Onde tem barulho, pode, sim, ter aprendizagem

10/02/20
Uma sala de aula com as carteiras enfileiradas e alunos em silêncio não é garantia de que o aluno está aprendendo, tampouco uma sala de aula desordenada e fora de controle. Mas um ambiente aberto ao diálogo, às trocas e interações é mais propício para que se desenvolva a cultura do pensar, é o que defende Armgard Lutz, autora do curso "Sem medo da indisciplina: a construção participativa da disciplina na sala de aula" em parceria com Letícia Lutz. A formação está disponível na plataforma Escolas Conectadas. 

O "Sem medo da indisciplina", como ficou conhecido, oferece caminhos para que as escolas criem espaços democráticos, por meio da participação coletiva, como assembleias, por exemplo. A partir da provocação sobre o que os participantes "felicitam", "criticam" e "sugerem" (tomando de empréstimo a técnica do “jornal mural” de Celestin Freinet), eles são convidados a refletir e construir um espaço que lhes permita uma experiência mais rica de educação e desenvolvimento pessoal.

Este ambiente favorece o "aprender a ser" e o "aprender a conviver", para além do "aprender a conhecer" e "aprender a fazer" – os quatro pilares apontados no relatório da Unesco "Educação: um tesouro a descobrir". Ainda que o ideal seja que toda a escola e suas instâncias participem desta mudança no ambiente, é na sala de aula que tudo começa.

A cultura do pensar – que auxilia o aluno na construção de um pensamento crítico – se dá por meio do diálogo estimulado em sala de aula e por meio de práticas que possibilitem ambientes efetivos de aprendizagem, onde os alunos se desenvolvem, agem (sobre os objetos de estudo) e interagem.

A partir do conteúdo do curso e com a interação dos cursistas, o professor participante é levado a refletir sobre o que ele provoca no aluno. É nesta autoavaliação, que a professora Armgard pratica até hoje, com mais de 50 anos de magistério, que vai ajustando métodos e reflete nas maneiras de tornar a aprendizagem mais substancial, respeitando as limitações e inquietações – e até a dispersão – dos alunos. 

Uma das dicas da professora é a troca frequente de atividades para não perder a atenção dos alunos. Explorar os espaços da escola é outro caminho possível para despertar a curiosidade e cultivar o interesse dos estudantes.

A mensagem principal do curso é que uma abordagem "sem graça" não tem mais espaço com o aluno dos dias de hoje e que a resistência não deve ser confundida com a indisciplina. Há casos, porém, de alunos que apresentam um comportamento que destoa dos demais. Nestas situações, é importante acolher e entender o contexto do indivíduo.
– Não há receita de bolo, cada caso é um caso – adverte Armgard.

Armgard Lutz é doutora em Educação pela UFRGS, trabalhou durante anos em escolas públicas conciliando educação e projetos sociais. Ao longo de sua carreira, a sua experiência na educação transcendeu as portas das escolas até chegar às universidades.

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