Professoras utilizam tecnologia como aliada da inclusão nas escolas

14/04/25

Curso gratuito “Introdução à Educação Inclusiva: Caminhos para a Equidade” está com inscrições abertas

De quais formas as ferramentas digitais podem apoiar o processo de ensino e aprendizagem de estudantes surdos, cegos, com baixa visão, com deficiência física ou intelectual e Transtorno do Espectro Autista? 

Buscando respostas a essa importante pergunta, a professora Rosa Helena da Silva, que atuou por muitos anos no Centro de Atendimento e Apoio ao Desenvolvimento Educacional (CAADE), vinculado à Rede Municipal de Educação de Atibaia (SP), e atualmente chefia a Divisão de Educação Continuada dos Profissionais da Educação da rede, não titubeou ao se inscrever no curso “Introdução à Educação Inclusiva: Caminhos para a Equidade”, oferecido gratuitamente pela plataforma Escolas Conectadas

Com atuação que vai Educação Infantil ao Ensino Superior, Rosa acompanha alunos com necessidades educacionais específicas e orienta escolas e famílias, propiciando formação continuada aos educadores da Rede. Para ela, inclusive, a relação dos adultos com o tema é mais delicada se comparada à de crianças e jovens. “Ao estudar com colegas com deficiências, os estudantes lidam diariamente com situações de convivência e respeito. Notamos que os alunos não apresentam preconceito, mas que ele é aprendido ou repassado por adultos, que infelizmente não tiveram essa vivência espontânea e precisam passar por formações para se tornarem menos capacitistas e mais inclusivos, uma realidade que dificulta todo o processo da educação inclusiva”, analisa. 

Tecnologia para a acessibilidade

Rosa destaca um dos principais aprendizados que obteve ao realizar o curso da plataforma Escolas Conectadas: a utilização de recursos tecnológicos como estratégia de acessibilidade pedagógica. Segundo ela, as ferramentas digitais favorecem a educação inclusiva de forma ampla, oferecendo oportunidades de aprendizagem personalizadas e atendendo a toda a diversidade de pessoas de forma mais adequada.

Nesse sentido, os educadores de Atibaia têm recorrido a ferramentas como audiolivros, leitores de tela e aplicativos que ampliam letras e imagens, voltado para alunos com cegueira e baixa visão; livros acessíveis em Libras para estudantes surdos; e adaptadores para lápis, tesoura e colméia no teclado (acessório que auxilia usuários que possuem pouca coordenação motora/mobilidade reduzida nos membros superiores), que favorecem o registro escrito de alunos com paralisia cerebral. Além disso, propostas pedagógicas mais atrativas e de acordo com a necessidade dos alunos com deficiência também estão no rol de possibilidades para a educação inclusiva.

Inclusão começa na escola

O mês de abril reúne datas simbólicas para a agenda da inclusão, como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (02/04) e o Dia Nacional da Educação de Surdos (23/04). Dados do Censo Escolar 2023 mostram um salto no número de matrículas na educação especial: 1,8 milhão, representando 3,7% das matrículas da educação básica. Em 2009, essa proporção era bem menor: apenas 1,2%, totalizando aproximadamente 640 mil matrículas. 

Ainda em 2009, cerca de 60% dos estudantes da educação especial estavam em classes comuns. Em 2023, esse número alcançou 91,3%. Tal aumento representa um avanço significativo rumo à inclusão escolar. Contudo, existem ainda 154 mil crianças e jovens segregados – seja em classes especiais ou em escolas especializadas.

Essas informações apenas corroboram a necessidade de capacitar educadores para lidar com uma sala de aula cada vez mais plural e diversa. Professora formadora da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Pontes e Lacerda (MT), Andrea Leinat atua justamente nesse campo. “O apoio envolve a identificação de dificuldades específicas dos alunos, a adaptação de metodologias de ensino e a criação de estratégias personalizadas que favoreçam o desenvolvimento de competências. Além disso, oferece suporte para lidar com a diversidade de perfis, promovendo um ambiente colaborativo que estimule a participação ativa e o engajamento dos estudantes no processo educativo”, afirma.

Formação com impactos direto na aprendizagem

Andrea também realizou o curso da plataforma Escolas Conectadas e relata avanços concretos no desempenho dos estudantes. Segundo ela, a personalização das estratégias educativas, resultou em maior compreensão dos conteúdos e no aumento da proficiência em leitura, escrita e raciocínio lógico.

“Alunos com dificuldades específicas demonstraram evolução em suas competências, especialmente por meio de atividades práticas e colaborativas”, observa.

Ela considera que o curso foi um pilar essencial para a sua própria prática como formadora, ao oferecer base teórica sólida e ferramentas práticas para lidar com os desafios da educação contemporânea. “Ele ampliou minha visão sobre metodologias inovadoras e o uso de recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem, alinhados à BNCC e às necessidades dos estudantes”, argumenta. 

“A formação transformou minha forma de ensinar, tornando-a mais dinâmica, centrada nos estudantes e conectada às realidades tecnológicas. Isso resultou em uma prática mais eficiente e em maior engajamento dos alunos, consolidando uma abordagem educativa alinhada aos desafios e oportunidades do século 21”, finaliza Andrea.

Curso de Educação Inclusiva

Gratuito e 100% on-line, o curso “Introdução à Educação Inclusiva: Caminhos para a Equidade” apresenta conceitos da educação inclusiva e apoia professores a pensar em estratégias e práticas para tornar o ambiente escolar mais acessível para todos os estudantes. Com inscrições abertas até 28/04, a formação possui carga horária de 10h e dá direito a certificado reconhecido pelo MEC - Ministério da Educação.

Este conteúdo integra a seção Conectando Práticas! 

Assim como outros educadores que concluíram os cursos da plataforma Escolas Conectadas, Rosa Helena e Andrea compartilharam conosco de quais maneiras a formação impactou positivamente as suas práticas pedagógicas.

Quer ter sua experiência divulgada? Faça como elas e preencha o formulário ao concluir o curso!

Comentários:


Escreva um comentário

Conteúdos Recentes

Assista à Retrospectiva Escolas Conectadas 2025

Alerta de spoiler: você levou o prêmio principal!Em 2025, os educadores brilharam como verdadeiros protagonistas do cinema. Ao longo do ano, a plataforma Escolas Conectadas apoiou histórias dignas de vencer um Oscar. Por isso, nos inspiramos nas premiações do cinema para reviver os melhores momentos dessa superprodução da educação. Afinal, no palco das escolas, quem brilhou de verdade foram os educadores que nos acompanharam ao longo de mais um ano! Um elenco que inspira, ensina e muda histórias todos os dias.Confira a seguir uma prévia da Retrospectiva Escolas Conectadas 2025, e clique no botão abaixo para assistir na íntegra. Alerta de spoiler: você levou o prêmio principal!😉 img

0

Educação em 2026: Inteligência Artificial no novo cotidia...

Neste ano, a Inteligência Artificial na educação deixa de ser um tema distante e passa a fazer parte do dia a dia da escola, apoiando professores, estudantes e a gestão escolar.A Inteligência Artificial (IA) já faz parte do dia a dia da educação brasileira. Uma pesquisa lançada no final de 2025 pela Fundação Itaú revelou que 84% dos estudantes e 79% dos professores do país já utilizaram ferramentas de IA.Já um levantamento do Cetic.br mostrou que sete em cada dez estudantes do Ensino Médio já recorreram à IA generativa para realizar pesquisas escolares. Contudo, apenas 32% dizem ter recebido orientação nas escolas sobre como utilizar essas tecnologias. Em 2026, o debate sobre o uso de IA na educação ganha outra densidade. Assim como a Cidadania Digital e a BNCC Computação, a IA deixará de ser um tema periférico para se tornar um elemento estruturante da vida escolar, com impactos diretos sobre currículo, formação docente e práticas pedagógicas. A pergunta central já não é mais se a escola deve lidar com a IA, mas como fazer isso de forma crítica, ética e pedagógica.A IA já está presente nas escolas O Piauí tornou-se o primeiro território do continente americano a incluir a IA como disciplina obrigatória, tanto no 9º ano do Ensino Fundamental como no Ensino Médio. Implementada em 2024, a medida rendeu reconhecimento internacional da Unesco ao estado.Para André Macedo, secretário de Inteligência Artificial, Economia Digital, Ciência, Tecnologia e Inovação do Piauí, o ponto de partida era muito claro. “A IA não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para melhorar a vida das pessoas. A educação apareceu imediatamente como uma das prioridades centrais dessa agenda”, pontua.Assim como discutido na primeira matéria da série “Educação em 2026”, dedicada à Cidadania Digital, há uma diferença fundamental entre uso instrumental e compreensão crítica das tecnologias. No caso da IA, essa distinção é ainda mais sensível, já que as ferramentas podem produzir textos, imagens e respostas plausíveis. Porém, isso não significa que sejam neutras, precisas ou isentas de vieses.“Nesse cenário, o papel do professor ganha ainda mais relevância. Ele não se resume a ensinar ferramentas digitais”, aponta Macedo. “Ele é o mediador que ajuda o estudante a entender o que está por trás desses sistemas, como eles funcionam, quais são seus limites, que dados utilizam, quais impactos têm sobre a vida em sociedade.”Ensinar IA, portanto, é também ensinar leitura crítica, educação midiática, ética digital e responsabilidade social, temas que dialogam diretamente com a formação cidadã prevista no currículo.O que muda no papel do professorA chegada massiva da IA não reduz o papel docente. Pelo contrário, o torna mais complexo e estratégico. Cabe ao professor selecionar, contextualizar, problematizar e transformar o uso da tecnologia em aprendizagem significativa.Essa lógica se conecta diretamente à segunda matéria da série, sobre a BNCC Computação, que reforça a tecnologia como objeto de conhecimento, e não apenas como ferramenta de apoio. A IA passa a ser algo que se ensina, se discute e se reflete, e não apenas se utiliza.Nesse contexto, Macedo faz um alerta importante sobre o uso crescente desta tecnologia. “O nosso esforço é transformar esse uso em prática pedagógica fundamentada, e não em mera experimentação sem critério”, afirma. O desafio agora não está em proibir ou incentivar o uso indiscriminadamente, mas qualificá-lo.A formação docente é o maior desafio de 2026Se a IA já está presente nas escolas, a formação docente torna-se o eixo central dessa transformação. Mais do que aprender a usar ferramentas específicas, trata-se de construir base conceitual e segurança pedagógica para aplicar esse novo conhecimento.“Se o uso não vier acompanhado de uma compreensão mínima sobre como os modelos funcionam, que dados utilizam e quais são seus vieses, o risco é reproduzir desigualdades e desinformação”, observa o secretário.Uma das dúvidas mais recorrentes nesse debate é sobre o papel do professor diante desse novo cenário da educação. Mas a visão de que a tecnologia não substitui o trabalho docente quando há intencionalidade pedagógica já está consolidada.“A IA não vem para substituir o professor, mas para ampliar o alcance da sua atuação”, reforça Macedo. E ampliar o alcance significa ganhar tempo, apoio e novas possibilidades para o ensino, sem abrir mão do vínculo humano, da mediação pedagógica e da escuta sensível que caracterizam o seu trabalho.Um fio comum entre os temas de 2026Ao longo da série “Educação em 2026”, quando o assunto é tecnologia, um mesmo desafio se destacou em todas as reportagens: como preparar escolas, professores e estudantes para atuar de forma crítica, ética e responsável em uma sociedade cada vez mais mediada pela tecnologia? A Cidadania Digital evidenciou a urgência dessa tarefa. Enquanto isso, a BNCC Computação mostrou a importância de integrar a tecnologia ao currículo como área de conhecimento. E a Inteligência Artificial, por fim, ampliou o debate, evidenciando ainda mais os desafios da mediação pedagógica e da formação docente. Neste ano, o avanço não estará apenas na adoção de novas ferramentas, mas na capacidade de transformar essas reflexões em práticas pedagógicas consistentes, com o professor no centro desse processo.Curso gratuito sobre IA na EducaçãoPara apoiar os educadores a se qualificarem ainda mais diante desses novos desafios, a plataforma Escolas Conectadas disponibiliza gratuitamente o curso “Inteligência Artificial na Educação: Fundamentos”. A formação oferece uma introdução prática ao uso da IA no ambiente escolar, com exemplos concretos e dicas práticas, e disponibiliza certificado reconhecido pelo MEC.

0

Educação em 2026: 6 razões para aliar sua prática à BNCC ...

Complemento à BNCC terá implementação obrigatória em 2026A BNCC Computação é um complemento à Base Nacional Comum Curricular que estabelece diretrizes e objetivos de aprendizagem relacionados à computação. Organizada em três eixos (Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital), o documento será implementado pelos currículos brasileiros a partir de 2026.Mas além de cumprir um requisito curricular, engajar-se nesse processo representa uma oportunidade pedagógica transformadora aos educadores do país. Por isso, listamos a seguir seis motivos para os professores investirem nessa implementação com propósito.1. Desenvolver uma compreensão profunda sobre o papel da computação na educaçãoImplementar a BNCC Computação não é apenas “ensinar programação”: trata-se de apoiar os estudantes a investigar, criar, comunicar e resolver problemas com a tecnologia, desenvolvendo competências que perpassam todas as áreas do conhecimento.Ivan Siqueira, relator do complemento, destacou durante o webinário “BNCC Computação: como colocar em prática na sua sala de aula” a importância da formação docente – seja a inicial, a continuada ou até mesmo os cursos livres – oferecerem uma compreensão mais clara sobre o campo de conhecimento da computação. “ Isso permite que os professores percebam que não se tratam de conteúdos isolados, mas sim de um novo olhar sobre a aprendizagem e a resolução de problemas”, afirma.2. Ampliar o repertório pedagógico com atividades plugadas e desplugadasA computação, como propõe a BNCC, pode ser trabalhada tanto com dispositivos tecnológicos quanto sem eles, por meio de atividades desplugadas que exploram lógica, padrões e algoritmos, sem a necessidade de usar computadores. Durante o mesmo webinário, a professora Audaci Maria ressaltou que a computação é “uma linguagem de conhecimento” e pode ser integrada de forma criativa mesmo com recursos simples, desde que os professores compreendam seus conceitos e objetivos. 3. Fortalecer o pensamento computacional como habilidade centralO pensamento computacional não é restrito à tecnologia: é uma forma de organizar e resolver problemas, identificar padrões e criar estratégias. Ou seja, trata-se de uma habilidade valiosa em qualquer disciplina e contexto.Esse eixo estimula os estudantes a pensarem de maneira lógica e estruturada, conectando situações do dia a dia ao universo digital, como exemplificado no webinário, com atividades cotidianas que já exigem esse tipo de raciocínio. “Uma boa maneira de exercer o pensamento computacional na rotina é pensar na lista de compras para a feira”, aponta Audaci. “Ou, em uma formação docente, peça para cada professor contar o seu passo a passo para fazer uma xícara de café”. Segundo ela, nesses simples exercícios serão trabalhados os quatro pilares do pensamento computacional: decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e algoritmo.4. Promover uma cultura digital crítica e responsável entre os estudantesA BNCC Computação inclui também a cultura digital, que envolve ética, cidadania digital, segurança e uso consciente das tecnologias, elementos essenciais para preparar estudantes como usuários que não apenas consomem passivamente, mas também refletem sobre a tecnologia.Ao engajar-se nesse processo, o professor contribui para que seus alunos compreendam as implicações sociais, éticas e políticas da tecnologia no mundo atual, indo além da simples aptidão técnica.5. Gerar maior engajamento e inovação pedagógica em toda a comunidade escolarImplementar a computação de maneira significativa envolve troca entre professores, colaboração entre áreas e uso de estratégias interdisciplinares.Esse engajamento cria um ambiente de aprendizagem mais dinâmico, estimula a inovação didática e fortalece a coletividade profissional, fatores que enriquecem o cotidiano escolar como um todo.6. Transformar obrigatoriedade em protagonismo profissionalEmbora a BNCC Computação seja obrigatória a partir de 2026, sua implementação não precisa ser vista apenas como uma exigência burocrática.Afinal, ao se engajar ativamente com o documento e suas possibilidades, o professor se torna protagonista da própria prática, influenciando positivamente a formação dos estudantes e contribuindo para que a computação deixe de ser um campo periférico e passe a integrar o currículo com propósito pedagógico, significado e ligação com a vida real.Série de cursos Computação na EducaçãoPara apoiar os professores a se aprofundarem nesse tema, apresentamos a série de cursos Computação na Educação, uma jornada formativa completa, pensada para educadores que desejam integrar a computação em suas práticas pedagógicas de forma ética, criativa e alinhada à BNCC Computação.

0

Educação em 2026: 7 motivos para ensinar cidadania digita...

A série de matérias “Educação em 2026” reúne temas fundamentais para os educadores se aprofundarem no ano que se iniciaCom a Educação Digital passando a integrar oficialmente os currículos das escolas brasileiras a partir de 2026, discutir cidadania digital deixa de ser uma escolha pedagógica e passa a ser um direito dos estudantes. Mais do que aprender a usar ferramentas, trata-se de compreender criticamente como as tecnologias atravessam a vida social, cultural, política e econômica. A seguir, reunimos sete motivos centrais para que professores se aprofundem nesse tema em 2026, todos comentados por Guilherme Alves, gerente de projetos da SaferNet Brasil, organização que é referência na promoção dos direitos humanos na internet.1. Para formar estudantes críticos e responsáveis no uso das tecnologiasHoje, crianças e adolescentes são as faixas etárias que, proporcionalmente, mais utilizam a internet no Brasil, segundo pesquisa da Cetic.br: 93% da população de 9 a 17 anos é usuária, o que representa atualmente certa de 25 milhões de crianças e adolescentes. Em muitas escolas, o desafio já não é apenas o acesso, mas a qualidade desse uso. Nesse contexto, a cidadania digital se conecta diretamente ao papel da escola na formação cidadã dos estudantes.“A cidadania é um princípio da educação, e a escola tem o papel de preparar os estudantes para vivenciar a vida em sociedade, que hoje é profundamente mediada pelas tecnologias”, aponta Guilherme.Ensinar cidadania digital é reconhecer que as relações sociais também acontecem no ambiente digital, e que formar sujeitos críticos nesse espaço é parte indissociável da educação integral.2. Para fortalecer o combate à desinformaçãoA circulação de fake news, conteúdos manipulados e informações enganosas se intensificou nos últimos anos, especialmente com o avanço da inteligência artificial. Diante desse cenário, as escolas têm um papel estratégico na construção de uma postura crítica.“A gente vivencia uma desordem informacional. Nos mesmos ambientes onde circulam informações de qualidade, também circulam desinformações, e isso não tende a diminuir”, relembra Guilherme. Mais do que identificar se algo é falso ou verdadeiro, a cidadania digital contribui para que os estudantes desenvolvam critérios de análise, reflexão e leitura crítica das informações que consomem diariamente.3. Para promover segurança e proteção no ambiente digitalO ambiente on-line também expõe crianças e adolescentes a riscos como cyberbullying, exploração, discursos violentos e práticas abusivas. Trabalhar cidadania digital é fortalecer uma cultura de proteção e de direitos.O especialista observa que falar de cidadania digital também significa falar de proteção de crianças e adolescentes. “O Brasil tem um arcabouço legal muito sólido nesse sentido (o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA), que hoje também se estende ao mundo virtual (ECA Digital).”Nesse contexto, a escola pode ajudar os estudantes a reconhecer situações de risco, refletir sobre seus próprios usos e construir estratégias de autoproteção e cuidado coletivo no ambiente digital.A educação digital e midiática foi instituída como elemento curricular obrigatório a partir de 2025, com implementação efetiva nas redes de ensino prevista para março de 2026. Essa mudança é sustentada por políticas públicas, como o ECA Digital, a Lei 15.100/2025 e a BNCC Computação.4. Para desenvolver competências socioemocionais no mundo on-lineAtualmente, conflitos, relações, pertencimento e identidade também se constroem nas redes. A cidadania digital amplia o desenvolvimento socioemocional ao incluir o ambiente virtual como espaço legítimo de aprendizagem.“Os ambientes on-line muitas vezes não são apropriados nem para adultos, quanto mais para crianças e adolescentes. Por isso, olhar para essas experiências a partir da vivência deles é fundamental”, acredita Guilherme.Valorizar o protagonismo dos estudantes, suas experiências e culturas digitais é um caminho potente para fortalecer autonomia, empatia e autorregulação (a capacidade de gerenciar o próprio comportamento e as emoções diante do uso de ferramentas digitais).5. Para preparar os estudantes para o mundo do trabalho As tecnologias transformaram profundamente as relações de trabalho. Preparar os estudantes para esse cenário exige uma formação que vá além do uso técnico das ferramentas.“Mais do que se adaptar a um mundo do trabalho em profunda transformação, precisamos falar sobre a possibilidade de criar outras formas de trabalho e outras tecnologias que possam servir aos interesses públicos, como o combate à desigualdade e às opressões”, afirma. A cidadania digital contribui para formar sujeitos capazes de compreender tanto as oportunidades quanto os riscos do mundo do trabalho digitalizado, atuando de forma ativa, ética, criativa e consciente.6. Para estimular a participação ativa e responsável na sociedadeO debate público, o acesso à cultura e o exercício da cidadania passam cada vez mais pelo digital. A escola pode mostrar que as tecnologias também são ferramentas de participação e transformação social.“A formação em educação digital é um direito. É uma formação para a vida, para as relações sociais, familiares, culturais e para o exercício da cidadania ativa.” Ao superar uma visão utilitária da tecnologia, a cidadania digital ajuda os estudantes a se perceberem como sujeitos ativos, e não apenas consumidores de conteúdo.7. Para alinhar a prática docente às diretrizes nacionais e às demandas contemporâneasAs diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE) reforçam a Educação Digital como dimensão estruturante do currículo. O desafio agora é transformar o que está no papel em prática cotidiana nas escolas.“O grande desafio de 2026 é fazer com que essa obrigatoriedade vire prática e passe a fazer parte da cultura escolar. E a formação continuada dos professores é um pilar fundamental desse processo”, afirma Guilherme.Nesse cenário, ensinar cidadania digital fortalece o papel do professor como mediador, articulando currículo, a realidade dos estudantes e as demandas contemporâneas da educação.Curso gratuito “Cidadania Digital”A plataforma Escolas Conectadas acaba de lançar o curso “Cidadania Digital”. A formação é gratuita e mostra a importância da cidadania digital dentro e fora das escolas, e incentiva o uso seguro, consciente e responsável da internet entre educadores e estudantes. Possibilita ainda que os educadores disponham de recursos e inspirações para abordar a temática da cidadania digital, conforme a sua área de conhecimento e em projetos interdisciplinares.Se inscreva no curso “Cidadania Digital”: https://bit.ly/CursoCidadaniaDigital

0