A nova sala de aula da profe Débora

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Antes do COVID-19 chegar na pequena Corumbiara, município que fica a 730 quilômetros de distância da capital de Rondônia, Porto Velho, a professora Débora Pizapio Moreno fez uma pergunta a seus alunos: quem aqui tem internet em casa? 

Débora já havia se tornado cursista do Escolas Conectadas e queria que os alunos pudessem ter um relacionamento mais próximo com os recursos tecnológicos que a escola oferecia: um projetor dividido entre as turmas e alguns computadores com acesso à internet. Então,  fez a pesquisa como uma maneira de entender o relacionamento deles com a tecnologia e repensar as práticas pedagógicas. 

Entre os 17 estudantes da sua turma, no terceiro ano do Ensino Fundamental da EEEFM Colina Verde, quase todos tinham algum acesso, fosse por pacote de dados do celular dos familiares, antenas nas propriedades e até via rádio. 

A professora criou, no início do ano letivo, um grupo da turma no WhatsApp. O que começou como um desejo da professora virou o principal canal de comunicação entre ela e os alunos durante a pandemia de Covid-19. Débora usa o aplicativo de mensagens para enviar atividades e manter o vínculo com a turma. Os alunos que não dispõem de conectividade recebem as atividades impressas em casa, com todos os cuidados necessários, por meio de um mensageiro.

— Comecei vendo as ideias dos cursos da plataforma sobre vídeos, eu tinha curiosidade. Peguei algumas técnicas aqui do curso Escola Digital: Curadoria de Objetos Digitais de Aprendizagem e passei para eles “no grupo do zap da turma” e nas orientações impressas. Tem surtido muito efeito nas aulas de artes, de apresentar o que compreendeu do conteúdo, nas aulas de projeto — conta a professora.

Só neste ano, a professora já investiu em 14 cursos do Escolas Conectadas como forma de buscar aprimorar as práticas pedagógicas com os alunos no período de distanciamento social. No conjunto estão os três títulos da série Escola Digital.

— A gente se comunica bastante por áudio, tem vezes que envio vídeo, mas a internet fica um pouco lenta para baixar e enviar. Tem dias que até imagem fica difícil. No Dia do Meio Ambiente, pedi que eles tirassem fotos da natureza da casa deles e mandassem no grupo. É muito bom, porque todo mundo vê, interage, bate palmas. Eu estou aqui na minha casa e tenho alunos a 60 quilômetros de mim - e também no meu celular — conta a professora.

O grupo também é uma forma de matar a saudade dos pequenos, que enviam áudios para conversar com a turma. Um dos pontos positivos trazidos pela professora Débora é sobre o engajamento dos familiares e cuidadores com a educação das crianças.

— Acabei achando uma maneira dos pais estarem mais presentes na sala de aula hoje do que quando estávamos na escola. Nem todos os pais têm a condição de frequentar a escola por causa da distância e agora estão frequentando a sala de aula e participando mais — observa.


A distância não é um desafio desconhecido para a professora Débora. A escola é localizada em zona rural, e o acesso já era difícil diariamente. A professora conta que há uma distância de até 50 quilômetros entre as escolas e os alunos que residem mais longe. Ela mesma é moradora de Cerejeiras, cidade vizinha de Corumbiara, e mora a 15 quilômetros da escola.

— Essa história da pandemia está me fazendo refletir muito. Quando a gente voltar, eu quero mudar um pouco o meu perfil, trabalhar cada vez mais com meus alunos o uso das tecnologias. Mesmo a escola tendo pouco recurso, quero continuar usando celular, os computadores que a escola tiver, eu quero pegar o conhecimento que eu estou adquirindo aqui nos cursos e levar para a sala de aula quando voltar — pondera.

Enquanto isso a sala de aula continua 100% digital, a professora continua aprofundando seus estudos na plataforma de como a tecnologia pode mudar sua sala de aula (a matrícula mais recente dela? Se meu computador pensasse: uma correlação entre a lógica computacional e os problemas do dia a dia). 

Buscar conhecimento online sempre esteve na trajetória da professora Débora. Formada em Pedagogia em uma graduação semi-presencial, a Educação a Distância foi a única opção possível para que ela cursasse uma faculdade e uma especialização na região. A Educação a Distância foi o principal meio que auxiliou Débora a se tornar professora. Hoje, faz com que os alunos não esqueçam da Profe Débora. 

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