Curso gratuito traz a importância de discutir sobre o racismo em sala de aula

01/08/19

Iniciativa de formação continuada do Escolas Conectadas, projeto da Fundação Telefônica Vivo, debate práticas pedagógicas para criar identidades e dar visibilidade à cultura negra na escola


Segundo dados colhidos pela Prova Brasil de 2015, aplicada a professores, gestores e alunos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), embora 76% dos diretores afirmem realizar projetos temáticos para debater o racismo, 24% ainda não trabalham essas reflexões em sala de aula.

Inserir atividades práticas que despertem a consciência dos alunos para as múltiplas identidades que os cercam, pode se revelar um caminho efetivo no combate à discriminação. No entanto, para que se apliquem tais práticas pedagógicas, é necessário que professores e gestores estejam preparados para lidar com a diversidade no ambiente escolar. Mas como começar?

Pensando em oferecer recursos aos professores sobre a temática, a plataforma Escolas Conectadas, oferece o curso Escola para todos: promovendo uma educação antirracista.
A ideia é repensar abordagens metodológicas através de atividades didáticas, permitindo que professores e gestores debatam o racismo e apliquem técnicas para aproximar os alunos destas reflexões.

Fortalecendo identidades e dando visibilidade à cultura negra

Como trabalhar a representatividade em sala? Como fortalecer identidades diversas e conectar educadores e alunos de diferentes origens ou ascendências?
Um dos tópicos desenvolvidos ao longo do curso Promovendo uma educação antirracista se propõe a trabalhar essas importantes questões. Durante a primeira unidade, os professores são convidados a mapear a ambiência racial na escola, para aproximá-los das reais necessidades dos alunos. Concluída essa etapa, eles conduzem as turmas para atividades como: construir árvores genealógicas e a criação de avatares.
Ao reunir em um espaço social as experiências da turma, todos tem a chance de compartilhar a multiplicidade da composição da população brasileira, refletindo esse vínculo com as raízes no contexto escolar.
Para complementar as etapas iniciais de representação e identidade, o curso traz ainda um panorama geral sobre a Lei 10.639, que determina a obrigatoriedade curricular de abordar a História e Cultura Afro-Brasileira e Africanas em toda rede de ensino.

Além de entender a importância de se falar da temática de forma interdisciplinar, os participantes têm a oportunidade de criar um planejamento de aula que considere os conhecimentos desenvolvidos ao longo curso e proponha práticas didáticas para apresentar o tema focando em combater o racismo.

Experiências Transformadoras

Para Odenir Bello, funcionário público estadual que cuida da parte administrativa no Colégio Estadual, em Curitiba-PR, essas duas etapas foram as mais marcantes do processo. “Montar a árvore genealógica e criar o avatar nos permite encontrar nosso passado étnico, nossa história. Pude me redesenhar e me conectar com cada traço, o que me permitiu enxergar o outro também”.
Apesar de não trabalhar diretamente em sala de aula, Odenir conta que escolheu participar do curso por entender a importância de traduzir em cada relação humana um ensinamento livre de preconceitos.
“Tenho colocado em prática os ensinamentos do curso quando atendo os pais, alunos e colegas da escola. Vejo a diferença quando exercito esses conhecimentos e foi por isso que escolhi o curso em primeiro lugar. Precisamos enxergar nossas origens, incentivar o debate sobre esse assunto e formar cidadãos não discriminadores”, acrescenta o administrador.

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