplicativos e pesquisa científica, a BNCC Computação também amplia perspectivas acadêmicas e profissionais. Para Galileu, esse processo é especialmente importante em contextos onde os jovens nem sempre conseguem visualizar oportunidades ligadas à tecnologia.“O contato com esses temas permite que eles conheçam novas áreas de atuação e visualizem oportunidades que muitas vezes pareciam distantes da sua realidade”, reflete.Mais do que formar futuros profissionais da área de tecnologia, o professor acredita que a computação pode fortalecer autonomia, criatividade e protagonismo juvenil. “Trata-se de promover inclusão digital, desenvolver pensamento crítico e preparar os estudantes para os desafios acadêmicos, profissionais e sociais do futuro.”Um caminho possívelSelecionado entre os 50 finalistas da edição 2026 do Global Teacher Prize, considerado o “Nobel da Educação”, Galileu vê o reconhecimento internacional como uma demonstração do potencial da educação pública amazonense.“Mesmo em contextos desafiadores, é possível desenvolver ciência, inovação e cidadania com impacto global”, afirma. Por fim, sua trajetória ajuda a reforçar uma das principais mensagens da implementação da BNCC Computação no Ensino Médio: mais do que ensinar a usar ferramentas tecnológicas, trata-se de criar oportunidades para que os estudantes compreendam, questionem e transformem o mundo – cada vez mais digital – ao seu redor.Especial BNCC Computação na práticaEsta reportagem faz parte de uma série especial da plataforma Escolas Conectadas sobre a implementação da BNCC Computação na educação básica. Ao longo dos próximos conteúdos, serão apresentadas experiências e reflexões sobre como as competências da computação podem ser trabalhadas em diferentes etapas de ensino, dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, passando pelos Anos Finais e chegando ao Ensino Médio.A série também contará com conteúdos voltados à gestão escolar e às redes de ensino, abordando estratégias de formação docente, infraestrutura, apoio pedagógico e caminhos possíveis para transformar a BNCC Computação em experiências concretas de aprendizagem nas escolas brasileiras.Quer aprofundar seus conhecimentos sobre BNCC Computação?Para apoiar educadores e gestores na implementação prática da BNCC Computação, a plataforma Escolas Conectadas oferece formações gratuitas e on-line voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e metodologias inovadoras.Entre os destaques estão o curso BNCC Computação: Fundamentos e Práticas, que apresenta as bases da normativa, além de possibilidades de aplicação nas escolas, e o curso Aprendizagem mão na massa conectada à BNCC Computação, com foco em práticas pedagógicas, metodologias ativas e atividades conectadas ao pensamento computacional.
Veja as datas comemorativas de junho para trabalhar em sa...
Mensalmente, a plataforma Escolas Conectadas reúne datas especiais para apoiar o planejamento didático de todos os educadores brasileirosAtualizado em 25/05/2026Junho chegou! E aqui na Agenda do Educador você descobre como transformar datas comemorativas em aulas inovadoras.Você já sentiu que o calendário escolar voa e, quando piscamos, já estamos no mês seguinte, tentando planejar as próximas aulas? Pois é. Mas calma, educador(a)! Junho está repleto de oportunidades incríveis para transformar a rotina em sala de aula com temas atuais, envolventes e – por que não? – divertidos!Nesta Agenda do Educador, reunimos as principais datas comemorativas de junho e mostramos como você pode explorá-las com criatividade, consciência e, claro, muito conteúdo. O melhor? Tudo com apoio de cursos gratuitos e on-line da plataforma Escolas Conectadas.Prepare seu planejamento e venha com a gente!Dia da Imprensa (01/06)A educação midiática é uma competência considerada essencial pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Trata-se da capacidade de interpretar e analisar criticamente produções que vêm da mídia. Assim, o Dia da Imprensa é uma excelente oportunidade de estudar o processo por trás da construção de uma narrativaSeus alunos sabem interpretar o que consomem nas redes? Aproveite essa data para discutir notícias falsas, construção de narrativas e o impacto da mídia na formação de opinião. Uma aula assim não só estimula o pensamento crítico, como ajuda os estudantes a se tornarem leitores mais conscientes do mundo.Dica de ouro: o curso “Cidadania Digital” apresenta as noções básicas de educação midiática e desinformação, entre outros temas. Aproveite que as inscrições são gratuitas e estão abertas até o dia 22/06!Dia Mundial do Meio Ambiente e Dia Nacional da Reciclagem (05/06)O Dia Mundial do Meio Ambiente é uma ótima oportunidade para começar o mês mostrando aos seus estudantes a importância da preservação da natureza – e o que todos nós ganhamos com isso.Na mesma toada, o descarte irregular de plásticos é uma das atividades mais danosas ao meio ambiente. Na mesma data da efeméride global, o Brasil também celebra o Dia da Reciclagem, uma ótima oportunidade para falar sobre incentivo à reciclagem e como isso traria benefícios ao meio ambiente. Aproveitando, você já pensou em utilizar a programação para estimular sua turma a compreender os impactos da poluição de plástico no meio ambiente? E desenvolver soluções ou narrativas que promovam a sensibilização e o consumo consciente? Pois é exatamente isso que a atividade “Programação e Sensibilização Ambiental” pretende alcançar. Confira o relato completo da atividade na seção Conectando Práticas.Lembrando que, para ambas as datas, é fundamental que o letramento em dados esteja em dia, já que cada vez mais estatísticas sobre o meio ambiente são geradas. Afinal, de quais maneiras esses inúmeros dados podem ser trabalhados em sala de aula? O curso “Elementar, meu caro! Dados, um universo em expansão” busca responder essa e outras perguntas.Dia Mundial dos Oceanos (08/06)O início de junho é um convite para refletirmos sobre a preservação de todos os ecossistemas que fazem a Terra funcionar como o único planeta, até onde conhecemos, onde há vida e água. Nesse sentido, os oceanos cumprem um papel essencial no equilíbrio da natureza. Afinal, ele é o lar para 70% da vida terrestre, produz oxigênio, regula o clima e distribui calor. Não é à toa que há uma data específica para que o mundo todo celebre essa extensão de água salgada que cobre a maior parte da superfície de nosso planeta.Em sala de aula, o educador pode não apenas apresentar todos os benefícios ambientais gerados pelos oceanos, mas também incentivar que os estudantes pesquisem mais a fundo o ambiente marítimo – inclusive com a ajuda de ferramentas digitais, como a Inteligência Artificial. Se você quer se aprofundar nessas possibilidades, não deixe de se inscrever no curso “Competências Digitais nas Ciências da Natureza”, disponível para todos os professores do Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Anos Finais) e Ensino Médio.Dia Nacional da Imunização (09/06)O Brasil é uma referência mundial quando o assunto é imunização. Tanto que, nos anos 1980, durante a campanha de vacinação que buscava erradicar o vírus da poliomielite no país, nada menos do que 15 milhões de crianças foram imunizadas em um único dia. Hoje, porém, dados indicam uma queda nos índices de imunização da população brasileira, mesmo diante de epidemias recentes como a dengue e a Covid-19. No Dia Nacional da Imunização, vale reforçar a importância das campanhas de vacinação direcionadas não somente às crianças e adolescentes, como é o caso da dengue, mas também aos adultos. Afinal, quanto mais protegidos e bem cuidados estiverem os educadores deste país, melhor serão os resultados da educação brasileira. Dentro deste tema, vale lembrar a história da educadora Elaine Soares: após realizar a "Imersão Ferramentas Digitais na Prática para Professores", ela estimulou seus alunos a produzir um vídeo de conscientização sobre a importância da imunização contra IST (infecções sexualmente transmissíveis). Leia a história completa aqui!Dia do Cinema Brasileiro (19/06)É difícil achar um estudante que não fique animado quando o professor decide exibir um filme em sala de aula. Nesse caso, o complemento pedagógico à atividade é de suma importância para que os conhecimentos apresentados pelo filme não fiquem à deriva.Na escola, a sétima arte produzida no Brasil pode ser trabalhada de várias formas, de maneira multidisciplinar, seja apresentando a linguagem do cinema, o papel da arte na construção da identidade nacional e na cultura brasileira, entre outras. Este é um bom momento para tirar essas ideias do papel, aproveitando a onda de sucesso dos filmes brasileiros em premiações recentes, incluindo “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”.Não há limite para os temas que podem ser abordados nesta data. Caso o educador deseje se aprofundar na temática antirracista, por exemplo, pode exibir obras recentes como “Café com canela”, “Marte um” ou “Chico Rei entre nós”. Inclusive, as formações "Tecnologia como Aliada da Educação Antirracista: Práticas e Perspectivas" e "Educação Antirracista Mediada por Tecnologias: Conceito e Fundamentos" defendem a necessidade de expansão do repertório cultural dos estudantes, geralmente restrito a manifestações de matriz europeia, inclusive por meio do cinema.Dia de São João (24/06) e Dia Nacional do Bumba Meu Boi (30/06)Durante o mês de junho são realizadas festas juninas em todas as escolas brasileiras. Para se aprofundar ainda mais nesta importante celebração da cultura nacional, o educador pode preparar materiais especiais para o Dia de São João e o Dia do Bumba Meu Boi. A diversidade cultural, uma das principais características de um país continental como o nosso, também está marcada nas variadas maneiras de se celebrar as festas juninas Brasil afora. Incorporar esse tema no currículo escolar não só promove a valorização da nossa herança cultural, como também desperta o interesse e a curiosidade dos estudantes. Acima de tudo, é uma ótima forma de celebrar a diversidade e fomentar o respeito entre os alunos.Você já pensou em usar ferramentas digitais para explorar a cultura popular em sala de aula? O curso “Eureka! Investigar, descobrir, conectar, criar e refletir” mostra como utilizar ferramentas digitais para planejar, executar e avaliar atividades investigativas, criando experiências de aprendizagem interativas e colaborativas.Cada data comemorativa é uma chance de gerar conexão, reflexão e transformação. E você não está sozinho nessa jornada. A plataforma Escolas Conectadas tem formações gratuitas e de qualidade para te apoiar em cada passo. Já escolheu quais datas vai trabalhar com sua turma?
Inteligência Artificial na Educação: por que escolas prec...
Especialistas defendem pensamento crítico, ética e formação docente diante do avanço acelerado da IA nas escolas; novo curso da Escolas Conectadas aprofunda o debateA Inteligência Artificial já faz parte do cotidiano de estudantes e professores, seja na criação de textos, nas pesquisas escolares, na produção de imagens ou no planejamento de aulas. Mas, diante da velocidade com que essas ferramentas estão chegando nas escolas, uma pergunta se torna cada vez mais urgente: como educar para um uso crítico, ético e consciente da IA?Esse foi o ponto de partida do webinário “Aprendendo com as Máquinas: Competências-Chave para Pensar e Criar com IA na Educação”, que reuniu especialistas para discutir os impactos dessa novidade e os caminhos possíveis para o desenvolvimento do chamado “letramento em IA”.Entre eles, estava Charles Fadel, especialista internacional em educação e fundador do Center for Curriculum Redesign (CCR), ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Fadel é autor do novo curso da plataforma Escolas Conectadas, “Letramento em IA: Pensando com as Máquinas”. Também estavam presentes Brent McKenzie, diretor de Desenvolvimento de Produto e Estratégia no CCR, com atuação em inovação educacional, e Christian Brackmann, professor do Instituto Federal Farroupilha (RS) e pesquisador em IA na educação. Para os especialistas, o debate sobre IA na educação precisa ir além da simples adoção de ferramentas. Mais do que aprender a utilizar plataformas, é necessário compreender como esses sistemas funcionam, quais impactos produzem e quais competências humanas se tornam ainda mais importantes nesse contexto.“Não se trata de entusiasmo excessivo diante da IA, mas também não de medo”, afirma Fadel. “Como seres humanos, não gostamos de mudanças, mas elas são necessárias. Portanto, estamos aqui tentando lidar com as mudanças de uma maneira útil e eficaz, sem querer sobrecarregá-los, pois sabemos que os professores já estão sobrecarregados com muitas tarefas”, completa.IA exige novas competênciasPara Brent McKenzie, um dos principais equívocos sobre IA na educação é reduzir o debate ao uso de plataformas específicas. “Este não é um curso sobre como encontrar as ferramentas certas. É sobre uma forma de pensar que se mantém útil e relevante no mundo tecnológico, onde sabemos que essas ferramentas estão mudando de forma rápida e significativa o tempo todo.”Segundo ele, o avanço da IA exige que as escolas desenvolvam competências mais amplas, como pensamento crítico e autonomia. “Professores e alunos não precisam se tornar programadores para se beneficiarem da IA: eles precisam de uma mentalidade flexível, bom senso e confiança para experimentar, mantendo o controle e estando cientes de seu papel nessa parceria.”O pesquisador também alerta que a IA já impacta diretamente o mercado de trabalho e os processos de aprendizagem e, por isso, não pode mais ser tratada como um tema periférico nas escolas. “Chegamos a um ponto em que a IA deixou de ser uma tecnologia opcional. Agora, ela é um requisito em todo o espectro educacional e no mundo do trabalho.”Pensamento crítico é chaveOutro ponto central do debate é a necessidade de desenvolver habilidades de análise crítica diante das respostas produzidas por sistemas de IA generativa. Para Christian Brackmann, muitas pessoas enxergam a IA como uma versão mais poderosa de ferramentas como a busca do Google. “Mas, na realidade, ela funciona de maneira bem diferente.”Enquanto ferramentas de busca tradicionais priorizam localizar informações, a IA exige capacidades mais sofisticadas de interpretação e avaliação. “Agora, o verdadeiro desafio passa a ser como avaliar e julgar as respostas que a IA gera.”Brackmann também chama atenção para questões éticas, ambientais e sociais envolvidas no uso dessas tecnologias, destacando que algoritmos e modelos podem reproduzir preconceitos existentes e favorecer respostas superficiais se forem utilizados sem reflexão crítica.“Competências como pensamento crítico, ética e metacognição tornam-se ainda mais relevantes. A IA tem o potencial de tornar o pensamento superficial mais rápido, mas também pode tornar o pensamento sólido mais poderoso.”Formação docente é um aspecto centralEm meio às rápidas transformações tecnológicas, especialistas defendem que a formação continuada de professores será essencial para apoiar a integração crítica da IA nas escolas.Para Fadel, o desafio é semelhante ao aprendizado de uma nova linguagem ou como manusear um equipamento complexo: antes da prática, é preciso compreender o funcionamento, os limites e as responsabilidades.“Se você quer aprender a dirigir um carro, precisa saber como ele funciona, entender o motor, os freios, o acelerador, se é elétrico ou a gasolina”, reflete. “E é exatamente isso que o novo curso oferece: a prática de usar IA em seu contexto, dentro de sua disciplina, e ensiná-la aos seus alunos de uma forma ética e que seja ao mesmo tempo muito consciente de suas limitações, mas também de suas enormes vantagens.”Novo curso discute letramento em IAComo resposta a esse cenário, a plataforma Escolas Conectadas lançou o curso “Letramento em IA: pensando com as máquinas”. A formação propõe uma abordagem prática e crítica sobre o uso da Inteligência Artificial na educação, discutindo desde fundamentos da IA até questões relacionadas à ética, pensamento crítico, cultura digital e desenvolvimento de práticas pedagógicas.O objetivo é apoiar educadores na construção de estratégias que ajudem estudantes a compreender, analisar e utilizar essas tecnologias de forma mais consciente e responsável. Mais do que ensinar ferramentas, a proposta do curso é fortalecer competências humanas que se tornam ainda mais importantes em um contexto cada vez mais mediado por algoritmos.A formação, que além de gratuita é 100% on-line, também disponibiliza certificado reconhecido pelo MEC. Ela ajuda a ampliar o debate e fortalecer o papel da escola na construção de uma cultura digital mais ética, criativa e humana.Assista ao webinário na íntegra no canal do ProFuturo no YouTube.
Comentários
Escreva um comentário