Para gostar de aprender: o despertar do interesse pelas letras - Dia da Alfabetização (08/09)

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No universo da alfabetização, existe uma série de discussões e dissensos sobre estratégias e métodos. O debate gira principalmente em torno de uma oposição que se estabeleceu entre o método fônico (que privilegia as correspondências fonema-grafema) e o global (o qual prioriza unidades completas de linguagem, mais alinhado à perspectiva construtivista). Passa também pela diferenciação entre alfabetização e letramento. Isto só para ficar na superfície da questão. O conflito já dura décadas no País, mas não é uma exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, por exemplo, a expressão "reading wars" (guerras de leitura em tradução literal) é usada para se referir ao embate, embora sua intensidade por lá seja hoje menor.

Independente do caminho escolhido, Silvia de Oliveira Kist, pedagoga, mestre e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além de autora de vários cursos no projeto Escolas Conectadas, como o Alfabetizando na diversidade, aponta para um fator determinante e por vezes negligenciado: o interesse do aluno.

– O método me parece menos importante quando os alunos têm uma necessidade afetiva e cognitiva desse conhecimento. Se a criança não quiser aprender, ela não vai aprender – reforça.

Ainda que a construção seja do indivíduo, ele precisa ter despertados o interesse e a necessidade da comunicação escrita, atribuindo valor para esse conhecimento. E, para que isso ocorra, assim como em diversos âmbitos da educação, a responsabilidade é compartilhada entre familiares e escola.

– É importante ter clareza de que o aluno é ativo nesse processo e, por mais que a escola tente “ensinar”, é o sujeito que fará as relações para aprender. O professor precisa utilizar diferentes estratégias para engajar os alunos, criar situações em que eles possam manifestar suas hipóteses de escrita e ser autores da sua escrita.

 Quanto aos métodos, Silvia acredita que ambos – fônico e global – têm elementos interessantes. Apesar da orientação construtivista, que ela defende ser uma teoria de como as pessoas aprendem, e não necessariamente um método em si, salienta que é necessário sistematizar o ensino da relação grafema-fonema, já que essa construção não ocorre espontaneamente.

– O ideal seria formalizar os conhecimentos sobre a língua escrita quando a criança expressa essa necessidade durante usos em contexto de letramento, ou seja, alfabetizar, letrando – explica, ao destacar que é preciso que a utilização e a mobilização da língua escrita se deem em situações reais, e não por meio de textos do tipo "Ivo viu a uva".

Assim como cada aluno tem seu tempo, não existe um único jeito de ensinar e alfabetizar. As soluções podem ser acessadas e utilizadas de acordo com as demandas de cada indivíduo. Para auxiliar neste desafio, o professor pode contar com os conteúdos dos cursos da plataforma Escolas Conectadas. 

No conjunto de títulos, as formações "Alfabetizando na diversidade", "Escrita criativa: com a palavra, a autoria" e "Produção textual na Cultura Digital" podem trazer boas ideias e inspirações para a aplicação em sala de aula. 

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