Saiba como fazer seu balanço pedagógico e comece 2025 com o pé direito

11/12/24

Um balanço pedagógico é fundamental não apenas para analisar o seu próprio desempenho e o dos seus estudantes, mas também para já iniciar o planejamento do ano que vem

O mês de férias se aproxima! Na escola, o clima de fim de ciclo domina as atividades educativas, com estudantes se preparando para as férias e professores fazendo o balanço pedagógico do ano que passou.

Aliás, essa atividade é fundamental não apenas para analisar o seu próprio desempenho e o dos seus estudantes, mas também para já iniciar o planejamento do ano que vem. Um bom exercício de balanço pedagógico, por exemplo, questiona o resultado de cada aspecto do seu trabalho:  as atividades sugeridas para a turma; os projetos a que você mais se dedicou; a parceria com os colegas em atividades interdisciplinares; o relacionamento com os pais; e a capacidade de administrar o tempo para dar conta de tudo. 

“Fazer essa parada de reflexão ao final do ciclo é importante, tanto para pensar no tempo que foi dedicado ao trabalho durante todo um ano, quanto para refletir sobre o que fez sentido dentro da nossa comunidade de aprendizagem”, observa Graziella Matarazzo, coordenadora de tecnologia do Colégio Albert Sabin. Segundo ela, é um momento para avaliar se o que foi planejado realmente aconteceu – não para criticar porque não foi feito, mas para refletir se aquilo deveria mesmo estar previsto –, abrindo oportunidade para outras prioridades que possam surgir no próximo ano. 

Manter o currículo vivo

Antes de começar o seu balanço pedagógico, é preciso estar aberto e ter a consciência de que você pode mudar. Afinal, um processo de autoavaliação deve servir para transformar a sua prática.

Para Graziella, esse processo exige que os professores revejam a grade curricular a cada ano, buscando o máximo de coerência e de sentido para aquela comunidade educativa. “Existem os currículos obrigatórios, mas existe o currículo vivo, que é tudo que acontece dentro da escola, as relações que se dão, as construções, as vivências, as relações sociais, emocionais, culturais, simbólicas, físicas. Observar tudo isso e entender o que aconteceu, o que foi válido, o que deve ser levado como aprendizado e como consolidação para o ano seguinte, e aquilo que deve ser revisto, tanto para abrir espaço para novas oportunidades quanto para corrigir aquilo que for necessário.”

É comum em muitas escolas que a rotina pedagógica seja repetitiva, com aulas prontas e com poucas mudanças a cada ano. Mas, para a especialista em educação e novas tecnologias, isso deixou de fazer sentido. “Na era da informação e da tecnologia, o tempo todo o conhecimento está sendo revisitado. Recentemente, tivemos marcos históricos importantes que afetaram de forma direta o currículo, como a internet, a pandemia, e agora a inteligência artificial. Todos esses marcos vão provocando mudanças na comunidade escolar que exigem que a gente faça essa revisão e esse olhar crítico para aquilo que foi feito durante o ano, para que se possa propor sempre um currículo que engaje, que faça sentido, que desenvolva o pensamento crítico e a cidadania dentro da nossa comunidade.”

Avaliação 360

Para que esse balanço seja produtivo, quanto mais registros pedagógicos o educador fizer ao longo do ano, maior será o volume de dados que ele terá para apoiá-lo nessa reflexão. Nessa seara, vale de tudo: fotos, vídeos, portfólios digitais, textos, desenhos. “Ao gravar um vídeo, na hora você não percebe alguns detalhes. Mas lá na frente, ao assistir de novo a uma atividade com os estudantes, você tem uma oportunidade de aprendizado muito grande para perceber sua prática”, sugere Graziella.

Ela também indica a produção de análises de dados e gráficos para visualizar com clareza a progressão da sua turma, sendo possível até mesmo comparar diferentes anos e salas. “Olha aqui os resultados da minha turma de 2024, comparado com a minha turma de 2023. Quais foram os elementos diferentes que eu consegui trazer para a minha prática, para identificar essa diferenciação que aconteceu nos resultados dos meus estudantes?”

Ainda, é sempre importante realizar a troca entre pares. Converse sobre a sua prática com os outros professores, com os assistentes e até mesmo com os estudantes. “Fazer uma reflexão em conjunto com a turma para perceber como eles sentiram o ano também é muito bacana, assim como escutar os seus líderes, as coordenações e as direções. É uma avaliação 360 mesmo”, pontua.

Não deixe de celebrar

A realização de um balanço pedagógico não se sobrepõe à também necessária comemoração pela passagem de mais um ciclo. Sejam pequenas ou grandes conquistas, é importante celebrar os destaques do ano e que deverão ser levados para o ano seguinte. 

“Final de ano é sempre muito atribulado dentro da escola, e logo mais já começa o outro. Se a gente não fizer essas paradas para celebrações, acabamos perdendo a nossa energia, e entra num ciclo que o educador não muda de nível”, afirma Graziela. Ela ainda exemplifica: “Para um professor de quinto ano do Ensino Fundamental, no início do ano a sua turma tem determinadas capacidades, que vão se desenvolvendo e chegam no final daquele ciclo já mais maduros, com todo o conhecimento adquirido na série. No ano seguinte, porém, virão novos alunos na estaca zero daquela série, e isso pode ter uma sensação de repetição para o educador. Por isso, ao celebrar o final de um ciclo educativo, fica claro que não é ele que está se repetindo, mas que são novos estudantes, com novas oportunidades e que vão trilhar junto com ele uma nova jornada.”

Portanto, dar espaço para um balanço pedagógico anual é garantir um espaço de reflexão sobre as necessidades reais e as potencialidades daquela comunidade escolar, garantindo um processo educativo mais conectado com a realidade. “Todo esse balanço pode gerar um ano seguinte mais produtivo, mais reflexivo, mais leve, ainda mais se a gente entender o que não deu certo como um aprendizado, e não como uma perda”, finaliza.

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