O protagonismo na aprendizagem: estudantes e educadores produtores de vídeos

25/02/22

Bem lá no início, quando os irmãos Lumière apresentaram as maravilhas do cinematógrafo para o mundo em 1895, algumas pessoas se animaram a produzir seus próprios filmes. O que todas elas tinham em comum? Eram cheias de recursos. O primeiro e mais fundamental, o dinheiro; em segundo lugar, técnicos, engenheiros, cenógrafos, atores. De lá para cá, a indústria do audiovisual se desenvolveu em uma velocidade inigualável. Nem 130 anos se passaram, e agora temos câmeras de qualidade profissional em buraquinhos na parte de trás dos nossos celulares. 

No entanto, a produção audiovisual ainda assusta muita gente, porque carregamos conosco a ideia do século retrasado de que criar um filme demanda muitos recursos. Não vamos negar: dependendo do objetivo, demanda mesmo. Um filme para o cinema pode custar milhões de reais e envolver dezenas de profissionais especializados.

Engana-se, porém, quem acha que fazer filmes e vídeos é coisa só para especialistas. Com o avanço tecnológico e a automação de processos, muita gente adquiriu acesso a recursos que até uma década atrás eram absurdamente caros. Um exemplo disso é a rede social de vídeos Tik Tok, onde os usuários podem criar pequenos vídeos usando recursos avançados de montagem e efeitos visuais de maneira inteiramente gratuita. 


E o que isso tem a ver com a aprendizagem?

 

As crianças estão se desenvolvendo num universo tão conectado e multimídia, que é quase impraticável ensinar sem levar em consideração esse cenário. Ao dominar as técnicas e as tecnologias para a produção de recursos audiovisuais, o professor e a professora abrem uma janela de comunicação direta com as novas gerações de jovens aprendizes.

Os chamados “vídeos de bolso” podem gerar novas maneiras de diálogo e de construção de aprendizagens, por meio de recursos narrativos e, em geral, lúdicos, para angariar a atenção, mobilizar competências e abordar conceitos de diferentes áreas.

A professora Elcielle Bonomo Rocha Machado, de São Mateus, no Espírito Santo, inovou com sua turma do 7º ano do Ensino Fundamental. Utilizando diversas ferramentas digitais em conexão, criou uma proposta multimídia de aprendizagem e avaliação. “Com o contexto no qual estamos vivendo, podemos utilizar o Classroom e seus recursos como ferramentas que permitem que o professor integre diferentes mídias à sua prática”, sugere a professora. E foi o que ela fez, ao abordar o assunto da régua numérica e dos números inteiros em forma de animação: “Criei dois vídeos animados sobre o conteúdo e os incorporei à aula do Classroom”. Veja aqui um dos vídeos criados pela professora Elcielle. Os recursos adotados pela docente são tematizados nos cursos BNCC, autoria e tecnologias digitais: inspirações para criar e aprender, Laboratório de criação de vídeos de bolso e Escola na nuvem: ferramentas gratuitas de produção on-line.


O lúdico como ferramenta de desenvolvimento do aluno

 

Muito além de ser um recurso técnico multimídia para o professor ou a professora trabalharem conteúdos, a proposta de produção de vídeos no formato “de bolso” estimula o desenvolvimento de diversas competências necessárias para a formação de um indivíduo. A capacidade de trabalhar em grupo, debater pontos de vista e chegar em um denominador comum são apenas alguns exemplos.

Ainda, como são produções que demandam bastante planejamento, acabam por encorajar a organização das ideias em narrativas compreensíveis, fortalecendo a elaboração de estratégias de comunicação, além de proporcionarem a apropriação dos conceitos de autoria e colaboração. Requerem criatividade não apenas para a organização do conteúdo, mas também para a resolução de problemas, que com certeza vão aparecer durante a produção dos materiais. E provavelmente o mais estimulante: anunciam a possibilidade de realizar trabalhos que resultarão em algo divertido e que ficarão para sempre acessíveis ao alcance de um link.


Nem só de vídeos vive o ano letivo

 

Se você já está de cabelos em pé, pensando em abrir uma conta no YouTube imediatamente e correr atrás do tempo perdido: calma. A vida de cineasta da professora e do professor pode ser reservada a determinados momentos da estratégia pedagógica. Os docentes podem, aliás, incentivar que a turma também contribua com conteúdos próprios, links para assuntos instigantes, comentários e debates. Estimular o protagonismo de aprendizes, neste caso, não precisa estar apenas atrelado à produção audiovisual. Ela pode funcionar como um disparador ou mesmo um momento de culminância. 

A professora Terezinha de Fatima Vilharva Guerreiro Lee, de Foz do Iguaçu, no Paraná, compartilhou uma prática realizada com sua turma de 3° ano do Ensino Fundamental que reuniu, por exemplo, leitura e vídeo-poesia. O relato foi feito na formação Alfabetizando na diversidade: "Trabalhamos a poesia 'As Borboletas', de Vinicius de Moraes. Solicitei nas aulas remotas que os alunos enviassem vídeos de sua leitura pelo WhatsApp. Com este material, montei um vídeo, que foi um sucesso na escola". A educadora esclarece que houve desafios no caminho, como o fato de que nem todos os estudantes conseguiram participar da atividade no sistema remoto, mas segue apostando em ações que consolidam a autoria dos discentes. 

Para dar conta de métodos de aprendizagem integrados com a realidade do aluno, é importante estar atento e atenta a todas as possibilidades do universo multimídia. Para a professora Elcielle, não existe dúvida: “Podemos, por exemplo, fazer testes e corrigi-los de forma imediata, de acordo com o gabarito postado no teste e reconhecido pelo computador. As atividades criadas no Classroom podem ser feitas no Google Forms, que aceita vários tipos de perguntas, como de múltipla escolha, resposta curta, parágrafo, caixas de seleção, upload de arquivos”, recomenda.

No curso BNCC, autoria e tecnologias digitais: inspirações para criar e aprender, a professora e o professor são lembrados de que é também seu papel cultivar a indagação durante o processo de aprendizagem, e provocados a criar espaços seguros para a turma expressar o que pensa e canais de comunicação que favoreçam suas criações. Nesta formação, são exploradas as mais diversas plataformas digitais que, hoje, facilitam a criação de sites e salas virtuais, além de sistemas de elaboração de tarefas e desafios, espaços para a construção colaborativa de conhecimento e recursos que vão apoiar a autoria e a expressão individual e coletiva em diversos formatos (quadrinhos, vídeos, escrita etc.).


Com recursos criativos, não há limites para a aprendizagem

 

Se pudéssemos viajar a 1895 e contar aos irmãos Lumière sobre os recursos que existem hoje para a produção de conteúdo, eles provavelmente nos atribuiriam insanidade. Não seria para menos. O público que assistiu ao primeiro filme exibido na história, de um trem chegando à estação, saiu correndo do salão achando que o trem iria atropelá-los. 

Da mesma maneira, costumamos pensar que a tecnologia vai sair das telas e nos atropelar na rua algum dia. E a tendência pode ser sair correndo mesmo. Porém, por meio dos cursos da plataforma Escolas Conectadas, é possível se familiarizar com todo esse universo (que, na maioria das vezes, é oferecido de maneira gratuita) e usá-lo não apenas a nosso favor, mas a favor de uma aprendizagem em que os estudantes se tornam os protagonistas. 




 

As formações citadas na matéria podem ser realizadas por você: torne seus alunos autores de vídeos e outros materiais multimídia! Acesse e inscreva-se:

BNCC, autoria e tecnologias digitais: inspirações para criar e aprender

Laboratório de criação de vídeos de bolso

Escola na nuvem: ferramentas gratuitas de produção on-line



 

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