Ensino Médio: quanto mais digital, mais atrativo para as juventudes

08/05/25

Cursos gratuitos apoiam docentes do Ensino Médio a desenvolverem Competências Digitais

Se você é professor(a) do Ensino Médio, existe uma grande chance de ter um ou mais alunos que repetiram de ano ou deixaram de frequentar a escola. Isso porque essa é a etapa de ensino com o maior índice de repetência e evasão escolar da educação básica no Brasil, com cerca de 4% e 6%, respectivamente. 

Essa realidade resulta em um dado devastador: nada menos que nove milhões de jovens brasileiros entre 14 e 29 anos não completaram o Ensino Médio, de acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Olhando por outro viés, o estudante que está hoje no Ensino Médio é nativo digital – ou seja, nasceu e cresceu com uma forte presença de tecnologias digitais em seu entorno. Segundo a pesquisa TIC Educação 2023, 93% dos estudantes dessa etapa em todo o país acessam a internet mais de uma vez por dia.

Conectando esses dois aspectos e pensando em formas de transformar esse cenário, nasce a questão: como as Competências Digitais podem ajudar a recuperar o interesse dos jovens pela escola e apoiar seus processos de ensino e aprendizagem?

Fizemos essa pergunta para três especialistas em educação e tecnologia. Você confere as respostas a seguir!

Indo além das ferramentas digitais

“O uso de ferramentas digitais pode ser uma ponte poderosa para reconectar os jovens ao Ensino Médio. Como são nativos digitais, os estudantes se sentem mais motivados com linguagens e formatos que já fazem parte do seu dia a dia, como vídeos curtos, jogos educativos e plataformas interativas. A tecnologia, quando bem usada, torna o aprendizado mais dinâmico, contextualizado e próximo da realidade deles.

Ferramentas como Google Sala de Aula, Kahoot, CapCut, Canva, Padlet e plataformas de gamificação são bem aceitas por estudantes do Ensino Médio. O diferencial está em como são usadas: com criatividade e propósito pedagógico. Um exemplo é o uso de podcasts ou vídeos curtos produzidos pelos alunos como forma de avaliação e expressão de conhecimentos, tornando o aprendizado mais autoral e significativo.

Políticas como a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e a Política Nacional do Ensino Médio são avanços importantes. No entanto, ainda enfrentam desafios na implementação, especialmente no que diz respeito à formação continuada dos professores. Oferecer apoio técnico e pedagógico constante é essencial para que os docentes se sintam confiantes no uso da tecnologia, indo além da simples introdução de ferramentas.”

Jacyguara Costa, professor de História na rede estadual do Amapá e doutor em educação pela Faculdade Interamericana de Ciências Sociais (FICS).

Acolhendo o modo de vida digital dos estudantes

“A questão da evasão no Ensino Médio é global, o que parece nos indicar um descompasso entre os interesses e perspectivas dos adolescentes e o que a escola oferece como desenvolvimento. Isso tem relação não somente com o que se ensina, mas como se ensina e quais relações a escola proporciona.

Manter o adolescente na escola exige atenção ao clima escolar e às relações construídas no cotidiano. Há desafios dentro da escola, como metodologias pouco engajadoras, e fora dela, como pobreza e necessidade de ingressar no mercado produtivo, entre outros.

Precisamos continuar exigindo dos governos (federal, estadual e municipal) as condições técnicas para o uso das tecnologias digitais no contexto da sala de aula, uma vez que temos uma Base Nacional Comum Curricular de educação digital e computação em vigor desde 2022 e, de outro lado, temos uma regulação recente sobre o uso de dispositivos pessoais na escola, exigindo ainda mais esforço das instituições de ensino em oferecer a infraestrutura necessária para uso das tecnologias digitais no ambiente escolar. É um desafio, mas também uma oportunidade de construir uma cultura digital mais intencional.

Há muitos desafios no acesso às tecnologias digitais nas escolas públicas, mas é importante que professores utilizem a infraestrutura disponível, buscando oferecer experiências do uso da tecnologia bem estruturadas e alinhadas à BNCC, ou seja, experiências de utilização e criação de tecnologias, numa perspectiva crítica, reflexiva e ética, não se limitando a experiências escolares. Isso significa usar tecnologias digitais para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e, sobretudo, ser protagonista e cidadão.

Recuperar o interesse dos adolescentes e jovens na escola, portanto, exige reconhecer que seus modos de aprender e se expressar já são digitais. A escola precisa acolher isso com criticidade e intencionalidade pedagógica, fugindo à armadilha de apenas ofertar o acesso dentro da escola. Dessa forma, possibilitamos o exercício da criatividade, resolução de problemas e, sobretudo, protagonismo desses estudantes – um enfoque relevante para uso de tecnologia no Ensino Médio.”

Julci Rocha, educadora, doutoranda em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP e diretora da Redesenho Edu.

Conectando a escola com o mundo

“A chave do sucesso para o uso de ferramentas digitais aplicadas ao processo de ensino é o professor. Nós precisamos investir no professor – na sua formação, na sua compreensão sobre o potencial e os limites da tecnologia – para que ele possa tornar esse processo significativo e com sentido pedagógico.

Nesse sentido, seria interessante se pudéssemos estender a participação do professor na engenharia das tecnologias digitais, dos aplicativos e dos dispositivos móveis. Normalmente, eles são desenvolvidos sem a participação dos educadores, sem um foco no currículo, nos problemas do professor, nas possibilidades e nos limites do seu trabalho. Assim, eles acabam sendo instrumentos alheios à escola – e o professor tem muito trabalho para utilizá-las. Então, muitas vezes, ele prefere não utilizá-las.

No Brasil, os professores são muito ocupados. Muitos dão aula em dois ou três turnos, em dezenas de turmas, com pouco tempo de preparação, carreiras desvalorizadas e salários baixos. Dessa forma, eles não têm tempo para reinventar a roda. Os educadores precisam de apoio externo para que consigam utilizar tecnologias de maneira interessante, significativa, contextualizada, vinculada com o currículo, com as aprendizagens e com a construção do conhecimento. Nesse contexto, políticas públicas recentes – como a Política Nacional do Ensino Médio e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas – têm toda razão quando enfatizam que é necessário formar professores, capacitar e empoderar docentes neste tema.

É preciso ter em mente que os estudantes vivem tanto no mundo da escola quanto no mundo fora da escola, onde são indivíduos engajados com as tecnologias, e isso acaba determinando o comportamento deles, o modo como aprendem e interagem. Quando eles encontram na escola um ambiente mais conectado com essa realidade, mais engajados eles ficam.

Em outras palavras, a conexão dos estudantes com a escola é diretamente proporcional à conexão da escola com o mundo. As aprendizagens precisam ser significativas e pertinentes para os estudantes. Quando não há conexão, ele aprende de maneira automática, decorada e apenas para passar na prova.

Gilberto Lacerda, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília e líder do Grupo Ábaco de Pesquisas Interdisciplinares sobre Tecnologias e Educação.

Cursos “Competências Digitais nas Áreas de Conhecimento da BNCC”

Aos educadores de Ensino Médio interessados em incrementar suas Competências Digitais para evoluir ainda mais sua prática pedagógica, a plataforma Escolas Conectadas disponibiliza uma série de cursos dedicados ao desenvolvimento e aprofundamento dessas habilidades. As formações estão disponíveis para as quatro áreas do conhecimento da BNCC: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. 

As formações são 100% gratuitas, on-line, possuem carga horária de 20 horas e contam com emissão de certificado de uma instituição reconhecida pelo MEC.

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Conheça os principais eventos da educação brasileira em 2026

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